<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-5585094901893319171</id><updated>2011-11-27T22:48:45.693-02:00</updated><title type='text'>Longtemps je me suis couché de bonne heure</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://famadoria.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5585094901893319171/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://famadoria.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5585094901893319171/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>Francisco Antonio Doria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16243520355535324710</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>102</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5585094901893319171.post-4203926967141771196</id><published>2009-11-30T15:44:00.002-02:00</published><updated>2009-11-30T15:54:34.331-02:00</updated><title type='text'>Dr. Cristóvão da Costa: uma genealogia tentativa.</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;1. Vasco Lourenço. &lt;/span&gt;Atestado em Tavira e nascido em 1404. Poderia ser filho de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Lourenço Paes da Costa, &lt;/span&gt;de Lagos (Lourenço Pais da Costa foi escudeiro do infante D. Pedro, tabelião de Lagos onde morava, procurador dos resíduos de Lagos (31.5.1443) e escrivão perante o contador dos vassalos (9.1.1444)).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vasco Lourenço era cunhado ou concunhado do Dr. Mestre Rodrigo [de Lucena], físico mor. Pelo nome de seu filho, poderia ser casado com uma filha de Afonso Madeira, vassalo d'El Rei, citado em 1385, e cuja descendência fica em Tavira no século XV. Nesse caso, a relação ao Dr. Rodrigo de Lucena seria de concunhado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vasco Lourenço é dado como vassalo d'El Rei em 1474, aos 70 anos. Pai de:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;2. Dr. Mestre Afonso Madeira. &lt;/span&gt;Teria nascido c. 1434; habilitado como cirurgião perente o tio Dr. Rodrigo de Lucena em 1456; falecido em 1475. Pai de:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;3. Dr. Cristóvão da Costa&lt;/span&gt;, já biografado. Seu nascimento ter-se-ia dado em 1475 ou pouco antes.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5585094901893319171-4203926967141771196?l=famadoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://famadoria.blogspot.com/feeds/4203926967141771196/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5585094901893319171&amp;postID=4203926967141771196' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5585094901893319171/posts/default/4203926967141771196'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5585094901893319171/posts/default/4203926967141771196'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://famadoria.blogspot.com/2009/11/dr-cristovao-da-costa-uma-genealogia.html' title='Dr. Cristóvão da Costa: uma genealogia tentativa.'/><author><name>Francisco Antonio Doria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16243520355535324710</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5585094901893319171.post-3895941824760620905</id><published>2009-11-30T10:34:00.004-02:00</published><updated>2009-11-30T11:09:09.222-02:00</updated><title type='text'>Dr. Cristóvão da Costa: mensagens de Manuel Abranches de Soveral</title><content type='html'>Manuel Abranches de Soveral, sempre prestimoso, mandou-me duas mensagens sobre o Dr. Cristóvão da Costa, que transcrevo em seguida:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caro Francisco&lt;br /&gt;Dados os cargos do doutor Cristóvão, a solução tinha de estar, como de facto estava, na Chancelaria de D. Manuel I. E agora posso-lhe acrescentar mais alguma coisa, pois já me confrontei com esses físicos-mores. Desde logo, não eram judeus, mas sim gente nobre. Ao contrário do que se possa pensar, se é verdade que os judeus (e depois os cristãos-novos) pontificavam na Medicina, não tinham o seu exclusivo e muitos cristãos-velhos, inclusive membros da Igreja, até bispos, ocuparam o cargo de físico-mor. Antes da conversão obrigatória, é até muito fácil distingui-los na documentação, não só pela onomástica mas porque os judeus são em geral referidos como tal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há muitos Mestres Afonsos, físicos e cirurgiões contemporâneos. E, para complicar ainda mais as coisas, há até dois doutores Mestre Afonso físicos-mores, um de D. Afonso V e outro de D. Manuel I. Fui tentar saber de qual dos dois era filho o seu Cristóvão. E verifiquei que já a 11.10.1520 o doutor Cristóvão da Costa é referido como filho do doutor Mestre Afonso, que foi físico-mor. Ora, o doutor Mestre Afonso que foi físico-mor de D. Manuel I ainda se documenta neste cargo a 24.8.1521. Pelo que não pode ser o mesmo. Temos, assim, que o doutor Cristóvão da Costa era filho do doutor Mestre Afonso, físico-mor de D. Afonso V, o que aliás concorda melhor com a cronologia, pois o físico-mor de D. Manuel I só ocupou o cargo em 1515, devendo ser o homónimo que teve carta de cirurgião a 1.6.1489 (CJII, 16, 23). Antes dele foi físico-mor António de Lucena, que sucedeu a seu presumível pai Rodrigo de Lucena.&lt;br /&gt;E felizmente para si que assim é, porque sobre o doutor Mestre Afonso, físico-mor de D. Afonso V, já lhe posso dizer bem mais. Desde logo, que se chamou Afonso Madeira, era cavaleiro da Casa Real, filho de Vasco Lourenço, morador em Tavira, que foi aposentado com honras de vassalo do rei, e sobrinho do dito físico-mor Rodrigo de Lucena, cavaleiro da Casa Real, «homem fidalgo», que foi sucessivamente cirurgião do infante D. João, do infante D. Henrique e do príncipe herdeiro (futuro D. João II), e finalmente substituiu o sobrinho, que morreu novo, como físico-mor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo indica, portanto, que a mãe do doutor Mestre Afonso Madeira (normalmente aparece apenas como doutor Mestre Afonso) era Lucena. O pai, Vasco Lourenço, foi aposentado em 1474 com 70 anos, pelo que nasceu em 1404. Talvez seja o Vasco Lourenço, escudeiro da Casa Real, que foi nomeado escrivão da Alfândega de Tavira em 1464. O doutor Mestre Afonso Madeira terá nascido cerca de 1434, e teve carta de cirurgião em 1456, teria 22 anos. Em 1459 já era físico-mor, vindo a falecer relativamente novo em 1475, sucedendo-lhe o tio no cargo. Portanto, o doutor Cristóvão da Costa nasceu em 1475 ou antes, ficando órfão criança. O doutor Mestre Afonso é certamente o que, referido como comendador de Pinheiro de Ázere na Ordem de Santiago, teve menos uma filha ilegítima, Luzia Afonso, legitimada por carta real de 1472. É possível que o doutor Mestre Afonso Madeira seja irmão ou sobrinho de um João Madeira que a seu pedido foi em 1459 feito escrivão dos feitos das sisas régias de Mértola.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vasco Lourenço, o pai, seria Madeira, de Tavira, supõe-se. O Miguel Corte Real poderá dizer melhor. E pergunto-me se não seria também Costa e irmão do Fernando Lourenço da Costa que era escudeiro do infante D. Pedro e morador em Beja quando 16.1.1441 seu criado Fernão Rodrigues foi nomeado homem do almoxarifado dessa vila. Alternativamente, o doutor Mestre Afonso Madeira podia ter casado com uma Costa, possivelmente de Tavira, donde ele seria natural, já que o pai aí vivia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O doutor Mestre Rodrigo de Lucena (em geral aparece apenas como doutor Mestre Rodrigo ou apenas Mestre Rodrigo) teve documentalmente um filho João, que em 1468 teve uma bolsa de estudo. E é certamente pai do já referido físico-mor doutor Mestre António de Lucena, que lhe sucedeu no cargo. A relação de Mestre Rodrigo com o doutor Vasco Fernandes (de Lucena) não a tenho apurada. É certo que o doutor Vasco Fernandes casou com Violante de Alvim e que não era judeu. E também é certo que nunca aparece como Lucena, e sempre apenas como doutor Vasco Fernandes e assim assina inúmeras cartas como desembargador de D. Duarte.&lt;br /&gt;Finalmente, há um Afonso Madeira que ronda a cronologia do doutor Cristóvão da Costa e pode ser seu irmão. Foi lente de Cânones da Universidade (Estudos Gerais) de Lisboa e era depois arcediago e desembargador dos agravos da Casa da Suplicação. Como clérigo, tomou ordens, matrícula onde virão os nomes dos pais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segue a indicação da documentação concernente:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;28.9.1497 - A mestre Jerónimo, físico, morador em Estremoz, confirmação da licença para exercer em todo o reino. Fora examinado há 24 anos pelo doutor Mestre Afonso. O doutor Mestre António de Lucena&lt;br /&gt;examinou-o e achou-o suficiente (CMI, 28, 23v).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;26.3.1498 - A mestre Lopo, morador em Elvas, confirmação da licença para usar da ciência e arte de&lt;br /&gt;medicina por todo o reino e senhorios, com parecer favorável de mestre António de Lucena, físico-mor.&lt;br /&gt;Fora examinado há 25 anos pelo doutor Mestre Afonso Madeira. Jurou na Chancelaria. El-rei o mandou&lt;br /&gt;pelo mestre António de Lucena, físico-mor. (CMI, 44, 3)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;25.3.1498 - Mestre António, físico-mor na vila de Tomar, informou, através de uma carta, que havia muitos&lt;br /&gt;anos que aprendera a arte de cirurgia e medicina, e que há cerca de 30 anos tinha sido examinado por&lt;br /&gt;Mestre Afonso Madeira, físico-mor de el rei D. Afonso V. Agora queria ser examinado pelo doutor Mestre&lt;br /&gt;António de Lucena, físico-mor, para lhe ser passada nova mercê do ofício de confirmação, o que&lt;br /&gt;aconteceu. El-rei o mandou pelo doutor Mestre António, seu físico-mor (CMI, 14, 53v).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;15.1.1496 - Ao bacharel Afonso Madeira, confirmação do instrumento de eleição do lente da cadeira de&lt;br /&gt;Cânones, do Estudo da cidade de Lisboa, datado de 1495, apresentado pelo protonotário bedel desse&lt;br /&gt;Estudo. E mandava ao reitor e lentes, conselheiros e (…). dessa Universidade que o houvessem por lente&lt;br /&gt;dessa cadeira, e outro não, com os próis que direitamente pertencessem (CMI, 32, 60).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;7.8.1498 - Carta de confirmação da eleição do bacharel João Carreiro para a cadeira dos Cânones da&lt;br /&gt;hora de prima, conforme um instrumento de eleição, que apresentou, que foi feita pelo reitor e lentes das&lt;br /&gt;escolas gerais de Lisboa. A mesma foi feita porque o lugar era vago, por renunciação que dela fez, nas&lt;br /&gt;mãos do dito reitor, Afonso Madeira (CMI, 29, 122).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;8.3.1496 - Ao bacharel Afonso Madeira foi dada confirmação da eleição para reger uma cadeira nas&lt;br /&gt;escolas gerais de estudo da cidade de Lisboa, da qual era reitor Álvaro Anes, capelão da Rainha. O eleito&lt;br /&gt;apresentou um instrumento público de eleição, feito a 22.2.1496, dizendo que a cadeira de cânones&lt;br /&gt;estava vaga por renunciação do licenciado Fernão Rodrigues, por ser desembargador na relação do Rei.&lt;br /&gt;João Fernandes, bacharel, disse na escola diante de todos os presentes que deixava o lugar vago a&lt;br /&gt;Afonso Madeira. Todos concordaram que ele fosse eleito e o reitor lhe passou instrumento, sendo&lt;br /&gt;testemunhas o doutor Estêvão Borges, de Leis, Vicente Gonçalves, escolar em Leis e conselheiro da dita&lt;br /&gt;escola, Pero Afonso, escolar em Cânones, e Fernão Gonçalves, bedel do dito estudo e público notário por&lt;br /&gt;autoridade real (CMI, 26, 40).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;29.2.1519 - Mercê ao arcediago Afonso Madeira, desembargador dos agravos da Casa da Suplicação, do&lt;br /&gt;mantimento de 60.000 reais por ano (CMI, 35, 108).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2.12.1456 - D. Afonso V privilegiou mestre Afonso, sobrinho de mestre Rodrigo, cirurgião do infante D. João,&lt;br /&gt;concedendo-lhe licença para exercer a profissão de cirurgião em todo o reino (CAV, 13, 70v).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;13.1.1459 - D. Afonso V nomeou novamente João Madeira, escudeiro régio, a pedido de mestre Afonso&lt;br /&gt;Madeira, físico-mor, para o cargo de escrivão dos feitos das sisas régias de Mértola (CAV, 36, 33v e 125v e&lt;br /&gt;126).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;6.9.1462 - D. Afonso V privilegiou Pedro Domingues, alfaiate, morador em Coimbra, a pedido do  mestre&lt;br /&gt;Afonso Madeira, físico-mor, isentando-o do direito de pousada. (CAV, 1, 9v)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;13.2.1464 - D. Afonso V nomeou Vasco Lourenço, escudeiro da sua Casa, para o cargo de escrivão da&lt;br /&gt;Alfândega de Tavira, em substituição de Gil Vasques (CAV, 8, 187).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;27.7.1466 - D. Afonso V privilegiou Afonso Rodrigues, carniceiro, a pedido do doutor Mestre Afonso&lt;br /&gt;Madeira, físico-mor régio, concedendo-lhe licença para que possa comprar gados em qualquer lugar do&lt;br /&gt;reino (CAV, 14, 53).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;11.9.1472 D. Afonso V  privilegiou mestre Fernando, cirurgião, natural do reino de Castela, e na sequência&lt;br /&gt;do exame feito pelo Dr. Afonso Madeira, fisico-mor régio, cavaleiro da Casa Real, concedendo-lhe&lt;br /&gt;licença para usar da arte da física por todo o reino (CAV, 33, 199).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2.12.1472 - D. Afonso V legitimou Luzia Afonso, filha do doutor Mestre Afonso, comendador de Pinheiro de&lt;br /&gt;Ázere na Ordem de Santiago, e de Margarida Afonso, mulher solteira, a pedido de seu pai (CAV, 29,&lt;br /&gt;264v).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1.2.1474 - D. Afonso V privilegiou Vasco Lourenço, morador na vila de Tavira, pai do doutor Mestre Afonso&lt;br /&gt;Madeira, físico régio, recebendo-o por vassalo régio e concede-lhe aposentação, com todas as honras,&lt;br /&gt;privilégios, liberdades e franquezas dos vassalos aposentados pela idade de 70 anos (CAV, 10, 69v)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;13.9.1475 - D. Afonso V nomeou o doutor Mestre Rodrigo, físico do príncipe D. João, para o cargo de&lt;br /&gt;físico-mor, com todos os direitos que tinham os outros físico-mor, em substituição do doutor mestre Afonso&lt;br /&gt;Madeira, que morrera (CAV, 30, 30).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;19.1.1439 - D. Afonso V concedeu carta de privilégio a mestre Rodrigo, cirurgião, cavaleiro da casa régia,&lt;br /&gt;para quatro lavradores que estiverem no paúl e nas terras de arredor dele, junto a Soure, isentando-os do&lt;br /&gt;pagamento de diversos impostos e encargos concelhios (CAV, 25, 12v).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;20.3.1442 - D. Afonso V privilegiou mestre Rodrigo, homem fidalgo, cirurgião do infante D. João, e a pedido&lt;br /&gt;deste, concedendo-lhe todas as honras, privilégios, liberdades e franquias dos vassalos régios (CAV, 95, 93).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3.12.1455 D. Afonso V perdoou a justiça régia a Mestre Rodrigo, cirurgião do infante D. Henrique, rendeiro&lt;br /&gt;das sisas régias na vila de Leiria, pelas más palavras que dirigira ao juiz da dita vila, por este ter posto em&lt;br /&gt;pregão os bens que possuía na mesma vila sem seu conhecimento e sem razão, porque esteve ausente&lt;br /&gt;dessa vila durante alguns dias, tendo pago 300 reais brancos para a Chancelaria régia (CAV, 25, 92).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;31.11-1468 D. Afonso V doou a João, filho do doutor Mestre Rodrigo, físico do príncipe, enquanto sua&lt;br /&gt;mercê for, uma tença anual de 4.800 reais brancos,  a  partir de 1 de Janeiro de 1468, para mantimento&lt;br /&gt;do seu estudo (CAV, 28, 34v).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;27.6.1475 D. Afonso V doou ao doutor Rodrigo, mestre, físico-mor régio, a metade dos bens de Isabel&lt;br /&gt;Martins, viúva de Luiz Martins, vassalo régio, morador na cidade de Lisboa (CAV, 30, 78).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;30.3.1499 - Diogo da Mota, criado de Mestre Rodrigo, físico-mor da corte, mercê do ofício de tabelião na&lt;br /&gt;vila de Armamar (CMI, 14, 22v).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;22.2.1496 - A Mestre Salomão Abraão Abile, filho de Mestre Samuel, morador em Setúbal, foi dada carta&lt;br /&gt;de físico. El-Rei o mandou pelo doutor Mestre Rodrigo de Lucena seu físico-mor, cavaleiro de sua casa&lt;br /&gt;(CMI, 26, 102).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;17.1.1496 - Ao doutor Mestre Rodrigo, nosso físico-mor, foi dada confirmação de uma carta padrão de&lt;br /&gt;tença anual, que ele já tinha de D. João II, de 38.632 reais que ele tinha em cada ano, a saber: 30.000 de&lt;br /&gt;morada, à razão de 2.500 por mês, mais 4.200 de sua vestiaria e 4.392 de sua cevada, ordenada à razão&lt;br /&gt;de um alqueire de cevada por dia a 120 reais o alqueire. Pediu-nos o dito doutor que o dinheiro todo lhe&lt;br /&gt;mandássemos assentar, por tença, nos livros da fazenda e nós querendo-lhe fazer graça e mercê, damo-&lt;br /&gt;lo a partir de Janeiro de 1496 em diante. Mandamos aos vedores da fazenda que o assentem nos livros&lt;br /&gt;dela. (CMI, 26, 120 e 120v).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;21.8.1438 - D. Afonso V doou a Violante de Alvim, donzela da sua Casa, e ao doutor Vasco Fernandes, desembargador régio, uma tença anual no valor de1.500 coroas de bom ouro e cunho do rei de França, por seu casamento, a partir de Janeiro de 1439 (CAV, 18, 36).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1.8.1439 - D. Afonso V doou ao doutor Vasco Fernandes, desembargador régio, uma tença anual de 245.000 libras, até lhe serem pagas 700 coroas de ouro, que ainda lhe não foram pagas por seu mantimento quando fora embaixador na embaixada do conde de Ourém (CAV, 19, 91v).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um abraço,&lt;br /&gt;Manuel&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caro Francisco&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estive para fora, pelo que só agora lhe respondo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por mim pode postar o que entender, mas convém ter todos os cuidados, porque, como verá&lt;br /&gt;adiante, nem sempre o que parece é. Eu sei que é frustrante estar longe das fontes, mas o assunto carece de maior investigação. Sobretudo no que respeita às ligações Lucena e Costa.&lt;br /&gt;Porque quanto ao resto, não me restam muitas dúvidas de que, de uma forma ou doutra, era&lt;br /&gt;Madeira Arrais, de Tavira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Manso de Lima fala num Afonso Madeira de Mendonça que foi clérigo e desembargador e teve&lt;br /&gt;uma filha, Maria de Mendonça, casada com Jorge de Brito de Souza. É claramente o que referi,&lt;br /&gt;arcediago e desembargador dos agravos da Casa da Suplicação em 1519, embora sem o&lt;br /&gt;Mendonça. E o mesmo autor di-lo filho de Rui Madeira Arrais, que viveu em Faro nos reinados de D. Afonso V e D. Duarte, a quem noutro sítio chama Rui Madeira de Mendonça e diz filho de um doutor Afonso Madeira de Mendonça que viveu no reinado de D. João II (diz III, mas devia querer dizer II) , o que em qualquer dos casos é anacrónico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não topei com nenhum destes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O certo é que os Madeira Arrais, de Tavira, descendem de Gonçalo Arrais, vassalo de D. João I,&lt;br /&gt;que viveu em Tavira, e de sua (segunda) mulher (Inez) Madeira, filha de Afonso Madeira, também vassalo do mesmo rei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A 17.4.1384 D. João I doou a «gonçallo arraiz nosso uasallo», pelo muito serviço que lhe fez e&lt;br /&gt;esperava ainda dele receber, para todo o sempre, um figueiral em Tavira que pelo rei D. Fernando trazia de foro Constança Vasques, mulher que fora de Diogo Gil, moradores nessa vila, conquanto de seu prazimento a dita Constança Vasques lhe queira deixar o dito figueiral.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A 10.12.1385 o mesmo rei doou a Afonso Madeira, seu vassalo, o senhorio do julgado de Fermedo, com todas as suas rendas, direitos, foros, pertenças e jurisdição cível e crime. Tinha-lhe antes doado os bens de Afonso Gomes da Silva, que estava em deserviço, e a este devolveu a 4.12.1385. E a 27.10.1387 confirmou a Afonso Madeira as terras que tinha Aires Gonçalves de Figueiredo, que estivera preso com o conde de Neiva, em deserviço. As restantes terras de Aires Gonçalves de Figueiredo tinham passado a 5 do mesmo mês para o camareiro-mor João Rodrigues de Sá (casado com uma neta do dito Aires Gonçalves de Figueiredo). Essas terras, não especificadas, eram basicamente Fermedo, senhorio que por morte de Afonso Madeira passou para Isabel Pereira, neta do antedito Aires Gonçalves de Figueiredo, casada com Vasco Pereira, filho segundo da Casa da Feira, em cuja geração este senhorio se manteve.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E certo, também, é que os Madeira/Arrais permaneceram em Tavira no século seguinte:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A 3.7.1450 D. Afonso V perdoou a justiça régia e concedeu carta de segurança a Lourenço&lt;br /&gt;Esteves, morador que foi em Tavira, pela morte de João Vasques Madeira, pelos serviços prestados nas guerras passadas, contanto que vá cinco anos para a cidade de Ceuta (CAV, 34, 123v).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A 26.2.1454 D. Afonso V confirmou o aforamento a João Arrais, morador em Tavira, de uns moinhos e terras no termo da vila de Tavira, segundo as cartas dos reis seus antecessores que as aforaram a seu avô, João Arrais, e posteriormente a sua mãe (CAV, 6v a 7v).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A 18.7.1456 D. Afonso V legitimou Luiz, filho de Frei João Arrais, frade da Ordem de S. Francisco e de Inez Lourenço, mulher solteira, a pedido de seu pai (CAV, 13, 96).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A 26.12.1460 D. Afonso V doou a D. Vasco de Ataíde, prior de S. João do Hospital, os bens móveis e de raiz que pertenceram a Luiz Madeira, escudeiro da Casa Real, morador em Tavira, que os perdeu por ter levado carneiros para Castela (CAV, 35, 103v).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, é claro, em Tavira vivia o pai do doutor Mestre Afonso Madeira, Vasco Lourenço, n. em 1404, ao que tudo indica casado com uma irmã do doutor Mestre Rodrigo de Lucena (se bem que este&lt;br /&gt;também podia ser tio de Afonso Madeira por afinidade, e neste caso ter casado com uma irmã de&lt;br /&gt;Vasco Lourenço ou com uma irmã de sua mulher, que assim já podia ser uma Costa).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Finalmente, há um Lopo Madeira que a 28.7.1473 teve licença para praticar cirurgia por todo o&lt;br /&gt;reino (CAV, 33, 152v). Terá assim nascido cerca de 1451 e deve ser parente do doutor Mestre&lt;br /&gt;Afonso Madeira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um abraço,&lt;br /&gt;Manuel&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5585094901893319171-3895941824760620905?l=famadoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://famadoria.blogspot.com/feeds/3895941824760620905/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5585094901893319171&amp;postID=3895941824760620905' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5585094901893319171/posts/default/3895941824760620905'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5585094901893319171/posts/default/3895941824760620905'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://famadoria.blogspot.com/2009/11/dr-cristovao-da-costa-mensagens-de.html' title='Dr. Cristóvão da Costa: mensagens de Manuel Abranches de Soveral'/><author><name>Francisco Antonio Doria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16243520355535324710</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5585094901893319171.post-3463230028132572032</id><published>2009-11-24T06:53:00.003-02:00</published><updated>2009-11-24T10:29:20.087-02:00</updated><title type='text'>Dr. Cristóvão da Costa: marranos, Lucenas e Costas</title><content type='html'>Filiar como havia feito antes o Dr. Cristóvão da Costa nos Costas algarvios (e dele a biografia já explicito) foi um erro meu. Coloquei-o — com base na interpretação errada de um documento — como filho de Afonso da Costa, alcaide de Lagos. Não o foi. O Dr. Cristóvão da Costa foi filho do Dr. mestre Afonso, físico mor (uma espécie de ministro da saúde) de Portugal e catedrático de física do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;studium generale &lt;/span&gt;de Lisboa, depois de 1499.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Leio, num artigo de Iria Gonçalves, “Físicos e cirurgiões quatrocentistas,” que cerca de 2/3 dos médicos (físicos) e cirurgiões desse período em Portugal eram judeus ou marranos. Era, com certeza, este o caso do Dr. mestre Afonso. E agora conto a história de sua gente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Notemos de início o status muito alto de sua família, no estamento burocrático português: o Dr. mestre Afonso chega a físico mor (parênteses: não me habituo a escrever fisicomor, como o exige esta infame nova ortografia), e seu filho o Dr. Cristóvão da Costa será reitor da universidade em 1526, desembargador em 1521, e chanceler-mor depois de 1530. Pois encontro, no artigo de Iria Gonçalves, em 2.12.1456, um mestre Afonso que recebe carta de cirurgião. Na carta nota-se que é sobrinho de mestre Rodrigo, cirurgião do infante D. João. Penso que neste cirurgião diplomado em 1456 começa esta minha história.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Anselmo Braamcamp Freire leio (baseia-se em parte em Alão de Moraes) sobre os três irmãos Lucenas: o Dr. Vasco Fernandes de Lucena, sobre quem já falo; o Dr. mestre Rodrigo de Lucena, físico mor do reino até 1499 ou pouco depois, e o mestre Afonso, que Braamcamp Freire identifica ao “físico da infanta,” embora não saiba eu que infanta o era.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Dr. Vasco Fernandes de Lucena é formidando personagem. Amarranado na origem, segundo Alão, seria seu pai certo Fernão Vaz ignoto, irmão presumido do mestre Rodrigo que se documenta. Fernão Vaz está em Felgueiras Gayo (sim, sim, sei das desconfianças com o que diz  Gayo, mas este nome reaparece nas gerações futuras, e faz &lt;span style="font-style: italic;"&gt;pendant &lt;/span&gt;com Vasco Fernandes). Imagino este Fernão Vaz como um marrano de primeira geração, nascido nos últimos anos do século XIV, rico e muito bem educado, porque tiveram alta educação seus filhos. E bem sucedidos o foram. Em 20.4.1487, numa sentença, o Dr. Vasco Fernandes de Lucena dá-se os títulos de — “do conselho e desembargo de el Rei, conde palatino e cronista-mor do reino.” O título de conde palatino ter-lhe-ia sido concedido pelo papa Inocêncio VIII Cybò em 1485 quando o Dr. Vasco a este se apresentou como embaixador de Portugal. Braamcamp despreza o título, dizendo que nada valia — mas na Itália era muito apreciado, e ecoava os &lt;span style="font-style: italic;"&gt;comites &lt;span style="font-style: italic;"&gt;stabuli &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;etc que vinham do tempo dos romanos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desembargador, cronista mor, embaixador e conde palatino. Notável indivíduo. Seu irmão o Dr. mestre Rodrigo de Lucena é físico mor do reino até pelo menos 1499, e a ele sucede como físico mor o Dr. mestre Afonso, nomeado em 1499 para a cátedra portuguesa de física. Pois nisso, e no alto status, no estamento burocrático português, de seu filho o Dr. Cristóvão da Costa, me baseio para identificar o “mestre Afonso” irmão dos dois Lucenas, Vasco e Rodrigo, ao Dr. mestre Afonso que passa a físico mor do reino em 1499.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eram, de fato, altos personagens. O Dr. Cristóvão da Costa nasce por volta de 1485 — seu pai já teria então mais de 50 anos, presumo. Estuda cânones em Salamanca, e é admitido no &lt;span style="font-style: italic;"&gt;studium generale &lt;/span&gt;de Lisboa em começos de 1512 como bacharel. Doutora-se em cânones em Siena em 1518; volta a Portugal e em 19.9.1520 é nomeado desembargador da casa do cível por D. Manuel, com 2 mil reais de mantimentos por ano (recebe outros emolumentos, ainda, e vultosos). Depois de 1530 é chanceler da relação, posição que é a terceira mais alta do reino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Numa carta de brasão passada a um seu descendente em 14.7.1603, falam do parentesco destes aos Costas do Armeiro-Mor, de D. Duarte da Costa, governador geral do Brasil até 1556. Aparece na descendência do Dr. Cristóvão da Costa o nome “Pedro Homem da Costa,” que ocorre pela primeira vez nos Algarves em começos do século XV. Esses marranos de alta hierarquia, Damião Dias, Diogo de Crasto do Rio, o próprio Dr. Vasco Fernandes de Lucena, costumavam casar com mulheres nobres, de nobreza notável, ou seus descendentes — o próprio Dr. Vasco teve por mulher a uma Azevedo, dos Azevedos antigos; Damião Dias, a uma Meneses. Assim, é possível que o Dr. mestre Afonso tenha tido por mulher uma Costa de nobreza explícita, e este sobrenome da mulher será o que repassa aos descendentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O filho do Dr. Cristóvão da Costa, Fernão Vaz da Costa — nome que herdou do avô materno, o desembargador Dr. Fernão Vaz de Caminha (sim, seria sobrinho neto de Pero Vaz, o cronista) — nasce por volta de 1520 e morre em 1565 ou 1566. Vem para o Brasil com Tomé de Sousa, em 1549, largando em Portugal o morgadio constituído pelo avô materno, e aqui se casa com Clemenza Doria, bastarda do banqueiro genovês Aleramo Doria. E começam minha família, os Costas Dorias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O nome “Fernão Vaz” vem-lhe, e aos demais Fernãos Vaz sucessivos, que os houve quatro, nos séculos XVI e XVII, na Bahia, do desembargador Caminha, que o teve do avô materno, clérigo de missa e luxurioso como todos que tais, no século XV. Mas — pode ser que o presumido bisavô, o Fernão Vaz marrano, tenha tambem contado para que este fosse o nome de meu antepassado, e dos seus descendentes, na linha que usava alternadamente os nomes &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Vaz da Costa &lt;/span&gt;e &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Sá Doria. &lt;/span&gt;E ainda há quinze anos vivia em Salvador, já idoso, um primo, Fernão da Costa Doria. Que exibia este prenome familiar obsessivo, desde o século XV, talvez mesmo o século XIV...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5585094901893319171-3463230028132572032?l=famadoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://famadoria.blogspot.com/feeds/3463230028132572032/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5585094901893319171&amp;postID=3463230028132572032' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5585094901893319171/posts/default/3463230028132572032'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5585094901893319171/posts/default/3463230028132572032'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://famadoria.blogspot.com/2009/11/dr-cristovao-da-costa-marranos-lucenas.html' title='Dr. Cristóvão da Costa: marranos, Lucenas e Costas'/><author><name>Francisco Antonio Doria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16243520355535324710</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5585094901893319171.post-3989745255208192853</id><published>2008-12-11T09:33:00.002-02:00</published><updated>2008-12-11T09:37:20.976-02:00</updated><title type='text'>Dois livros obscenos recentes</title><content type='html'>http://e-papers.com.br/produtos.asp?codigo_produto=1573&amp;amp;promo=0&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;http://www.collegepublications.co.uk/tributes/?00007&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5585094901893319171-3989745255208192853?l=famadoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://famadoria.blogspot.com/feeds/3989745255208192853/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5585094901893319171&amp;postID=3989745255208192853' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5585094901893319171/posts/default/3989745255208192853'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5585094901893319171/posts/default/3989745255208192853'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://famadoria.blogspot.com/2008/12/dois-livros-obscenos-recentes.html' title='Dois livros obscenos recentes'/><author><name>Francisco Antonio Doria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16243520355535324710</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5585094901893319171.post-232233078761021951</id><published>2008-12-11T09:11:00.000-02:00</published><updated>2008-12-11T09:12:04.682-02:00</updated><title type='text'>Livro sobre os Acciaiolis</title><content type='html'>Podem baixar; tá bonitinho, é todo ilustrado — e é de graça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;http://www.sendspace.com/file/617sbl&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5585094901893319171-232233078761021951?l=famadoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://famadoria.blogspot.com/feeds/232233078761021951/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5585094901893319171&amp;postID=232233078761021951' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5585094901893319171/posts/default/232233078761021951'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5585094901893319171/posts/default/232233078761021951'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://famadoria.blogspot.com/2008/12/livro-sobre-os-acciaiolis.html' title='Livro sobre os Acciaiolis'/><author><name>Francisco Antonio Doria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16243520355535324710</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5585094901893319171.post-7184117355183420861</id><published>2008-09-20T21:03:00.002-03:00</published><updated>2008-09-20T21:09:12.241-03:00</updated><title type='text'>Uma aula</title><content type='html'>Pra vocês verem minha cara feia, e minha voz de cana rachada...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=4cEcR2hgcCE"&gt;(Aula que dei em 19.9.08.)&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu clínico determinou que devo perder dez quilos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5585094901893319171-7184117355183420861?l=famadoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://famadoria.blogspot.com/feeds/7184117355183420861/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5585094901893319171&amp;postID=7184117355183420861' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5585094901893319171/posts/default/7184117355183420861'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5585094901893319171/posts/default/7184117355183420861'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://famadoria.blogspot.com/2008/09/uma-aula.html' title='Uma aula'/><author><name>Francisco Antonio Doria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16243520355535324710</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5585094901893319171.post-6262633356054260313</id><published>2008-08-31T04:17:00.003-03:00</published><updated>2008-08-31T04:24:55.641-03:00</updated><title type='text'>Montegufoni, 30 de agosto de 2008</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/__h2bPbXvmCw/SLpG3jf5fHI/AAAAAAAAALA/mGP9ITgE2eU/s1600-h/Montegufoni300808.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://4.bp.blogspot.com/__h2bPbXvmCw/SLpG3jf5fHI/AAAAAAAAALA/mGP9ITgE2eU/s320/Montegufoni300808.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5240579036634774642" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Tem história desde o século X. No século XII, Gugliarello Acciaioli comprou as terras, e lá construiu uma torre e umas casas fortificadas. Pertenceu aos Acciaiolis até 1837, quando morreu o marquês de Novi, último da linhagem, Nicola Diacinto Acciaioli de Vasconcellos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A torre visível na foto data de fins do século XIV, e foi construída por Donato di Jacopo Acciaioli, gonfaloneiro várias vezes em Florença e barão de Basciano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No portão, o leão dos Acciaiolis e o galgo dos Altovitis — Anna Maria Altoviti foi mulher de Donato Acciaioli, no século XVII; era poetisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Monteguffoni, monte dei guffi, morro dos corujões. Mas só ouvi de longe o pio de mochos, nada mais.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5585094901893319171-6262633356054260313?l=famadoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://famadoria.blogspot.com/feeds/6262633356054260313/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5585094901893319171&amp;postID=6262633356054260313' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5585094901893319171/posts/default/6262633356054260313'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5585094901893319171/posts/default/6262633356054260313'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://famadoria.blogspot.com/2008/08/montegufoni-30-de-agosto-de-2008.html' title='Montegufoni, 30 de agosto de 2008'/><author><name>Francisco Antonio Doria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16243520355535324710</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/__h2bPbXvmCw/SLpG3jf5fHI/AAAAAAAAALA/mGP9ITgE2eU/s72-c/Montegufoni300808.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5585094901893319171.post-485468769020345880</id><published>2008-06-24T07:49:00.004-03:00</published><updated>2009-02-15T22:28:22.711-03:00</updated><title type='text'>Brancaleone da Norcia</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/__h2bPbXvmCw/SGDfhB-uTbI/AAAAAAAAAK4/Xz5LtpbAT_c/s1600-h/nicola1.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://1.bp.blogspot.com/__h2bPbXvmCw/SGDfhB-uTbI/AAAAAAAAAK4/Xz5LtpbAT_c/s320/nicola1.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5215414127055228338" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;(...ou a história de alguns antepassados de capa-e-espada.)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Personagens de histórias de capa e espada; é a parte divertida dessa gente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Começo em Guidalotto Acciaioli, filho de Acciaiolo Acciaioli, que aparece citado entre os que se envolvem na guerra contra Arezzo em 1290. Casou-se com Ghisella … , cujo sobrenome se desconhece. A linha principal da família descende de seu filho primogênito Mannino, ou Tommaso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi neto de Guidalotto, através de um seu outro filho com o nome de Niccolò o grande Nicola ou Niccolò Acciaioli, filho de messer  Acciaiolo Acciaioli, banqueiro do rei de Nápoles, e de sua mulher Guglielmina de' Pazzi, e feito Barão de Basciano pelo rei Roberto de Nápoles. Nicola Acciaioli, filho de Guidalotto, está entre os cidadãos de Florença que se armaram, em 1289 e 1290, para combaterem Arezzo. Participou da senhoria de Florença como prior em 1289, 1294 e 1298, e como trazia o título de giudice, juiz, presume-se que fosse doutor em leis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seu filho messer Acciaiolo Acciaioli fundou a filial do banco Acciaioli em Nápoles. Filho natural do juiz Nicola, quando, em 1313, visitando Gênova, Henrique VII de Luxemburgo era celebrado pelos Dorias, que assumiam as armas com a águia imperial em sua homenagem, este messer Acciaiolo Acciaioli era listado como rebelde na sentença promulgada pelo imperador contra os florentinos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais precisamente, enumera a sentença:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dardanus et Lelmus fratres de Acciaiuolis; Montemanni et Acciaiuolus quondam Niccoli de Acciaiuolis; Tile, Bindus, Ugho et Pierus Oddi de Acciaiuolis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A sentença de Henrique VII de Luxemburgo data de 1313; os condenados, entre os Acciaiolis, são Dardanno, principal partner do Banco Acciaioli; seu irmão Leone (“Lelmo”) Acciaioli, que é inclusive ancestral do ramo luso-brasileiro; Monte filho de Mannino — pai do bispo Angiolo Acciaioli, o que expulsa de Florença o podestà Gauthier de Brienne; messer Acciaiolo Acciaioli, grão-senescal. Os demais citados ou são obscuros ou são personagens de identificação difícil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentença inócua, por sinal. Messer Acciaiolo fixa-se em Nápoles depois de 1311; em 1335 o rei Roberto de Nápoles nomeia-o como seu vicarius, enviado, em Prato. Mesmo assim, exerce cargos na senhoria de Florença, em 1322 como prior e em 1332 e em 1337 como gonfaloneiro di compagnia. Riquíssimo devido à sua proximidade aos reis de Nápoles, a Roberto e sua sucessora Giovanna I, morreu depois de 1349, tendo testemunhado a ascensão de seu filho Niccolò, o futuro grão-senescal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Niccolò Acciaioli, grão-senescal de Nápoles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nasceu Nicola ou Niccolò Acciaioli em Montegufoni em 12 de setembro de 1312, e faleceu em Nápoles em 8 de novembro de 1366. Litta, com outros historiadores, afirmam haver sido Niccolò Acciaioli o maior estadista de seu tempo; foi grão-senescal do reino de Nápoles, vice-rei da Apúlia, Conde de Melfi e Malta, Conde da Campanha, em Roma, Senador de Roma, etc. etc. Recebeu de Inocêncio VI a Rosa de Ouro, havendo sido o primeiro cidadão privado, não ligado pela família a uma casa real, assim homenageado. (No século XIX, Izabel a Redentora, sua longínqua parenta, recebeu a mesma homenagem, devido à libertação dos escravos no Brasil.) Sua linha está extinta na varonia, mas persiste até hoje na nobreza de Nápoles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Breve resumo da biografia de Nicola ou Niccolò Acciaioli, o grão-senescal. Não lhe faz justiça. Vou juntar boa porção de carne agora, sobre este esqueleto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Começo no nascimento. Nicccolò Acciaioli nasceu ao amanhecer, no dia indicado de 1310, em fins de um verão, em Montegufoni, a casa di signore que os Acciaiolis possuíam em Val di Pesa, entre Florença e Siena…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não, não está bom. Vou tentar descrever como vejo sua biografia, na minha cabeça. Primeiro, vejo uma tela em cinemascope, em technicolor, e música de Elmer Bernstein, fanfarras. Aí, sobre a paisagem toscana, o céu azulíssimo, as montanhas ao fundo — Vita di Niccolò Acciaiuoli, grandissimo personaggio. Ambiente quase de filme épico, filme de faroeste épico (se bem que, em italiano, acaba sendo western spaghetti. Mas, bem que dava para Clint Eastwood representá-lo, ao nosso Niccolò.) De repente, e inesperadamente, do fundo, correndo em seus cavalos, cavaleiros com armaduras da cabeça aos pés, e, à sua frente, chegando-se ao primeiro plano, um que traz uma bannière, bandeira quadrada, branca e carregando o leão de azul dos Acciaiolis. É Niccolò.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Mas minha cabeça me prega peças: queria algo épico, fosse como filme de Errol Flynn, ou, talvez, de Mel Gibson, Braveheart, ou The Patriot. Mas a cena que se me aparece é mais como L’Armata Brancaleone, e, ao levantar a viseira do elmo, Niccolò revela, surpresa!, o rosto de Vittorio Gassmann…)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De qualquer forma, tento roteirizar a vida de Niccolò. Daria um belo filme de capa e espada. Mesmo se tratado à Brancaleone da Norcia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Niccolò Acciaioli nasce em Montegufoni, no fim do verão de 1310. É criado entre o castelo da família, nos campos, e o palazzo dos Acciaiolis, contruído por messer Leone de’ Signori no século XIII, em Florença. Casa-se aos dezoito anos com Margheritta degli Spini. (Corta para a cena do casamento, baseada, talvez, num livre d’heures: a noiva, vestida de veludo azul com debruns prateados, em homenagem às cores da família do noivo, e este como um Romeu clássico, talvez o de Leslie Howard, menos que o de Zefirelli. Mas um Romeu garoto, não velhusco feito o Howard.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aos vinte e um anos o pai, banqueiro do rei Roberto de Nápoles, envia-o para a sucursal napolitana do banco familiar. Niccolò chama a atenção de Caterina di Valois-Courtenay, a imperatriz titular de Constantinopla, viúva, cunhada do rei. Tornam-se amantes. (Catherine Deneuve, hoje, seduzindo um rapazote? Cenas de cama, os amantes nus, mas tudo visto à distância, entre véus? Ou a Atia do Roma da hbo, pegando um garotinho? Ao fundo algo bem lugar comum, a baía de Nápoles à noite?)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Niccolò Acciaioli sobe rapidamente no ambiente da corte de Nápoles. Torna-se o administrador do principado de Taranto, apanágio de um ramo da família real, e recebe em doação, como senhorio, Prato, depois da morte de Acciaiolo, seu pai. É feito Barão da Moréia, e para lá parte em 1338. (Cenas marítimas, um navio precário, Niccolò-Brancaleone na proa olhando o horizonte, mar agitado mas sem sinal de tempestade.) Lutas, batalhas (cenas tomadas a Brancaleone ainda?) Niccolò concebe seu lema,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nil pavebit occursum.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ninguém faz medo ao oponente. E o oponente é Niccolò.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Niccolò Acciaioli volta a Nápoles, cheio de riquezas pilhadas na Grécia, e parte para Florença, onde fica até 1342. Volta a Nápoles, no meio de uma tremenda intriga de corte. (Aqui a cena em minha cabeça é, muito honestamente, chuchada de Brancaleone, a corte de Nápoles é como a corte bizantina no filme de Monicelli, as mulheres de olhos muito pintados de preto, unhas longuíssimas, gestos estranhos — e lúbricos até a gente não se segurar mais de tanto riso.) É o momento da grande crise da sucessão do rei Roberto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Roberto morre em 19 de janeiro de 1343, deixando como herdeira à neta, Giovanna, depois Giovanna I. Casada com um primo, Andrea de Hungria, não lhe mostra grandes afetos, e seus muitos amantes se sucedem e são de conhecimento de todo mundo na corte. O ponto culminante da crise é o assassínio de Andrea, em 18 de setembro de 1345; o príncipe é estrangulado nos próprios apartamentos reais. Ao que parece, Niccolò Acciaioli não era estranho à conjura que matou o consorte — no caso, o sem sorte — mas não há evidências a respeito, fora evidências circunstanciais. Mas o envolvimento da rainha Giovanna é notório, e o escândalo cresce a ponto de o papa excomungá-la. (Aqui o que vejo é a morte de Davide Rizzio, o pagem favorito de Mary Stuart, assassinado pelos nobres escoceses quando se agarrava às saias da rainha. Há um quadro do século XIX, não lá grande coisa, quase imagem de Tesouro da Juventude, representando esse outro assassínio. A morte de Andrea de Hungria deve ter sido semelhante.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Logo em seguida, Niccolò Acciaioli se mete noutra conjura, dessa vez para forçar a rainha a se casar com um personagem politicamente conveniente. O marido que Niccolò escolheu foi Luigi di Taranto, filho de sua amante Caterina di Valois-Courtenay, seu pupilo. Niccolò Acciaioli agarrou Luigi, jogou-o no quarto da rainha, trancou a porta e gritou, scandalo! Cena de ópera bufa. Para salvar a honra de Giovanna, imaginem só, só o casamento, que se deu em 20 de agosto de 1347. Neste momento, Niccolò Acciaioli torna-se senhor de fato do reino de Nápoles — e a memória desta sua singularíssima posição é o que me passou meu pai naquela tarde em Friburgo, quando começou a me contar histórias da família.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Reação do outro pretendente, ao trono de Nápoles e à mão (e leito) de Giovanna, Ludovico da Hungria: levanta-se contra Niccolò, que foge levando consigo o casal real, Luigi e Giovanna. Giovanna abriga-se na Provença com mais um amante, um Caracciolo, enquanto que Luigi e Niccolò dirigem-se à Toscana, ao castelo dos Acciaiolis, Montegufoni. Lá chegados, recebem dois embaixadores da república de Florença, que os dizem personae non gratae em Florença. Niccolò chama então seu parente Angiolo Acciaioli, o terrível bispo de Florença que fez depor Gauthier de Brienne, podestà da república — adiante conto sobre ele — e com o bispo e Luigi di Taranto, embarca para Avignon, onde já estava a rainha Giovanna. (A cena em Montegufoni dá para filmar, na própria locação dos fatos. Com os embaixadores se curvando diante do mercador compatriota que se tornou em grão-senhor feudal. Deve-se apenas tomar cuidado para apagar das imagens filmadas a torre que existe hoje no castelo, construída em fins do século XIV em imitação à torre do Palazzo Vecchio em Florença.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O dinheiro do mercador compra exércitos: Niccolò Acciaioli assolda galeras genovesas, que transportam de volta o príncipe e a rainha a Nápoles, onde desembarcam e reconquistam o reino em 31 de agosto de 1348. Logo em seguida, Niccolò é feito grão-senescal do reino, e declarado primeiro dos funcionários do estado, com poderes de um primeiro-ministro e lorde-protetor de Nápoles. É também feito Conde Palatino de Melfi (Amalfi), com o privilégio de poder transmitir aos herdeiros terras, bens, e o título referido. Sofre um atentado (aqui, um lugar comum visual: Niccolò andando numa ruela estreita, de noite, e de repente alguém pula de um beco e o apunhala). Pouco depois, perde o filho primogênito e herdeiro, Lorenzo Acciaioli, que será enterrado na Certosa de Florença, aos pés da sepultura do pai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltando a Florença para receber o imperador Carlos IV — que o convida a segui-lo na Alemanha, onde lhe daria novas honras, o que Niccolò Acciaioli recusa porque já era senhor de fato de Nápoles — choca os concidadãos seus, florentinos, ao andar pelas estradas com um séquito de cento e cinquenta homens armados, e a celebrar contínuos banquetes luxuosíssimos no palazzo familiar, no Borgo de’ S.S. Apostoli. É feito Conde de Malta e de Gozzo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(A cena dos banquetes, bom, me lembra de novo os bizantinos tarados de Brancaleone. Lembro também que, há quinze anos, em Florença mesma, me levaram a jantar num restaurante onde se comia como no século XIV. Ou tinha bebido muito, ou não vi lá grande diferença na comida, deliciosa de qualquer jeito.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1356 acolhe em Nápoles dois primos: Neri, o futuro Duque de Atenas, e Angelo di Alamanno, e abriga, no castelo da irmã Lapa, odiada por Boccaccio, que a chamava Lupisca, a Loba, o casal real de Nápoles. Realiza uma reconciliação e trégua no reino, entre as facções litigiosas da família real. Estamos chegando ao clímax da vida de Niccolò Acciaioli.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1359 o papa decreta sobre Nápoles um interdito — proibição de qualquer atividade religiosa, batismos, casamentos, sepultamentos, missas, e qualquer sacramento — porque não lhe foram pagos certos tributos religiosos. Niccolò Acciaioli é então enviado ao papa, para negociar um acordo. Age com tal habilidade que não só o interdito é levantado, como também é nomeado senador de Roma, reitor (administrador) de Bologna e da Romagna para os bens eclesiásticos, e Conde de Campagna.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, maior de todas as honras, no dia de Pentecostes de 1360 recebe a Rosa de Ouro, sendo como já disse o único indivíduo não pertencente a uma família soberana a receber esta máxima homenagem de um pontífice. (Tento visualizar esta cena, mas sem grande sucesso fora dos lugares comuns mais óbvios:  uma figura de branco, franzina, o papa, entregando a Niccolò a rosa de ouro, na verdade três rosas com suas hastes, de onde saem algumas folhas, todas de ouro, colocadas numa jarra também de ouro. Niccolò pode aparecer aqui como no retrato que existe na Certosa florentina, numa armadura quase negra, sem elmo, os cabelos ainda escuros, calvície avançando da fronte. O cenário é Avignon, o Palácio dos Papas, uma fortaleza medieval, sóbria. Não consigo imaginar mais que isso.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já doente, em 1364, Niccolò Acciaioli precisa escrever uma memória autobiográfica, enviada ao papa para justificar-se face a acusações de seus inimigos. Poderoso sempre na política, mas enfraquecido pela doença, cuida de gerir seu patrimônio e de distribui-lo pelos filhos e pelo parente que adotara, Neri di Jacopo Acciaioli, que mandara para a Grécia, onde fundará um principado sob duques soberanos da casa dos Acciaiolis, antes ainda que chegue ao fim o século XIV.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Não sei como seria a cena final, Niccolò Acciaioli morrendo. Me esforço para ver, dentro de minha cabeça, algo grandioso, mas só me lembro do bico-de-pena de Gustave Doré mostrando a morte de D. Quijote. Será que isso significa estar meu inconsciente sugerindo um paralelo entre D. Quijote e Niccolò Acciaioli? Como poderia ser este paralelo? D. Quijote, fidalgo de nobreza antiga mas arruinado, meio louco, o último dos cavaleiros andantes. Niccolò Acciaioli, mercador florentino que de repente, em Nápoles, se transforma num condottiero feroz e num político habilíssimo, maquiavélico avant la lettre. Será que, na essência, seriam a mesma coisa, o mesmo arquétipo? Duas faces de Jano para a mesma criatura?)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma família de intelectuais?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Niccolò Acciaioli é lembrado como um grande estadista, talvez o maior estadista, na Itália que ainda não existia, do século XIV. Mas sua grande obra, que permanece até hoje, foi a Certosa de Florença, em Val d’Ema, projeto que o ocupava desde 1338. Na Certosa, concebeu também um grande prédio anexo, o Palazzo degli Studj, que deveria abrigar estudantes e scholars, uma espécie de centro universitário, já que em Florença não existia, então, universidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era com certeza o sonho maior de Niccolò Acciaioli. Numa carta ao parente Jacopo di Donato Acciaioli, em Florença, que chama fratello, irmão, diz o grão-senescal:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jacopo, io ti dico che tutte le mie consolationi si riposano a lo nostro santo munisterio. Tutti li rifugii de le tribulationi che per li inopinati casi occurrenti mi potessino occurrere, là si reducono. Nulla casa possedo che mi pare che mia sia, se non quello munisterio. A tutte hore che io penso a lo dicto munisterio, sono da me fugate ire e malinconie, e, per certo, se io avessi denari, io lo farei lo plu notabile loco a tutta Italia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jacopo, digo-te que todas as minhas consolações repousam no nosso santo mosteiro [a Certosa]. Todos os refúgios das tribulações que pelos casos inopinados possam ocorrer, lá se reduzem. Não possuo nenhuma casa que pareça ser minha, salvo aquele mosteiro. A toda hora que penso no dito mosteiro, fogem de mim iras e melancolias, e, por certo, se tiver dinheiro, vou fazê-lo o mais notável lugar de toda a Itália.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tinha sensibilidade intelectual, e refinamento. Quando morre o humanista (ou pré-humanista) Zanobi da Strada, Niccolò Acciaioli escreve a seu familiar e amigo, o tabelião Landolfo, chamado Gazza, ou Cajazza:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;…dipoi che’l mondo è robato di tale e tanto homo chui simile non surse ne fu audito o veduto forse mille anni sono passati, e un altro solo, messere Francesco Petrarcho poeta, escietuato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Após o mundo ser roubado de um tal homem, tal que um similar não surge, ou do qual não se ouve, ou vê, mesmo se passarem mil anos, excetuado um só outro, messer Francesco Petrarca.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ma l’amicizia dell’ottimo Zanobio et mia, celebrata per ispazio di tanto tempo, è stata per tutti li suoi e miei spiriti letifichantemente exprimentata. E tu di ciò sarai grande per te; nè chonfessarei io che Ulises e Diomedes, Achilles et Patrocholus, Damon et Pitias, Nisus et Eurialus, Scipio et Lelius, Chastor et Polus, Hercules et Teseus, Eneas et Achates, o qualunque altri paria di amici furono jamai in questo mondo chontracte et observate, …&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Mas a amizade entre o ótimo Zenóbio e eu, celebrada durante tanto tempo, foi, para o seu e para o meu espírito, alegremente experimentada. E tu dizes o que será grande para ti: ou não confessarei que Ulisses e Diomedes, Aquiles e Pátroclo, Damon e Pitias, Niso e Euríalo, Cipião e Lélio, Castor e Pólux, Hércules e Teseu, Enéias e Achates, ou quaisquer outros pares de amigos, foram, neste mundo, contraídas e observadas…) Note-se que esta carta foi escrita por um comerciante, mercador rico, tornado em grande condottiero — e também note-se a referência à amizade íntima entre Aquiles e Pátroclo, cuja natureza era bem conhecida, mesmo no princípio do Renascimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Peculiar família, esta, na qual existem intelectuais e patronos das artes e letras desde o século XIII, quando encontramos o juiz e doutor em cânones messer Leone Acciaioli. Houve outros: além de Niccolò, Donato Acciaioli, amigo de Lorenzo il Magnifico, um século depois de Niccolò; Neri e Antonio Acciaioli, Duques de Atenas, que para seu feudo atraem artistas e humanistas; fra Zanobi Acciaioli, bibliotecário no Vaticano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Andreina e Lapa, irmãs do grão-senescal Niccolò.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Niccolò Acciaioli teve duas irmãs, de vida quase tão agitada quanto a dele próprio. Andreina Acciaioli, mulher belísima segundo os testemunhos contemporâneos, casa-se com Carlo d’Artus, Conde de Monte Odorisio, que dizem ter sido bastardo do rei Roberto de Nápoles. Ludovico de Hungria, na fúria punitiva contra os assassinos de Andrea, primeiro marido de Giovanna I, faz decapitar o Duque de Durazzo, e logo em seguida, em 1345, Carlo d’Artus. Andreina, viúva, casa-se com Bartolommeo di Capua, Conde de Altavilla, e seus descendentes se espalham na nobreza de Nápoles, até hoje.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Boccaccio dedicou, a Bartolommeo di Capua e à sua mulher Andreina Acciaioli, seu livro De Claris Mulieribus, Sobre as Mulheres Ilustres.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A segunda irmã do grão-senescal foi Lapa Acciaioli, mulher de messer Manente Buondelmonte. Odiada por Boccaccio, que a chamava Lupisca, a loba, teve apesar de tudo uma vida apagada. O casal teve um filho, Esaù Buondelmonte, e uma filha, Maddalena Buondelmonte, que se casou com Leonardo I Tocco, senhor de Leucade e de Zante, falecido em 1381 — a mulher exerceu a regência do senhorio até 1388, em nome dos filhos menores. Um deles, Leonardo II Tocco, nascido c. 1375 e falecido em 1418 ou logo depois, Conde Palatino de Zante, governa Corinto em nome do parente Acciaioli, Duque de Atenas, de 1407 a 1408. Sua filha Creusa Tocco casa-se com Centurione II Zaccaria, genovês, Príncipe de Acaia; dela se sabe que, em 1432, seu genro Teodoro Paleólogo, désposta da Moréia, aprisiona-a, não se sabe o motivo. Teodoro Paleólogo era casado com Caterina Zaccaria, morta em 1462, e era irmão de Constantino XI, último imperador de Bizâncio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por que descrever esta linhagem? Porque Sofia, ou Zoè, Paleologina, filha de Caterina Zaccaria e de Teodoro Paleólogo, casou-se com Ivan III, grão-príncipe de Moscou, pais de Vassili III e avós do tsar Ivan o Terrível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isto é, Ivan o Terrível era um sobrinho distante de Niccolò Acciaioli.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O bispo de Florença, Angiolo di Monte Acciaioli.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era filho de Monte Acciaioli, e neto de Mannino Acciaioli, e nasceu em Florença em 1298 — morrerá em Nápoles em 4 de outubro de 1357. Bispo aos trinta anos, recebeu a sé de Áquila como sua primeira diocese. Em 1341 morre o bispo de Florença, e o papa Clemente VI colocou a messer Angiolo Acciaioli na diocese florentina em 1342 contra a vontade das congregações locais, o que resultou em não poucas tensões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Homem enérgico, messer Angiolo mete-se logo em dois episódios tumultuados da história florentina. O primeiro deu-se logo após sua ascensão à sé toscana, quando começa a pregar, entusiasmado, usando de sua autoridade pastoral, em favor de que se desse o senhorio de Florença ao Conde Gauthier de Brienne, Duque de Atenas. Assumindo o cargo de podestà florentino, Gauthier de Brienne mostra-se um celerado cercado por celerados. Rapidamente se esvai o apoio de que gozava, e em 1343 surgem três conjuras independentes para depô-lo, uma delas sob a chefia do próprio bispo que pregara antes em favor de sua tirania. Advertido das conjuras, Gauthier de Brienne tenta reagir, mas o povo florentino sai às ruas e força a expulsão do podestà, ao mesmo tempo estraçalhando de maneira crudelíssima dois dos principais sicários do Duque de Atenas — que, este, foge de Florença sem maiores compensações.  Foi isso em 3 de agosto de 1343. Nesta crise, messer Angiolo Acciaioli, o bispo, é, brevemente e de fato a autoridade máxima florentina, conduzindo-a habilmente, melhor, maquiavelicamente avant la lettre, que o maquiavelismo parece que estava no fundo do caráter florentino daqueles tempos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois o bispo Angiolo tenta, no meio da crise, abrir de novo espaço aos magnati, os antigos nobres, na administração das coisas públicas em Florença, o que lhes havia sido vedado desde as reformas do fim do século XIII. A reação dos grandes mercadores, o popolo grasso, a alta burguesia, o grupo que controlava desde a crise de Montaperrti, em 1260, o governo da cidade, foi enérgica, e o bispo teve que recuar em suas manobras solertes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Logo em seguida dá-se a crise das casas bancárias Bardi e Peruzzi. Na verdade, tal crise começou em 1339, quando Eduardo III da Inglaterra suspende os pagamentos a seus credores, os banqueiros que lhe financiavam a aventura da guerra dos cem anos. Embora o decreto de suspensão de pagamentos excluísse expressamente os florentinos, estes acabam não sendo pagos também, e depois de uma agonia demorada, em 1345, ao fim do ano, abre falência a casa bancária dos Bardi, e logo em seguida os Peruzzi, Acciaioli, Buonaccorsi, Cocchi, Antellesi, Corsini, e outras grandes companhias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Um episódio quase sobrenatural havia marcado o ano para os florentinos: um pouco antes dessa falência em massa, certo dia um lobo magro e esfomeado entra na cidade e a percorre toda, antes de ser morto a tiros. Na mesma hora, do portal do palácio do podestà, cai um escudo de gesso onde estava pintado a flor-de-liz que representava a cidade, fracionando-se em mil pedaços. Os dois incidentes como vistos como o anúncio, o augúrio de tempos de carestia e escassez para Florença.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltando à falência das casas bancárias: o bispo messer Angiolo Acciaioli movimenta-se para resguardar os interesses de sua família e dos seus. Com sua ajuda, e a do parente Niccolò Acciaioli, o grão-senescal, vende-se o palácio familiar, no Borgo de’ S.S. Apostoli, a Mamente Buondelmonte, cunhado de Niccolò, numa transação que provavelmente não era mais que um acerto dentro do clã; e quando o Cardeal Pedro de Toledo usa dos poderes do inquisidor florentino para receber 12 mil florins de ouro que lhe eram devidos, o bispo Acciaioli apela diretamente à corte papal agindo como advogado dos seus, com o que o cardeal só recebe 5 mil florins, e o inquisidor é punido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Angiolo Acciaioli deixa a sé florentina em 1355, e, com a ajuda dos soberanos de Nápoles, troca-a pela de Montecassino, onde é feito arcebispo. Morre pouco depois em Nápoles, em 1357.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os Duques de Atenas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tem uma historinha para abrir o apetite. Chico Accioli, meu tio-avô, Altamir do Valle e Accioli de Vasconcellos,  era oficial de marinha, e como imediato participou da tripulacão do cruzador Minas Gerais, que trouxe o rei da Bélgica ao Brasil, em 1920. O navio parou na Inglaterra, em Portsmouth, e Chico e outros membros da tripulação aproveitaram em foram até Londres. Em Londres, num certo momento, o concierge do hotel diz a Chico que uma sua parenta dos Acciaiolis da ilha da Madeira gostaria de lhe pedir uma audiência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Audiência? Chico estranha, audiência? mas — vamos em frente, decide. Marca a hora, e lá vem a senhora, de cuja aparência nunca me deram notícia, mas que imagino gorduchinha, rechonchuda, grisalha, de chapéu de florzinhas, quase uma Miss Marple, a não ser pela raposa prateada que a vejo sempre usando nos ombros. A senhora começa a falar cheia de dedos, discute a história dos Duques de Atenas (Chico sabia alguma coisa, mas não dava lá muita bola), fala nos Acciaiolis de Vasconcellos, o ramo original da família na Madeira e no Brasil — e ataca, enfim, poderia Vossa Excelência renunciar aos direitos de seu ramo a tal título, em favor do meu ramo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resposta de Chico, no ato: renunciar ao ducado? Não! Dou-lho de presente!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Noto que o Ducado de Atenas deixou de pertencer aos Acciaiolis em 1462 ou 1463, quando janízaros matam o último duque. Se o título não está caduco, não sei o que é caducidade. Acrescento uma observação, que descobri na autobiografia de Sir Osbert Sitwell, Great Morning, nalgum canto. O pai de Sir Osbert, Sir George Sitwell, comprou em 1908 o castelo de Montegufoni, descrito por Osbert como a trumpeting herd of white elefants, uma manada uivante de elefantes brancos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se o castelo, só, era uma manada ululante de elefantes brancos, o ducado de Atenas foi uma manada de brontossauros brancos para os Acciaiolis. Porque, em Florença, ninguém queria saber, na família, do título ducal. Houve dois duques importantes: Neri Acciaioli, o primeiro Duque de Atenas, que morreu em 1394, e seu filho Antonio Acciaioli, falecido em 1435, o segundo duque. Não tendo herdeiros diretos o segundo dos duques, valeu-se de uma disposição das patentes e tratados com Nápoles que reconheciam em Neri o senhor do ducado; este passaria aos descendentes de Donato, irmão de Neri. Que o repassa a um filho bastardo, Franco ou Francesco Acciaioli, porque nenhum dos seus filhos legítimos queria saber de um principado num local tão instável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, os Duques de Atenas. Sua história foi uma reprise, em menor escala, do que havia sido a biografia do grão-senescal Niccolò. Neri Acciaioli, filho de Jacopo Acciaioli e de Bartolommea di Bindaccio de’ Ricasoli, nasce em Florença entre 1335 e 1340.  Ainda adolescente, vai para Nápoles, onde seu parente o grão-senescal adota-o formalmente como filho e o envia à Grécia para gerir os feudos que ele, Niccolò, possuía na Acaia e no Peloponeso. Neri destaca-se, neste período, na corte de Marie de Bourbon, princesa de Taranto e (como Caterina di Valois-Courtenay) imperatriz titular de Constantinopla; pode ter sido amante da Bourbon, que era bela e jovem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Há um retrato de Neri Acciaioli nos Uffizi, reproduzido nas tábuas genealógicas de Litta sobre essa família: mostra um homem de rosto magro, algo semelhante ao do senescal Niccolò, com uma barba pontuda, tudo enquadrado por um elmo com a viseira levantada.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas tudo começa bem antes, possivelmente pela segunda metade do século XIII. Messer Leone degli Acciaioli funda o Banco Acciaioli, que se firma após 1282, quando os guelfos assumem o controle político em Florença. Os interesses de sua compagna chegam à Tunísia e à Grécia. Sucede a messer Leone no comando da empresa familiar, Dardanno — nome do fundador de Tróia, assinale-se —  filho primogênito de Lotteringo ou Tingo Acciaioli, este, noto, sobrinho de messer Leone. Provavelmente desde essa época, ao fim do século XIII, possuem os Acciaiolis feudos na Grécia. Deduzimos isso de uma carta de cessão de bens feudais feita pelo Banco Acciaioli a Niccolò Acciaioli, cessão autorizada pela suzerana daqueles feudos, Caterina di Valois-Courtenay:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;…certa bona feudalia posita in casali de La Lichina et de La Mandria, de principatu Achaye…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bens feudais nos vilarejos de La Lichina e de La Mandria, no principado de Acaia.  Nesse mesmo documento lemos quem eram os sócios da Compagna di Ser Leone degli Acciaioli:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;…quod nobiles viri, Dardanus olim Tingi de Acciaiolis, dominus Bidignanus olim Manecti de Marocellis, Acciaiolus olim domini Niccole de Acciaiolis, Johannes olim Bonacorsis, Banus olim Bandini et Laurencius Johannis Bonacorsi, cives et mercatores florentini, socii de societate Aczarellorum de Florentia…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A saber: os nobres senhores Dardanno filho do falecido Tingo degli Acciaioli, messer Bidignanus filho do falecido Manecto de Maroncelli, Acciaiolo filho do falecido messer Niccolò degli Acciaioli, Giovanni filho de Buonaccorso, Banno filho de Bandino, e Lorenzo, filho de Giovanni Buonaccorsi, cidadãos e mercadores de Florença, sócios da sociedade dos Acciaiolis de Florença. (Note-se que o nome familiar vem escrito indiferentemente Acciaioli e Acciaroli.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nessa mesma época, o grão-senescal Niccolò Acciaioli torna-se senhor de Corinto, através de uma cessão, em 1336, feita pela mesma Caterina di Valois. A senhoria de Corinto passará a seu filho Angiolo Acciaioli, que a cede, em pagamento de um empréstimo a seu primo e irmão adotivo, Ranieri ou Neri di Jacopo Acciaioli.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse tempo, o ducado de Atenas era governado pelos catalães; Neri, em campanha na Grécia, já senhor de Corinto, cai prisioneiro daqueles, e seu irmão Donato gestiona junto aos venezianos para que pressione os catalães a liberarem o Acciaioli. Libertado, Neri toma Mégara, e de lá apropria-se de Atenas, que controla desde 1386 ou 1387. É um governante esclarecido: permite à comunidade greco-ortodoxa que pratique livremente seus cultos, sob um arcebispo que faz procurar e ao qual dá residência na cidade baixa de Atenas. Constroi para si um palácio no Partenon, e também constroi muitos novos edifícios na cidade. Atrai comerciantes toscanos, e também intelectuais, praxe que será seguida por seu filho e sucessor — contra as disposições de seu testamento — Antonio Acciaioli, segundo Duque de Atenas dessa gente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É formalmente reconhecido pelo rei Ladislau de Nápoles como Duque de Atenas, Tebas, Corinto, Mégara e Platéia, em 1392, com diretos hereditários sobre o feudo, que deve passar às mãos dos herdeiros de seu irmão Donato. Para sua confirmação como duque, Ladislau envia a Atenas o próprio irmão de Neri, o Cardeal Angiolo Acciaioli, arcebispo de Florença, como legado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neri Acciaioli morre em seu ducado em setembro de 1394; casara-se, mas não se sabe ao certo quem foi sua mulher, cujo prenome conhecemos de documentos, Agnese. Litta fala que foi uma filha de Filippo Doria, almirante que disputou várias batalhas em Chipre, opinião seguida por Buchon, mas não se tem certeza. De Maria Rendi, filha bastarda de Demetrio Rendi, de Mégara, depois notário em Atenas, que a tinha, a esta Maria, por sua escrava, teve um filho natural, Antonio, que vai sucedê-lo. Teve duas filhas legítimas, mulheres belíssimas segundo o testemunho dos tempos, Francesca, casada com Carlo di Tocco, senhor de Arta e Duque de Leucate, e Bartolommea, casada com Teodoro Paleologo, irmão de Constantino, o imperador de Bizâncio, e désposta da Romênia. Ambas tiveram descendência, em linhas femininas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora vamos pensar um pouco: Neri Acciaioli reina sobre o ducado de Atenas durante cerca de dez anos. Quem o sagra, sanciona como duque, em nome de Ladislau de Nápoles, é seu irmão, o Cardeal Angiolo Acciaioli, um quase papa, pois só não foi eleito sucessor de Urbano VI, apesar de ter a maioria dos votos no conclave de 1389, devido à oposição dos Orsinis. Pois Neri concede a seus súditos uma inédita liberdade de culto. Na verdade, temos aqui o espírito da renascença, ainda em fins do século XIV: a liberdade religiosa, o cultivo à inteligência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antonio, bastardo dos Acciaiolis, filho de Neri e de Maria Rendi, aproveitando um vácuo de poder, assenhora-se do ducado e se instala na Acrópole, isso pouco depois da morte do pai. Mas vai lutar e negociar durante mais de dez anos, com a ajuda do cardeal seu tio e de outro tio, Donato, primeiro para conquistar o ducado, e depois para se ver reconhecido como Duque de Atenas, o que consegue num tratado com Veneza em 31 de março de 1405. Viverá até maio ou junho de 1435, sempre soberano do ducado. Governou durante 32 anos a terra de Setines, que é o nome dado a Atenas nos séculos XIV e XV, equilibrando-se pacificamente, sem conflitos, entre os turcos e as potências ocidentais. Para lá atraiu comerciantes, fazendo Atenas uma terra próspera, e intelectuais e artistas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Casou-se com Maria Melissena-Comnéna, de uma família aliada aos Comnénoi, imperadores de Bizâncio, e dela adotou o nome, dizendo-se Antonio Acciaioli Comnéno. De modo geral, adotou a mesma política esclarecida de seu pai. Não tendo filhos, buscou como disse a sua sucessão em Florença, entre os descendentes de seu tio Donato Acciaioli.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chamou para Atenas um filho natural daquele tio, Franco ou Francesco Acciaioli, chegado em Atenas em 1412, e casado com Margherita Bardi Malpighi. Franco morreu em Atenas ainda jovem, em 1419, e dois de seus filhos permanecem do ducado, Neri e Antonio, para sucederem ao duque. (Dentre os filhos de Franco Acciaioli e Margherita Malpighi, está a filha Lucia Acciaioli, casada com Angiolo Amadori. Destes foi filho Niccolò Amadori, pai de Benozzo Amadori, que se fixa na ilha da Madeira em fins do século XV, e por este avô de Ginevra Amadori, mãe de Simone Acciaioli, ancestral dos Acciaiolis em Portugal e no Brasil — isto se dermos crédito à carta de brasão passada a Benozzo Amadori, em 25 de abril de 1514,  e se identificarmos o “Amonto” Amador desta carta d’armas a Agnolo, ou Angiolo Amadori.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Antonio Acciaioli sucedem quatro duques sem maior expressão, no ducado-elefante-branco. Neri II, Duque de Atenas, Senhor de Mégara, etc., reina de 1435 a 1439, quando seu irmão Antonio II o depõe. Este controla o ducado até 1441, quando morre. Volta ao trono Neri II, que reina até 1451. Seu filho Francesco I Acciaioli, Duque de Atenas depois da morte do pai, é expulso pelo primo homônimo em 1455. Morre em Constantinopla depois de 1460, pelo que se sabe convertido ao islã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O último Duque de Atenas nos Acciaiolis é Franco ou Francesco II Acciaioli, que é criado junto ao jovem Maomé II — Chalcondyla diz que Maomé fê-lo seu amante, seu catamito. Voltando a Atenas, este Franco expulsa o primo de mesmo nome do trono em 1455, faz com que assassinem a mãe daquele, que exercia a regência sobre o ducado, e assume o trono. Dele é por sua vez expulso em 1460, e em 1463 é assassinado por janízaros depois de um jantar, seguindo ordens diretas de Maomé II. Seus filhos Gabriele, Matteo e Jacopo são incorporados aos janízaros, e desaparecem da memória.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E assim termina a soberania dos Acciaiolis sobre o ducado de Atenas. Durou setenta anos; foi um governo próspero ao início, e depois se desfez, com o avanço dos turcos e com a instabilidade de herdeiros que não souberam o óbvio: deveriam ao menos se entender, para que a dinastia mantivesse o controle do ducado. Viraram nota ao pé da página em manual de história da renascença.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nota tipo conclusão: sempre tive curiosidade em ler a patente que faz Duque de Atenas a Neri Acciaioli. Foi publicada por Buchon, p. 224. Não vou transcrever tudo porque é um blá-blá-blá burocrático atroz. Mas as partes mais interessantes são as seguintes:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ladislaus, Dei gracia Hungarie, Jerusalem, Sicilie, Dalmatie, Croacie, Rascie, Servie, Lodomerie, Comanie Bulgariaque rex, …&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;… eidem Nerio et suis heredibus ex suo corpore legitime descendentibus, natis jam et in antea nascituris, imperpetuum civitatem et ducatum predictum Athenarum, … , cum terris, castris, fortelliciis, casalibus, viliis, hominibus, vassallis, villanis, …&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;… constituimus et ordinamus, ipsumque Nerium et ejus posteros, honore, titulo et dignitate dicti ducatus Athenarum decoramus et etiam insignimus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos Angelus, cardinalis Florentinus legatus et balius, consentimus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tradução: Ladislau, pela graça de Deus rei da Hungria, de Jerusalém, Sicília, Dalmácia, Croácia, Ráscia (?), Lodoméria (?), Cumania e da Bulgária…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Meu comentário: de tudo isso ele era rei só da Sicilia, reino que incluía a parte sul da Itália e a ilha homônima.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Continuo: ao mesmo Neri e a seus herdeiros de seu próprio corpo, legitimamente descendendo, já nascidos e por nascer, em perpétuo [damos] a cidade e o ducado predito de Atenas, …, com as terras, castelos, fortalezas, casai, vilas, homens, vassalos, vilãos…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda: contituimos e ordenamos ao mesmo Neri e seus sucessores, agraciamos e também damos a insígnia e a honra, título e dignidade do dito ducado de Atenas…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nós, Angiolo, cardeal de Florença, legado e bailio, consentimus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Note-se que Angiolo Acciaioli, que aqui dá seu consentimento à carta patente de Ladislau, era irmão de Neri Acciaioli. Ou seja, um Acciaioli faz duque ao outro.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Angiolo Acciaioli, Cardeal de Florença; e dois humanistas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Angiolo Acciaioli nasceu em 1349, também filho de Jacopo Acciaioli e de Bartolommea Ricasoli. Bispo de Rapolla em 1376, assume a sé de Florença em 1383. Em 1384, com apenas trinta e cinco anos, é feito cardeal, do título de S. Lorenzo in Damaso, por Urbano VI.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Lembro que uma vez Ana Maria, minha prima, me levou e a uma amiga, para jantar fora, numa trattoria que ficava ao lado da igreja de S. Lorenzo in Damaso. Certamente não a igreja original, do século XIV, mas a de agora, uma igreja barroca, sem maior interesse, mole cinzenta e indistinta que pesava sobre nós enquanto enfrentávamos o tagliatelli al sugo com algum acompanhamento sem maiores notabilidades e — disso me lembro bem — bebíamos o vinho da casa, um bom rosso. Dizíamos muita besteira; num determinado momento quis lembrar que aquela era a igreja do título do primeiro dos cardeais Acciaiolis, seis séculos atrás da gente, e Ana Maria, com toda a delicadeza, me interrompeu, não, agora não, Francisco Antonio, não conta isso não. E voltamos às besteiras e à comida cujo gosto, hoje, esqueci.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No conclave de 1389 chegou, em dado momento, a ter a maioria dos votos, mas não atingiu o quórum qualificado de dois terços, devido à oposição dos Orsinis. Foi quem coroou em Gaeta, em 11 de maio de 1390, a Ladislau de Nápoles. Foi legado papal na Hungria, Dalmácia, Croácia, Bósnia, Valáquia e Bulgária. Morreu em 12 de junho de 1409, e está enterrado na Certosa fundada pelo grão-senescal Niccolò Acciaioli.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cito ainda, rapidamente, Donato Acciaioli, que nasceu em Florença em 1428 e morreu em Milão em 28 de agosto de 1478, humanista, tradutor de Plutarco, amigo de Lorenzo il Magnifico, a quem designou como tutor de seus filhos. Casou-se com Maria di Piero d’Andrea de’ Pazzi, conhecida em família como Marietta. Donato era filho de Neri Acciaioli, que morreu jovem, com apenas vinte e oito anos, e de Lena, filha do grande Palla Strozzi. Era neto de Donato Acciaioli, governador de Corinto ao tempo do irmão Neri I, Duque de Atenas, e de sua segunda mulher Tecca di Gaggio de’ Giacomini di Poggio Tebalducci.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Último da linha familiar que descendia de Mannino Acciaioli foi frei Zanobi Acciaioli, nascido em Florença em 1461 e falecido em Roma em 1519. Foi prefeito da Biblioteca do Vaticano, e são-lhe atribuídas diversas obras eruditas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jacopo d’Angelo da Scarperia, e Laudomia Acciaioli in Medici.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Cardeal Angiolo Acciaioli foi mais condottiero que religioso, e pode ter sido seu filho ilegítimo o humanista Jacopo d'Angelo da Scarperia, que é algumas vezes dado como um bastardo da família Acciaioli. Scarperia escreveu sobre filosofia e sobre física: neste caso, fez um tratado sobre um grande cometa visto no início do século XV.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E sobrinha-neta do cardeal foi Laudomia Acciaioli, mulher de Pierfrancesco de’ Medici, bisavó do grão-duque da Toscana Cosimo I de' Medici, e ancestral de todos os Bourbons que descendem de Marie de Médicis e de Henrique IV de França. Ou seja, a imensa maioria dos Bourbons de hoje. Isso pega casas reais ainda no trono, como os reis de Espanha e da Bélgica; através de linhas femininas, os reis da Inglaterra — e paro aqui, pois seria enumeração cansativa e inútil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Laudomia Acciaioli in Medici e seu filho Lorenzo foram protetores de Botticelli, e para este Lorenzo di Pierfrancesco de' Medici, Botticelli pintou a Celebração da Primavera; Laudomia era filha de Iacopo Acciaioli e de sua mulher Costanza de’ Bardi, e neta de Donato Acciaioli, e de sua primeira mulher Onesta di Carlo Strozzi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mistério da cripta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desço a escada escura, quase tateando com os pés, porque mal vejo o caminho. Um frade cartuxo está a meu lado, e procura num canto qualquer da parede um interruptor de luz. Pronto, achou. Clic.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A luz elétrica mata e banaliza. Ilumina-se a cripta da Certosa de Florença, o mosteiro fundado pelo senescal Niccolò Acciaioli. Vejo, súbito, tudo — mas é como se todo o gosto, todo o cheiro, toda a emoção do lugar desaparecesse. Fica tudo chão, plano, como se as cores da realidade se esmaecessem. O sentido de algum lugar é dado pela emoção que vivemos naquele lugar, e essa luz elétrica, amarelo incandescente, que não deixa nenhum buraquinho sombrio aqui na cripta dos Acciaiolis, mata as emoções que poderia ainda capturar aqui. Como comida de cara boa mas sem gosto, ou com gosto de palha, gosto de papel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Num canto, lá no fundo da cripta, imenso, perdendo-se nas ogivas do teto, numa parede lateral, está o monumento fúnebre de Niccolò Acciaioli. Mesmo me levantando na ponta dos pés, não consigo ver direito seu rosto, na estátua jacente, em que aparece completamente armado, mas sem elmo. Aos pés do monumento, os túmulos de seu pai, messer Acciaiolo Acciaioli, de seu filho Lorenzo, de sua irmã Lapa Acciaioli in Buondelmonte, a amiga de S. Brígida, a Lupisca, segundo Boccaccio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estão todos numa capela lateral, a Capela de Tobias. Abandono-a. Debaixo da abóbada principal está a sepultura do cardeal Angiolo, e de outros membros da família, inclusive a do humanista Donato Acciaioli, o amigo e colaborador de Lorenzo il Magnifico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo debaixo da luz elétrica acachapante, banalizadora. Deviam chamar um cenógrafo hollywoodiano para iluminar aqui a cripta, como fizeram no Museo Egizio de Turim. Restabeleceríamos a verdade da coisas. A emoção voltaria aqui à cripta dos Acciaiolis na Certosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando subo a escada de volta à superfície, penso: com uma iluminação bem pensada, este é um belo lugar para fazer a cena final de meu livro ainda não escrito de mistério e fantasia. Essa capela dos Acciaiolis nada deve, em clima fantástico, à igrejinha de Rosslyn.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Texto tirado do livro &lt;/span&gt;Italianos no Brasil Colonial, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;ainda inédito; na ilustração, o sepulcro de Nicola Acciaioli, da oficina de Andrea Orcagna, na Capela de Tobias, na Certosa de Florença.&lt;/span&gt;)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5585094901893319171-485468769020345880?l=famadoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://famadoria.blogspot.com/feeds/485468769020345880/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5585094901893319171&amp;postID=485468769020345880' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5585094901893319171/posts/default/485468769020345880'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5585094901893319171/posts/default/485468769020345880'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://famadoria.blogspot.com/2008/06/brancaleone-da-norcia.html' title='Brancaleone da Norcia'/><author><name>Francisco Antonio Doria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16243520355535324710</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/__h2bPbXvmCw/SGDfhB-uTbI/AAAAAAAAAK4/Xz5LtpbAT_c/s72-c/nicola1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5585094901893319171.post-2780452355685887099</id><published>2008-06-18T09:18:00.004-03:00</published><updated>2008-06-18T16:44:56.800-03:00</updated><title type='text'>1968, XVII - Noblesse oblige</title><content type='html'>— General, sente-se, por favor. Vovô já vem receber o senhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O general era Taurino de Resende, presidente da CGI, Comissão Geral de Investigações, o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;malleus subversivorum,&lt;/span&gt; martelo dos subversivos. Estávamos em maio de 1964. Taurino de Resende era um caboclão alto, de cara redonda, bem moreno, pele bronze. No jeito lembrava meu tio-avô Luiz Doria, um sergipano alto com um porte imponente como o do general Taurino, este, pernambucano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estávamos na saleta da casa da vovó, que era como eu chamava a casa de meus avós maternos (era da vovó, não de vovô; senhor da casa era a senhora dona, Dona Hermínia, minha avó). A casa, um cubo de três andares em estilo normando — &lt;span style="font-style: italic;"&gt;rheinische Fachwerk&lt;/span&gt; — no centro de um jardim, quase um pequeno parque, em Copacabana, tinha sua entrada principal através de uma &lt;span style="font-style: italic;"&gt;porte cochère&lt;/span&gt;, onde havia uma grande porta, bem pesada, de mogno bem escuro, reforçada com ferros decorados, a porta principal da casa. Por ali se entrava num hall de chão de mármore, e logo à direita do hall estava a porta da saleta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era uma mistura de sala de estar, ou sala de visitas, com escritório. As paredes, cobertas de estantes; num dos cantos, alguns dos meus favoritos, como &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Les Grands Procès de l’Histoire&lt;/span&gt;, de Henri Robert, bâtonnier da ordem francesa em fins do século XIX, ou uma coleção de pequenos romances encadernados numa encardenação art nouveau, com muito Henri Lavedan — membro da Academia francesa há um século atrás, e que hoje foi esquecido. Uma das janelas dava para o caminho de entrada da casa, a outra se abria para o jardim da frente, um canteiro de jibóias, bem denso de folhagens pequenas, encerrado por uma virola de coroas-de-cristo, onde todos nós, quando crianças pequenas, nos arranhávamos tentando pular para dentro do canteiro das jibóias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Havia muitos retratos nas prateleiras e nas paredes da saleta. Numa prateleira, com destaque, em posição central, o retrato autografado que o Kaiser, sim, ele mesmo, Guilherme II, havia dado ao bivô e à bivó, o marechal Luiz Mendes de Moraes e bivó Cecilia, ele ministro da guerra e depois ministro do STM, quando da audiência privada que lhes dera em Berlim ou Potsdam, não lembro ao certo, em 1910. O próprio bivô estava representado na sala, num busto de bronze preso num suporte de madeira, tamanho grande, com as pupilas dos olhos furadas, como era da convenção nas esculturas, o que eu achava estranhíssimo. Na parede oposta, um retrato do Tio Prudente o presidente, fundo bordô, cara séria mas tranquila. Junto da porta de entrada, um quadrinho pequeno com um velho de carinha simpática: era um óleo pintado por minha bisavó, bivó Cecilia, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Mme la Maréchale Mendes de Moraes&lt;/span&gt;, como se dizia em começos do século XX, na França e no Brasil afrancesado dos nossos Guermantes locais. Retrato de John D. Rockefeller; minha bisavó achava-o encantador, de cara boa, e o tomara como modelo a partir de alguma fotografia. Minha bisavó, maragatona feroz, orgulhosa de seu parentesco a Bento Gonçalves o chefe farroupilha, cujo pai havia na infância dela recebido em casa Gumercindo Saraiva, minha bisavó era uma ingênua quanto à política internacional. Num canto de parede ainda, nos olhavam as armas de São Paulo, com um diploma referente à atuação de vovô em 1932, assinado pelo Christiano Altenfelder e com a dedicatória “ao general Justo.” Não, vovô não era milico, e muito menos general; era advogado vaidosíssimo de sua profissão e de seu prestígio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No diploma os dois lemas de São Paulo: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;pro Sao Paulo fiant eximia. Altiora semper petens.&lt;/span&gt; Por São Paulo façam-se as coisas máximas. Sempre ambicionando o máximo. (Este último, depois descobri, repetia o lema da família de papai, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;altiora peto&lt;/span&gt;.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vendo o general Taurino olhar aqueles retratos todos, toda a memorábilia Mendes de Moraes da saleta — os visitantes sempre olhavam fascinados aquela &lt;span style="font-style: italic;"&gt;rogues’&lt;/span&gt; &lt;span style="font-style: italic;"&gt;gallery&lt;/span&gt;, galeria dos monstros familiares, devo ter lembrado que ali, uns dez, doze anos antes, fora apresentado a remanescentes do governo revolucionário paulista de 1932: Paulo de Moraes Barros e o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Zico&lt;/span&gt;, Prudente José de Moraes Barros Neto (Zico, porque tinha o Neco, o jornalista, Prudente de Moraes, neto), primos de vovô, e mais o Doutor Christiano, Christiano Altenfelder Silva. Testemunha ocular da história, eu, ali.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cara do general Taurino, me olhando ali enquanto esperava que vovô chegasse, era desenhada pela angústia. Aquele homem grandalhão, de jeito brusco, o inquisidor-geral dos generais de 64, não podia fazer nada que ajudasse o filho, preso e sendo torturado em Pernambuco pelo próprio grupo militar que colocara o general Taurino no trono da CGI. O filho do general era Sergio Resende, economista, professor da Universidade de Pernambuco — e dito subversivo. Fora preso por ordem do general Justino, comandante do então IV Exército, e o general Taurino nada podia fazer, mesmo sendo poderosíssimo, arbitrariamente poderoso, poderoso como o são os régulos nas ditaduras. Poderoso e impotente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chega vovô, cara sempre fechada, os olhinhos azuis miúdos, miúdos, o general se levanta e o cumprimenta. Fiz a sala ao general, me despeço, e penso — por que vovô, civil, pode conseguir o que o general não consegue? (Vovô impetrou um habeas, e Sergio Resende foi libertado. Existia um poder civil semi-invisível, que podia mais que a força bruta e desordenada dos militares.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aprendi logo em seguida que muita gente, do lado dos civis, gente que inclusive simpatizava com os generais, era gente que funcionava como intermediários que procuravam a libertação de presos políticos. Cito dois nomes: Adonias Filho, então diretor da Biblioteca Nacional, apelidado &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Pimpinela Escarlate&lt;/span&gt;. E Rachel de Queiroz, com quem mamãe adorava fofocar sobre política ao telefone. E havia também os laços familiares, que iam muito além das posições políticas. O Brasil era, e talvez ainda seja, muito arcaico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A família de mamãe era um arcoíris político. A filha mais velha de vovô e vovó, Tia Maria, Maria Werneck de Castro, casada com Luis Werneck de Castro, era comunista histórica, amiga de “Maria Prestes,” que é como chamava Olga Benário, fundadora da Aliança Nacional Libertadora, do comitê central do Partidão. Tia Maria esteve presa com Graciliano, Nise da Silveira (cujo marido Mário Magalhães foi meu padrinho de casamento), e aparece várias vezes em &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Memórias do Cárcere&lt;/span&gt;. O segundo filho, Tio Luiz, Luiz Mendes de Moraes Neto, tinha, nos anos 30, francas simpatias pelo nazismo. (Folheei  diversas vezes, quando criança, um livrinho de propaganda que estava entre os livros de Tio Luiz, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Hitler am Berchstegarten&lt;/span&gt;, Hitler bonitinho em trajes civis bávaros, algo tipo &lt;span style="font-style: italic;"&gt;The Sound of Music&lt;/span&gt;,  beijando criancinhas louríssimas, Göring com roupinha tirolesa, chapeuzinho tirolês, e montanhas e pinheiros ao fundo.) Depois de 45, Tio Luiz entrou pela direita na UDN — mamãe, ex-militante da Esquerda Democrática, entrou na UDN pela esquerda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 64, Tio Luiz (ao cunhado, marido de Tia Maria, chamávamos Tio Werneck) era ligado aos ditos aragarcianos da aeronáutica, Haroldo Veloso, Bournier, Leuzinger, Paulo Vítor, porque participara em 1959 da revoada até Aragarças. Em abril de 1964, logo logo depois do golpe dos generais, Tia Maria recebe uma intimação para se apresentar ao DOPS, na Rua da Relação, a polícia política; ia depor perante Cecil Borer — delegado cujo nome assustava, e por muitos motivos. Tia Maria liga para vovó para contar da intimação, porque não falava com Tio Luiz. Mas se organiza rápido a rede familiar de proteção; Tia Maria vai ao DOPS acompanhada de três dos aragarcianos. Entra com eles, depõe com eles, sai com eles. Nunca mais mexeram com ela. E — viva o arcaísmo dos laços sociais brasileiros…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ajudei três presos políticos. Na verdade, dois presos e um foragido. E estive junto de uma namorada dita subversiva, em seu julgamento e depois na prisão. Conto tudo agora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O primeiro preso que ajudei foi em 1971. Na casa do Chaim, no Leblon, estava hospedado um cara que a polícia de Minas estava procurando. Seu nom de guerre era Gilberto. Moreno, baixinho, magro, era da Polop (“Política Operária”) ou de alguma facção semelhante. Como ia muito à casa do Jaime — Chaim — conversava muito com o Gilberto, assuntos gerais, digamos assim. Repartíamos um interesse, bom, erótico, em comum, pela cozinheira do Chaim daquele tempo, uma moça de Santa Catarina, lourinha de olhos azuis, e, talvez surpreendentemente, ex-sargento da PM de lá. (E de cujos, hum, favores, desfrutei, e creio que também o Gilberto.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Gilberto ficou em casa do Jaime vários meses; foi de janeiro a junho de 1971. Ficava sempre no apartamento; quase nunca saía, e quando saía, era só para ir à esquina comprar cigarros, coisa assim. Um dia, em junho, o Jaime me liga preocupado: alguém teria denunciado que o Gilberto estava morando com ele. Tinha-se que arranjar um novo abrigo para o Gilberto. Desliga, e meia-hora depois me liga de novo, tinha arranjado um abrigo. Agora, o problema era tirá-lo do apartamento no Leblon e levá-lo para o novo esconderijo, um apartamento na rua Assis Brasil, em Copacabana. Era a minha vez. Ia pegar o Gilberto com meu carro, um fusquinha; o Gilberto ia agachado atrás — medo de policiais olheiros na vizinhança, o que de fato estava acontecendo — e eu zanzaria pelas ruas internas de Ipanema e Copa até chegar na Praça Arcoverde, onde o Gilberto ia ficar. Tudo combinado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cheguei sem grandes preocupações na casa do Jaime, meia-noite e meia. Entrei com o carro na garagem, fiquei com o motor ligado, ninguém à vista e não existiam câmeras de vigilância naquele tempo. O Gilberto desce pelo elevador (a gente tinha que ser pontual, porque era tudo combinado para funcionar feito um relógio) e caminha pelas sombras e entra no meu carro e se agacha atrás. Saio pela rampa da garage subterrânea e desço a Venâncio até a praia. E começo a zanzar pelas ruas internas. Aí, claro, começo  também a ficar nervoso, mas não falo nada, e nem o Gilberto, já que pelos vidros quem estava do lado de fora podia me ver falando — com quem?, poderia se perguntar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A paranóia, ao menos nessas horas, é um dos direitos humanos fundamentais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vou zanzando pelo Leblon, da praia às ruas de dentro, das ruas de dentro à praia. Não andávamos pela Ataulfo de Paiva porque era muito iluminada. Em 71, a praia era bem escurinha, e mais protegida. Entro em Copa pelo Corte do Cantagalo. Desço a Miguel Lemos, dobro em Barata Ribeiro e pego o túnel. E — horror — entre Sá Ferreira e Souza Lima, a Raul Pompéia está bloqueada pela metade. Batida do doi-codi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Faziam aquilo mais para intimidar. Porque presumiam (isso me foi contado depois) que a turma de esquerda era sofisticada, planejava tudo muito bem, tinha uma logística mais que perfeita; não esperavam pegar nada naquelas batidas, só um ou outro garotão maconheiro. Pois não era nada disso: tirando o pessoal de apoio do Partidão, que tinha muita experiência com rotas de fuga e esconderijos seguros, o resto tudo era feito no tapa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E — estávamos ali diante de vinte soldados com roupas de camuflagem, fuzis apontados para nós, que tínhamos que passar por eles devagarinho devagarinho. E devagarinho foi: passei a dez, quinze por hora. Me olharam na cara, olhei em frente, fazendo cara de cansaço, ou tentando fazer cara de cansaço. Passei de-va-ga-ri-nho. De-va-ga-ri-nho. De-va-ga-ri-nho. O raio do corredor polonês não terminava nunca. De-va-ga-ri-nho. De-va-ga-ri-nho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De repente terminou. Engatei a segunda, fui até a esquina de Francisco Sá, desci para Copacabana, fui direto, fodam-se as luzes todas da avenida brilhando sobre mim. Entrei em Duvivier, peguei Barata Ribeiro, subi Assis Brasil, deixei o Gilberto. Nunca mais o vi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltei para casa, em Joaquim Nabuco. Estava todo borrado, admito. Tive que lavar calça e cueca, tudo fedorento, às duas e meia da manhã. Xinguei xinguei adoidado &lt;span style="font-style: italic;"&gt;urbi et orbe, tout le&lt;/span&gt; &lt;span style="font-style: italic;"&gt;monde et son père&lt;/span&gt;. Mas o Gilberto estava a salvo no apartamento de amigos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Logo em seguida o Chaim foi preso: a denúncia a respeito do Gilberto era verdadeira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi a segunda vez que me meti na confusão cinzenta dos policiais ligados ao dito aparato de segurança, e o pessoal dos movimentos políticos — digo confusão cinzenta porque ouvi de muita gente da polícia palavras simpáticas à turma de esquerda que eles perseguiam. Sim, o discurso era numa direção, as ações iam no sentido contrário. Mas o espectro que ia de um lado ao outro, da polícia aos subversivos, se olhado de perto, era cinzento, sim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chaim preso. Nem pensei ou duvidei, saí logo tentando fazer alguma coisa por ele. Tinha dois caminhos: falar com Flora Frisch, Flora Strozenberg de casada, advogada de presos políticos, e pedir ajuda a um amigo, na verdade irmão analítico, isto é, colega de grupo de psicanálise, Jacob Bryskier, delegado da polícia civil. Liguei para Flora. Marcamos um “ponto,” encontro para trocar informações, na Praça Arcoverde. Tinha minhas instruções: devia cumprimentar Flora como se ela fosse minha namorada, e ficaríamos andando abraçados à volta da praça, conversando baixinho. Flora me disse então que, dois dias depois da prisão, não sabiam ainda onde o Jaime estava, se no DOPS ou no doi-codi. Tendo alguma idéia do lugar da cana, se impetrava imediatamente um habeas — e quando o exército reconhecia ter um prisioneiro, isso era sinal que as torturas iam cessar, ou ao menos que iam cuidar para que não acontecessem “acidentes de trabalho” com o prisioneiro. O objetivo era sempre mudar o status de “desaparecido” para “prisioneiro por subversão.” Estes nunca sumiam de vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com meu amigo delegado falei dois dias depois. Ele me trouxe um colega que trabalhava no DOPS, e que, este outro, me disse sobre o lugar onde o Chaim estava. Foi direto: ele está em tal e qual lugar, e não foi maltratado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Em termos: foi colocado nu contra a parede numa cela fria. Mas não bateram nele.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegando em casa, vi um primo com quem não falava há muito tempo. Sabia que era ligado a gente da aeronáutica e da marinha. Como eu ia almoçar, sentou-se à mesa comigo. No meio do almoço me diz, sei que seus amigos subversivos foram presos. (Lula Costa Lima tinha estado preso antes do Chaim, mas só soube depois que saiu da cadeia.) Diz entre os dentes: meus amigos do Cenimar (o serviço secreto da marinha) me dizem que você também vai ser chamado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me levanto enojado de raiva. Quase vomito. Não digo nada, no entanto. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Mit der Dummheit&lt;/span&gt; &lt;span style="font-style: italic;"&gt;kämpfen Götter selbst vergebens.&lt;/span&gt; É Schiller, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;A Donzela de Orléans&lt;/span&gt;: lutando contra a estupidez, até os deuses pedem arrego.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O terceiro caso deu-se em começos de 1976. Leo Benjamin era colega de turma de Margô, minha mulher, na faculdade de medicina. Sabendo que conhecíamos muita gente, me passa um memorial escrito por seu irmão, César Benjamin, o Cesinha, então com dezessete anos, preso numa prisão militar, e arrazoando contra a ilegalidade de sua prisão. Sabia da história do Cesinha, que não vou repetir aqui, e sobretudo sabia da conversa de sua mãe, D. Iramaya, com Adyr Fiúza de Castro, general comandante do CIE, o Centro de Informações do Exército: nesta conversa, o general conclui, para D. Iramaya, meu guia é a violência, só acredito na violência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Recebemos o memorial numa quinta ou sexta-feira. Já morávamos em Petrópolis, naquela época em casa de meu tio Emanuel, irmão caçula de mamãe. Havia um hábito nos fins de semana: eu funcionava como o chefe da ucharia. Comprava comidinhas especiais, um engradado de cerveja Bohemia, meu tio liberava o uísque (mas em geral ficávamos na cerveja), e a gente ia curtir um bom papo no jardim, na beira da piscina. Como meu tio era conselheiro do conselho de contas dos municípios, chamávamos àquilo de “boteco do seu conselheiro.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dos que vinham sempre era Lywal Salles, diretor do Jornal do Brasil. Todo mundo muito reacionário, pró-governo; vozes mais liberais, só Rodolfo, ex-embaixador em Angola, ex-genro de Vinicius, e Margô e eu. Mas o papo era gostoso, e a comida do boteco também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naquele fim de semana estava chovendo, e meus tios tinham descido a serra. Estávamos sozinhos Margô, eu, e Pedro, então com poucos meses. Domingo, toco para Lywal, com o memorial do Cesinha na mão, gelo a cerveja, saio para comprar dois ou três frangos de televisão de cachorro (ou “frangos vira-vira”) e fico esperando Lywal. Ele chega, já estávamos no segundo copo de cerveja. Olha os frangos, diz, odeio galinha assada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Penso: começamos bem. Mas logo a gente arranja umas iscas de filé para Lywal e começo a conversa. Passo para ele o memorial do Cesinha. Ele lê em diagonal e me diz, mais um daqueles seus amigos comunistas? Não respondo à provocação, explico para ele o caso todo. Me diz: vou passar para o Castelinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia seguinte é o tema da &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Coluna do Castello&lt;/span&gt;. Na terça-feira, uma resposta oficial do ministro da justiça: a prisão do Cesinha é legal, tratava-se de um subversivo perigoso etc etc. Na terça-feira desço para me encontrar com Prudente, meu primo, então presidente da ABI. Me recebe de tardinha, seis e meia. Me faz ler o memorial do Cesinha, pois estava cego devido ao câncer que ia matá-lo. Levo uma hora e tanto lendo a papelada. No final da leitura me diz: Francisco Antonio, ainda existe um fiozinho de legalidade neste país. Vamos nos segurar nesse fiozinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Algumas semanas depois nos encontramos, o Neco, o Prudente, Margô e eu numa missa qualquer da família. Sabia que o Cesinha fora banido e deportado, e que estava na Suécia. Pergunto a Prudente como tinha sido a coisa. Me conta, rapidamente: Francisco Antonio, depois que você saiu, liguei para Humberto Barreto, secretário de imprensa do Geisel, e resumi para ele a questão, pedindo ajuda. Humberto Barreto, no biriba com o Geisel no domingo, apresentou o caso do Cesinha como sendo um desafio à autoridade do presidente. O Geisel ficou furioso, mandou lavrar o decreto de banimento do Cesinha, determinou que se preparasse o passaporte correspondente, e ordenou ao primeiro exército a soltura e o envio do César para a Suécia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi uma operação de guerra: jipões com militares de confiança armados, o Cesinha debaixo de uma lona, protegido por fuzis e metralhadoras em riste. Entraram direto na pista do Galeão, o avião com os motores já ligados, pronto para taxiar na pista. Colocam lá dentro o Cesinha, entregam a ele, dentro do avião o passaporte — e o enviam para a Suécia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No Natal, Margô, Pedro e eu recebemos um cartão da D. Iramaya e família. Feliz Natal, ótimo Ano Novo. E muito obrigado, vocês sabem bem por que.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda falta contar a história de minha namorada subversiva. Foi em começos de 1972. Era miúda, morena mas com dois olhos ultra-azuis; muito bonitinha. Engenheira recém-formada, estava fazendo um curso de psicologia. Tinha participado brevemente de um grupo ligado à luta armada, porque seu ex-marido era militar, e de esquerda, e estivera junto com ela nalgum dos grupúsculos da esquerda daquele tempo. Tinha dois filhos pequenos. Vou chamá-la pelo nome de guerra: Yara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi um namoro rápido, uns dois meses, rápido e convencional, com cineminhas, papos em bar, e encontros no meu apartamento de Joaquim Nabuco. Nunca pernoitava comigo, pois tinha que cuidar dos filhos. Terminamos, ficamos amigos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia me liga. Ia ser julgada numa auditoria da aeronáutica. Queria que, como amigo, estivesse presente. Como na maior parte daqueles processos, a coisa estava combinada desde antes. Ela e o ex-marido iam se declarar culpados, iam receber uma sentença leve, e se encerrava o caso. Cheguei lá a tempo de ouvir a sentença, três meses. Era o acertado. Yara, olhos azuis brilhando, estava contente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me liga uns dias depois de novo. Estava na cadeia, mas tinha acesso ao telefone. Me pediu que fosse vê-la, e lhe levasse uns biscoitos. Fui, apavorado, claro. Era na rua da Relação, junto do DOPS. Me explicou em detalhe: você entra, cruza na diagonal o pátio, e chega à carceragem feminina. Manda me chamar. Foi o que fiz. Tinha uma cantina ali. Me sentaram na cantina, e em dois ou três minutos chega Yara com uma outra presa, as duas de uniforme de prisão, uma mulata. Me apresenta e vai explicando direto, é minha colega de cela, presa por prostituição e um pequeno roubo. Ficamos batendo papo ali, tomando guaraná e comendo os biscoitos que levei para Yara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saiu da prisão, e sei que fez carreira como professora universitária. Nos vimos há uns dez anos atrás, e em 2000, soube chocado que Yara tinha morrido num acidente de carro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca fui militante de grupo de esquerda. Por que agi, então, desse jeito, me arriscando para defender gente que às vezes nem conhecia, ou mal conhecia? A resposta é simples. Tem uma versão fresca: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;noblesse oblige&lt;/span&gt;. Tem outra, que esclarece meus motivos: questão de decência humana. Imperativo moral. Solidariedade. Luta contra a canalhice, contra a indignidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E isso é o significado de: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;noblesse oblige. &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5585094901893319171-2780452355685887099?l=famadoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://famadoria.blogspot.com/feeds/2780452355685887099/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5585094901893319171&amp;postID=2780452355685887099' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5585094901893319171/posts/default/2780452355685887099'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5585094901893319171/posts/default/2780452355685887099'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://famadoria.blogspot.com/2008/06/1968-xvii-presos-polticos.html' title='1968, XVII - Noblesse oblige'/><author><name>Francisco Antonio Doria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16243520355535324710</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5585094901893319171.post-8514749667659685622</id><published>2008-05-16T09:39:00.001-03:00</published><updated>2008-12-09T06:42:24.587-02:00</updated><title type='text'>Laura minha neta</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/__h2bPbXvmCw/SC2A3BZsUSI/AAAAAAAAAKw/IHH6-ycsp0Y/s1600-h/laura100508.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://4.bp.blogspot.com/__h2bPbXvmCw/SC2A3BZsUSI/AAAAAAAAAKw/IHH6-ycsp0Y/s320/laura100508.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5200954827440148770" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Neta minha e de Margô. Aqui em casa, no sábado 10 de maio.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5585094901893319171-8514749667659685622?l=famadoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://famadoria.blogspot.com/feeds/8514749667659685622/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5585094901893319171&amp;postID=8514749667659685622' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5585094901893319171/posts/default/8514749667659685622'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5585094901893319171/posts/default/8514749667659685622'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://famadoria.blogspot.com/2008/05/laura-minha-neta.html' title='Laura minha neta'/><author><name>Francisco Antonio Doria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16243520355535324710</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/__h2bPbXvmCw/SC2A3BZsUSI/AAAAAAAAAKw/IHH6-ycsp0Y/s72-c/laura100508.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5585094901893319171.post-1992204901218530900</id><published>2008-04-18T05:44:00.005-03:00</published><updated>2008-12-09T06:42:24.742-02:00</updated><title type='text'>1968, XVI - Revolução nos costumes, revolução sexual</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/__h2bPbXvmCw/SAhiJCZjkPI/AAAAAAAAAKo/6ltdhrRGvB0/s1600-h/s%26b.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://2.bp.blogspot.com/__h2bPbXvmCw/SAhiJCZjkPI/AAAAAAAAAKo/6ltdhrRGvB0/s320/s%26b.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5190506477946900722" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Começo em Balzac:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Montriveau pâlit, et tomba pour la première fois de sa vie aux genoux d’une femme. Il baisa le bas de la robe de la duchesse, les pieds, les genoux; mais, pour l’honneur du faubourg Saint-Germain, il est nécessaire de ne pas révéler les mystères de ses boudoirs, où l’on voulait tout de l’amour, moins ce qui pouvait attester l’amour. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cena é famosa e é um lugar-comum. Traduzo: Montriveau empalidece, e cai pela primeira vez em sua vida diante dos joelhos de uma mulher. Beijou a ponta do vestido da duquesa, os pés, seus joelhos; mas, guardando a honra do faubourg Saint-Germain, é necessário não revelar os mistérios de suas alcovas, onde tudo se desejava do amor, exceto o que podia atestar este amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dito às claras: o general de Montriveau esmera-se em carícias orais íntimas na duquesa de Langeais. A cena, já disse, é famosa, e se deixa compreender muito bem, embora Balzac seja discreto a respeito, escancaradamente discreto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;— Chère Antoinette, s’écria Montriveau dans le délire où le plongea l’entier abandon de la duchesse…&lt;/span&gt; Querida Antoinette, disse Montriveau, no delírio em que foi jogado pelo total abandono da duquesa… Precisa dizer mais alguma coisa? Não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Logo em seguida, um companheiro de Montriveau, o marquês de Ronquerolles, explicita para o general seu amigo as regras do jogo amoroso na haute gomme parisiense: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Apprends d’abord que les femmes de notre faubourg aiment, comme toutes les autres, à se baigner dans l’amour; mais elles veulent posséder sans être possédées. Elles ont transigé avec la nature. La jurisprudence de la paroisse leur a presque tout permis, moins le péché positif.&lt;/span&gt; Aprenda,  primeiro, que as mulheres de nosso grupo gostam, como todas as outras, de banharem-se no amor; mas elas desejam possuir sem serem possuídas. Transigiram com a natureza. A jurisprudência da paróquia permite-lhes quase tudo, menos o pecado positivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou, dito como era quase um provérbio anunciado pela namorada, lema de conduta, nos namoros no Brasil, anos 50 do século vinte, topo tudo, ou topo quase tudo, menos o essencial; menos na frente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Balzac nos ensina mais: deixamos para trás &lt;span style="font-style: italic;"&gt;La Duchesse de Langeais&lt;/span&gt;, de onde pesquei tais passagens com um código de conduta sexual bastante explícito, e passemos à novela seguinte da trilogia &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Histoire des Treize&lt;/span&gt;, que é &lt;span style="font-style: italic;"&gt;La Fille aux Yeux d’Or,&lt;/span&gt; “A jovem dos olhos dourados.” No clímax amoroso, quando Henri de Marsay se encontra, enfim, com a moça dos olhos cor de ouro, Paquita Valdez, esta é descrita como,&lt;span style="font-style: italic;"&gt; Mais, chose étrange! si la Fille aux yeux d’or était vierge, elle n’était pas certes innocente.&lt;/span&gt; Mas, coisa estranha, se a jovem dos olhos dourados era virgem, não era no entanto inocente. A virgindade de Paquita é assim descrita um pouco adiante:&lt;span style="font-style: italic;"&gt; l’innocence purement physique de Paquita&lt;/span&gt;, a inocência puramente física de Paquita…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Balzac deixa claro, na cena do encontro amoroso entre de Marsay e Paquita, que estes consumam — de algum modo — o ato amoroso, embora seja elíptico a respeito, e que Paquita continua, tecnicamente, virgem após a noite de amor do casal, quando se refere à l’innocence purement physique de Paquita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Balzac faz alusões, não diz muita coisa. Fui então a um clássico mais clássico ainda, um que trata só do erotismo: Brantôme. Fui ao &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Vie des Femmes Galantes&lt;/span&gt;, onde, no século XVI, Brantôme nos fala das jovens que sacrificam no altar da arrière-Vénus, da Vênus gozada por detrás, para preservarem &lt;span style="font-style: italic;"&gt;le pucelage&lt;/span&gt;, a virgindade. Nunca ninguém fez um estudo sobre a sexualidade da classe média urbana no Brasil, no pós-guerra, isto é, depois de 1945, mas, se tomamos como indicativo as historinhas pornôs de Carlos Zéfiro, a prática do arrière-Vénus era comum, na vida amorosa antes do casamento, justamente para que a virgindade fosse preservada. Seguindo-se o exemplo de Paquita Valdés, em &lt;span style="font-style: italic;"&gt;La Fille aux Yeux d’Or&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma vez jantamos, meados da década de 70, minha mulher e eu, na casa de amigos com Silviano Santiago. Não lembro a razão da conversa que se seguiu, mas alguém começou a discutir a suposta revolução sexual dos anos 60. Silviano deu uma explicação que nos pareceu muito certa. No pós-guerra, a mulher jovem ganhou independência. Embora os suplementos femininos e as seções idem dos jornais e revistas a tratasse como um ser essencialmente doméstico e submisso a pais, irmãos e maridos, o fato é que a mulher ganhou liberdade, ganhou espaço, e entrou no mercado de trabalho, lado a lado, ombro a ombro com o homem. Quis, então, os mesmos direitos, a mesma liberdade nos costumes e na vida amorosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não foi, portanto, a pílula. A pílula anticoncepcional pode até ter sido consequência desse avanço da mulher sobre um espaço social que ficava restrito e dominado pelos homens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos anos 40 e 50, a mulher era tipificada, classificada. Começava com a grande divisão, moças boazinhas e moças mazinhas. A década de 60 começou, assim, com distinções claras determinando regras claras, socialmente aceitas, de comportamento: havia as mulheres “honestas,” e as que não o eram. As primeiras eram as donzelas, as casadas “de vida exemplar,” e as viúvas voltadas aos filhos e à casa. As outras, um espectro largo, que começava nas desquitadas, passava pelas meninas que se haviam “perdido” com algum namorado, isto é, que haviam transado com algum garoto e — assim se contava — “tinham sido abandonadas porque homem não gosta de mulher fácil” — e terminava nas atrizes, coristas, cortesãs (havia isso; também ditas putas de alto bordo), e as putas, simplesmente. Dentro do espectro das meninas “perdidas” havia ainda uma distinção fina, que separava “bandidas” das “pistoleiras.” Nomes que, se a gente pensam bem, eram quase elogios; menina  bandida é menina que tomou nas próprias mãos sua conduta, sua vida. Às praticantes do arrière Vénus guardava-se o nome pejorativo, galinhas. Termo que, nos anos 50 e 60, só as designava, e mais nenhuma outra. O motivo, não sei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta era uma tipologia finamente ajustada, um zoo do comportamento sexual baseado num código moral que vinha desde Brantôme, ou mesmo de antes, mas não de muito antes. E que, muito provavelmente, não existia na Idade Média, onde se olhava para essas coisas de modo muito direto; que o digam os textos incidentais e os comentários dos livros de linhagens portugueses, ou, mais explicitamente, os contos de Boccaccio. A hipocrisia sexual é, me parece, uma invenção, uma novação da burguesia, ou das classes médias urbanas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na prática, no Rio zona sul dos anos 50 e começos dos 60, a coisa era outra. Talvez o arrière-Vénus não fosse tão difundido como aparece nos livrinhos de Carlos Zéfiro, mas com certeza o petting, ou, em brasileiro, a sacanagem light &amp;amp; heavy, era comum nos casais de namorados. Ninguém se segurava; e, de vez em quando, alguma moça “se perdia.” Mas no espaço público a hipocrisia pairava soberana. Em 1966 &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Realidade&lt;/span&gt;, uma revista mensal da Abril, com artigos sobre variedades e um tom ligeiramente erudito-pernóstico-serioso, publicou uma matéria de capa com o título, “Eu fui mãe solteira.” Era o depoimento de uma menina cujo nome a reportagem escondia e que tinha engravidado ao transar com o namorado. Tinha dezesseis ou dezessete anos quando teve o filho; creio que já tinha chegado aos dezoito anos quando deu a entrevista a &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Realidade&lt;/span&gt;. Todo mundo sabia quem era a moça: frequentava a praia na Montenegro, em Ipanema (hoje, Vinicius de Moraes, homenagem que Vinicius recusaria sem dúvida). Era bonitinha, moreninha de cabelos encaracolados, brincos de argola quando ainda não eram moda os brincos de argola. Lembro de seu apelido: Tuca. Nunca soube seu nome.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A moça cometeu duas transgressões imperdoáveis. Primeiro, deu. Deu para o namorado. Depois, recusou-se a casar com ele, para “reparar o mal irreparável.” Tudo isso aparece no depoimento para Realidade, ou era sabido do pessoal que a conhecia. O governo militar teve um acesso de fúria puritana, e mandou recolher &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Realidade&lt;/span&gt;. A matéria era água com açúcar; mais decorosa ainda, mesmo, que este texto meu agora. Mas — via-se como algo que atacava a moral da família brasileira, ou coisa parecida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1966 é quando a mini-saia, invenção ultragenial de Mary Quant, aparece no Brasil. E’ interessante falar um pouquinho mais sobre a moda da mini-saia. Mary Quant foi uma designer que produzia para um mercado específico: o mercado Silviano Santiago. Explico: o mercado para mulheres jovens, que trabalhavam, com vida independente. Eram moças que não queriam se vestir como meninas pré-adolescentes, ou como senhoronas. Assim a gente vê um paralelo entre a moda sexy e prática, de Mary Quant, e as mudanças que iam acontecendo no comportamento sexual, na classe média urbana brasileira. Ou no seu núcleo, Copacabana e Ipanema no Rio, anos 60 e começos dos 70. A moda Mary Quant dizia das mudanças de comportamento entre as mulheres.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Lembro da discussão que houve, 65, 66, no Brasil, sobre a mini-saia. Já não ficava tão bem dizerem que a mini-saia era imoral. Diziam então que era antiestética porque mostrava os joelhos, parte supostamente feia da anatomia. Mas esses joelhos foram logo cobertos com botas thigh-high, e o argumento perdeu validade, ou sentido. e a sensualidade escancarou-se com o uso das botas thigh-high.) Os franceses pegaram a idéia de Mary Quant e foram adiante. Courrèges fez uns minivestidos lindos, bem haute couture. Em 66 saí com uma amiga que estava elegantíssima usando um desses vestidos Courrèges, imitando quadros de Mondrian. Cardin juntou botas brancas ou coloridas, de vinil, até o joelho, E Rudi Gernreich e Ungaro lançaram as botas acima do joelho, as botas thigh-high. Todas, aliás, flat, de salto baixo; a bota de cano muito longo era fetiche suficiente. A moda passou então a ser agressivamente erótica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A coisa explodiu em 1971, quando inventaram as hotpants, o short pra sair de noite. Eram shorts bem curtinhos, de cetim, veludo, shorts curtos e de cintura baixa, algumas vezes com um cintinho tipo fetiche extra. Foi um período brevíssimo, de abril a julho ou agosto de 1971. Você saía e só via nas boates, nas discotecas, as meninas de short e botas pretas, brilhantes, longas, presas no meio das coxas com o tal cintinho que segurava tudo alto, esticado, no lugar. Era agressivamente erótico, e a uma tal moda correspondeu uma mudança de comportamento - em massa. A virada (literalmente...) se deu (epa!) em 1971, e não em 68. Foi aí a dita revolução sexual. Explicitada sem véus na moda, superprovocante, supererótica, daquele período.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1968, no Brasil, mesmo quem estava na vanguarda intelectual ainda via o comportamento sexual pelo modo antigo. Flavio Macedo Soares publicou em 1969, em &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Cadernos Brasileiros&lt;/span&gt;, revista de cultura modelada sobre o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Encounter&lt;/span&gt; inglês, e financiada por um fantasmagórico “Instituto Latino-Americano de Relações Internacionais” (que, dizem, era um alias para a CIA), Flavio publicou um ensaio sobre o Festival de Cinema do Rio, acontecido em 1968. Faz uma análise das meninas (depois chamadas groupies) que circulavam no festival:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Essa falange era composta de moças em geral muito atraentes, e que eram as as mais jovens de todas [no festival], a geração de dezoito, dezenove anos. Fora do festival estão estudando na PUC e fazendo suas primeiras armas no circuito Country-Jirau-Bateau [clube e discotecas do Rio 68]. São o que há cinco anos atrás se chamava “meninas-programa”: querem sair, sair, sair, com gente que pague tudo o que elas querem, gente cheirosa, bem vestida, de carro esporte; querem ter mais sucesso que a amiga, e são capazes de dar em cima de um homem que detestam para tirá-lo de uma rival. O preço de qualquer um desses pequenos sucessos é ir para a cama. E isso por atacado, para valer, sem muita conversa. São meninas ainda, mas meninas trágicas, para quem a vida passa depressa e é preciso pegar o que se pode enquanto se pode; não querem nem mais a ascensão social e o casamento rico depois de uma boa dose de experiências. Não, isso já desapareceu, a experiência ficou crua, brutal. E’ preciso dançar toda a noite com uma música violenta a gritar nos ouvidos, beber na escuridão cheia de fumaça, e se deixar cortejar e apalpar, e é preciso a cada dia se provar, se provar, antes que a vida acabe.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fomos contemporâneos de colégio, e amigos, Flavio e eu. Mas sua visão é curiosamente, diria até, espantosamente, passadista. Flavio não via o que estava acontecendo: uma mudança nos costumes porque a mulher invadira, tomara espaços que eram, antes, privilegiadamente masculinos. Essencialmente, a tese de Silviano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra marca na moda da mudança dos costumes foi o surgimento do biquini-tanga, ou string bikini, na praia de Ipanema, o que aconteceu em 1971. Na verdade, era uma recriação do biquini original, de Louis Réard, apresentado em Paris em 1946. A calcinha do biquini de 1946 já era mínima, mas o soutien cortininha só apareceu uns anos depois; e o nome bikini vinha do atol, no Pacífico, no qual se fizeram experiências com a bomba atômica — a idéia é que era moda igualmente explosiva. A tanga surgiu na passagem de 70 para 71 no pier, nas Dunas do Barato, trecho de prais em frente à rua Farme de Amoedo, em Ipanema, de onde se projetava para o mar a construção do emissário submarino de Ipanema. Havia ali um acúmulo de areia, as dunas, o cheiro de mato queimado, o “fuminho,” a maconha, era constante na área, a polícia não incomodava, porque só se preocupava com subversivos, comunistas et caterva, e a roupa de banho era ousada. Acontecia um ou outro topless, e inventavam-se modas. Uma delas, o uso de um conjunto de calcinha e soutien americano como roupa de banho das meninas; eram os conjuntinhos Melody, que qualquer contrabandista de calças jeans vendia — porque calças jeans só se compravam nos contrabandistas, da Dona Glorinha na Correia Dutra no Catete ao Mercadinho Azul em Copacabana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eram reduzidos, os conjuntinhos Melody, pequeninos. E foi daí, me parece, que surgiu a tanga. Marcando, como as hotpants e acessórios, ou a mini-saia, uma mudança completa no comportamento da mulher, nas grandes áreas urbanas do Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mudou tudo? Aparentemente, hoje os namorados que o desejarem têm liberdade nas suas práticas amorosas. Mas tem também grupos que seguem a cartilha de Bush filho, e usam (e praticam o dito) camisetas com frases tipo “Sou virgem e me orgulho disso.” E, nos anos 90, numa coluna de aconselhamento amoroso de um jornal do Rio, vi que pastores evangélicos aconselhavam — o jogo antigo do sexo pelo arrière Vénus – às suas paroquianas. A uma moça casada que desejava satisfazer um namoradinho eventual, sem praticar o adultério, aconselhou o ministro, dê a frente para seu marido; para o namorado dê atrás. A outra, solteira e fisicamente virgem, aconselhou deixar que o namorado se servisse, como disse o personagem de Amarcord, de son intimità posteriore.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como os curas paroquianos que, jesuiticamente, aconselhavam e orientavam as liberdades das grandes damas de Balzac. Como &lt;span style="font-style: italic;"&gt;La Fille aux Yeux d’Or&lt;/span&gt;. Como algumas das moças nobres de Brantôme.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Na imagem, cena de rua, 1971. Hotpants e botas thigh-high.)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5585094901893319171-1992204901218530900?l=famadoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://famadoria.blogspot.com/feeds/1992204901218530900/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5585094901893319171&amp;postID=1992204901218530900' title='21 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5585094901893319171/posts/default/1992204901218530900'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5585094901893319171/posts/default/1992204901218530900'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://famadoria.blogspot.com/2008/04/1968-xvi-revoluo-nos-costumes-revoluo.html' title='1968, XVI - Revolução nos costumes, revolução sexual'/><author><name>Francisco Antonio Doria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16243520355535324710</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/__h2bPbXvmCw/SAhiJCZjkPI/AAAAAAAAAKo/6ltdhrRGvB0/s72-c/s%26b.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>21</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5585094901893319171.post-3454772704709542258</id><published>2008-04-16T07:49:00.002-03:00</published><updated>2008-04-16T08:06:46.876-03:00</updated><title type='text'>Margô: testemunho do Pedro; datas</title><content type='html'>Pedro postou no seu blog um testemunho detalhado sobre a mãe:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;http://pedrodoria.com.br/2008/04/15/minha-mae/&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Algumas correções: Margô não era tímida, era recatada e discreta. Detestava gente chata, a quem devesse as hipocrisias sociais correntes, a quem devesse tratar bem e aturar. Fugia então, se escondia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acerto também as datas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos conhecemos na casa de Nise da Silveira, numa reunião do Grupo de Estudos C. G. Jung, em 16 de maio de 1973, uma quarta-feira. Foi elétrico. Saímos depois, vários amigos e Margô no meio, para jantar no Recreio, uma churrascaria ali perto, e levamos junto o marido da Nise, Mário Magalhães. Na conversa no jantar descobriu-se que Mário e Nise tinham sido muito amigos dos avós de Margô e de seu pai. (Mário foi nosso padrinho de casamento.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Duas semanas depois saímos pela primeira vez. Margô, estudante de medicina e querendo fazer psiquiatria, me pediu que a levasse ao serviço da Nise, no hospital de Engenho de Dentro. Passamos junto boa parte do dia — voltando de Engenho de Dentro, fomos à Quinta da Boa Vista lagartixar, porque a tarde estava de veranico de maio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aí viajei, fui a um congresso científico na Europa, e fui conhecer alguns cantos das oropas, Roma, Florença, Londres, tipo mochileiro. Voltei em 14 de agosto. Liguei para Margô chegando; voltamos a sair. Começamos a namorar nos inícios de setembro, resolvemos casar pouco depois, e nos casamos em 21 de dezembro de 1973. Sugeri eu mesmo a data, porque era o solstício de verão. Coincidência: era o dia em que se faziam batizados e casórios na família dela, desde meados do século XIX, em homenagem a uma avoenga dela, cujo retrato devidamente entronizamos então na parede com retratos dos antepassados aqui em casa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5585094901893319171-3454772704709542258?l=famadoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://famadoria.blogspot.com/feeds/3454772704709542258/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5585094901893319171&amp;postID=3454772704709542258' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5585094901893319171/posts/default/3454772704709542258'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5585094901893319171/posts/default/3454772704709542258'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://famadoria.blogspot.com/2008/04/marg-testemunho-do-pedro-datas.html' title='Margô: testemunho do Pedro; datas'/><author><name>Francisco Antonio Doria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16243520355535324710</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5585094901893319171.post-9171277195115793621</id><published>2008-04-14T22:14:00.003-03:00</published><updated>2008-04-15T05:45:00.127-03:00</updated><title type='text'>Margô, filmes</title><content type='html'>Vai em suite ao que Pedro postou no blog dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O filme de Bergmann favorito de Margô era &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Fanny e Alexander&lt;/span&gt;. Mas, ultimamente, seu diretor favorito tinha passado a ser Clint Eastwood. Filmes favoritos deste: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Midnight in the Garden of Good and Evil, The Unforgivable.&lt;/span&gt; Ainda baixei para ela rever - não deu tempo - dois filmes que nos haviam impressionado muito: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Providence&lt;/span&gt;, de Alain Resnais, e &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Identificazione di una Donna&lt;/span&gt;, de Antonioni. &lt;div class="entry"&gt;  &lt;p&gt;Recusou-se a rever comigo &lt;span style="font-style: italic;"&gt;L’Année Dernière à Marienbad.&lt;/span&gt; Mas vimos juntos, várias vezes, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;The&lt;/span&gt;  &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Godfather&lt;/span&gt;, o ciclo completo, e o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Guerra e Paz&lt;/span&gt; russo, de Serguei Bondarchuk. E uma piada sua: segundo Margô, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Le Dernier Tango à Paris&lt;/span&gt;, que consideramos um dos grandes filmes de todos os tempos era, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;An American in Paris, Twenty Years Later&lt;/span&gt;…&lt;/p&gt;          &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5585094901893319171-9171277195115793621?l=famadoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://famadoria.blogspot.com/feeds/9171277195115793621/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5585094901893319171&amp;postID=9171277195115793621' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5585094901893319171/posts/default/9171277195115793621'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5585094901893319171/posts/default/9171277195115793621'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://famadoria.blogspot.com/2008/04/marg-filmes.html' title='Margô, filmes'/><author><name>Francisco Antonio Doria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16243520355535324710</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5585094901893319171.post-4271292066667858131</id><published>2008-04-10T03:45:00.003-03:00</published><updated>2008-12-09T06:42:24.928-02:00</updated><title type='text'>Margô</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/__h2bPbXvmCw/R_27nIu1pdI/AAAAAAAAAKg/6gsh0vKDlBU/s1600-h/1974+copy.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://1.bp.blogspot.com/__h2bPbXvmCw/R_27nIu1pdI/AAAAAAAAAKg/6gsh0vKDlBU/s320/1974+copy.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5187508626833909202" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Margô, minha mulher, Margareth Rubim de Pinho Accioli Doria, morreu ontem. Tinha 55 anos; quando nos casamos tinha 21 anos e eu quase trinta — fui chamado de infanticida, o termo de então para pedófilo. Margô descrevia nosso casamento como uma sequência de filmes. Começava com &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Nove e meia semanas de amor, &lt;/span&gt;e seguia com uma comédia água-com-açúcar bem anos 50 de Cary Grant e Doris Day, numa casa cheia de jardins, gatos e cachorros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Terminou como uma &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Love Story &lt;/span&gt;cruel. Não foi leucemia, foi outro câncer. Quase quatro anos entre as primeiras manifestações da doença, e a morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tivemos três filhos. Vivemos boa parte da nossa vida de casados na casa tipo Doris Day &amp;amp; Cary Grant em Petrópolis. Agora, tive cortada a metade direita de meu corpo. Vou seguir adiante — me arrastando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Na foto, de 1974, novembro. Pedro tinha nascido duas semanas antes, estávamos em casa de papai, e tínhamos brigado, alguma coisa que não me lembro. Ela estava furiosa comigo.)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5585094901893319171-4271292066667858131?l=famadoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://famadoria.blogspot.com/feeds/4271292066667858131/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5585094901893319171&amp;postID=4271292066667858131' title='17 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5585094901893319171/posts/default/4271292066667858131'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5585094901893319171/posts/default/4271292066667858131'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://famadoria.blogspot.com/2008/04/marg.html' title='Margô'/><author><name>Francisco Antonio Doria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16243520355535324710</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/__h2bPbXvmCw/R_27nIu1pdI/AAAAAAAAAKg/6gsh0vKDlBU/s72-c/1974+copy.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>17</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5585094901893319171.post-1467026452601080622</id><published>2008-03-23T07:23:00.006-03:00</published><updated>2008-04-25T11:13:12.819-03:00</updated><title type='text'>1968, XV - A moveable feast, III</title><content type='html'>A terceira grande festa aconteceu duas semanas antes do Ato 5, em fins de novembro de 1968. Foi dada em minha homenagem e em homenagem a Marcos Vasconcellos. Tinha feito, dias antes, vinte e três anos. Logo em seguida recebo um presente especial, as provas em paquê de meu primeiro livro, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Marcuse Vida e Obra&lt;/span&gt;, a ser publicado pelo João Ruy, pela José Álvaro Editor, conforme combinado em casa de meu primo, dois meses antes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por que Marcos Vasconcellos? Marcos tinha uma casa em frente à casa do meu amigo que me oferece a festa e também fazia anos em novembro. Casa bonita a do Marcos, estilo clean, com uma piscina que dava vista para toda a Lagoa e para o Jardim Botânico, uma varanda sobre a zona sul do Rio. Foi nesta piscina e nesta varanda sobre o cartão-postal da zona sul que, meses mais tarde, Marcos recebeu um tenente do exército que lhe deu voz de prisão. Marcos estava com uma amiga; bebia uísque, o dia era ensolarado e de céu azul. O tenentinho apressou-o, vai se arrumar, o senhor está preso! Responde Marcos, antes toma comigo um uísque. Olha a paisagem. Olha a moça aí. Aproveita um pouquinho. Você não vai ter outra chance de beber um uísque tão bom. Olha a paisagem: sua casa não tem, nunca vai ter uma paisagem como esta. Olha a moça: você jamais vai comer moça tão bonita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vou preso com você, sim. Mas antes relaxa meia-hora e aproveita um pouco da minha boa vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Agora, algo da história da editora, da José Álvaro Editor. Quem a fundou foi um jornalista do Correio da Manhã, nos anos 50, José Álvaro. Nos domingos escrevia uma coluna, J, J &amp;amp; J — não lembro quem eram os outros JJ. A José Álvaro publicou muita crônica, muita coisa de autor que despontava. Em meados dos 60, Zé Álvaro vende a editora para João Ruy. No pacote, um sucesso de vendas, a coleção &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Vida e Obra&lt;/span&gt;, com biografias de Freud, Jung, Brecht, todo esse povo. Nos anos 70 a José Álvaro passa para Fernando Gasparian, que havia comprado também a Paz &amp;amp; Terra, de Enio Silveira. E o José Álvaro original se muda para Petrópolis, onde faz jornalismo no &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Diário de Petrópolis&lt;/span&gt; e onde, enfim, vou conhecê-lo. Ficamos amigos, passo a escrever muito para o mesmo jornal, que ele, Zé Álvaro, termina editando, até sua morte em 1979.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A festa em minha homenagem e em homenagem ao Marcos foi num sábado, o último daquele mês de novembro. Faço as contas: 30 de novembro de 1968. A casa onde fizemos a festa tinha três andares, e ficava meio acavalada na encosta da Floresta da Tijuca subindo para o Corcovado. Da rua até sua entrada principal eram uns quarenta e cinco, cinquenta degraus. Fui para lá ajudar meu amigo. Muita cerveja, uns dez engradados com aquelas garrafas antigas de cerveja, de vidro grosso, o casco marron. Coisa de supermercado para fazer as comidas. Tinha que ajudar a levar tudo para cima, subindo aqueles cinquenta degraus. Peguei a primeira caixa de cerveja, penei, parei bufando nos primeiros vinte degraus. Chego lá em cima arrebentado, sem saber como fazer para carregar as outras caixas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu amigo me mostra: olha só, diz. Se curva, joga sobre os ombros o caixote, e sobe correndo, de uma vez só, os cinquenta degraus. Pergunto como ele, quinze anos mais velho que eu, faz aquilo. Responde bruto:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Fui besta de carga em Buchenwald.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu amigo, judeu, estivera preso num campo de concentração nazista. Estamos, naquele momento, a vinte e poucos anos de distância do fim de Hitler, mas me assusto e me sobressalto, uma sensação de horror, momentânea, me agarra. Ele percebe e continua, esquece, estou aqui, e já é passado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltamos à preparação da festa. As caixas todas de cerveja e de cocacola na cozinha e na copa, está na hora de um cochilo, e da gente tomar banho e se arrumar. Descanso, me banho, me visto, são nove horas, o pessoal vai chegando, vai chegando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A festa enche. A casa era grande, mas a sala fica compacta de tanta gente. Não tem muita luz, tem música alta, tem gente dançando, gente se agarrando, gente ficando muito doida. Nalgum canto, fuminho correndo, gente sentada no chão, doidona.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como de hábito, como nas outras festas, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;glitteratti&lt;/span&gt; e &lt;span style="font-style: italic;"&gt;beautiful people&lt;/span&gt;. Vejo de relance algumas atrizes de cinema, está realmente escuro, mas parece que o pessoal do cinema novo baixou todo no pedaço. Uma das atrizes se agita mais; vou chamá-la Isadora. Vestida de branco, um vestido comprido e esvoaçante, molengo, Isadora está no meio da sala, junto de uma mesa baixa, mesa de centro. Pede música lenta, colocam alguma coisa mais devagar. Sobe na mesa, e começa a se despir, começa um strip. Todo mundo bate palmas, o ritmo das palmas é diferente do ritmo da música, mas ninguém ouve mais a música, só se ouvem as palmas e só olham para Isadora, que vai se despindo. Quando tira o soutien, grita, quem quer me comer? quem quer me comer? sou muito experiente, já fiz quatorze abortos…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apago pouco depois disso, num dos quartos da casa. O domingo, primeiro de dezembro, acorda nublado. Não vai dar praia; e começa o dezembro do Ato 5.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Houve outras muitas festas em 68, claro. Por exemplo, a festa de despedida de Marcito, Marcio Moreira Alves, em fins de setembro, na casa de Heloisa Buarque de Holanda, no Horto. Mas muita gente já contou sobre esta festa — Marcito ia para a Europa, e deixou para trás toda a tempestade que desabou feroz com o Ato 5.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vou contar, ainda, sobre uma última das festas do ano, uma festa que teve uns dez casais, se tanto; uma orgia, bacanal, suruba, dêem o nome que quiserem. Deprimente como filme de Antonioni, como &lt;span style="font-style: italic;"&gt;La Notte&lt;/span&gt; ou &lt;span style="font-style: italic;"&gt;L’Eclisse&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um amigo me pega em casa, em Botafogo, o Beto, numa rural wyllis. Entro, vejo gente que não conheço; umas moças até que bonitinhas, uns carinhas desconhecidos. Me diz, vamos a uma festa no Alto da Boa Vista, no meio da Floresta da Tijuca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vamos pela Avenida Niemeyer. Em São Conrado, uma parada, para pegar mais um convidado — convidado? era tudo uma coisa improvisada, estava parecendo. Percebo que dois outros carros estão nos seguindo; param enquanto embarca o tal convidado de São Conrado. Mais velho que nós, todos pelos vinte e poucos anos; teria talvez quarenta anos. Era piloto da Panair, logo soube; desempregado, portanto. No fim de São Conrado embicamos à direita, pela Estrada das Canoas. Passamos o viaduto, descemos a estrada junto à Pedra da Gávea, deixamos para trás a Gávea Pequena, andamos mais um pouco e chegamos a um portão com dois marcos imensos, lado a lado, de pedra. Além do portão e dos marcos, uma estrada entrando num parque escuro — ainda assim, a noite estava límpida, era junho ou julho, e a lua estava cheia, ou quase, e iluminava os topos das árvores do parque.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entramos. Passamos o portão, os três carros. Andamos muito, quase um quilômetro. Espero ver um castelo no fim daquela estrada, e de fato a casa era quase um castelo. Neocolonial, cercada de jardins formais, com uma piscina grande na parte dos fundos, depois vi, lembrava um pouco o antigo Solar do Monjope, já demolido, em frente ao Parque Lage, o Monjope, cenário de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Terra em Transe. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era enorme. Paramos em frente da casa, onde existiam uns janelões quase se abrindo para os jardins formais, debaixo de uma balaustrada, de um balcão se debruçando sobre os jardins. A entrada era pelo lado, através de uma porte cochère; era um portal imenso, com duas folhas. De um dos carros de trás vinha andando depressa o filho dos donos da casa, trintão, meio careca apesar de ainda moço, com uma penca de chaves. Estamos esperando na porta do casarão, eu, o Beto, o aviador que morava em São Conrado, um rapaz que não conhecia, e três moças (tinham ficado quietas toda a viagem), de microssaias, isso mesmo, sainhas meio rodadas mas ultracurtas, sapatos de salto tacão, como se usava naquela época, meias de nylon, caras até que bonitinhas, mas que não combinavam nada com aquela casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O filho dos donos da casa luta com as chaves, abre a porta. Entramos, um hall de mármore, grande; uma porta em arco abrindo-se para um salão de pé direito muito alto, tudo branco, neocolonial, o dos janelões e, no fundo, uma escadaria para o andar de cima. O dono avisa: não quero zona no quarto da minha irmã, fica aqui em cima, e aponta na direção da balaustrada sobre o jardim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No fundo do salão um bar americano, tipo anos 50, móveis de pé de palito, bem cenário de filme da Atlântida, ou de história em quadrinhos, das primeiras, de Mickey Mouse. Um equipamento de som ao lado, ultra-espetacular, com altofalantes eletrostáticos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os dez ou doze casais enchem logo o salão. O dono da casa, Carlinhos, coloca duas ou três garrafas de uísque bom em cima do bar, e copos e dois baldes de gelo. E umas comidinhas, biscoitinhos salgados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas estou distraído com os quadros nas paredes. Tinha uma paisagem de Antonio Parreiras; dois retratos, um homem e uma mulher, de Rodolfo Chambelland, e um óleo pequeno que me parecia Portinari, embora sem assinatura. Tudo iluminado com luzinha em cima (o homem e a mulher retratados por Chambelland, depois perguntei, eram os avós do Carlinhos).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho que arranjar companheira, ou vou sobrar. Perto de mim uma moça moreninha no uniforme de todas, microssaia e sandália de tacão. Tem música, a gente dança. No meio da sala a mesa baixa inevitável, e uma das moças sobe ali e começa um strip — parece que mesa de centro de sala é como queijo de inferninho, mulher tem que subir lá e tem que fazer strip.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ambiente é estranho; meio dissonante. Os casais se pegam, uns somem nos quartos (menos no quarto da irmã do Carlinhos, isso todo mundo respeitava, até porque ele lembrava a proibição de tempos em tempos), outros vão se guentando nos sofás da sala.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até que o aviador de São Conrado, o piloto da Panair começa a falar. Fala baixo, mas as pessoas ouvem sua voz, mesmo que envolvidas nas transas de cada um. Fala da amargura da sua vida, da mulher que largou ele, dos filhos que queria ter tido, dos fracassos pequenos de seu dia a dia. Fracassos dolorosos porque medíocres. Infelicidades pequenas. Fala em voz baixa, desanimada. Fala como no refrão de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;A Canção da Terra&lt;/span&gt;, de Mahler, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;dunkel ist das Leben ist der Tod.&lt;/span&gt; Negra é a vida, negra é a morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já tendo completado minhas atividades ali com uma daquelas meninas, ouço o aviador na sua fala insistente, fala de profeta. E vejo ao fundo, ao som da voz do aviador, uma cena erótica desesperada: um carinha sentado no sofá, uma moça com a cabeça no seu colo, alongada no mesmo sofá. Agarrava-se no corpo do rapaz, fazia um vai-e-vem furioso e sem fim com a cabeça, e o rapaz estremecia como se doente de dança de São Guido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(De relance, agora, num flash de memória, uma cena semelhante. Ipanema, de tarde, tarde de outono, meio friozinha, chuvosa, no quarto de um apartamento dos anos 40 que ficava numa das ruas transversais cheias de árvores; este, o cenário. A namorada se aplica em trabalhos manuais e orais no namorado, que geme baixinho. A música de fundo era mais adequada, melhor que as &lt;span style="font-style: italic;"&gt;lamentationes, &lt;/span&gt;os &lt;span style="font-style: italic;"&gt;threni&lt;/span&gt;, do aviador — era Guiomar Novais tocando o concerto em lá menor de Schumann, o concerto de onde foi chuchada &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Besame mucho.&lt;/span&gt;)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o aviador sempre falando do negrume da vida e do negrume da morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cinco da manhã, surgia a filha da manhã, dos dedos de rosa a aurora. Vou até a balaustrada que dava para o quarto da irmã do Carlinhos ver o nascer do Sol. O parque da casa era imenso; como que continuava num mar de árvores até o horizonte, ao fundo, a Pedra da Gávea, os morros da Floresta da Tijuca. Carlinhos vai lá me pegar, reclamando, pois o quarto da irmã era off limits. Digo, estou só vendo o jardim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diz, tá na hora de ir embora. Não quero que o caseiro nos encontre; ele abre a casa às oito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixo &lt;span style="font-style: italic;"&gt;rhododáktulos eós&lt;/span&gt;, dos dedos de rosa a aurora, para trás. E também a negritude da vida do nosso bom aviador.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5585094901893319171-1467026452601080622?l=famadoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://famadoria.blogspot.com/feeds/1467026452601080622/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5585094901893319171&amp;postID=1467026452601080622' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5585094901893319171/posts/default/1467026452601080622'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5585094901893319171/posts/default/1467026452601080622'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://famadoria.blogspot.com/2008/03/1968-xv-movable-feast-iii.html' title='1968, XV - A moveable feast, III'/><author><name>Francisco Antonio Doria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16243520355535324710</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5585094901893319171.post-3752028413716349767</id><published>2008-03-20T21:17:00.003-03:00</published><updated>2008-04-25T11:14:19.173-03:00</updated><title type='text'>1968, XIV - A moveable feast, II</title><content type='html'>A segunda grande festa foi o Baile da Baronesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para mim, começou na manhã de sábado. Era nos começos de novembro de 68; sábado de Feira da Providência. Naqueles anos a Feira da Providência realizava-se na Lagoa, junto da Hípica, e era o lugar onde você tinha que ir para saber das coisas, dos programas, das festas. Fui com uma pintora — vinte e poucos anos, pele muito branca e cabelos muito pretos e olhos pretos pintados tipo olhos de Cleópatra. E corpo violão, bem violão. Brincava com isso, se fazia de gostosa, era toda caras e bocs; mas pintava quadros interessantes. Ia vender quadros nalguma barraca — tinha o tal Setor Umuarama, sei lá por que levava esse nome — cheio de meninas bonitinhas, era o setor principal, e minha amiga (vou chamá-la de Marise) a pintora me arranjou uma credencial de ajudante-umuaramesco, e lá fui eu, dez da manhã, a feira abrindo, procurar a barraca da Marise.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me perguntava ali por que ela, Marise das caras-e-bocas, tinha me escolhido como seu par. Bom, a resposta era óbvia; eu era um dos &lt;span style="font-style: italic;"&gt;glitteratti &lt;/span&gt;do momento, ainda que um glitteratto meio de segundo plano, de modo que merecia acompanhar a Marise caras-e-bocas, Marise dos olhos de Cleópatra, Marise corpo de violão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E ela fazia, sim, caras mis e zilhões de bocas; não falava, posava. E eu, junto dela, de glitteratto coadjuvante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A festa da noite foi combinada ali; era o Baile da Baronesa. Alguém, parece que o Jaguar, alugava um casarão numa rua interna que ficava entre a Farani e o comecinho do Flamengo.  A casa estava plantada no meio de um jardim enorme, muitas árvores mas também muitas lâmpadas iluminando as folhagens, energia ainda era coisa barata. À volta da casa uma varanda bem larga, e lá dentro, salões e mais salões, no primeiro andar, e quartos e mais quartos no segundo andar. O ambiente era muito doido; agora, relembrando aquela festa a quarenta anos de distância, eu sozinho — Marise das mil caras e bocas tinha sumido logo depois de entrarmos na festa — andando pelos salões em baixo, penso que as coisas eram um pouco feito a bacanal da sociedade secreta em &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Eyes Wide Shut &lt;/span&gt;de Kubrick. Mas sem solenidade, com escracho; e sem sexo explícito (que devia estar acontecendo, se fosse o caso, no segundo andar). Tinha, sim, nos salões, muito casal se atracando sem dar grande bola ao pessoal à volta, e sem chegarem às vias de fato. E eu passeando, devagar e sem o que fazer, só olhando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembro de flashes da festa, cenas rápidas. Um deles: estou entrando num corredor quando vejo, melhor, revejo, reencontro, um professor meu de ginásio e colegial, professor que não via há cinco anos. Era boa pinta, elegantíssimo, no colégio; continuava boa pinta e super-elegante. Todo mundo sabia que ele era casado com uma passista de escola de samba — e agora, via esse meu professor surgir de um dos cantos do corredor no Baile da Baronesa, agarrado com a mulher e com uma das cunhadas. Me olha, me reconhece, e me fala como se não me visse há cinco minutos, e não há cinco anos, de porre mas distinto como sempre, Francisco Antonio, não está com inveja de mim? Não quer nos acompanhar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi em começos de novembro, mês e meio antes da débâcle do Ato 5.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5585094901893319171-3752028413716349767?l=famadoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://famadoria.blogspot.com/feeds/3752028413716349767/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5585094901893319171&amp;postID=3752028413716349767' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5585094901893319171/posts/default/3752028413716349767'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5585094901893319171/posts/default/3752028413716349767'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://famadoria.blogspot.com/2008/03/1968-xiv-movable-feast-ii.html' title='1968, XIV - A moveable feast, II'/><author><name>Francisco Antonio Doria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16243520355535324710</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5585094901893319171.post-7748833696109313352</id><published>2008-03-20T19:01:00.012-03:00</published><updated>2008-04-25T11:15:12.650-03:00</updated><title type='text'>1968, XIII - A moveable feast, I</title><content type='html'>Era mesmo como se houvesse uma festa contínua, desde sempre, desde há muito. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;A movable feast&lt;/span&gt;, como na Paris dos anos 20 de Hemingway. Vou contar sobre algumas dessas festas que se juntavam na festa contínua de 66, 67, 68.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma primeira festa: me reencontro com um primo que não vejo há muito tempo, o Zé. Na &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Sucata&lt;/span&gt;, uma boate, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;boîte de nuit, &lt;/span&gt;ainda se dizia, discoteca; a &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Sucata &lt;/span&gt;ficava ali na Lagoa, perto da sede do Flamengo. De fora parecia pequena; dentro até que era bem grande. Escuro, luz negra, dentes brilhando na cara das pessoas, gim tônica brilhando feito fogo fátuo com a luz negra na mão de todo mundo. Estava com uma moça que tinha conhecido quando fiz uma conferência na universidade, e, de repente, enorme, grandalhão, vejo a figura do Zé-primo me abraçar e me agarrar, e nos levar para a mesa dele. No meio da música berrada me avisa que, na semana seguinte, sábado, ia oferecer um jantar; que eu fosse lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fui, sozinho. O apartamento era grande, e ficava exato na Curva do Calombo, na Lagoa, segundo ou terceiro andar. Quando chego, já está cheio, lotadíssimo de gente. Tudo &lt;span style="font-style: italic;"&gt;glitteratti, &lt;/span&gt;intelectuais e &lt;span style="font-style: italic;"&gt;beautiful people. &lt;/span&gt;Me sinto Marcel chegando no primeiro jantar nos Guermantes, e sendo colocado logo ao lado da Princesse de Parme. No caso a Princesse de Parme do jantar do Zé é uma mulher muito bonita, muito elegante — e gentil comigo, que estou todo sem jeito, sou tímido até hoje, caindo ali meio de paraquedas. E' Helô Amado, mulher de Eurico Amado. A Princesa de Parma trata Marcel como um seu igual, apresenta-o ao filho, diz que devem se encontrar. Helô comenta que lê o que escrevo no &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Correio da Manhã&lt;/span&gt;, e pergunta se já publiquei algum livro. Seu interesse me surpreende, e me acalma. Não, não publiquei nenhum livro. Levanta-se, então, e busca João Ruy Medeiros, dono da José Álvaro Editor, e me apresenta a João Ruy.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda não comi, anunciam um &lt;span style="font-style: italic;"&gt;buffet &lt;/span&gt;frio, e vou para a mesa com João Ruy. Estou já meio zonzo, com o uísque e toda a imensa badalação da festa. A comida é fantástica: uma mousse de salmão (salmão era muito raro no Rio naquele tempo), salada fria de massas, algum caviar. Como até para evitar ficar de porre muito rápido, e volto a conversar com João Ruy. Me diz que havia lido tudo o que eu tinha escrito sobre Marcuse no &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Correio da Manhã, &lt;/span&gt;e me pergunta, você não quer escrever um volume sobre Marcuse para a coleção Vida e Obra?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tô de porre: topo na hora. Vai ser meu primeiro livro — e foi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estamos em começos de setembro de 1968. A dois meses do ato 5. Mas ninguém ali pressente o desastre, o final que tudo aquilo vai ter. Ciro Kurtz, deputado estadual pelo MDB, membro do partidão, fala convicto e eloquente sobre o avanço das esquerdas e o recuo dos militares (lembro de sua mulher, muito bonita, discreta, ouvindo quieta o que o Ciro dizia). Fausto Wolff, enorme, lourão, berra feito um alucinado. Vem a comida quente, já quase meia-noite, ou talvez depois de meia-noite. Um &lt;span style="font-style: italic;"&gt;tagliatelli al triplo burro. &lt;/span&gt;Mesmo sendo coisa simples, é delicioso. Na sobremesa, licores. Ou seja, tudo direitinho conforme o figurino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Três da manhã, vou embora. Daniel Tolipan vai me dar uma carona no seu fusquinha vermelho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando estou saindo, João Ruy me dá o cartão e marca um encontro comigo durante a semana para acertarmos os detalhes do livro. Descemos pelo elevador. Quando Daniel e eu saímos para o carro, parado do outro lado da rua, na calçada divisória, a gente vê Fausto Wolff meio debruçado para fora da balaustrada da varanda do apartamento, aos berros, Chicão, Daniel, não vão fazer besteira, não vão fazer bobagem!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguém puxa o Fausto para dentro antes que resolva dar uma de super-homem e se atirar lá de cima; entro no carro e luto para não adormecer, até Daniel me deixar em casa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5585094901893319171-7748833696109313352?l=famadoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://famadoria.blogspot.com/feeds/7748833696109313352/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5585094901893319171&amp;postID=7748833696109313352' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5585094901893319171/posts/default/7748833696109313352'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5585094901893319171/posts/default/7748833696109313352'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://famadoria.blogspot.com/2008/03/1968-xiii-movable-feast-i.html' title='1968, XIII - A moveable feast, I'/><author><name>Francisco Antonio Doria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16243520355535324710</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5585094901893319171.post-7132223948327260254</id><published>2008-03-18T20:27:00.002-03:00</published><updated>2008-03-18T21:05:26.671-03:00</updated><title type='text'>1968, XII - Intelectuais em revoada</title><content type='html'>No começo de março, um de meus professores, o Smil, me diz, Sergio Waissman, da Editora Delta, está precisando de um assessor para ajudá-lo a montar um projeto de financiamento de uma gráfica. Te recomendei. Vai se encontrar com o Sergio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me entrevistei com o Sergio na casa dele, em Ipanema, num sábado de manhã; estava tudo meio tumultuado porque havia nenem novo na casa, o primeiro filho dele e da mulher, aliás prima de um grande amigo meu da Escola de Química, onde estudávamos. Entrevista rápida, meia-hora, fui apresentado rapidinho ao bebê numa entrevista que demorou mais tempo, e, dois dias depois, segunda-feira, começo o trabalho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O prédio da Editora Delta ficava na Travessa do Ouvidor, bem no centro do Rio, a cinquenta metros da Sete de Setembro. A sala do Sergio, onde eu trabalhava, era no terceiro andar, grudada ao setor de produção editorial, o setor divertido da casa, digamos assim. Meu trabalho era quase coisa de contabilista: preencher planilhas demonstrando custos e necessidades de financiamento para a gráfica que a Delta estava montando. A gráfica iria imprimir o Grande Dicionário Delta-Larousse, enciclopédia sendo escrita a dois passos de minha sala, na redacão do Projeto L3, nome em código do tal dicionário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era uma redação cheia de estrelas. No topo, Antonio Houaiss, magro, quase seco, falando baixo, voz e termos afiados como navalha Solingen, e gentil e sedutor como nunca vi ninguém. Junto dele, sempre, de terno meio destrambelhado, gago e com milhares de tiques, Carpeaux, Otto Maria Carpeaux. Ajudando o Carpeaux, sua versão brasileira, de óculos pretos de lentes estreitas, lentes muito grossas, Ismael Cardim, super-erudito. Na redação, preparando os verbetes, um bando de gente, entre os quais Ivan Junqueira e Luiz Costa Lima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me habituei a almoçar com o pessoal da redação do L3. Houaiss, Carpeaux e Cardim almoçavam num restaurante mais cheio de prosápias ali perto; a turma remanescente da redação, e eu junto, num botequim junto do prédio da editora, onde o melhor prato era um camarão à baiana servido numa frigideira onde os camarões boiavam numa lava fumegante de dendê (não sei como não tinha o maior piriri depois de comer aquilo, e comia os camarões na lava de dendê quase todo dia).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me lembro das conversas com Carpeaux. Alguns da redação do L3 chamavam Carpeaux direto de Carpeaux — Carpeaux, vê isso aqui, checa esse dado, verifica tal informação, coisa que Carpeaux fazia sempre muito solícito. Mas eu, garoto de vinte e dois anos, só me dirigia a ele como Dr. Otto. Perguntei muita coisa a Carpeaux, que quase cercava pelos cantos. Por exemplo, como era Mahler regendo? Me contou que Mahler era baixo, muito magro, agitado no andar, e que regia com movimentos bruscos e irregulares. Me contou o tal encontro que teve com Kafka, cujo nome não compreendeu (Kauka? Nome estranho... teria dito). Conversamos sobre os &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Principia Mathematica &lt;/span&gt;de Whitehead e Russell, e também sobre Spengler. Ou sobre Freud e a Viena dessa gente toda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas era difícil conversar com Carpeaux, muito gago, cheio de tiques, e evidentemente com dificuldade de articular certos sons do português, língua que no entanto escrevia tão bem e com tanta clareza, tanta limpidez. Doze anos depois, quando, em 1980, era um junior post-doc no Departamento de Matemática da Universidade de Rochester (NY), nos Estados Unidos, lembrei-me de minhas conversas com Carpeaux ao cercar, pelos corredores, outro remanescente daquele tempo, Volya Bargmann, assistente de Einstein e seu colaborador, a quem vivia perguntando sobre tudo quanto é coisa, a quem importunava para saber tudo a respeito de como era Einstein no convívio pessoal, como era o quotidiano daqueles que haviam feito a física do século XX, coisas assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No caso de Carpeaux, perguntava-lhe sobre como era o quotidiano da gente que havia construído a cultura do século XX, Mahler, Freud, Kafka, Spengler, Wittgenstein. As gentes que fizeram o século XX.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5585094901893319171-7132223948327260254?l=famadoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://famadoria.blogspot.com/feeds/7132223948327260254/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5585094901893319171&amp;postID=7132223948327260254' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5585094901893319171/posts/default/7132223948327260254'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5585094901893319171/posts/default/7132223948327260254'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://famadoria.blogspot.com/2008/03/1968-xii-intelectuais-em-revoada.html' title='1968, XII - Intelectuais em revoada'/><author><name>Francisco Antonio Doria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16243520355535324710</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5585094901893319171.post-3851248363975535226</id><published>2008-03-18T16:50:00.011-03:00</published><updated>2008-03-19T04:02:33.456-03:00</updated><title type='text'>1968, XI - Uma festa contínua</title><content type='html'>Óbvio que é uma idealização, agora, a quarenta e tantos anos de distância, mas é como se a década de 60 do século XX tivesse sido do mesmo jeito que a Idade Média de Huizinga: muito mais colorida e rica de acontecimentos do que os tempos de hoje.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A frase de Huizinga, no começo de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;O Declínio da Idade Média, &lt;/span&gt;precisa ser citada para que possa fazer dela uma paráfrase ou uma variação que a tome como tema: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;quando o mundo era cinco séculos mais jovem, os acontecimentos da vida se destacavam com os contornos muito marcados. Da infelicidade à felicidade, a distância parecia muito maior; toda experiência ainda possuía esse caráter imediato e absoluto que têm o prazer e o sofrimento para o espírito de uma criança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Nos anos 60 do século passado, era como se a gente estivesse descobrindo cores e sabores, sons e imagens novas. A roupa dos anos 50 era de uma cor só: cinza, cinza claro, cinza escuro. Uma vez, eu pequeno, me colocam uma camiseta que dizem ser escandalosa, fantasia para um baile de carnaval infantil em Petrópolis. Era uma camiseta de gola canoa, branca, listada na horizontal com fios fininhos vermelhos. De longe, nem se percebiam aqueles fios fininhos — mas só sua existência virtual, quase imperceptível, fazia ser escandalosa a camiseta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dez anos depois dessa minha experiência com a camiseta-escândalo, estou no Aterro do Flamengo, tarde de muito sol, muita luz. E' 1966, um sábado, e participo de um &lt;span style="font-style: italic;"&gt;happening, &lt;/span&gt;acho que o primeiro dos happenings que vão acontecer no Rio. Hélio Oiticica, Ligia Pape, Frederico Morais teorizando e gesticulando com as mãos, como se fosse um maestro e estivesse regendo aquela orquestra de artistas plásticos. Toda vestida de rosa-abóbora, Georgiana Russell, filha de Sir John Russell, embaixador inglês. De mini-vestido Mary Quant, coloridíssimo, Georgiana pulava de artista em artista, quase como se estivesse dançando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não era a única a estar vestida com cores muito fortes. Ligia Pape, com seu cabelo liso, preto preto, lembrando o corte de Vidal Sassoon para Peggy Moffitt, estava com um vestido dividido em espaços verde-intenso e branco. São as imagens que me ficaram. Cor forte, muita luz, figuras nítidas, intensas. Estava ali com um amigo, o Tixo, ótimo artista plástico — ainda tenho em casa alguns desenhos dele, o Tixo vestido seja com parangolés do Oiticica, seja com sua própria versão do parangolé, uma jibóia enorme de plástico, com quase cinco metros de comprimento, que ele enrolava à volta do corpo de quem se dispusesse a servir de moldura ou soco para seu trabalho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembro das festas, também. Daniel Tolipan dava uma festa que começava todo sábado ao meio-dia, e só terminava na madrugada de segunda-feira. Daniel tinha um apartamento enorme na esquina de Visconde de Albuquerque com Ataulfo de Paiva, finzão do Leblon. Servia um uísque espetacular, algumas comidinhas; de vez em quando as pessoas saíam, iam fazer uma boquinha num canto qualquer ali perto, e voltavam. Mas o bom da festa de fim de semana de Daniel eram as pessoas, claro. Já conhecia o Daniel de algum dos cantos do Rio, mas fui levado na casa dele por uma artista plástica, Regina Vater. Ficamos muito amigos, Daniel e eu. Outra festa contínua eram as dadas por Mário Fiorani, cineasta, gordão barrigudo, de barba branca, ou como ele dizia, em fantasia permanente de Papai Noel, barriga, barba grande, e saco cheio. Numa dessas festas do Fiorani vi, pela primeira vez, o que é mulher capaz de atrair machos em revoada: num canto estava uma moça de micro-saia, botas pretas altas, cabelo louro escorrido igual ao da Nico namorada do príncipe em &lt;span style="font-style: italic;"&gt;La Dolce Vita&lt;/span&gt;, e, como disse uma amiga minha descrevendo caso semelhante, digo isso e dou a autoria porque a metonímia não é minha, toda cercada de testosterona por todos os quadrantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei quem era a moça, não me lembro de tê-la visto de novo nalgum outro canto naqueles tempos, mas lembro também que andando sem rumo pelo apartamento do Mário (ficava num primeiro andar na esquina de Copacabana com República do Peru), entrei meio de inocente num quarto com a porta entreaberta, e vi um casal transando na cama do quarto. Em 1967 ainda não era comum, trepadas ao léu em festas.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5585094901893319171-3851248363975535226?l=famadoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://famadoria.blogspot.com/feeds/3851248363975535226/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5585094901893319171&amp;postID=3851248363975535226' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5585094901893319171/posts/default/3851248363975535226'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5585094901893319171/posts/default/3851248363975535226'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://famadoria.blogspot.com/2008/03/1968-xi-uma-festa-contnua.html' title='1968, XI - Uma festa contínua'/><author><name>Francisco Antonio Doria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16243520355535324710</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5585094901893319171.post-3342871989170909174</id><published>2008-02-15T08:40:00.005-02:00</published><updated>2008-02-15T09:21:42.900-02:00</updated><title type='text'>1968, X: A Décima Sinfonia de Mahler como metáfora para a década</title><content type='html'>A Décima Sinfonia de Mahler, mesmo nos rascunhos, tem cinco movimentos: Adagio, Scherzo I, Purgatorio, Scherzo II, Adagio-Finale. Os movimento extremos duram cerca de vinte e cinco minutos, quase meia hora, se os regentes esticam o andamento lento. Cada um dos scherzi dura dez minutos, e o Purgatorio é um episódio-brincadeira, de três minutos, como a Badinerie de Bach; o Scherzo II é uma dança feroz, e Mahler escreveu à margem de seu manuscrito, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;der Teufel tänzt mit mir, &lt;/span&gt;o diabo dança comigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A década de 60 nos trouxe muitas surpresas, muito inesperado: surpresas políticas, como o assassinato de Kennedy, a Primavera de Praga, a revolta estudantil nos EUA contra a guerra do Vietnam (que só iria escalar mesmo a partir de 1963, com o assassinato do ditador Ngo Dinh Diem), as revoltas estudantis na Europa, o início da ditadura militar no Brasil, a explosão de movimentos culturais alternativos, da ecologia aos hippies, a liberação sexual. Mas nada disso se percebia em 1960, quando Eisenhower passa a Kennedy a presidência dos EUA, e aqui no Brasil Jânio sucede a Juscelino, na primeira transmissão de poder realizando-se em Brasília.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Algo como a Décima Sinfonia: até 1960, dela conhecíamos o Adagio inicial, e os três minutos do Purgatorio. Nada mais. Até que Deryck Cooke nos apresenta sua “performing version,” justo em 1960, e Ormandy grava-a em 1965. Foi como, talvez, a sensação de estarmos vendo um filme em preto e branco, na telinha quadrada do cinema de antigamente, e de repente o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;écran &lt;/span&gt;se enche, e o filme passa a ser colorido e em cinemascope. Colorido e nos envolvendo completamente, nos arrebatando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não quero saber se a Décima é Mahler ou não, se é uma versão “autêntica” ou “fiel.” Soa como Mahler, é tudo. E é grandiosa, derramadamente romântica, ao jeito do ultra-romantismo que vai chegando na atonalidade (pois a atonalidade, em música, é o limite extremo do romantismo). E' metáfora perfeita para a década de 60: de perspectivas estritas, somos jogados num turbilhão em cinemascope. E é a &lt;span style="font-style: italic;"&gt;musique de scène &lt;/span&gt;perfeita, também, para a década.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se eu a filmasse, à década de 60, tomaria a Décima Sinfonia de Mahler como música para tal filme.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5585094901893319171-3342871989170909174?l=famadoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://famadoria.blogspot.com/feeds/3342871989170909174/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5585094901893319171&amp;postID=3342871989170909174' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5585094901893319171/posts/default/3342871989170909174'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5585094901893319171/posts/default/3342871989170909174'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://famadoria.blogspot.com/2008/02/1968-x-dcima-sinfonia-de-mahler-como.html' title='1968, X: A Décima Sinfonia de Mahler como metáfora para a década'/><author><name>Francisco Antonio Doria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16243520355535324710</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5585094901893319171.post-8362540639694801482</id><published>2008-02-14T21:12:00.011-02:00</published><updated>2008-12-09T06:42:25.103-02:00</updated><title type='text'>1968, IX: Intermezzo musicale — de Alma Mahler a Gustav Mahler</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/__h2bPbXvmCw/R7TLFspqsiI/AAAAAAAAAKY/MWvxIjkPz2E/s1600-h/alma.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://3.bp.blogspot.com/__h2bPbXvmCw/R7TLFspqsiI/AAAAAAAAAKY/MWvxIjkPz2E/s320/alma.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5166977971246510626" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Dramatis personae&lt;/span&gt;: &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Gustav Mahler (1860-1911)&lt;/span&gt;. Compositor austríaco, diretor da Ópera de Viena por dez anos, até 1908, compôs dez sinfonias (a décima, inacabada), e ciclos orquestrais de canções, entre os quais &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Das Lied von der Erde &lt;/span&gt;(A Canção da Terra). Suas obras, num estilo ultra-romântico, antecipam ainda muito da música de Schönberg e Alban Berg; &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Das Lied von der Erde &lt;/span&gt;é considerada a mais perfeita orquestração da história da música.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Alma Maria Schindler Mahler Werfel (1879-1964).&lt;/span&gt; Sua mulher, filha do pintor vienense Emil Schindler, foi, sucessivamente, amante de Gustav Klimt, mulher de Mahler, amante e depois mulher do arquiteto Walter Gropius, criador do movimento &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Bauhaus&lt;/span&gt;, amante do pintor Oskar Kokoschka, e mulher do romancista Franz Werfel, que escreveu &lt;span style="font-style: italic;"&gt;A Canção de Bernadette. &lt;/span&gt;De 1946 em diante viveu nos Estados Unidos, onde faleceu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguém falou que a trilha sonora dos anos 60 foram os Beatles. Nada disso, a trilha sonora dos anos 60 foi a música de Gustav Mahler. Na verdade, os anos 60 começaram com Mahler, cujo centenário festejou-se em 7 de julho de 1960, com uma edição completa das sinfonias (exceto a &lt;span&gt;Décima&lt;/span&gt;, um produto dos próprios 60, já conto) e apresentações públicas de suas obras, uma delas organizada por Leonard Bernstein.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conto uma historinha. Em 1960 mesmo, numa festa em Nova York, com uma porção de gente de teatro, músicos, alguns artistas de cinema, a porta do apartamento, granfiníssimo, se abre, e deixa entrar na festa uma matrona impressionante. Alta, corpulenta, idosa mas posuda, com um chapelão daqueles de abas muito largas, um vestidão até os pés, e colares de pérolas à volta de seu pescoço. Avança decidida até o meio do salão, vê alguém, pára, e começa uma conversa fantástica com um dos convidados:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Ahh! You are a bearrrrded man! You arrre an arrrtist! (rrr: ela rrrrolava os erres fortemente). You arrre an arrrtist!, insistia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(De fato, o interlocutor da velha senhora, da &lt;span style="font-style: italic;"&gt;alte Dame&lt;/span&gt;, tinha uma barbichinha: era, parece, Alan Jay Lerner, autor de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;My Fair Lady&lt;/span&gt;.) Responde à temível, deinótica figura: Yes, I'm an artist. Ela tem o rosto iluminado por um sorriso total, e continua:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Perrrrhaps you arrre a wrrriter (dizia: vrriter) like my husband Mrrr Werrrfel!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— No, I'm not a writer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Ahhh, you arrre an arrrchitect, like my husband Mrrr Gropius!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— No, I'm not an architect.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Then, you arre a painterrr like my husband Mrrr Kokoschka!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— No, ma'am, I'm not a painter.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Ohh, then you arrre a musician, like my husband Misterrr Mahler!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vocês acabam de ser apresentados a Alma Maria Schindler Mahler Werfel. (Foi uma testemunha do encontro que me contou; não fui eu, tinha só quatorze anos nessa época.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já contei o que se segue, mas conto de novo agora. Em outubro de 1910 estão em Munique vovó, vovô, e os bisavós Moraes, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;M le Maréchal et Mme la Maréchale &lt;/span&gt;Mendes de Moraes. Vovó me disse que ouviu então comentários na cidade sobre a estréia mundial de uma sinfonia de um certo compositor austríaco cujo nome ela nunca havia escutado. Vovó pergunta ao &lt;span style="font-style: italic;"&gt;concierge &lt;/span&gt;do hotel se valia a pena assistir ao espetáculo. Responde o infeliz: vai ser um espetáculo circense; não vale a pena ir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E assim vovó deixou de assistir à estréia mundial da Oitava Sinfonia de Mahler, a &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Sinfonie der Tausend, &lt;/span&gt;Sinfonia dos Mil. (Isso me contou ela no hall do andar do meio da Casa da Vovó, em frente à mesa que estava sempre coberta com revistas velhas, sentada na poltrona com uma arca junto da parede do banheiro, do outro lado das portas para seus apartamentos privados.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Li pela primeira vez sobre a Oitava Sinfonia de Mahler na &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Pequena Enciclopédia de Conhecimentos Gerais&lt;/span&gt;, traduzida e aumentada pelo Almir de Andrade: dizia, numa nota ao pé da página, que embora sinfonias de Mozart e Haydn durem quinze, vinte minutos, a Oitava Sinfonia de Mahler durava mais de uma hora. Associei na hora, na minha cabeça, aquele nome, Gustav Mahler, a uma figura rotunda e solene, e me espantei ao ver tempos depois o desenho de Orlik, o retrato de Mahler em perfil, rosto magro, nariz afilado; nada rotundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ouvi pela primeira vez a Oitava Sinfonia em 1960, num dos vesperais sinfônicos da rádio Mec (não existem mais, e nem a ópera das 5 da tarde dos domingos; lá, agora, na Rádio Mec, só dá samba). Me ficou uma idéia confusa, dissonante, da sinfonia; era a gravação de Eduard Flipse, com a Sinfônica de Rotterdam, e mais de mil executantes, sim. Comprei essa mesma gravação uns dois anos depois. Papai odiava; mamãe, sem ouvido musical, era-lhe indiferente. Em 1964 comprei &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Das Lied von der Erde, &lt;/span&gt;na gravação regida por Hans Rosbaud; é, em minha opinião, a obra-prima de Mahler, e a orquestração mais perfeita que jamais se fez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para desespero de papai e mamãe, comecei então a colecionar álbuns das sinfonias de Mahler. Depois de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Das Lied von der Erde &lt;/span&gt;&lt;span&gt;e&lt;/span&gt; da gravação Flipse da Oitava Sinfonia, arranjei num sebo de discos uma gravação, começos dos anos 50, da Primeira Sinfonia, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Titan. &lt;/span&gt;Uma pessoa amiga viajou aos Estados Unidos — e dei um jeito para que me trouxesse a versão Bruno Walter da Segunda Sinfonia, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Ressurreição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;Entra o ano de 1965. Algum tempo antes havia lido, no &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Time, &lt;/span&gt;sobre uma apresentação ultra-secreta, em Nova York, de uma fita na qual havia sido gravada, quase completa, Décima Sinfonia, que, pelo que sabia, Mahler deixara inacabada. Entra o ano de 1965, e alguns amigos meus fundam, num casarão de Botafogo, uma agência de publicidade toda cheia de idéias novas, e onde vai trabalhar um amigo meu, grande fotógrafo (já conto sobre ele) — e com gente maravilhosa entrando e saindo da casa, todos os dias, a toda hora. Um dos sócios da agência era cheio do dinheiro, mas, como uma espécie de precursor da informalidade tipo Silicon Valley, à Steve Jobs, só andava de calça jeans branca e camisa social de mangas arregaçadas e com metade dos botões abertos. E ainda por cima era casado com uma sobrinha-neta da Marie que é um dos personagens de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;The Waste Land&lt;/span&gt;, de Eliot.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Como traduzir &lt;span style="font-style: italic;"&gt;The Waste Land &lt;/span&gt;? Já vi muita tradução disparatada; literalmente é, O Deserto. Mas dizer que é O Deserto é tradução que deixa de lado as muitas referências à volta do nome do poema. Uma: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;épos ebôon en aórati&lt;/span&gt;, a voz que ecoa na desolação, uma referência a passagem num dos evangelhos. Outra: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Der Rufer in der Wüste. &lt;/span&gt;Mesma coisa traduzida: o que chama no deserto — mas, no caso, é o nome que Mahler deu às passagens tocadas nas trompas, soando bem longe, no começo do Finale de sua Segunda Sinfonia; também uma referência, insisto, à mesma passagem do Novo Testamento. Portanto, traduzir o nome do poema de Eliot é insensatez. Ou seja: para mim, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;The Waste Land &lt;/span&gt;é &lt;span style="font-style: italic;"&gt;The Waste Land &lt;/span&gt;e pronto.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia apareço no casarão da agência de publicidade com o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;The Grammophone&lt;/span&gt;, edição de meados de 1965. Queria uma cópia de uma resenha de disco, a resenha da gravação que Ormandy havia feito da Décima de Mahler, versão Deryck Cooke. Xerox não existia, de modo que pedi a meu amigo fotógrafo, Edson Cláudio, que me fotografasse aquelas duas páginas onde se diziam maravilhas da Décima. Alguns meses depois consegui que a empresa do pai de outro amigo me importasse, no meio de uma encomenda de parafusos, pregos, e lataria para qualquer dispositivo industrial, o álbum de Ormandy. Vou na casa deste amigo, ele está na sala de visitas, junto do equipamento de som, com o álbum de bolachas grandalhão, ainda envolvido no papel celofane original, a capa um enorme desenho Art Nouveau. Abrimos, colocamos o disco, e curtimos a hora e vinte de música fantástica, terminando no Adagio de quase meia hora, com a melodia &lt;span style="font-style: italic;"&gt;bittersüß, &lt;/span&gt;amara e doce, daquele finale que se evai num glissando (hoje) famoso das cordas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O músico dos anos 60 foi Gustav Mahler. A música dos anos 60 foi, sobretudo, essa Décima Sinfonia de Mahler, uma sinfonia inexistente, porque Mahler não a concluiu, e que no entanto é uma de suas maiores obras. Concordo que em 1967 teve &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Sgt Peppers&lt;/span&gt;, dos Beatles, e o começo do rock sinfônico; logo depois &lt;span style="font-style: italic;"&gt;On Her Satanic Majesty's Request&lt;/span&gt;, dos Stones, interessante mas um epifenômeno de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Sgt Peppers&lt;/span&gt;. Tudo bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a música dos anos 60, a música-síntese dos anos 60 foi a música de Mahler. Que começa a década como um compositor marginal, e a termina como uma das figuras centrais do repertório. E a melhor síntese (e vou explorar isso) é esta sinfonia inacabada, concluída pelo trabalho de um musicólogo, Deryck Cooke, a Décima Sinfonia.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5585094901893319171-8362540639694801482?l=famadoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://famadoria.blogspot.com/feeds/8362540639694801482/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5585094901893319171&amp;postID=8362540639694801482' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5585094901893319171/posts/default/8362540639694801482'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5585094901893319171/posts/default/8362540639694801482'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://famadoria.blogspot.com/2008/02/1968-ix-intermezzo-musicale-de-alma.html' title='1968, IX: Intermezzo musicale — de Alma Mahler a Gustav Mahler'/><author><name>Francisco Antonio Doria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16243520355535324710</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/__h2bPbXvmCw/R7TLFspqsiI/AAAAAAAAAKY/MWvxIjkPz2E/s72-c/alma.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5585094901893319171.post-4906745271163003385</id><published>2008-02-01T21:29:00.000-02:00</published><updated>2008-02-02T13:41:48.893-02:00</updated><title type='text'>1968, VIII: 28 de março de 1968 — o ano começa</title><content type='html'>1968 começou em 28 de março, 28 de março de 1968.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembro de ter chegado em casa às 6 da tarde. Não sei se vinha da cidade — creio que não, não voltava de meu trabalho. Voltava da escola, a antiga Escola Nacional de Química, onde estava cursando o quinto e último ano. Mamãe, muito nervosa, me olhou, disse o óbvio, graças a Deus você chegou! Contou o que tinha acontecido, então: houve uma manifestação de estudantes no restaurante do Calabouço, a polícia militar tinha invadido o restaurante e, segundo ela, vários estudantes morreram. A cidade estava ocupada pela PM, carros correndo com sirene aberta pra cima e pra baixo, estudantes fazendo manifestações e fugindo da polícia, notícias sobre estado de sítio na bica de ser decretado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ligamos o rádio. O que o rádio dizia era: um estudante fora morto, Nelson Luiz ou Edson Luiz. (O nome certo era: Edson Luiz de Lima Souto, de 18 anos recém-feitos.) Vários outros haviam sido baleados. A polícia tinha invadido o restaurante “porque havia uma manifestação subversiva,” ou jargão equivalente, programada para o local. Alguém jogou uma garrafa — talvez não tenha sido uma garrafa, pode ter sido mesmo um pedaço de pão atirado na polícia. Mas jogaram qualquer coisa nos policiais, e e estes mandaram bala contra todo mundo. Morreu o rapaz, que nem universitário era, era um secundarista pobre que morava ali perto e costumava comer no restaurante do Calabouço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Rio, nos anos 50 e 60, estava cheio de restaurantes universitários. Eram bons e baratos; comi muito neles. Você pingava umas moedinhas num guichê de entrada, passava uma roleta, pegava um bandejão de aço com seis cumbucas para botar comida, e ia para a fila. Os cozinheiros te serviam: feijão, arroz, sopa às vezes, legumes, carne, ou frango, ou peixe — peixe nas sextas-feiras, um feijão mais incrementado, com linguiça, toucinho e carne seca, que eles chamavam de feijoada, nas quartas. Era baratíssimo, e a comida era bem boazinha. Acho que faziam parte da rede do SAPS (não me perguntem o significado da sigla; nunca soube; deve ser &lt;span style="font-style: italic;"&gt;serviço de alimentação popular saudável, &lt;/span&gt;coisa assim). Lembro de uma carne seca com abóbora deliciosa que eles serviam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eram bons esses restaurantes. Tinha dois na universidade, então Universidade do Brasil, na Praia Vermelha, um que chamavam “o Pentágono” no parque da universidade, na Avenida Pasteur. (Não sei o motivo do nome.) O outro, junto da Faculdade de Medicina, bem perto de onde era antigamente a Faculdade de Arquitetura, quase na praça junto da Praia Vermelha. Na cidade havia mais três, que me lembre, o do Calabouço, o da Escola de Engenharia, no Largo de S. Francisco, e um servindo à Faculdade de Direito, no Campo de Santana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comida barata onde muita gente comia, além dos estudantes, porque não havia muita fiscalização na entrada, ou porque sempre se dava um jeitinho de entrar mais um.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, como a comida era barata de propósito, os restaurantes eram deficitários. Aí vinha a turma dos economistas fiscalistas, monetaristas, reclamando que serviços como aqueles, dos restaurantes estudantis, eram causa do déficit público, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;et caterva. &lt;/span&gt;Mesmo papo, há quarenta, cinquenta anos. Logo, e sobretudo depois de 64, tinha manifestação quase todo dia nos restaurantes. E algum imbecil desastrado, naquele dia, deu a ordem de se invadir o restaurante do Calabouço, e um rapaz que nem universitário era sai morto no tiroteio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A página do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Tortura Nunca Mais &lt;/span&gt;na web conta o que houve depois, e acrescento o que lembro. A polícia, assustada com a extensão da estupidez, foi logo embora. O corpo do menino, nem sabiam direito o nome dele, por isso é que circulou o nome Nelson Luiz em vez de Edson Luiz, foi levado para a Assembléia Legislativa, que ficava ali na Cinelândia, onde é agora a câmara de vereadores. Lembro muito bem da foto: o corpo foi colocado na bancada da mesa diretora, em cima da bancada, diante do plenário, e à volta apareciam estudantes, os legistas, alguns políticos. A necrópsia foi feita ali: quem deu detalhes, a Margô, minha mulher, e a mim, foi o secretário de saúde da Guanabara àquele tempo, Hildebrando Marinho, grande amigo e grande médico. A emoção de todos era gigantesca; Marinho convidou os acadêmicos de medicina presentes para testemunharem a necrópsia. Muitos choravam desesperadamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi a primeira vítima da repressão que ia levar ao Ato 5, no fim do ano. Virou ícone. Que me lembre, o enterro, no Cemitério S. João Baptista, foi tenso, mas sem incidentes. Uma semana depois, no entanto, na missa de sétimo dia, a polícia mandou um batalhão a cavalo cercar a igreja da Candelária, onde ia acontecer a missa, e existe uma foto na qual se vêem policiais a cavalo tentando entrar, invadir a igreja. Cena medieval para Arnaud-Amaury, ou Simon de Montfort nenhum botar defeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Esclareço a citação implícita. Em 1209 o papa Inocêncio III, Lorenzo Conti, um fanático perverso, decretou uma cruzada contra os cátaros. Em 22 de julho de 1209, Arnaud-Amaury, legado papal e preposto de Inocêncio, cercou Béziers, no Languedoc, e ordenou a morte de todos que lá se achavam encurralados, inclusive os que se haviam abrigado numa igreja, dizendo, mate-os todos; Deus vai saber separar os seus. Em 1968, vendo os cavalarianos tentando invadir a igreja da Candelária, fiquei só com raiva e indignação; hoje, lembro também daquele episódio canalha protagonizado pelo legado de Inocêncio III.)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5585094901893319171-4906745271163003385?l=famadoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://famadoria.blogspot.com/feeds/4906745271163003385/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5585094901893319171&amp;postID=4906745271163003385' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5585094901893319171/posts/default/4906745271163003385'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5585094901893319171/posts/default/4906745271163003385'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://famadoria.blogspot.com/2008/02/1968-viii-28-de-maro-de-1968-o-ano.html' title='1968, VIII: 28 de março de 1968 — o ano começa'/><author><name>Francisco Antonio Doria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16243520355535324710</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5585094901893319171.post-8891425614414197413</id><published>2008-01-30T16:49:00.000-02:00</published><updated>2008-01-31T03:25:47.063-02:00</updated><title type='text'>1968, VII: Breve intermezzo sobre o Velho Justo</title><content type='html'>Meu avô materno, o Velho Justo, foi quem morreu em março de 1968. Nenhum de nós, seus netos, alguma vez se atreveu a chamá-lo assim; só inventamos o nome Velho Justo depois de sua morte. Seu nome: Justo Rangel Mendes de Moraes, ou, como preferia se assinar, Justo de Moraes. O Doutor Justo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Velho, porque nasceu em Rio Grande, lá no sul do Rio Grande do Sul, em 1883, e morreu com 85 anos em 1968. O pai era de família paulista antiga, a mãe, uma maragatona prima de Bento Gonçalves, o dirigente dos farrapos. Estudante de direito, meteu-se na revolta contra a vacina obrigatória. Quando se formou, associou-se a Inglês de Souza e a seu colega de turma, Herbert Moses, e fundaram os três um escritório de advocacia, que persistiu até a morte de Tio Luiz em 1978. Vovô defendeu os revoltosos de 1922 e os tenentes; em 1933 foi a São Paulo para conciliar o estado e o governo central. Consultado por Getúlio, indica-lhe o nome de Armando de Salles Oliveira para interventor em São Paulo, e se elege deputado corporativo, no período constitucional do primeiro governo Vargas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1964 apoia o golpe militar, mas, embora amigo pessoal de vários membros do novo regime, rompe com este em 1966, numa entrevista dada ao jornal &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Ultima Hora. &lt;/span&gt;Mesmo assim, quando morre em 1968, é homenageado pelo governo Costa e Silva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vovô era um libertário. Melhor, me corrijo: era um cara paradoxal. Muito autoritário no relacionamento pessoal, era publicamente um libertário extremado, ultra-radical, tipo não concordo com o que você diz, mas defendo até a morte seu direito de ter uma própria opinião.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A última vez que estive com ele foi no sábado antes de sua morte, 9 de março. Saí da praia em Ipanema, era um dia super ensolarado, comprei na banca de jornais da Praça General Osório, ali ao lado de onde havia um vendedor de coco fresco e de caldo de cana, o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Estadão &lt;/span&gt;de sábado — chegava ali sempre ao meio-dia. Pesquei o suplemento literário e vi, logo na capa do suplemento, um artigo de Willy Lewin, “Esta prateleira do fantástico,” sobre ficção científica. Me citava um artigo recém-publicado no Quarto Caderno, e me elogiava: subi aos céus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era a primeira vez que alguém me citava, genial, maravilha das maravilhas!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cheguei na casa da vovó, eram já quatro da tarde, subi correndo as escadas do fundo, da parte de trás da casa, a escada de serviço, meio pingando água e deixando rastro de areia dentro de casa, e vejo, no gabinete de vovô que ficava no andar do meio, vovô, na cadeira de balanço, e o Neco, o Prudente. Entro correndo no gabinete, vovô não se mexe — em geral reclamava, que é isso? Furacão? Mas daquela vez não reclamou. Mostro ao Neco a citação de Willy Lewin, ele brinca comigo a respeito. Aí olho para vovô. Vovô estava sempre meio ausente, calado, olhando pela porta da varanda para fora, parece que estava olhando os topos das árvores do jardim e, lá longe, a rua. Tava com os olhos fundos. Cara de passarinho triste, como dizia mamãe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E' minha última memória dele.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5585094901893319171-8891425614414197413?l=famadoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://famadoria.blogspot.com/feeds/8891425614414197413/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5585094901893319171&amp;postID=8891425614414197413' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5585094901893319171/posts/default/8891425614414197413'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5585094901893319171/posts/default/8891425614414197413'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://famadoria.blogspot.com/2008/01/1968-vii-breve-intermezzo-sobre-o-velho.html' title='1968, VII: Breve intermezzo sobre o Velho Justo'/><author><name>Francisco Antonio Doria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16243520355535324710</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5585094901893319171.post-5308256735247655863</id><published>2008-01-30T12:20:00.000-02:00</published><updated>2008-01-31T04:43:19.772-02:00</updated><title type='text'>1968, VI: Marcuse; e a morte de vovô</title><content type='html'>Já escrevia no Quarto Caderno desde fins de setembro de 1967. Escrevia sobre o que me vinha à cabeça: comecei com Borges, falei de Wittgenstein, emplaquei um novo sucesso de público, no finzinho do ano, com um artigo, “Henri Lefebvre x Estruturalismo,” no qual, defendendo o estruturalismo dos ataques de Henri Lefebvre (era a tal coisa, o estruturalismo negava os humanismos...), expliquei o que era estrutura, modelo, enfim, toda a fauna teórica dos estruturalistas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Conto de onde tirei minhas explicações: não vieram de nenhum livro de Lévi-Strauss, vieram das aulas, na Escola Nacional de Química, sobre sistemas de controle, dadas por meu amigo muito querido, Ieuda Ciornai. Depois de ler meia-dúzia de ensaios — franceses, esclareço — muito confusos, sobre estruturalismos &lt;span style="font-style: italic;"&gt;et caterva, &lt;/span&gt;onde se falava a toda hora sobre estrutura e modelo, resolvi dizer com linguagem de livro-texto de engenharia, o que era aquilo, estrutura, modelo, simulação, e para que serviam esses conceitos. Ouvi de muita gente, ah, agora entendi o que é o estruturalismo. Melhor foi a brincadeira do Ieuda para mim: como M Jourdain que não sabia que falava em prosa, você mostrou que sou estruturalista sem saber...)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em fevereiro de 1968 começa a onda Marcuse. Tinha lido um pouco antes sobre &lt;span style="font-style: italic;"&gt;One-Dimensional Man &lt;/span&gt;no Time; não me chamou muito a atenção. Em começos de março, Paulo Francis, que editava o Quarto Caderno junto com Zé Lino Grünewald, me chama e diz, vai falar com o Jorge Zahar, que publicou dois livros de Marcuse e um livro de um dissidente da Alemanha Oriental de quem você vai gostar. Aliás, você vai gostar dos dois, de Marcuse e de Robert Havemann. Pega os livros com ele e me faz artigos a respeito, rápido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Sobre o livro de Havemann, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Dialektik ohne Dogma?, &lt;/span&gt;falo mais adiante.)&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Dia 12 de março, uma terça-feira meio nublada, de tarde, três horas, escapo de meu trabalho na Editora Delta e vou me encontrar com o Zahar, no escritório dele, em cima da Livraria Ler, na Rua México. Ele já estava com os livros separados, Havemann e dois Marcuses, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Eros e Civilização &lt;/span&gt;e &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Ideologia da Sociedade Industrial, &lt;/span&gt;título gênero o-filho-que-era-mãe para a tradução de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;One-Dimensional Man.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Bato uma hora de papo com o Zahar, tomo dois cafezinhos, e vou-me embora. Desço pela escada de fundos. Na escada, um encontro surpresa: Tio Luiz, irmão de mamãe, desce esbaforido, alucinado. Me vê, diz, vamos embora, vamos embora! O escritório de advocacia de vovô e Tio Luiz ficava no mesmo prédio, no quarto andar, de modo que não estranho encontrá-lo naquele canto. De qualquer modo não dei bola, ignorei direto o que ele dizia, e voltei para meu trabalho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chego em casa às 6 da tarde, pensando em tomar banho e trocar de roupa — ia ter uma vernissage badalada na Galeria Goeldi, na Praça General Osório, e queria chegar cedo, ia ser um ótimo lugar de paquera.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem dito, pior feito. Saio dos braços de Marcuse e Havemann e despenco no meio da linha-dura, dos coronéis de Aragarças e Jacareacanga. Chego em casa, a empregada está me esperando com um recado: vai correndo para a casa de seus avós, seu avô morreu e seus pais já estão lá. Tomo um banho urgente, troco de camisa — estava de terno e de terno fico, porque em 1968 ainda se usava terno em velórios e enterros — e vou tascado para a casa da vovó, que é como a gente, os primos do lado de mamãe, do lado Moraes, chamávamos a casa nossos meus avós comuns.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chego pelas sete da noite, ou pouco depois. A casa, enorme, uma casa normanda no meio de um jardim que era quase um parque, na Rainha Elizabeth, entre Copacabana e Raul Pompéia, estava iluminada como se fosse para uma tremenda festança. Entro, e a primeira pessoa que vejo é Iná, Iná de Moraes, ex-mulher do Neco, do Prudente, e prima também. Contava para todo mundo, fui ao Jockey (a sede antiga no centro do Rio) e vi a porta fechada pela metade, como fazem quando morre sócio importante. Perguntei na portaria, qual é o defunto do dia? O porteiro sem jeito me diz, seu tio o Dr. Justo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vou até o andar do meio (a casa tinha três andares), ao quarto de vovô e vovó, onde vovô estava sendo velado. Estava amortalhado, no mesmo pijama em que havia morrido — fazia a sesta, de tarde, e morreu dormindo — em cima da cama. Mesma cara cesárea, nariz em gancho, sem sorrir, pois vovô quase nunca sorria. Pediu que o amortalhassem e que lhe dessem um caixão de terceira. A Santa Casa, de onde era alguma coisa importante, protestou, quis dar caixão de luxo; mamãe não deixou. No meio da noite foi posto no caixão de ripas, como havia determinado, e carregado pela escadaria principal da casa para a varanda grande do primeiro andar. Tinha algumas pessoas chegando para o velório; fiquei zanzando sem objetivo, falando com um e com outro, até quase cair de sono. Bibi, a governanta, mais atarantada que eu, servia empadinhas de queijo, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;ramequins, &lt;/span&gt;a toda hora. Uma da manhã, vestido como havia chegado, me estico nalguma cama e durmo. (Papai e mamãe aguentaram firme a noite toda.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tomo banho, troco de camisa de manhã, me desamassam um pouco o terno, e vou fazer sala aos que vão chegando para o velório. Uma porção de figurões do regime militar: Eduardo Gomes, o Brigadeiro, sua irmã D. Eliane, Juraci Magalhães, Juarez Távora, que depois fez discurso à beira do túmulo de vovô, o representante do Costa e Slva, e todos os aragarcianos, os coronéis das revoltas de Aragarças e Jacareacanga, Haroldo Veloso, Paulo Vítor, Leuzinger Marques Lima e Burnier.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saí de Marcuse e Havemann para o meio da linha duríssima do regime. Estavam ali porque vovô havia sido seu advogado, e porque Tio Luiz, Luiz Mendes de Moraes Neto, tinha sido aragarciano também. (A gíria não é minha; eles é que se chamavam entre si aragarcianos.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Família muito doida, a família de mamãe. De um lado Tia Maria, Maria Werneck de Castro, comunista histórica, companheira de Olga Benário, a quem ela e Nise Silveira chamavam Maria Prestes; do outro lado Tio Luiz, de extrema-direita. Até que nós, os netos, não saímos tão pirados assim...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na hora da saida do enterro carregamos o caixão de vovô pelo jardim da casa, onde ele gostava tanto de passear. A polícia fechou a Rainha Elizabeth, de tanta gente que estava no velório. No cemitério, discursos do Ribeiro de Castro, pela OAB, e de Juarez Távora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltamos, papai, mamãe e eu, exaustos para casa em Botafogo.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5585094901893319171-5308256735247655863?l=famadoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://famadoria.blogspot.com/feeds/5308256735247655863/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5585094901893319171&amp;postID=5308256735247655863' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5585094901893319171/posts/default/5308256735247655863'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5585094901893319171/posts/default/5308256735247655863'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://famadoria.blogspot.com/2008/01/marcuse-e-morte-de-vov.html' title='1968, VI: Marcuse; e a morte de vovô'/><author><name>Francisco Antonio Doria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16243520355535324710</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5585094901893319171.post-1457129659587766778</id><published>2008-01-29T21:46:00.001-02:00</published><updated>2008-03-30T22:33:57.152-03:00</updated><title type='text'>1968, V: Como se faz um intelectual</title><content type='html'>Comecei como ensaísta em 1967, com vinte e um anos. Graças a meu pai, crítico de teatro — intelectual, portanto. Um dia, em 1966, mostro a ele um ensaio anarquista que escrevera: discutia movimentos de massas, e argumentava que todo movimento de massas, seguindo alguma liderança, tinha necessariamente que ser alienado. Movimento de massas é sempre alienação, concluía.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Papai gostou, pegou no telefone, marcou um encontro para mim com Paulo Francis, que editava ou co-editava a &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Revista da Civilização, &lt;/span&gt;e lá fui eu, manuscrito debaixo do braço, me encontrar com o Paulo no escritório da Paz e Terra, no Edifício Avenida Central. Sento na frente do Paulo, vejo aquela cabeleira cacheada, branca e redonda à volta do rosto redondo, os óculos de hipermétrope que lhe aumentavam imenso os olhos azuis, e espero o veredito. Paulo lê tudo rápido, são dez páginas, e diz, bom, é diferente, mas está bem argumentado. Vou discutir com o pessoal; vou ver se dá para a gente publicar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi recusado. Moacyr Félix, editor-geral — depois ficamos amigos — me chama alguns dias mais tarde e me diz na bucha, é politicamente inconveniente, contraria tudo o que digo. Não dá pra publicar. Mas o Paulo me chama e acrescenta, sobre literatura, você escreve? Respondo: posso escrever. Que autor? Jorge Luis Borges (foi o primeiro em quem pensei). Ótimo, conclui; me dá um texto para o Quarto Caderno. 160 linhas, 20 toques. E me deu uma porção de laudas marcadas, de datilografia, do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Correio da Manhã. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sofri horrores no fim de semana para escrever o tal artigo sobre Borges. Rascunhei, revisei, re-revisei. Foram 160 linhas exatas. Entreguei ao Paulo 2a. feira. Lê em diagonal, me diz: sai domingo. Passei a semana toda agoniado; nem saí no sábado. Dormi em casa de meus avós, em Copacabana. Vovô assinava tudo quanto é jornal do Rio naquele tempo, o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Correio, &lt;/span&gt;o JB, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Diário Carioca — &lt;/span&gt;Neco, meu primo, Prudente de Moraes, neto, havia sido editor do DC — e mais o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Diário de Notícias, O Jornal, &lt;/span&gt;e, claro, o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Jornal do Commercio &lt;/span&gt;(digo claro porque vovô, advogado do Chatô e dos Diários Associados, era presidente da empresa que publicava o JC). Acordei cedo, avancei sobre a pilha dos jornais já separados para vovô. Sob os protestos de Bibi a governanta da casa, puxei o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Correio, &lt;/span&gt;catei lá dentro o Quarto Caderno. Nada na capa, nada na página dois e na três. Mas — coração aos pulos — vi, embaixo, na quarta página, “À procura de Borges,” e ao lado do título, meu nome.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na praia, naquele dia, em frente à Montenegro, a Claudinha, uma garota meio besta, fala comigo, Chicão, você viu esse artigo sobre Borges no Quarto Caderno? Meio diferente o que o autor diz dele. Respondi com cara sei lá de que, vi sim, fui eu que escrevi. E olhei ela nos olhos, pra sentir a surpresa dela. Tremenda curtição, esse momento, num domingo de primavera de 1967.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minhas lembranças estão cheias de livros. Na casa onde morei primeiro, com meus pais, na Rua Dezenove de Fevereiro, em Botafogo, a sala de visitas, na frente, com janelas debruçadas para a calçada da rua, era em parte escritório de papai e de Vuvu, meu avô paterno. E tinha duas paredes cobertas de livros. Na casa da vovó, na casa de meus avós maternos, em Copacabana, existiam quase vinte mil livros, distribuídos no escritório de vovô, na saleta do primeiro andar, um pequeno escritório onde vovô, grande advogado, recebia clientes em casa, e no hall do andar do meio. Havia até um bibliotecário, que fichava, organizava e classificava todos os livros de vovô, o “seu” Matta, alto, de bigodes finos sobre os lábios, e orelhas de abano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vuvu, Raul Moitinho da Costa Doria, meu avô paterno, era um comerciante, mas seu irmão caçula, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Tunico, &lt;/span&gt;Antonio Moitinho Doria, havia sido também um grande advogado, como meu avô materno. (Não se davam, embora advogados; odiavam-se cordialmente.) E Tunico escrevia bem; escrevia muito bem mesmo. (O Velho Justo, meu avô materno, tinha ao contrário um texto burocrático e sem colorido; era grande mesmo só nas defesas orais, nos tribunais). Subo pelas linhas familiares, à procura de talento literário: meu bisavô paterno, Diocleciano da Costa Doria, ou &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Doloque&lt;/span&gt;, era médico e político. Deixou poucos textos, além de sua tese de doutorado. Seu pai, José da Costa Doria, fora professor de primeiras letras no interior da Bahia, em Itapicuru. Depois interessou-se por teatro e foi um dos fundadores do primeiro teatro de Aracaju, em 1858.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E — afinal lembro que somos todos sobrinhos distantes do Padre Vieira, de Antonio Vieira, cuja irmã Dona Inácia casou-se em 1649 com meu antepassado Fernão Vaz da Costa Doria. Bom, conto tudo isso para dizer que, mesmo assim, não acredito em hereditariedade de talento literário. Mas acho que adianta muito você crescer no meio de livros, sendo incentivado a ler, a procurar as coisas, as questões, perguntas e respostas, por você mesmo. Mamãe me mostrava, na estante de Vuvu, uma porção de livros em francês, e dizia, você tem que aprender francês para ler Zola. Coitada de mamãe, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;dreyfusarde &lt;/span&gt;feroz, ainda que tendo nascido depois da reabilitação de Dreyfus: nunca li Zola, mas li Proust.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Papai, Gustavo Doria, foi crítico de teatro de O Globo no final dos anos 40 e durante boa parte dos 50. Amigo de Nelson Rodrigues, criticou-lhe Perdoa-me por me traíres, junto com Bárbara Heliodora e Henrique Oscar. Foi achincalhado pelo Nelson, e se desencantou com a crítica. Tinha um escritório de advocacia, marcas e patentes, com mamãe, e no escritório uma carteira com muitas das maiores marcas brasileiras, cujo registro e manutenção os dois acompanhavam. Quase faliram: foi no período da inflação do Juscelino; recusavam-se a aumentar os preços, porque seria atitude indigna para com os clientes. Uso extremado, absurdo — evito outros adjetivos — do noblesse oblige em que nos banhávamos todos. Morávamos numa casa de vila em Botafogo, que eles transformaram, quase, num atelier de artista. Como papai era crítico teatral muito respeitado, costumava receber em casa muita gente de companhias estrangeiras, que iam curtir o cocktail de camarão que mamãe fazia, em sauce rosée, e beber Veuve Clicquot, ainda de preço razoável naquele tempo. E, assim, conheci em minha casa, em vila de Botafogo, gente como Jean-Louis Barraut e Madeleine Renault, além de boa parte do teatro brasileiro. Diziam todos sobre a casa: parece Montmartre, e papai se deliciava.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Adianta muito, adianta imenso conviver com gente que pensa e escreve. Um dia chego em Copacabana na casa de meus avós maternos, em 65 ou 66, com um livro de Borges na mão. Neco, meu primo, Prudente de Moraes, neto, já disse, está na varanda grande do primeiro andar; me vê, me chama. Pergunta, que livro é esse, Francisco Antonio? Mostro-lhe: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Ficciones, &lt;/span&gt;de Borges. Pega, examina, fala: fomos muito amigos, nos correspondemos muito nos anos 20. Enquanto a gente fazia o movimento pela arte moderna aqui, eles faziam movimento semelhante na Argentina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abre o livro, lê um pouco, sinto o Neco melancólico, fecha o livro e me devolve.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui em casa são também 20 mil volumes. Mas lembro num flash o que um historiador disse de outro parente, um anquilosado marquês florentino: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;cervello molto bizzarro, aveva stupenda librería, che lui vivente andò dispersa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Vou ficar assim? &lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5585094901893319171-1457129659587766778?l=famadoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://famadoria.blogspot.com/feeds/1457129659587766778/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5585094901893319171&amp;postID=1457129659587766778' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5585094901893319171/posts/default/1457129659587766778'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5585094901893319171/posts/default/1457129659587766778'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://famadoria.blogspot.com/2008/01/1968-v-como-se-faz-um-intelectual.html' title='1968, V: Como se faz um intelectual'/><author><name>Francisco Antonio Doria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16243520355535324710</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5585094901893319171.post-761697753790732672</id><published>2008-01-29T16:33:00.000-02:00</published><updated>2008-12-09T06:42:25.347-02:00</updated><title type='text'>1968, IV: Quem é Wurlitzer?</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/__h2bPbXvmCw/R597d8C0dcI/AAAAAAAAAKQ/48mxZcdb3I8/s1600-h/jukebox_cr12-10_stand.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://1.bp.blogspot.com/__h2bPbXvmCw/R597d8C0dcI/AAAAAAAAAKQ/48mxZcdb3I8/s320/jukebox_cr12-10_stand.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5160979452254254530" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;— A onda agora é conhecer Wurlitzer!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era fevereiro. Estava em casa de João Rui Medeiros, dono da José Álvaro Editor, um apartamento em Copacabana, na Praça Eugênio Jardim. Muita bebida, boas comidas, discussão furibunda entre estruturalistas e não-estruturalistas. Maior mistura de gentes: políticos, tipo Ciro Kurtz, que era deputado; jornalistas, como Fausto Wolff. Muita gente, uma discussão que já estava chegando no ponto da briga física. Até que alguém berra:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- A onda agora é conhecer Wurlitzer!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Wurlitzer, a onda intelectual de 1968? Porque havia isso, uma sucessão de ondas intelectuais, desde os anos 50 no Rio. Primeiro o existencialismo, e logo em seguida Sartre. Aí chegou, comecinhos dos 60, o marxismo através de Sartre, o marxismo da &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Critique de la Raison Dialectique. &lt;/span&gt;Depois, entrados os 60, uma guinada: a semiótica de Max Bense, que vai inspirar a Karlheinz Bergmiller a criação da ESDI, a Escola Superior de Desenho Industrial, na Lapa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aí, devagarinho, vai se aproximando a onda estruturalista, Lévi-Strauss (que, no início, pouca gente havia lido), a vertente psicanalítica de Jacques Lacan, o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;côté &lt;/span&gt;marxista de Althusser, Balibar, Badiou. 1967 foi o ano do estruturalismo: Jorge Zahar publica uma coletânea sobre o estruturalismo onde aparece um texto violentíssimo de Escobar, defendendo o marxismo à maneira de Althusser. Deste artigo de Escobar surge uma briga com Carpeaux, que se prolonga pelo ano todo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E — no começo de 1968, um nome novo, anunciado ali: Wurlitzer. Na festa em casa de João Rui, a coisa pega fogo de novo, uns poucos defendendo Wurlitzer, dizendo maravilhas de Wurlitzer, os outros, a maioria, irritados, meio com cara de panaca, sem saber quem era, o que dizia Wurlitzer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era alemão? Perguntavam os que não sabiam de Wurlitzer — afinal, o alemão era uma barreira impossível de se ultrapassar; lia-se Sartre porque todo mundo, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;tout le monde et son père &lt;/span&gt;lia francês. Mas Heidegger... quem chegava lá? Só Carpeaux, Anatol Rosenfeld, Willy Lewin. Os Grandes Eruditos. E mais ninguém. Não, não, Wurlitzer era Uurlítzer, americano. A festa terminou sem que os ignorantes-de-quem-era-Wurlitzer soubessem muito mais sobre aquela nova onda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se bem me lembro, essa discussão sobre Wurlitzer virou até nota em coluna social, nos dias seguintes à festa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passa um tempo. Estou num barzinho na Sá Ferreira, perto da praia. Uma vitrola daquelas grandonas, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;jukebox,&lt;/span&gt;  cheias de discos, rebrilhantes de luzes de tudo quanto é tipo, toca música sem parar. A toda hora vai alguém lá, mete umas fichas, e renova o estoque de música. Um amigo meu se levanta da mesa, me puxa pelo braço, e diz, vem ver a Wurlitzer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era A Wurlitzer? Era. Rebrilhando de luzes e cromados, bem no alto, a vitrola mostrava a marca: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Wurlitzer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Era esta A Wurlitzer da discussão em casa de João Rui, da nova onda de 1968... &lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5585094901893319171-761697753790732672?l=famadoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://famadoria.blogspot.com/feeds/761697753790732672/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5585094901893319171&amp;postID=761697753790732672' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5585094901893319171/posts/default/761697753790732672'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5585094901893319171/posts/default/761697753790732672'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://famadoria.blogspot.com/2008/01/1968-iv-quem-wurlitzer.html' title='1968, IV: Quem é Wurlitzer?'/><author><name>Francisco Antonio Doria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16243520355535324710</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/__h2bPbXvmCw/R597d8C0dcI/AAAAAAAAAKQ/48mxZcdb3I8/s72-c/jukebox_cr12-10_stand.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5585094901893319171.post-6060390657272710848</id><published>2008-01-29T07:52:00.000-02:00</published><updated>2008-12-09T06:42:25.463-02:00</updated><title type='text'>1968, III: De Mao a Piao</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/__h2bPbXvmCw/R58CbcC0dbI/AAAAAAAAAKI/D5LNl8jYfTE/s1600-h/lefftyranny1.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://3.bp.blogspot.com/__h2bPbXvmCw/R58CbcC0dbI/AAAAAAAAAKI/D5LNl8jYfTE/s320/lefftyranny1.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5160846368397620658" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Cherchez la femme. &lt;/span&gt;Começo com um lugar comum. Naquele comecinho de 68, janeiro, estava saindo com uma menina aluna de sociologia da PUC-RJ. Estava ficando razoavelmente conhecido, porque escrevia regularmente no Quarto Caderno do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Correio da Manhã, &lt;/span&gt;um caderno de comentários políticos, iniciado em 1966, e que logo evoluiu no melhor suplemento cultural do Brasil — tipo estrela cadente; brilhou rápido em 67 e 68, e foi morto pelo Ato 5. Depois conto como fui parar lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A moça me convidou para ajudar num “grupo de estudos” da turma dela. Aspas necessárias: o nome que ela usava era grupo de estudos, e a maior parte dos que estavam lá eram seus colegas de PUC. Com duas ou três exceções, uma delas eu, e a outra um carinha bem diferente daquele povinho dourado zona sul do Rio. Logo logo descobri o que era o grupinho de estudos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ponto de reunião era uma casa perto da PUC, na Marquês de S. Vicente, na Gávea. Cercada de árvores e jardins, e tendo no fundo uma piscina imensa, bem azulzinha de azul piscina, e, do lado, um puxado, tipo bar da piscina, compridão, cheio de cadeiras e mesas. Era onde a gente se reunia. No fundo do jardim, muitas árvores, quase em continuidade com o parque da PUC.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não estou fazendo caricatura: era assim mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cheguei lá com a moça, já havia gente reunida. O tal rapaz que não era dos tipos dourados das praias do Rio me entrega dois textos mimeografados, e diz, vamos estudar isso e vamos discutir. Hoje em dia sumiram os mimeógrafos a álcool e a tinta; os a álcool imprimiam coisas em roxo, roxo-azulado, e deixavam nas coisas impressas um cheirinho gostoso de álcool de cana; os a tinta cheiravam mal, e imprimiam coisas numa tinta preta pegajosa, que sempre sujava a mão do operador do mimeógrafo e de quem lia a coisa impressa. (Os primeiros Carlos Zéfiros e assemelhados eram impressos em mimeógrafos a tinta, registro.) Peguei os textos: na folha de rosto do primeiro, Mao Tsé-tung, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Sobre a Contradição. &lt;/span&gt;Na do segundo, Mao Tsé-tung, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Sobre a prática.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Nos anos 50 circulou, com muita fanfarra e elogios, um texto de Stálin sobre linguística. Era coisa profunda, bem argumentada, e exibida sempre para mostrar as habilidades intelectuais do Uncle Joe, em contraste aos talentos muito restritos, com certeza, de Eisenhower. Era um texto interessante, mas com certeza não foi escrito por Stálin: foi escrito por um grande linguista soviético, não lembro agora quem, e assinado pelo Joe himself. Mas os textos de Mao com certeza são dele, e são muito, muito ruins. São um bestialógico sem pé nem cabeça, coleção de trivialidades e lugares comuns sobre contradições na natureza. Pensa bem: contradição na natureza é um conceito vago — os sexos são contraditórios? O azul contradiz o vermelho? Ou será oposição ao amarelo? Em cima de coisas vagas assim, você monta qualqer tipo de teorização com esqueminhas dialéticos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O outro texto, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Sobre a prática, &lt;/span&gt;cheirava a auto-ajuda revolucionária. Lixo, também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No fundo, epifenômenos da famigerada dialética da natureza de Engels, teorização que não tem nada a ver com o que Marx pensou e estudou. Marx é genial; Engels não lhe chega aos pés.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No domingo seguinte publiquei, no Quarto Caderno, um artigo cujo título era: “Sobre os maus textos sagrados.” Trocadilho que irritou muita gente, mas ao qual não resisti. Comecei com uma frase assim: “Sobre a contradição” só não cai em pedaços porque os grampos da lombada são muito firmes.” E fiz uma análise com certeza maldosamente destrutiva daqueles dois textos de Mao. Usei, na minha crítica, muita coisa que sabia, e também idéias  tomadas num livro que havia lido uns tempos antes, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;The Tyranny of Concepts, &lt;/span&gt;de Gordon Leff (Merlin, Londres, 1961). E fui, lampeiro e feliz, na terça-feira, para a reunião do grupo de estudos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todo mundo tinha lido o que havia escrito. A raiva, no entanto, estava concentrada no orientador do grupo — afinal, melei o jogo dele. Acabei sendo convidado a sair; o rapaz disse de mim que eu tinha desvios ideológicos anárquicos... Saí do grupo e deixei de ver a minha candidata a socióloga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é uma caricatura; é o que aconteceu. Um grupo de estudos de textos de esquerda, bem de esquerda, que se reunia junto à piscina de uma casa muito bonita na Marquês de S. Vicente. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Radical chic &lt;/span&gt;ao estilo americano? Uma célula de grupelhos ultra num ambiente de alta burguesia? Pode ser. Conto só como foi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E' o segundo episódio que marcou o começo de 1968, para mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois me redimi os com dialetas, duas vezes. Em março ou abril, escrevi artigos sobre um livro que Jorge Zahar havia publicado, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Dialektik ohne Dogma?, &lt;/span&gt;Dialética sem Dogma, na edição brasileira. Trata-se de um texto sobre filosofia da ciência, teoria dos fundamentos da química e da mecânica quântica (costumo dizer que quem fala física quântica não conhece mecânica quântica). Lembro que até consultei a &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Mécanique Quantique, &lt;/span&gt;de Landau e Lifschitz, para fazer minha resenha. Foi muito comentada; o livro de Havemann era uma tentativa de sair do esquematismo dialético barato, e tinha idéias bastante interessantes — e com certeza ia botar Engels se ralando de inveja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E — como é notório, trabalho há mais de vinte anos com Newton da Costa, pai das lógicas paraconsistentes. Inventadas, entre outras coisas, como uma tentativa de formalizar a dialética de Hegel. Temos junto uns trinta artigos publicados, a maior parte sobre lógica e fundamentos da ciência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na ilustração, a capa do livro de Gordon Leff. Disseram que tinha inventado o autor para justificar o que chamaram de “minhas imbecilidades.” Pois está aí o livro. Não foi outro Wurlitzer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E sobre quem foi Wurlitzer, deixo para o próximo post.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5585094901893319171-6060390657272710848?l=famadoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://famadoria.blogspot.com/feeds/6060390657272710848/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5585094901893319171&amp;postID=6060390657272710848' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5585094901893319171/posts/default/6060390657272710848'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5585094901893319171/posts/default/6060390657272710848'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://famadoria.blogspot.com/2008/01/1968-iii-de-mao-piao.html' title='1968, III: De Mao a Piao'/><author><name>Francisco Antonio Doria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16243520355535324710</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/__h2bPbXvmCw/R58CbcC0dbI/AAAAAAAAAKI/D5LNl8jYfTE/s72-c/lefftyranny1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5585094901893319171.post-1314487379392950314</id><published>2008-01-27T21:42:00.000-02:00</published><updated>2008-01-29T18:16:10.185-02:00</updated><title type='text'>1968, II</title><content type='html'>O ano começou em &lt;span style="font-style: italic;"&gt;andante moderato. &lt;/span&gt;Lembro de dois episódios de janeiro. Conto agora o primeiro desses episódios. Logo ao início do ano, Eduardo Portella me convida para uma reunião no Colégio do Brasil, para discutirmos dois números especiais de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Tempo Brasileiro, &lt;/span&gt;uma das duas revistas de cultura que circulavam no Rio — a outra era &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Cadernos Brasileiros. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Colégio do Brasil ficava ali no Largo do Machado, numa casa que abrigava também a editora de Eduardo; no dia a dia, quem cuidava das coisas era seu irmão Franco. Era uma casa dos anos 20 do século passado, com um pórtico, um pequeno hall de entrada, e, à direita, um auditório para umas cinquenta pessoas. Foi num sábado de tarde: cheguei, me apresentei e fui apresentado aos outros colaboradores dos números especiais da revista, seu editor, Chaim Samuel Katz, o Jaime; Sérgio Augusto, que já conhecia como crítico de cinema; Eduardo; Franco; algumas outras pessoas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Tempo Brasileiro &lt;/span&gt;havia editado em 1967 um número sobre estruturalismo — a onda do estruturalismo viera em 1966 da França, e provocou uma brigalhada daquelas na &lt;span style="font-style: italic;"&gt;intelligentzia &lt;/span&gt;(existia sim, a intelligentzia) do Rio e de São Paulo. Mas foi uma briga interna entre correntes marxistas: havia os que achavam que marxismo e estruturalismo eram compatíveis, e que o estruturalismo aprimorava o marxismo (essa briga vinha da França: um filósofo que depois se suicidou, Lucien Sebag, havia publicado em 1964 &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Marxisme et Structuralisme&lt;/span&gt;). Outros diziam que o estruturalismo tirava o conteúdo humanista do marxismo. E vinha blá-blá-blá que não acabava mais, de um lado e do outro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Havia também os estruturalistas indiferentes ao marxismo, como Abraham Moles, que tentava formular uma teoria geral das sociedades com base na (assim chamada) teoria da comunicação de Shannon, hoje melhor conhecida como teoria da informação. Ou seja, tiroteio na zona.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naquele sábado de janeiro de 1968, estava entrando nessa briga toda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Combinamos ali duas coisas: a revista sobre estruturalismo, um best-seller, ia ser reeditada com um apêndice, para o qual eu escreveria um artigo. Escrevi: sobre a estrutura dos romances de ficção científica. (Disse que reproduziam um arquétipo, o mito salvacionista, o mito da criança divina, estudado por Jung. E misturei alegremente Jung com Lévi-Strauss, irritando assim todas as ortodoxias, da psicanálise anti-Jung e pró-Lacan à turma do marxismo mais tradicional.) Combinamos também fazer uma revista sobre comunicação. Ao fim, um vocabulário de comunicação e cultura de massa. Deste vocabulário nascerá, em 1971, meu segundo livro, com o Chaim, o Jaime, e Lula Costa Lima, o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Dicionário Crítico de Comunicação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Um comentário à parte: o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Dicionário, &lt;/span&gt;escrito em 70 e 71, ia sair por uma terceira editora. Estava com os originais debaixo do braço, na cidade, no centro do Rio, quando encontro Fausto Cunha — acho que foi descendo do ônibus, acho que quase dei um encontrão no Fausto. Foi ali em frente ao Bob's perto da Maison de France. Vamos tomar um milk-shake, Fausto me pergunta sobre aqueles originais, digo o que é, e ele me faz ir direto à Paz e Terra, que naquele tempo ficava no Edifício Avenida Central, onde Moacyr Félix, diretor da editora, e o Fausto, me convencem a negociar o livro com a Paz e Terra. Saiu com o selo do Instituto Nacional do Livro, isso um livro cheio de verbetes marxistas, no tempo do general Médici (nada a ver com a família florentina histórica, deixo claro). Demos em maio de 1971 uma festa de arromba, subsidiada por uma agência de publicidade, para comemorar o lançamento do livro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Volto a 1968.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um mês depois de nossa reunião, o CCC, Comando de Caça aos Comunistas, joga uma bomba no Colégio do Brasil. Alguém comentou comigo então: ser intelectual é um perigo nessa terra. Bom, continua sendo.&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5585094901893319171-1314487379392950314?l=famadoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://famadoria.blogspot.com/feeds/1314487379392950314/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5585094901893319171&amp;postID=1314487379392950314' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5585094901893319171/posts/default/1314487379392950314'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5585094901893319171/posts/default/1314487379392950314'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://famadoria.blogspot.com/2008/01/1968-ii.html' title='1968, II'/><author><name>Francisco Antonio Doria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16243520355535324710</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5585094901893319171.post-2484146580253013797</id><published>2008-01-27T20:38:00.000-02:00</published><updated>2008-01-29T18:15:17.291-02:00</updated><title type='text'>1968, I</title><content type='html'>Pedro, meu filho, me perguntou hoje se, quando 68 terminou, a gente sabia que havia sido um ano especial. Com certeza: todo mundo terminou o ano desencantado, desesperançado — os milicos haviam baixado o Ato 5 em 13 de dezembro, uma sexta-feira. Estávamos de crista baixa, mas sabíamos que o ano tinha sido um ano diferentão. Cheio de novidades que, a gente pensava, tinham sido fogo de palha: afinal de Gaulle terminava 68 todo poderoso na França, e os ditadores de plantão no Brasil tinham conseguido reimplantar a ditadura, com o golpe contra o Costa e Silva porque o Ato 5 foi, sim, um golpe contra o Costa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vou contar tudo, aos poucos. Festas, que foram muitas, como o Baile da Baronesa, que o Jaguar organizou, ou a despedida de Marcito, em casa de Heloisa Buarque de Hollanda, ou a festa que o Smil deu em minha homenagem em novembro, na casa dele — teve até strip tease de uma atriz muito manjada. Vou contar sobre a passeata dos 100 mil. Vou contar sobre o clima de cidade ocupada que vivemos, no Rio, em março e abril, com caminhões da PM passando a toda, sirene aberta, pelas ruas da cidade, apontando os fuzis para as pessoas na rua. Vou contar sobre aqueles com quem convivi: Paulo Francis, que me levou para o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Correio da Manhã, &lt;/span&gt;o mais importante jornal do Rio, na época, em 1967, e me botou na equipe permanente do “Quarto Caderno,” o suplemento intelectual — tinha disso — mais lido do Brasil; Otto Maria Carpeaux, Antonio Houaiss, todos da redação da Grande Enciclopédia Delta-Larousse; amigos que fiz naquele tempo, como Chaim Samuel Katz e Luiz Costa Lima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vou contar tudo isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas começo com a noite do Ato 5.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cheguei do trabalho, trabalhava na Editora Delta, era assessor econômico para projetos industriais, jantei rápido. O clima no centro do Rio estava super-pesado; rumores que tinha gente sendo presa, deputados dizendo que o “governo ia reagir” contra a derrota que sofrera no pedido de licença para processar o Marcito. Papai tinha comprado uma tv pequena (era 68: portanto, tv em preto-e-branco) onde assistíamos ao jornal. Bate 8 e meia. Entra no ar o Gaminha, ministro da justiça, com as desculpas esfarrapadas habituais do governo, e aí aparece o Alberto Cury, locutor oficial, vomitando sobre nós o horror ditatorial do Ato 5.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na hora me senti meio anestesiado. Pensei, “vem de novo a mesma coisa de 64, 65,” dos Atos 1 e 2. Não pressenti que ia ser pior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estava anestesiado porque tinha um compromisso, um programinha ótimo, para a noite. Um amigo, o Nando, me havia convidado para sair com duas colegas dele, psicólogas e irmãs; estava na verdade com a cabeça no programa que íamos fazer. Com ou sem Ato 5, fomos ao &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Bilboquet, &lt;/span&gt;uma boate que ficava na N. S. de Copacabana quase esquina de Princesa Isabel. Cheia de luz negra, efeitos psicodélicos, coisa que era novidade nos anos 60. Bebi, dancei, combinei novas &lt;span style="font-style: italic;"&gt;dates &lt;/span&gt;com uma das moças, e adormeci de madrugada com o Ato 5 nas costas e na memória, mas sem perceber a extensão da coisa, do desastre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só despertei quando ia para a praia no sábado, 11 horas, e vi as manchetes do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Jornal do Brasil&lt;/span&gt;: “Ontem foi o dia dos tolos.” A previsão do tempo: “tempo negro, temperatura sufocante; o ar está irrespirável. Mínima: 5 graus em Brasília...”&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5585094901893319171-2484146580253013797?l=famadoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://famadoria.blogspot.com/feeds/2484146580253013797/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5585094901893319171&amp;postID=2484146580253013797' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5585094901893319171/posts/default/2484146580253013797'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5585094901893319171/posts/default/2484146580253013797'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://famadoria.blogspot.com/2008/01/1968-i.html' title='1968, I'/><author><name>Francisco Antonio Doria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16243520355535324710</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5585094901893319171.post-6170341771237903911</id><published>2008-01-27T14:46:00.000-02:00</published><updated>2008-12-09T06:42:25.585-02:00</updated><title type='text'>Os Costas, III: a linha Costa Doria</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/__h2bPbXvmCw/R5y4KMC0daI/AAAAAAAAAKA/lg3OsiShiRM/s1600-h/CostaDoriaPaq2b.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://3.bp.blogspot.com/__h2bPbXvmCw/R5y4KMC0daI/AAAAAAAAAKA/lg3OsiShiRM/s320/CostaDoriaPaq2b.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5160201758231000482" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;9. AFONSO DA COSTA&lt;br /&gt;N. 1433-35? Alcaide-mor de Lagos em 1452, doação confirmada por D. João II em 3.1.1486. Atestado como alcaide-mor de Lagos, em 11.4.1496, quando é referido como cavaleiro, e em 1514 como almoxarife de Silves. Pai de:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;10. DR. CRISTÓVÃO DA COSTA&lt;br /&gt;N.c. 1485. Bacharel em leis (Salamanca) em 1512, Doutor antes de 1520, quando já aparece, em 1.4.1520, como desembargador da Relação de Lisboa, de onde será chanceler. Foi reitor da Universidade em 1526/7. Casou em 1520 (e recebeu de dote do rei 50 contos em documento no qual é dito filho “do alcaide-mor de Lagos”) com Guiomar Caminha, filha do desembargador Dr. Fernão Vaz Caminha — este muito provavelmente filho de Rui Vaz de Caminha, meio-irmão do escriba da frota de Cabral, Pero Vaz de Caminha, e de sua mulher Catarina Fernandes, filha legitimada de Fernão Vaz, clérigo de missa, e de Constança Afonso (donde o nome Fernão Vaz, de personagens destes). Pais de:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;11. FERNÃO VAZ DA COSTA&lt;br /&gt;N. pouco depois de 1520 em Lisboa. Veio para o Brasil comandando uma das naus da frota que para cá trouxe o Dr. Tomé de Sousa. Em 1557 casou-se com a viúva genovesa Clemenza Doria, chegada ao Brasil em 1555 e logo desposada com Sebastião Ferreira, que morre em 1556 no naufrágio da nau N. S. da Ajuda, que levava a Portugal o bispo D. Pero Fernandes Sardinha. Era filha de Aleramo Doria, banqueiro genovês a serviço de D. João III, e neta de Francesco Doria e de Gironima Centurione. (Ver os primeiros posts desse blog para a genealogia de Clemenza Doria.) P.d.:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;12. CRISTÓVÃO DA COSTA, ou CRISTÓVÃO DA COSTA DORIA&lt;br /&gt;Batizado na Sé de Salvador em 17.7.1560,  † após 1606, segundo ﬁlho de Clemenza Doria e de Fernão Vaz da Costa, c.c. D. Maria de  Meneses, ﬁlha de Jerônimo Moniz Barreto de Meneses e de sua primeira  mulher  D. Mécia Lobo de Mendonça. Filha:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;13.  D. ANTONIA DE MENESES&lt;br /&gt;Bat. 1606 em Salvador,  † após 1648. C. em 17.9.1631 c. Antonio Moreira de Gamboa, n. e † na Bahia, n.c. 1590 e  † após 1648. Filho de Martim Afonso Moreira,  n.c. 1550 em Setúbal (Portugal) e  † depois de 1622 em Salvador, quando  vendeu aos frades franciscanos terras para a construção de seu convento. Martim Afonso Moreira seria fidalgo da casa real; chegou ao Brasil em 1567, e aqui se casa com Joana de Gamboa, de quem era ﬁlho Antonio Moreira de Gamboa. Depois c.c. com Luiza Ferreira Feio, também c.g. Martim Afonso Moreira era ﬁlho de um Antonio Moreira, dos Moreiras de Celorico de Basto, talvez Antonio Moreira de Áltero. Filho que segue, este:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;14. MARTIM AFONSO DE MENDONÇA&lt;br /&gt;Fidalgo da casa real, irmão da Santa Casa da Misericórdia de Salvador em 7.12.1672; n.c. 1632.   C.(1) c. D. Inês de Carvalho Pinheiro, s.g. C. (2) c.  D. Brites Soares, ﬁlha de Sebastião Soares, c.g. Em 10.9.1665, no Monte Recôncavo, c.(3) c. D. Joana Barbosa, ﬁlha de Miguel Nunes Peixoto e de s.m. Concórdia Barbosa. Do terceiro leito:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;15. GONÇALO BARBOSA DE MENDONÇA&lt;br /&gt;N.c. 1675,  † 1737, capitão de milícias, c. 27.4.1716 na matriz do Socorro c. D. Antonia de Aragão Pereira, ﬁlha de Alberto da Silveira de Gusmão e de s.m. D. Isabel de Aragão, descendente esta do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Caramuru&lt;/span&gt;. Filho:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;16. CRISTÓVÃO DA COSTA BARBOSA&lt;br /&gt;(1731-6.5.1809). Sr. do  engenho “Ladeira” em São Francisco do Conde. C.c. a prima D. Antonia Luiza de Vasconcelos Doria (1744-1825), ﬁlha do Cel. Manuel da Rocha Doria (filho de Miguel Moniz Barreto, ﬁlho de Martim Afonso supra, e de D. Angela da Rocha), e de D. Ana Maria de Vasconcelos. P.d.:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;17. MANUEL JOAQUIM DA COSTA DORIA&lt;br /&gt;Boiadeiro, acha-se documentado em S. Francisco do Conde e depois em Santo Amaro (BA). N.c. 1775 em S. Fco. do Conde;  † após 1843. C. (c. 1808) c. D. Teresa Sebastiana, antes D. Teresa Mariana de Meneses Doria, sua prima co-irmã, n. c. 1785, ﬁlha do Cel. José Luiz da Rocha Doria e de sua segunda mulher e prima D. Francisca Xavier de Menezes Doria. Dele e de seu irmão primogênito José da Costa Doria descendem os Costas Dorias de hoje. Filho:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;18. JOSÉ DA COSTA DORIA&lt;br /&gt;N. 1809 no Recôncavo,  † 1871. Passou a Itapicuru (BA) e depois a Estância (SE) e c. em Itapicuru (1830) c. D. Helena Bernardina Mendes de Vasconcellos, ou Souza Mendonça, ﬁlha de Antonio Ponciano de Souza Mendonça, tabelião em Itapicuru. José  da Costa Doria foi dado como “professor” em 1833, em Itapicuru, e como  “capitão” em 1857 em Aracaju (SE). Filho:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;19. DIOCLECIANO DA COSTA DORIA&lt;br /&gt;N. Itapicuru em 17.11.1841; † Rio, 2.8.1920, médico (Bahia, 1869), deputado  provincial por Sergipe (1880), e em seguida diretor de higiene e instrução públicas em Santa Catarina, durante a presidência Rodrigues Chaves. Fixou-se, em ﬁns dos anos 80 do século XIX, no Rio de Janeiro, deixando a carreira política, e para o Rio atraiu muitos de seus parentes baianos. A lista dos presentes a seu enterro, em agosto de 1920, é um &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Who’s&lt;/span&gt; &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Who&lt;/span&gt; da sociedade do tempo, o que demonstrava seu prestígio como clínico e personalidade pública.  C. em 15.1.1870 em Estância (SE) com D. Dária de Azevedo Moutinho, ﬁlha de Antonio da Silva Moutinho e de D. Turíbia Cassimira de Azevedo, ﬁlha esta do cônego Antonio Luiz de Azevedo,  † 1848, sr. do engenho “Palmeira,” em Lagarto (SE), e de sua  common-law wife D. Jacinta Clotildes do Amor Divino. (Notemos que D. Jacinta Clotildes era negra, e provavelmente ex-escrava ou ﬁlha já liberta de escravos.) Pais de:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;20. RAUL MOITINHO DA COSTA DORIA&lt;br /&gt;(Estância (SE), 18.10.1871-Rio, 3.9.1948). Em 27.5.1899 c.c. D. Inesilla do Valle e Accioli de  Vasconcellos, ﬁlha do Tte-Cel. Francisco de Barros e Accioli de Vasconcellos e de s.m. D. Maria do Carmo do Valle; n.p. do médico Dr. José de Barros Accioli Pimentel e de s.m. D. Ana Carlota de Albuquerque Mello;  n.m. do ﬁdalgo cavaleiro da casa real João Maria do Valle e de s.m. D.  Antonia Brandina de Castro Pessoa.  P.d.:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;21. GUSTAVO ALBERTO ACCIOLI DORIA&lt;br /&gt;N. no Rio e † na mesma cidade, 17.10.1910 — 10.12.1979, crítico de teatro, advogado, patrono da “rua Gustavo Doria” na Zona Oeste do Rio, c.c. D. Silvia Cresta Mendes de Moraes (n. e † no Rio, 19.1.1913 — 4.12.1969), filha de Justo Rangel Mendes de Moraes e de s.m. D. Herminia de Mattos Cresta. C.g.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na ilustração as armas dos Costas Dorias: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;partido; I, de Costas. II, de Dorias. Elmo de prata aberto e guarnecido de ouro. Paquife das cores e metais das armas. Timbre, usam o dos Dorias, a águia das armas, nascente. &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5585094901893319171-6170341771237903911?l=famadoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://famadoria.blogspot.com/feeds/6170341771237903911/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5585094901893319171&amp;postID=6170341771237903911' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5585094901893319171/posts/default/6170341771237903911'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5585094901893319171/posts/default/6170341771237903911'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://famadoria.blogspot.com/2008/01/os-costas-iii-linha-costa-doria.html' title='Os Costas, III: a linha Costa Doria'/><author><name>Francisco Antonio Doria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16243520355535324710</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/__h2bPbXvmCw/R5y4KMC0daI/AAAAAAAAAKA/lg3OsiShiRM/s72-c/CostaDoriaPaq2b.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5585094901893319171.post-2281194091080476896</id><published>2008-01-27T14:33:00.000-02:00</published><updated>2008-12-09T06:42:25.736-02:00</updated><title type='text'>Os Costas, II: Soeiro da Costa</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/__h2bPbXvmCw/R5yzIcC0dZI/AAAAAAAAAJ4/fJgq-yj4tn4/s1600-h/Soeiro+da+Costa.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://4.bp.blogspot.com/__h2bPbXvmCw/R5yzIcC0dZI/AAAAAAAAAJ4/fJgq-yj4tn4/s320/Soeiro+da+Costa.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5160196230608090514" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;8. SOEIRO DA COSTA, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;um dos Doze de Inglaterra.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Não há prova de sua filiação; está aqui por ser algarvio, ter um filho Afonso, e descender de outro Soeiro. É um herói da cavalaria tarda. Conta-se que, tendo sido doze damas inglesas da melhor nobreza ofendidas em sua honra por doze fidalgos da terra, apelaram aquelas a seu rei, para que designasse campeões que por elas se batessem; mas nenhum campeão que lutasse pelas damas foi encontrado na Inglaterra. Lembrou-se então o rei que portugueses batiam-se com bravura e destemor, e apelou a cavaleiros de Portugal, para que viessem lutar pelas damas ofendidas. Doze cavaleiros lusos enfrentaram então em justas os doze ingleses ofensores, e venceram-nos, assim lavando a honra das damas inglesas. Esses doze cavaleiros ficaram desde então conhecidos como os Doze de Inglaterra. Os nomes desses cavaleiros - na verdade treze, em número - são conhecidos, e são, todos, personagens historicamente atestados: Alvaro Vaz de Almada (depois Conde de Avranches); Alvaro Gonçalves Coutinho, dito “o grão Magriço”; Joào Fernandes Pacheco e Lopo Fernandes Pacheco (filhos de Diogo Lopes Pacheco, um dos assassinos de D. Inês de Castro);  Alvaro Mendes Cerveira e Rui Mendes Cerveira, também irmãos; Joào Pereira Agostim; Soeiro da Costa; Luis Gonçalves Malafaia; Martim Lopes de Azevedo;  Pedro Homem da Costa; Rui Gomes da Silva e Vasco Anes da Costa, dito “Corte Real.” Destes nos vai interessar Soeiro da Costa.  Assim, diz o cronista Gomes Eanes de Zurara (1410-1474) na sua Crônica dos feitos da Guiné, “Ca hera hi Sueiro da Costa, alcaide daquella villa de Lagos, o qual era homem nobre e fidalgo, criado de moco pequeno na camara delrrey dom Eduarte [D. Duarte] e que se acertava de seer em muy grandes fectos; ca elle fora na batalha de Monvedro, com elrrey dom Fernando dAragom contra os de Vallenca, e assy no cerco de Vallaguer, em que fezerom muy grandes cousas, e foe com elrrey Lancaraao [Ladislau], quando barrejou a cidade de Roma; e andou com elrrey Luis de Proenca [de Provença], em toda a sua guerra. E esteve na batalha da Ajancout [Azincourt], que foe hua muy grande e poderosa batalha entre elrrey de Franca e elrrey de Jngraterra. Efora ja na batalha de Vallamont, cabo de Caaes, com o conde estabre de Franca contra oduque dOssestre, e na batalha de  Monseguro [Montségur], em que era o conde de Fooes [Foix] e o conde dArminhaque [d’Armagnac], e na tomada de Samsooes [Soissons] e no decerco de Ras [Rheims?] e assy no decerco de Cepta [Ceuta] Nas quaaes cousas sempre provou, coomo muy vallente homem darmas.” (Algumas datas, para se precisar a cronologia: em 1411 acontece a batalha entre Luiz de Anjou, rei de Provença e Ladislau de Durazzo, rei de Napoles; em 27.2.1412 ocorre a batalha de Murviedro;  de 1.8.1413 a 31.10.1413, o cerco de Balaguer; entre 1412 e 1413, a batalha de Montségur; em 1414, o cerco de Roma; em 25.10.1415, a batalha de Azincourt; e em 1418-1419, o cerco de Ceuta.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Podemos reconstituir a biografia de Soeiro da Costa, em parte sobre conjecturas, em parte sobre o testemunho de crônicas como a de Zurara, e em parte sobre documentos. Soeiro da Costa terá nascido c. 1390, muito provavelmente em Tavira, se seu avô (pai?) tiver sido - como se discutiu já - Afonso Lopes da Costa, que recebeu em 1384, do Mestre de Aviz, o prazo de uma azenha em Tavira (Afonso Lopes da Costa e mulher são citados como proprietários em Lagos em 1401, donde o supor eu que era este o pai de Soeiro da Costa, que tem um filho Afonso). Em seguida vemos, já com vinte anos ou quase, Soeiro da Costa batendo-se nos principais campos de batalhas de começos do século XV, como o fizeram também Alvaro Vaz de Almada e o “grão Magriço.” Nos documentos, Soeiro da Costa aparece pela primeira vez em 8.5.1433, quando D. Duarte nomeia-o para o cargo de almoxarife de Lagos no Algarve, dizendo-o “seu criado.” Em 18.5.1439 D. Afonso V chama-o alcaide em Lagos no ato em que lhe concede uma tença anual de 200 000 libras. Está como alcaide-mor e almoxarife até 1450, embora seu genro Lançarote da Ilha apareça como almoxarife em 11.4.1443. Soeiro da Costa renuncia à alcaidaria-mor de Lagos em 1452, e em 5.2.1452, a pedido do infante D. Henrique, D. Afonso V nomeia Afonso da Costa, filho de Soeiro, para o posto de alcaide-mor de Lagos (em 3.1.1486 D. João II confirma Afonso da Costa como alcaide-mor de Lagos).  Ainda outra notícia, de verbete enciclopédico: “Tantas ações de cavalaria já o faziam célebre na Europa, e estando bem firmados os créditos do infante D. Henrique pelos sucessos dos seus descobrimentos, a cidade de Lagos, contra as murmurações dos críticos, quis fazer novo armamento no ano de 1445, para destruir a ilha de Arguim, que muitos prejuízos causava, e entregou juntas 14 velas ao capitão Lançarote da Ilha (ou de Freitas), que fora criado do infante D. Henrique, no foro de seu moço da câmara, e era almoxarife de Lagos, por mercê do mesmo infante. Soeiro da Costa, apesar de já ter certa idade mas que não afrouxara como militar aguerrido, ofereceu-se generosamente, e lhe foi dada a capitania de uma delas; as quais, todas reunidas a mais 12, com que os de Lisboa e da ilha da Madeira, nesta facção mais de honra que de interesse, nada quiseram ceder aos de Lagos, saíram daquele porto a 10.8.1445. Separadas as caravelas por um forte temporal que sobreveio, cada uma com incerto rumo buscava sítio diverso ao longo da costa; mas como prudentemente, Lançarote havia determinado que, no caso de tempestade, todas demandariam a ilha das Graças para se reunirem, e ali se foram juntando umas às outras, e chegadas depois a Arguim, entraram na ilha afugentando todos os habitantes, podendo apenas lançar mão a 12 homens, que destemidos se arriscaram com as armas na mão a defender-se, combatendo com os nossos, dispostos a morrerem e não a se renderem. Nesta ação mostrou Soeiro da Costa qual seria o seu esforço em lances mais arriscados, e não contente com a vitória, com a espada tinta em sangue infiel, como quem prezava mais a religião que o valor militar, pediu que o armassem cavaleiro para de novo se alistar naquela conquista do Evangelho, e havendo recusado outras vezes esta honra na Europa e de mãos reais, agora a requeria em memoria daquele triunfo, aceitando-a da mão de Álvaro de Freitas, comendador de Aljezur, tendo a glória de o acompanhar o capitão Diniz Eanes de Gram, escudeiro do infante D. Pedro e sobrinho de Gonçalo Pacheco, que fora anteriormente criado do infante D. Henrique, e então já aposentado no oficio de tesoureiro--mor da Casa de Ceuta, que recebeu conjuntamente a mesma dignidade de cavaleiro. Lançarote da Ilha seguiu viagem, ambicioso de maior gloria, e Soeiro da Costa retirou-se para o reino, acometendo de passagem o Cabo Branco e a ilha de Tider, recolhendo-se a Lagos vitorioso, e com muitas presas que trazia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Soeiro da Costa foi casado com Mécia Simões, filha de Gil Simões, alcaide-mor de Estoi (também no Algarve), de quem teve uma filha, que casou com o capitão Lançarote.” Soeiro da Costa morre em 1472; já estava falecido de pouco em 14.8.1472, pois a partir de janeiro de 1471 ainda recebia, por mercê de D. Afonso V, uma tença de 5 mil reais de prata. Fora casado, como ficou dito, com Mécia Simões, ainda viva no tempo de D. João II, filha de Gil Simões que tinha a alcaidaria-mor de Estói, junto a Faro. Pais de:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;9. AFONSO DA COSTA.&lt;br /&gt;Segue no próximo post.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(A imagem é uma silhueta de Soeiro da Costa, “pescada” na rede.)&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5585094901893319171-2281194091080476896?l=famadoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://famadoria.blogspot.com/feeds/2281194091080476896/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5585094901893319171&amp;postID=2281194091080476896' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5585094901893319171/posts/default/2281194091080476896'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5585094901893319171/posts/default/2281194091080476896'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://famadoria.blogspot.com/2008/01/os-costas-ii-soeiro-da-costa.html' title='Os Costas, II: Soeiro da Costa'/><author><name>Francisco Antonio Doria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16243520355535324710</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/__h2bPbXvmCw/R5yzIcC0dZI/AAAAAAAAAJ4/fJgq-yj4tn4/s72-c/Soeiro+da+Costa.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5585094901893319171.post-5758111670408573374</id><published>2008-01-27T14:11:00.000-02:00</published><updated>2008-12-09T06:42:25.864-02:00</updated><title type='text'>Os Costas, I</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/__h2bPbXvmCw/R5yxK8C0dYI/AAAAAAAAAJw/v3GnoYxL0vI/s1600-h/costa.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://2.bp.blogspot.com/__h2bPbXvmCw/R5yxK8C0dYI/AAAAAAAAAJw/v3GnoYxL0vI/s320/costa.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5160194074534507906" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Bom, se você acredita em linhas muuuuuuiiito extensas, esta é a genealogia dos Costas Dorias, em sua (quase) varonia. Até o século XIV, a linha é feita emendando-se as gerações pelos patronímicos e pelas funções análogas exercidas pelos personagens (é uma linha de alcaides-mores de Évora). Depois de Soeiro da Costa, a linha se torna segura — tão segura quanto é possível uma linha documental, claro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se Gonçalo da Costa, abaixo, for filho de Mem Gonçalves, fundador do mosteiro de Mancelos em 1110, então seria neto de Gonçalo Pais, e bisneto de Paio Cavaleiro, ambos naturais da Galiza — se acreditarmos nas notas às margens do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Nobiliário do Conde D. Pedro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;1. GONÇALO DA COSTA&lt;br /&gt;Sr. da Quinta da Costa em Mancelos, perto de Amarante; o nome vinha-lhe de uma torre ao pé de uma capela de N. S. da Costa, no mesmo local. Atesta-se primeiro em 1139 numa doação de D. Afonso Henriques a Mendo Eriz, de uma quinta em Creixomil; em seguida, numa escritura de 1154 que assinou com D. Afonso Henriques e com outros fidalgos, na qual faz-se doação do couto de Semide. Assina ainda mais outro documento em 1185 em Coimbra. Pai de, segundo os nobiliários:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2. MEM GONÇALVES DA COSTA&lt;br /&gt;Viveu nos fins do século XII e começos do XIII; s.m.n. Pai de:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3. MARTIM MENDES DA COSTA&lt;br /&gt;Cavaleiro, 1ºalcaide-mor de Évora nesta família, 1246-1257, † após 17.1.1265. Pai de:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4. SOEIRO MARTINS DA COSTA&lt;br /&gt;N. em meados do século XIII. S.m.n.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5. AFONSO SOARES DA COSTA&lt;br /&gt;Viveu ao tempo de D. Diniz (começos do século XIV). Irmão de Pedro Soares da Costa, alceide-mor de Évora em 25.4.1279, antes alcaide-mor de Beja em 1260 (Soveral acha que era filho de Pedro, e não seu irmão, acrescento. Pai de:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;6. LOPO AFONSO DA COSTA&lt;br /&gt;Viveu no século XIV;  juiz de Tavira no Algarve em 1358, † após 1372, quando, em 23.4 recebeu uma azenha (doada por D. Fernando, de quem era vassalo) que pertencera a seu sogro. C.c. uma filha de João Galvão, cavaleiro algarvio, neta de Pedro Galvão, mestre de letras que vivia no tempo de D. Diniz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;7. AFONSO LOPES DA COSTA&lt;br /&gt;A 21.2.1384 teve do Mestre de Aviz o prazo de uma azenha em Tavira. C.c. Margarida Annes: a 26.4.1401 num aforamento em Lagos são mencionados ambos, talvez ††. Pai de:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;8. SOEIRO DA COSTA (ver em seguida)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Manuel Soveral acha que Soeiro da Costa era filho de Paio Afonso da Costa, personagem não documentado, e neto de Afonso Lopes da Costa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na ilustração, armas dos Costas, usadas por esta família e reiteradas numa carta d'armas de começos do século XVII: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;de vermelho, com seis costas de prata, 3 e 3, firmadas nos flancos do escudo. Elmo de prata aberto e guarnecido de ouro; paquife de prata e vermelho; e por timbre, duas costas das armas passadas em aspa e atadas com um torçal sanguinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;O timbre não aparece, no desenho de João du Cros para o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Livro do Armeiro-Mor, &lt;/span&gt;de 1509. Note-se que as armas exibem, de forma estilizada, uma caixa torácica esfolada, com as costelas brancas sobre a musculatura sangrenta. São, de modo agressivo, armas falantes.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5585094901893319171-5758111670408573374?l=famadoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://famadoria.blogspot.com/feeds/5758111670408573374/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5585094901893319171&amp;postID=5758111670408573374' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5585094901893319171/posts/default/5758111670408573374'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5585094901893319171/posts/default/5758111670408573374'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://famadoria.blogspot.com/2008/01/os-costas-i.html' title='Os Costas, I'/><author><name>Francisco Antonio Doria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16243520355535324710</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/__h2bPbXvmCw/R5yxK8C0dYI/AAAAAAAAAJw/v3GnoYxL0vI/s72-c/costa.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5585094901893319171.post-7657879246249173861</id><published>2008-01-19T23:13:00.000-02:00</published><updated>2008-01-19T23:15:11.156-02:00</updated><title type='text'>Mamãe, 95 anos hoje</title><content type='html'>Mamãe faria 95 anos hoje. Depois posto algumas lembranças dela.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5585094901893319171-7657879246249173861?l=famadoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://famadoria.blogspot.com/feeds/7657879246249173861/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5585094901893319171&amp;postID=7657879246249173861' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5585094901893319171/posts/default/7657879246249173861'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5585094901893319171/posts/default/7657879246249173861'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://famadoria.blogspot.com/2008/01/mame-95-anos-hoje.html' title='Mamãe, 95 anos hoje'/><author><name>Francisco Antonio Doria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16243520355535324710</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5585094901893319171.post-7069711588199224919</id><published>2008-01-14T20:54:00.000-02:00</published><updated>2008-12-09T06:42:26.027-02:00</updated><title type='text'>Vovô, 14 de janeiro de 1883</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/__h2bPbXvmCw/R4vprez1Z7I/AAAAAAAAAJo/Z0rG5OQVRss/s1600-h/velhojusto1935b.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://4.bp.blogspot.com/__h2bPbXvmCw/R4vprez1Z7I/AAAAAAAAAJo/Z0rG5OQVRss/s320/velhojusto1935b.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5155471131669784498" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Vovô nasceu em Rio Grande, RS, em 14 de janeiro de 1883, e morreu no Rio no começo da tarde de uma terça-feira, 12 de março de 1968, na sua casa de Rainha Elisabeth no. 129.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era Justo Rangel Mendes de Moraes, filho do marechal Dr. Luiz Mendes de Moraes (preferia usar o título de Doutor à patente militar), ministro da guerra em 1909, e de D. Cecilia Rangel Mendes de Moraes, de solteira Cecilia Ferreira Rangel, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Mme la Maréchale Mendes de Moraes. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois conto mais a respeito dele. Era meu padrinho. Durante muito tempo chameio Vovô de Vovô Dindinho, porque era meu padrinho (minha madrinha foi Conceição, irmã de papai). Fui batizado na igreja de N. S. da Paz, em 14 de janeiro de 1946.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(O retrato é de c. 1935.)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5585094901893319171-7069711588199224919?l=famadoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://famadoria.blogspot.com/feeds/7069711588199224919/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5585094901893319171&amp;postID=7069711588199224919' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5585094901893319171/posts/default/7069711588199224919'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5585094901893319171/posts/default/7069711588199224919'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://famadoria.blogspot.com/2008/01/vov-14-de-janeiro-de-1883.html' title='Vovô, 14 de janeiro de 1883'/><author><name>Francisco Antonio Doria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16243520355535324710</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/__h2bPbXvmCw/R4vprez1Z7I/AAAAAAAAAJo/Z0rG5OQVRss/s72-c/velhojusto1935b.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5585094901893319171.post-8576937166623962700</id><published>2008-01-12T21:26:00.000-02:00</published><updated>2008-02-03T12:13:34.207-02:00</updated><title type='text'>Cavalcantis.</title><content type='html'>Quem colonizou o Brasil? Segundo um mito corrente no qual muitos acreditam, Portugal mandou para cá, em grande maioria, ladrões e prostitutas; descenderíamos todos desses &lt;span style="font-style: italic;"&gt;damnés de la terre.&lt;/span&gt; Mas é falso. As listas de funcionários que serviam no Brasil, os censos, os atos notariais, tudo isso existe aqui desde meados do século XVI. E vemos nessas listas que quem veio para cá era gente comum: artífices, militares, alguns agricultores, nos séculos XVI e XVII; muitos camponeses e comerciantes interessados em fazer fortuna no ultramar depois do século XVIII. No grosso, gente com algumas posses e algum status já conquistado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E uma pequena elite, que é inclusive citada nos nobiliários portugueses, como a &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Pedatura&lt;/span&gt; &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Lusitana&lt;/span&gt;, de Alão de Moraes, e o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Nobiliário de Famílias de Portugal&lt;/span&gt;, de Felgueyras Gayo. Gente com status nobre e, nalguns casos notórios, com proximidade à alta nobreza e à corte dos Avizes, isso no século XVI. Dou alguns exemplos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Primeiro cito, se me permitem, minha ancestral Clemenza Doria. Genovesa, filha bastarda de um banqueiro, Aleramo Doria, com grandes negócios junto à corte portuguesa, este consegue que a filha seja educada como pupila — criada — da rainha de Portugal, D. Catarina. A rainha manda Clemenza, junto com outra moça nobre, Catarina da Cruz ou Catarina de Almeida, também sua criada, para o Brasil, em dezembro de 1554. Dotadas ambas com cargos públicos na colônia para os futuros maridos, porque seu destino era o de casarem e povoarem o Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O dote ia além dos cargos que traziam para o Brasil, para seus maridos. A rainha supervisiona pessoalmente o rol de roupas e alfaias com que vêm para a terra recém-descoberta. E com as duas moças, Clemenza e Catarina, a coroa portuguesa gasta aí, em roupas e equipagens, mais de 70 mil reis. Quase tanto quanto os 80 mil reis que, pela mesma época, o pai de Clemenza, Aleramo Doria, recebe anualmente de juros numa letra sacada contra a coroa portuguesa. Doze vezes o teto dos valores sobre os quais podia julgar um juiz ordinário no Brasil, no século XVI. Muito dinheiro, portanto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Seu segundo marido, Fernão Vaz da Costa.  Bisneto do navegador, cavaleiro andante semi-lendário dos Doze de Inglaterra, Soeiro da Costa, e filho, Fernão Vaz, do Dr. Cristóvão da Costa, chanceler da relação portuguesa — presidente do supremo tribunal — e reitor da universidade lusa, Fernão Vaz larga um morgadio e prebendas mais em Portugal, e se atira para o Brasil, onde morre entre 1567 e 1568, ou de doença tropical, ou de conflito com os índios, ou talvez num naufrágio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Terceiro personagem, Simone Acciaioli, ou Simão Achioli. Fixado na ilha da Madeira desde 1512, ao menos, é florentino como Filippo Cavalcanti, de quem vou falar com mais cuidado. Personagem discreto, embora comerciante rico, Simone Acciaioli foi fundador de um morgadio que persistiu, na Madeira, durante mais de dois séculos, e era também primo dos Médicis do ramo dos grãos-duques, sobrinho de vários dos Duques de Atenas da família dos Acciaiolis, e parente perto de frei Zanobi Acciaioli, bibliotecário do Vaticano em começos do século XVI, humanista, autor publicado pela casa editorial de Teobaldo Manucci em Veneza, ou seja, um editado de Aldus Manuntius.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Ainda cito alguns que nem são italianos, nem portugueses. Como os primos Sebald Linz von Dorndorf e Christoph Linz, patrícios de Augsburg, banqueiros muito ricos, privados do imperador da Alemanha, Maximiliano II de Habsburgo — e colonizadores do Brasil, desbravadores de Pernambuco. E “Gaspar Wanderley,” ou Caspar von Neuhof, gennant Ley, ou ainda Caspar von Neuhof von der Leyen, da pequena nobreza do Brandemburgo, militar ligado a Maurício de Nassau, que passou dez anos no Brasil e aqui deixou quatro filhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sobre essa gente faço perguntas que não sei como responder. A primeira delas: muitos desses personagens deixaram para trás fortuna e carreira na Europa, e se fixaram no Brasil. Que fascínio, que poder de atração tinha esta nossa terra, para fazer com que gentes com bens e perspectivas no lugar onde nasceram, deixassem tudo para fazer uma vida nova no Brasil?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois: por que, com colonizadores notáveis, de tal qualidade, chegamos ao Brasil de hoje com tanto pessimismo? Essa gente se perdeu? Foi engolida pela &lt;span style="font-style: italic;"&gt;selva&lt;/span&gt; &lt;span style="font-style: italic;"&gt;selvaggia&lt;/span&gt; dos trópicos? Embruteceu-se? Por que, apesar de termos tido entre nossos colonizadores, no século XVI, gente ligada aos centros de poder na Europa, nos vemos hoje como um país colonizado por degredados, ladrões e putas — e eternamente estigmatizado,  inferiorizado?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Centro-me agora na história de um desses personagens, Filippo Cavalcanti, negociante florentino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Filippo Cavalcanti. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os Cavalcantis de Filippo Cavalcanti são patrícios florentinos, de fato. Não tem dúvida quanto a isso. Vou transcrever sua certidão de nobreza, mas primeiro dou-lhes a versão do latinório; se quiserem saber onde se lê também o facsímile, lembro que foi publicado por mim alhures :&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cosimus Medices Dei Gratia Florentiae et Senarum Dux II. Universis et singulis ad quorum manus presentes advenerint litere, salutem et omnem prosperitatem etc. Familia Cavalcantum in hac nostra Florentina civitate, pariter et Familia Mannellorum singulari nobilitate ac splendore refulgent, ex quibus multi hactemus prodiere viri de Nobis et nostris progenitoribus, universaque civitate benemeriti illi enim huius Nostre Reipublicae successivis temporibus quoscumque honores ac dignitates adepti sunt, et supremos Magistratus summa cum laude gesserunt, et propria suae agnationis insignia patritiorum florentinorum more gestantes suis campis probatisque coloribus distincta ut hic videre licet, veluti alii splendidissimi in patria optimates vixerunt. Quae inter Johannem Cavalcantem Philippi Cavalcantis patrem precipue conmemoramus, qui in hac civitate de gens Genepram Mannellam iam pridem clarissimam duxit uxorem, et predictum Philippum ex ea legitimo matrimonio suscepit filium, qui nobilissimo Lusitaniae Regno haudquaquam a suis parentibus degenerans honoratissimo sumptu commoratur. Quamobrem familias ipeas earumque gentiles, ut decet, diligimus, et ipsum Philippum propteres significamus prefatis ingenuis parentibus Johanne vz et Genepra legitimis natalibus, et benestissimis familijs ortum merito nobis esse carissimum, et harum literarum nostrarum testimonio, quas plumbei nostri sigilli appensione communiri iussimus, sue nobilitatis fidem facimus. Optamus insuper rogamusque in gratiam nostram quodcunque opportunum ipsi fuerit honoris, et commodi non vulgari benignitate conferrit. Erit enim id nobid gratissimum et quod maioris obsequij loco acceptum feramus. Datum Florentie in nostro Ducali Palatio, die xxiij Augusti 1559. Ducatus vero nostri Florentini xxiij Senensis iij.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dou agora a tradução que aparece em Jaboatão, no &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Catálogo Genealógico&lt;/span&gt;:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cosme de Médicis, por graça de Deus, segundo Duque de Florença e Siena etc. A todos e cada um, a cujas mãos chegarem as presentes letras, saúde e prosperidade etc. A família dos Cavalcantis nesta nossa cidade de Florença, como também a família dos Mannellis, resplandece com singular nobreza e luzimento, dos quais até este tempo têm saído varões de nós, de nossos progenitores, e da nossa república, beneméritos; porque eles têm alcançado em sucessivos tempos todas as honras e dignidades da nossa cidade, e têm servido os supremos magistrados com grande louvor, trazendo as armas próprias da sua família, à maneira dos patrícios florentinos, distintas em seus campos e cores conhecidas, como abaixo se pode ver, viveram com os outros mais luzidos fidalgos de sua pátria. Entre os quais contamos principalmente a Giovanni Cavalcanti, pai de Filippo Cavalcanti, o qual vivendo nesta cidade em tempos passados, casou com a nobilíssima Ginevra Mannelli, de quem teve de legítimo matrimônio ao dito Filippo Cavalcanti, o qual, não degenerando de seus pais, vive com toda a pompa no nobilíssimo reino de Portugal. Pelo que amamos, como nos é lícito, as mesmas famílias, e a seus descendentes, e até disso significamos que o mesmo Filippo Cavalcanti, nascido dos ditos pais nobres, a saber Giovanni e Ginevra, de legítimo matrimônio e de famílias muito nobres, com razão é muito amado de nós, e com o testemunho das presentes letras, que mandamos selar com o nosso selo pendente de armas, certificamos sua nobreza; e além disso desejamos e pedimos que por nosso respeito se lhe faça com toda a benignidade muita honra, porque nos será isso muito agradável. Dado em Florença em nosso Palácio dos Duques a 23 de agosto de 1559, e do nosso ducado florentino 23o., e do de Sena o 3o.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pronto. Os Cavalcantis são, de fato, patrícios florentinos, e Filippo Cavalcanti, que veio para o Brasil, era filho de Giovanni Cavalcanti e de Ginevra Mannelli. Tais dúvidas sobre a origem de tal ou qual emigrante, ou primeiro ancestral de alguma família brasileira, são comuns, até porque é razoável supormos que a tradição oral intra-familiar tende a engrandecer os antepassados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, com estas gentes cuja história ando percorrendo, não há engrandecimento. Os Dorias são de origem genovesa, como está dito no depoimento do filho de Clemencia Doria genovesa, Cristóvão da Costa Doria, perante a inquisição, em 1592. E encontramos diversos Dorias, genoveses, exercendo a mercatura em Portugal, nos séculos XV e XVI. Os Acciaiolis são patrícios florentinos, como se afirma na certidão de nobreza de Simone Acciaioli, passada pelos priores de Florença em 1515, e na sua carta d’armas portuguesa, de 1529. E, agora, os Cavalcantis, igualmente patrícios florentinos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas vamos ver abaixo um caso interessante, no qual aparentemente houve, teria havido interesse em apagar detalhes das genealogias, para esconder fatos considerados à época depreciativos ou até infamantes — heresias, suspeita de judaísmo. É o que acontece com os Holandas, me parece.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Mais Cavalcantis.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta família é muito antiga, e tem provavelmente origem nalguma casa feudal lá em cima, pelo século X. É uma família consular, o que quer dizer, no século XII, Florença era governada por funcionários designados como cônsules, e alguns dos Cavalcantis tiveram então tal cargo em Florença. Em 1246, um Cavalcanti, junto com um Adimari — outra família de raízes feudais — chefiavam a Parte Guelfa, o partido ligado aos interesses papais, sempre em Florença. Eram, no século XIII, grandes comerciantes, sendo membros da Arte di Calimala.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É possível que a origem feudal se reflita nas armas desta família: de prata, semeado de cruzetas recruzetadas de vermelho (cruzetas recruzetadas são cruzes simétricas, sem o pé alongado, onde cada um dos quatro braços termina numa cruz de três braços). Timbre, um hipógrifo (figura fantástica, parte de trás cavalo e parte da frente águia, com as asas abertas) de negro, alçando vôo de uma fogueira de vermelho e ouro. Digo que tais armas refletem, ou refletiriam uma origem feudal, porque armas com cruzes e cruzetas são, a essa época, usadas por famílias cujos membros foram cruzados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muito tempo depois, e após diversas peripécias, encontramos os Cavalcantis como mercadores abastados em 1520. Três irmãos Cavalcantis, Stoldo, Schiatta e Giovanni, acham-se então em Londres, onde comerciam. Servem à coroa inglesa, o que lhes faz merecerem um acrescentamento às suas armas, que lhes é concedido por Henrique VIII (um acrescentamento são peças e móveis novos adicionados a um brasão; assim, por exemplo, Luiz XI da França acrescenta, homenageando Piero il Gottoso de’ Medici, as flores de liz da casa real francesa às armas dos Médicis).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No caso dos Cavalcantis, o acrescentamento é: sobre o brasão com as cruzetas, uma asna de azul carregada de um leonel de ouro no seu ápice, entre duas flores de lis do mesmo. Explico: asna, ou chaveirão, é uma peça em forma de V invertido, como as vigas semelhantes que sustentam os telhados. A peça, de azul, tem um leãozinho — o leonel — dourado no ápice, e duas flores de lis igualmente douradas, um pouco mais abaixo do leonel, uma de cada lado sobre a asna.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Numa descrição moderna, as armas de Giovanni Cavalcanti passam a ser: de prata, semeado de cruzetas de vermelho, com uma asna de azul, brocante sobre o semeado, carregada de um leonel de ouro no ápice, entre duas flores de lis do mesmo. Elmo de prata guarnecido de ouro, paquife de negro e prata, e por timbre, saindo do virol, um cavalo alado saltante, a parte anterior de prata, asas de azul, saindo de um fogo de vermelho e ouro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Giovanni Cavalcanti, de quem vou falar um pouco mais, é o pai de Filippo Cavalcanti, o que passa ao Brasil por volta de 1560.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;O mistério de Filippo Cavalcanti.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mistério é o seguinte: por que este homem, Filippo Cavalcanti, deixou a Itália e veio se fixar no Brasil? Não era um foragido político: os termos da certidão de nobreza que lhe passa Cosimo de' Medici em 1559, mostram um florentino em pleno uso e gozo de seus direitos como cidadão. Mais: era filho de um homem rico, e muito bem relacionado no Vaticano, em Florença e na corte londrina. E um de seus irmãos, Guido, vivia na França, junto a Caterina de' Medici, a quem inclusive serviu de embaixador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por que veio, Filippo Cavalcanti, para o Brasil?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já se tinha alguma idéia da importância de Giovanni Cavalcanti, pai de Filippo, como mercador e cortesão, mas os trabalhos recentes de Cinzia Sicca detalharam-lhe em profundidade a biografia. Giovanni Cavalcanti nasceu em Florença em 8 de outubro de 1480; foi batizado em Santa Croce, em 11 de outubro, às 4 da tarde. Era filho de Lorenzo di Filippo Cavalcanti, e de Contessina, filha de Ugo Peruzzi. O avô paterno, Filippo di Jacopo di Filippo Cavalcanti, tinha se casado em 1458 com Francesca, filha de Lucantonio di Niccolò degli Albizzi, cujos costados exibem toda a história de Florença, nos séculos XIII e XIV.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sobre os ancestrais Cavalcantis mais remotos, só podemos, no momento, especular. Mas vou fazer isso, mais adiante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Giovanni Cavalcanti fixa-se em Londres, como mercador, desde 1509, ou talvez um pouco antes. Torna-se logo fornecedor da corte inglesa: especializa-se em bens suntuários, de tecidos caros, damascos, panos tecidos com fios de ouro, até a negociação de objetos de arte, de quadros a esculturas e, enfim, o projeto de monumentos, sobretudo monumentos fúnebres. Uma das negociações, que Cinzia Sicca examina em detalhe, é o projeto de um mausoléu para Henrique VIII e sua mulher (de então), Catarina de Aragão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Giovanni di Lorenzo Cavalcanti corresponde-se, no exercício de seu ofício, com artistas como Michelangiolo. É citado por Vasari. Suas atividades dão-se no eixo Londres-Florença-Roma. Ligado aos Médicis, devido à posição no ambiente político de Florença e através de parentesco ao ramo dito popolano da família de' Medici, torna-se uma espécie de quabrador de galhos para o Cardeal Giovanni de' Medici em Londres. Quando este é eleito papa em 1513 e torna-se em Leão X, Giovanni Cavalcanti é feito camareiro papal, o que lhe dá um status de primeiro plano ao se apresentar perante Henrique VIII. Envolve-se na diplomacia que cerca a concessão do chapéu de cardeal a Wolsey, principal ministro de Henrique; está ao lado do rei inglês quando este vai se encontrar com Francisco I de França no Campo das Tendas de Ouro (sabemos disso graças a uma citação feita em 1520) e, enfim, novamente participa de uma negociação entre o papa e o rei da Inglaterra, quando graças a um tratado que Henrique escreve contra Lutero, Leão X concede-lhe a Rosa de Ouro e o título de Defensor Fidei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1521, Giovanni di Lorenzo Cavalcanti está de volta a Florença, e lá se casa com Ginevra, filha de Francesco di Lionardo Mannelli. Francesco Mannelli era o sócio de Giovanni Cavalcanti em Florença nos negócios de produção, compra e venda de tecidos de seda, pois os Mannelli eram &lt;span style="font-style: italic;"&gt;setaiuoli&lt;/span&gt;, donos de uma tecelagem de seda. Eram gente rica, recentes nesse comércio de seda, mas com uma história interessante, entremeada a fundo à história de Florença. Pois os Mannelli eram gibelinos — embora um ramo algo desgarrado do clã tenha optado pelo partido guelfo — e de origens feudais autênticas mas longínquas. Em 1260, Tommasino e Simone, filhos de Rinucinno di Benintendi Manneli, são conselheiros gibelinos da comuna; em 1261 encontramos Abate, filho de Abate Mannelli. Atestam-se como comerciantes depois de 1280, e por esta época uma violenta vendetta opõe os Mannellis à família Velluti. Em 1278 é chefe do ramo guelfo certo Mannello Mannelli, comerciante riquíssimo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Giovanni di Lorenzo Cavalcanti era um homem de grande requinte e gosto muito elaborado: ainda jovem, corresponde-se com Luigi Guicciardini sobre a descoberta do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Laocoon&lt;/span&gt; em Roma (isso, em 1506); em 1508, em cartas sempre dirigidas àquele Guicciardini, discute a descoberta de tumbas estruscas em Castellina. Foi quem atraiu para Londres o escultor Pietro Torrigiano, de quem conhecemos o busto de Henrique VII, hoje no Victoria and Albert Museum.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Giovanni di Lorenzo Cavalcanti morreu em Londres em 1542; teve com &lt;span style="font-style: italic;"&gt;monna&lt;/span&gt; Ginevra três filhos, Schiatta, que aparentemente sucedeu ao pai na gestão dos negócios, Guido, que serviu a Caterina de' Medici e a acompanhou quando esta se mudou para a França, e Filippo, que vem para o Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não há dúvida que o Cavalcanti ancestral da família Cavalcanti de Albuquerque é este Filippo di Giovanni Cavalcanti, filho de Giovanni e de madonna Ginevra Mannelli. Refaço então a pergunta que havia feito acima: por que este homem, criado em duas grandes cortes renascentistas, Londres e Roma, filho de um homem riquíssimo, vem se enfurnar no Brasil?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;A linha (tentativa) dos Cavalcantis até Filippo Cavalcanti. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em resumo: pelo que vi dos Cavalcantis, o ramo que veio para o Brasil, já documentado até meados do século XIV, e provavelmente ao século XIII, é aquele que passou a Nápoles em começos do século XIV. Por enquanto, meu argumento é só onomástico - é o ramo dos Giovannis e Filippos que se sucedem e se alternam nessa família - mas espero que logo apareça base documental mais firme.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por outro lado, vejo que as genealogias manuscritas dessa família, Ammirato e Gamurrini, estão todas furadas, e erram longe longe com respeito ao ramo brasileiro.&lt;br /&gt;No caso do ramo napolitano, que adquire logo uma grande importância no reino de Nápoles no século XIV, onde logo chegam a cargos da corte e são feitos barões, vejo nessa ascensão a ajuda sobretudo de Niccolò Acciaioli (1310-1366), grão senescal de Nápoles, um tremendo nepotista. Niccolò adotou formalmente - está no seu testamento - dois primos de Florença, um deles Ranieri Acciaioli, depois Duque de Atenas. Chamava messer Donato Acciaioli, primo algo longe, de “irmão.” E Mainardo Cavalcanti era casado com Andreina Acciaioli, irmã de Donato e Ranieri, e segundo testemunhos, Amerigo Cavalcanti, irmão de Mainardo, era casado com uma irmã de nome não sabido, de Andreina. (Amerigo Cavalcanti foi o avô de Ginevra Cavalcanti, casada em 1416 com Lorenzo de' Medici il Popolano, trisavós do grão-duque Cosimo de' Medici, o que assina a certidão de nobreza de Filippo Cavalcanti.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A linha do nosso Filippo Cavalcanti, fixado no Brasil, principia com certeza documental noutro Filippo, que conhecemos, por enquanto, apenas através dos patronímicos de seu neto, Filippo di Jacopo di Filippo, que se casa em 1458 com Francesca degli Albizzi. Quem é, ou quem poderia ser, este mais antigo dentre os Filippi Cavalcanti?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vivia no século XIV, é o que sabemos com certeza. Filippo não é nome frequente entre os Cavalcantis, mas no século XIV um se destaca, um homônimo, no nome e patronímico, do que passa ao Brasil dos séculos depois: é um primeiro Filippo di Giovanni, que vivia em Nápoles, onde era dos mercadores florentinos mais influentes junto à corte dos reis angevinos. Este Filippo Cavalcanti foi camareiro régio em 1343, e Barão de Sartano, investido em 1363. Casou-se com Isabella Adimari. Teve um filho conhecido, Amerigo Cavalcanti, governador de Cápua, Barão de Sartano; atestado até 1406. É com certeza aquele Amerigo Cavalcanti referido nas correspondências de Niccolò Acciaioli e de Ranieri Acciaioli, Duque de Atenas — porque se houvessem dois homônimos, isso certamente apareceria nos documentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é o Filippo que procuramos, pai de Jacopo Cavalcanti e avô de outro Filippo. O que procuramos nasceu por volta de 1360, porque seu filho Jacopo Cavalcanti nasce em 1392 — tem 35 anos em 1427, e ainda está solteiro, lemos no &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Catasto&lt;/span&gt; de Florença. Mas poderia ser filho do Filippo atestado em Nápoles. Poderia: é uma conjectura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Os Cavalcantis e a conjura dos Pazzi, 1478. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Filippo di Jacopo di Filippo Cavalcanti casou-se em 1458 com Francesca, filha de Lucantonio degli Albizzi. A mulher descendia de uma família oligárquica, monopolizadora do governo da cidade antes dos Médicis, mas pelo que sabemos, Filippo di Jacopo era dos &lt;span style="font-style: italic;"&gt;palleschi&lt;/span&gt;, isto é, dos partidários dos Médicis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Teve ao menos dois filhos, Lorenzo — Lorenzino — e Andrea, que vamos encontrar ao lado do Magnífico Lorenzo de’ Medici quando tentam assassiná-lo, em 1478.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lorenzo de’ Medici, il Magnifico, era um homem excepcionalmente feio, com um rosto como que esculpido grosseiramente. No entanto, no trato pessoal era encantador, e tão excepcionalmente sedutor que sua feiúra como que desaparecia, ou era velada pelo trato amável, agradável, que sabia praticar junto aos com quem conversava. Era também culto, bom poeta e interessado nas artes plásticas, tendo servido como mecenas a diversos pintores e escultores em Florença na segunda metade do século XV — aliás, vários membros de sua família, como seu primo e homônimo Lorenzo di Pierfrancesco il Popolano, protetor de Botticelli.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O irmão do Magnífico, Giuliano de’ Medici, embora não tão brilhante quanto o primogênito, era ao contrário personagem de bela figura, e tão encantador quanto Lorenzo o era. No entanto, ambos eram detestados pelo papa, Francesco della Rovere, Sixto IV.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os Médicis era vistos pelas famílias mais antigas de Florença como uma família de arrivistas e novos-ricos, gente “de baixa extração” que subira graças a golpes de sorte. A família do papa Sixto IV, eleito em 1471, era mais modesta ainda: Francesco di Savona era filho de um pescador, Lionardo, e adotou o nome della Rovere (do Carvalho) para simbolizar o que via como representação de sua personalidade. Frade franciscano, chegou a geral da ordem, e quando é eleito papa, é recebido com esperança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os Médicis eram então os banqueiros papalinos. Embora de início as relações entre Florença e o papa Sixto IV fossem cordiais, o primeiro confronto se dá quando Sixto IV deseja comprar Imola como um feudo para seu sobrinho Girolamo Riario. Lorenzo o Magnífico diplomaticamente se recusa a financiar tal compra, que via como lesiva aos interesses florentinos, mas o papa obtem um empréstimo adequado com os rivais dos Médicis em Roma, os Pazzi, através de um dos chefes desta casa bancária, Franceschetto de’ Pazzi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Os Pazzis eram do antigo grupo de famílias nobres que governavam Florença antes das constituições republicanas do final do século XIII, e desprezavam os Médicis como &lt;span style="font-style: italic;"&gt;parvenus&lt;/span&gt;. Sua linhagem incluía até um cruzado, Pazzo di Ranieri, que teria estado no Santo Sepulcro em 1099; e lembremos que o nome da família significa “maluco.”)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais confrontos entre Lorenzo e o papa dão-se com a nomeação de Francesco Salviati, outro inimigo dos Médicis, como arcebispo de Pisa. O governo de Florença nega-lhe, em consequência, durante três anos, a admissão à sua diocese, e quando o faz, já tem contra si, unidos, os que serão os chefes da conjura dos Pazzi, o arcebispo Salviati, Franceschetto de’ Pazzi, e Girolamo Riario, o sobrinho do papa. Os conjurados contratam um &lt;span style="font-style: italic;"&gt;condottiero&lt;/span&gt;, Gian Battista da Montesecco, para liderar as tropas que invadirão Florença, e pedem-lhe também que assassine Lorenzo e Giuliano de’ Medici. Montesecco vai a Florença, é recebido pelo Magnífico Lorenzo, que o seduz com seu encanto bem conhecido — e recusa-se a participar do assassínio, embora concorde em chefiar as tropas dos conjurados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Montesecco é substituído por dois frades, e a oportunidade de se realizar o assassinato dos irmãos Médicis acontece num domingo, 26 de abril de 1478, numa missa na catedral, em homenagem a um sobrinho-neto do papa, Raffaele Riario, que — aos dezessete anos — acabara de receber o chapéu de cardeal. O ataque dá-se no momento da consagração da hóstia: Giuliano de’ Medici é morto por Bernardo Bandini Baroncelli e por Franceschetto de’ Pazzi, que, este, lhe perfura o corpo com mais de uma dezena de facadas. Os dois frades, Antonio Maffei e Stefano da Bagnone, atrás de Lorenzo, atacam-no com uma facada que, dada sem jeito, mal lhe fere o pescoço. Lorenzo pula, defende-se com a capa, e é cercado pelos amigos com os quais havia chegado na catedral, entre os quais Lorenzino Cavalcanti e seu irmão Andrea. Lorenzino é ferido quando tenta agarrar um dos frades assassinos, que logo em seguida mata mais um dos amigos do Magnífico, Francesco Nori.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O desfecho é terrível. O arcebispo Salviati, que com um bando de mercenários peruginos procura no Palazzo da Signoria o gonfaloneiro Petrucci, é por este desarmado, preso, e depois que rapidamente capturam-se os mercenários que o acompanhavam, o arcebispo é enforcado numa corda que se amarra nas ameias do Palazzo, assim como Franceschetto de’ Pazzi. Todos os conjurados são mortos, inclusive Montesecco e Jacopo de’ Pazzi, que hesitara longamente em entrar na conspiração. Baroncelli, que fugira até Constantinopla, é lá preso, recambiado a Florença, torturado, e enforcado como os outros, pendurado numa janela do palácio do Bargello.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lorenzo, dito Lorenzino, de’ Cavalcanti, e sua mulher Contessina, filha de Ugo di Rinaldo Peruzzi, tiveram como filho a Giovanni di Lorenzo Cavalcanti, o mercador que vai servir a Henrique VIII. Contessina Peruzzi morreu em 1516.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Origem dos Cavalcantis. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Temos a genealogia dos Cavalcantis brasileiros desde meados do século XIV. Mas a família é bem mais antiga; traça-se, na confusão das genealogias manuscritas, até o século X. Só que tais genealogias são contraditórias e díspares, de modo que, sem a ajuda da base documental, nada podemos concluir de seguro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo tais genealogias, mas sem suporte documental, a família principiaria num certo Benedetto Cavalcanti, cavaleiro — donde o nome, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;cavalcante&lt;/span&gt; — de origem germânica, e que teria vivido entre fins do século X e começos do XI. Mas o primeiro membro atestado é Gianozzo Cavalcanti, cujo nome é conhecido através do patronímico do filho, este, personagem documentado. Gianozzo teria casado com uma Adimari, o que se infere do prenome do outro filho que lhe é atribuído, Adimaro Cavalcanti. Gianozzo Cavalcanti viveu nos começos do século XII; as memórias posteriores dão-no como filho de um Cavalcante di Giamberto di Benedetto, sendo este Benedetto o tal mais antigo ancestral desta família.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A família, no século XII, era muito rica. Possuía casas na região do Mercado Novo, em Florença, e um castelo no Val di Greve e outro no Val di Pesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi filho de Gianozzo, Cavalcante de’ Cavalcanti. É um dos cônsules da comuna de Florença em 1176. Sendo guelfo, é dado como se tendo envolvido nos conflitos dos que se opuseram a Frederico Barbarroxa, quando este invadiu a Itália. Sua mulher poderia ter sido uma Aldobrandini, porque um de seus filhos tem esse nome. Um seu outro filho, Schiatta Cavalcanti, foi cônsul em Florença em 1214.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tronco do ramo napolitano é um Pazzo Cavalcanti, filho do Cavalcante de’ Cavalcanti supra, de quem diz Gamurrini que era bisneto Mainardo Cavalcanti, casado com Andalò ou Andreina Acciaioli — casaram-se, Mainardo e Andreina, depois de 1370. Mainardo era irmão de Amerigo Cavalcanti. Se fosse correta tal afirmativa, seria filho de Pazzo o Giovanni Cavalcanti que se atesta em Nápoles em começos do século XIV, mas, pelas datas — o irmão de Pazzo Cavalcanti, Aldobrandino Cavalcanti, é atestado em Florença em 1215 — antes seria aquele Giovanni, neto de Pazzo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seguir-se-iam portanto o neto de Pazzo, Giovanni Cavalcanti, expulso de Florença em começos do século XIV (era guelfo, e &lt;span style="font-style: italic;"&gt;bianco&lt;/span&gt;, ou seja, guelfo no partido aristocrático). Foi seu filho, nascido por volta de 1320, Filippo Cavalcanti, camareiro régio no reino de Nápoles em 1343. Casou com Isabella Adimari.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Teve diversos filhos, como Nicolao, que nasce em 1350, e se atesta em Florença em 1427; Amerigo, que foi Barão de Sartano, e colaborou com Niccolò Acciaioli, grão-senescal de Nápoles e com Ranieri e Antonio Acciaioli, primeiro e segundo Duques de Atenas; Mainardo Cavalcanti, também ligado, pelo casamento e pelos negócios, como dissemos, aos Acciaiolis, e — supomos, conjecturamos — o Filippo Cavalcanti, nascido cerca de 1360, que originará o ramo brasileiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De Amerigo, cuja descendência é conhecida até hoje, no sul da Itália, foi filho Giovanni Cavalcanti, pai de Ginevra Cavalcanti, que em 1416 casou-se com Lorenzo de’ Medici il Popolano, irmão mais moço de Cosimo de’ Medici, il Vecchio. Noto que alguns genealogistas dizem que a mulher de Amerigo Cavalcanti foi uma Acciaioli, irmã de Andalò Acciaioli, mencionada acima, sua cunhada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E volto agora a Giovanni Cavalcanti, nascido em Florença em 8 de outubro de 1480, mercador de quem já falei. Casou-se, como disse, com Ginevra Mannelli, sepultada em 11 de abril de 1563 na igreja della Santa Croce, em Florença. Filha de Francesco di Lionardo Mannelli, e de Maddalena di Gianozzo di Giovanni Naldi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E seu filho é o nosso Filippo Cavalcanti, nascido em 12 de junho de 1525 em Florença e batizado na igreja da Santa Croce. Atestado no Brasil desde 1560.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Guido Cavalcanti, o poeta, e Giovanni Cavalcanti, o humanista. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dos prazeres que tenho ao falar das famílias patrícias de Florença, é a presença nelas de gente como Guido Cavalcanti, Giovanni di Niccolò Cavalcanti, Donato Acciaioli — e, claro, Lorenzo de’ Medici, o Magnífico. Ao lado das gentes que parece que saem de romances de Michel Zevaco ou de filmes de Errol Flynn nos anos 50 do século XX, gente personagem de história de capa e espada, tem intelectuais também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Guido Cavalcanti, o poeta, nasceu em Florença em 1255. Muito jovem ainda, noivou com uma filha de Farinata degli Uberti, Bicce ou Beatrice degli Uberti, que desposa em 1267. Guelfo, mas de partido bianco, o partido da aristocracia, aparece em 1280 entre os que garantem a paz negociada entre guelfos e gibelinos. Os neri, guelfos pertencentes ao partido rival ao de Guido, predominam em Florença. Cita-se dele que tentou assassinar Corso Donati, chefe do partido oposto ao seu. Por este motivo, e por motivos análogos, Guido Cavalcanti é exilado em Sarzana em 1300, de onde volta já doente de malária para morrer em Florença em agosto de 1300. Eram seus amigos e confrades Dante, Dino Compagni, o cronista da história de Florença, e muitos outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de Dante foi o maior poeta florentino deste período pré-renascença. Era um homem de grande cultura, conhecedor da filosofia árabe ibérica, sobretudo Averróis,  cujas obras então começavam a se difundir na Europa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era filho de um Cavalcante de’ Cavalcanti, que se achou exilado em Lucca em 1260, depois da vitória gibelina em Montaperti. Era neto de messer Schiatta Cavalcanti, cônsul de Florença em 1214; bisneto de outro Cavalcante de’ Cavalcanti, irmão de Pazzo Cavalcanti, de quem parece derivar-se-iam os Cavalcantis de Nápoles e, penso, do Brasil. Grande poeta — eis um de seus sonetos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Io non pensava che lo cor giammai&lt;br /&gt;Avesse di sospir’ tormento tanto,&lt;br /&gt;Che dell’anima mia nascesse pianto&lt;br /&gt;Mostrando per lo viso agli occhi morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Non sent’o pace né riposo alquanto&lt;br /&gt;Poscia ch’Amore e madonna trovai,&lt;br /&gt;Lo qual mi sisse: — tu non camperai,&lt;br /&gt;Ché troppo è lo valor di costei forte —.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;La mia virtù si part’o sconsolata&lt;br /&gt;Poi che lassò lo core&lt;br /&gt;A la battaglia ove madonna è stata:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;la qual degli occhi suoi venne a ferire&lt;br /&gt;in tal guisa, ch’Amore&lt;br /&gt;ruppe tutti miei spiriti a fuggire.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O segundo personagem é quase contemporâneo a seu homônimo, o nosso Giovanni di Lorenzo Cavalcanti. Pois este nasce em 1480 e morre em 1542. Seu primo, o — também — humanista Giovanni di Niccolò di Giovanni di Amerigo Cavalcanti, nasce em Florença em 1444, e lá morre, moço ainda, em julho de 1497. Sobrinho de Lorenzo de’ Medici il Popolano, porque sua tia Ginevra, irmã de seu pai, casou-se com aquele pallesco em 1416, Giovanni di Niccolò foi grande amigo de Marsilio Ficino, e  partidário de Savonarola. Teve breve carreira política: foi prior em 1488, e ainda em 1497, é um dos embaixadores de Florença a Carlos VIII da França, que os encntra em Sarzana. Enquanto preso por se haver recusado a pagar certo imposto em Florença, começou a escrever suas Istorie Fiorentine, que só serão publicadas em 1838.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Filippo di Giovanni Cavalcanti no Brasil, de 1560 até algo antes de 1614. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Primeiro vamos ver o que dele conta Scipione Ammirato, na sua&lt;span style="font-style: italic;"&gt; Istoria della Famiglia de’ Cavalcanti :&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Filippo di Giovanni Cavalcanti, irmão [de Guido e de Schiatta] foi grandíssimo homem, que por volta do ano de 1550 partiu de Florença e andou no reino de Portugal, em Lisboa, e de lá passou ao reino do Brasil, distante de Portugal três mil milhas pelo mar, e chegou na cidade de Pernambuco, à vila de Olinda no dito reino, no qual se fazem grandíssimas quantidades de açúcar, e se tornou rico. Se aparentou [casou-se] com a senhora D. Catarina, filha do senhor Jerônimo de Albuquerque, nobilíssimo senhor, de família nobre do reino de Portugal e Brasil. Da qual recebeu alguns engenhos de refinar açúcar, e com seu engenho e modo tornou-se riquíssimo, e naquele país, grandíssimo homem, que adquiriu [boas] graças com aquele povo, e governou com seu engenho, porque tinha grande cabeça, todo aquele estado com grandíssima satisfação geral daqueles povos, que o estimavam grandissimamente, e teve muitos filhos, Jerônimo, João, Lourenço, Filipe, que viveram naquele reino honradamente, e não tiveram sucessão todos porque naquele reino se usa que o filho maior é o verdadeiro herdeiro, e lhes toma todos os bens do pai como morgado, e é obrigado a apoiar os outros irmãos. Este foi Antonio, que nasce por volta do ano de 1560, e teve descendência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Corrigi os nomes próprios, e noto que Ammirato faz referência indireta ao fato de Filippo Cavalcanti ter sido lugar-tenente do donatário de Pernambuco, isto é, o segundo homem da capitania.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pereira da Costa vai na mesma direção que Ammirato:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;… como faz também o capitão loco-tenente de Jorge de Albuquerque [donatário da capitania] que é Felipe Cavalcanti…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da documentação coetânea sabe-se que Filipe Cavalcanti foi lugar-tenente — segundo em comando — na capitania de Pernambuco ao menos entre 1588 e 1590, e possivelmente durante um período mais extenso. Segundo Pereira da Costa, Filipe Cavalcanti já residia em Pernambuco em 1566. E era rico:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Efetivamente, faustoso tratamento tinha Filipe Cavalcanti em Pernambuco. Filipe Sassetti, comerciante e viajante florentino de fins do século XVI, em interessantes cartas relativas ao comércio dos portugueses no oriente, fornece preciosas indicações sobre o seu compatriota Cavalcanti. Sobre o que escreve Sassetti, e pelo que se lê em trabalhos históricos sobre o desenvolvimento de Pernambuco, Filipe Cavalcanti possuía vários engenhos de açúcar, dispunha de extensos territórios e de muitos escravos, montava cavalos de raça ricamente ajaezados, organizava e tomava parte em cavalhadas e torneios públicos, vestia-se com grande distinção e elegância, orçando as suas despesas anuais em perto de oito mil escudos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os engenhos de Filipe Cavalcanti, nomeadamente Santa Rosa, Santana e Utinga, estavam situados numa légua de terra em quadra, que lhe concedera o segundo donatário Duarte Coelho de Albuquerque, situada no Cabo de Santo Agostinho, e pegadas com as terras de João Pais Barreto, correndo ao longo da ribeira do Arassuagipe, tanto da banda da dita ribeira como da outra, cujas terras foram judicialmente demarcadas em 12 de outubro de 1580.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Filipe Cavalcanti morreu em avançada idade, antes do ano de 1614 em que faleceu sua viúva, e foi sepultado na capela de S. João da igreja matriz do Salvador de Olinda, hoje catedral, da qual eles eram os seus padroeiros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Filippo di Giovanni Cavalcanti casou-se, provavelmente entre 1560 e 1565, com Catarina de Albuquerque, nascida cerca de 1545, filha de Jerônimo de Albuquerque e de Maria do Arcoverde, a índia que a tradição quer filha do cacique Arcoverde. Deles falo depois. Agora vou falar dos filhos de Filippo e Catarina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foram: Diogo, falecido menino (seu nome deve lembrar os Jacopos da linha paterna de Filippo); Antonio Cavalcanti de Albuquerque, o herdeiro; Lourenço Cavalcanti de Albuquerque, governador de Cabo Verde depois de ter sido comandante de tropas portuguesas nas lutas contra os holandeses na Bahia, onde casou e teve descendência (o nome lembra o avô paterno de Filippo); Jerônimo Cavalcanti de Albuquerque; Filipe Cavalcanti de Albuquerque, o qual teria falecido de pouca idade; D. Genebra de Albuquerque, D. Joana Cavalcanti, solteira; D. Margarida de Albuquerque; D. Catarina de Albuquerque, D. Filipa de Albuquerque, D. Brites de Albuquerque — esta, solteira também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;D. Margarida de Albuquerque — dou-lhes, às senhoras acima, o dona porque assim o faz a tradição, mas não sei se o tinham ou usavam — casou com João Gomes de Mello, sr. do Trapiche do Cabo de Santo Agostinho. Casou novamente D. Margarida com Cosme da Silveira. Do casamento com João Gomes teve uma filha sabida, D. Anna Cavalcanti, que em 1618 casou com Gaspar Acciaioli de Vasconcellos, madeirense, como já dissemos. João Gomes de Mello era filho de um homônimo, e de Anna de Holanda, filha de Arnal de Holanda, personagem misterioso, de quem falo agora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Noto, enfim, que Filippo Cavalcanti foi, duas vezes, denunciado à inquisição. Uma primeira vez porque possuía uma bíblia “em linguagem,” isto é, uma bíblia em latim. A segunda vez, por práticas homossexuais, práticas que eram algo corriqueiras na Florença dos séculos XV e XVI. Alessandro de’ Medici, Duque de Florença, e seu primo e assassino, Lorenzaccio de’ Medici, costumavam repartir a cama, com ou sem parceiras do outro sexo junto a eles. E Santo Antonino, que dirigiu a diocese de Florença no período, costumava verberar contra a sodomia, tanto hétero quanto homossexual, praticada pelos adolescentes e jovens florentinos; no caso da heterossexual, ou como método anticoncepcional ou como forma de preservar uma virgindade, digamos,  técnica. Pregou sem grande sucesso. No Brasil, mergulhado na cultura religiosa da Ibéria, bem menos tolerante, denunciaram-no, ao nosso Filippo, à inquisição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Os Albuquerques. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os Albuquerques de Jerônimo de Albuquerque, sogro de Filippo Cavalcanti, eram os chamados Gomides Albuquerques, porque descendentes do casamento, trágico, de D. Leonor de Albuquerque e de João Gonçalves de Gomide.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;João Gonçalves, homem rico, era de nobreza muito recente. O pai, Gonçalo Lourenço de Gomide, tão ou mais rico, esteve em 1415 em Ceuta acompanhando D. João I; diz-se que levou-lhe quatrocentos homens armados para a empresa. Foi recompensado: o próprio rei armou-o cavaleiro, e depois fez a Gonçalo Lourenço, senhor de Vila Verde dos Francos. Foi também — nome delicioso, que já não nomeiam cargos burocráticos com tal espírito — escrivão de puridade, ou seja, secretário particular, de D. João I.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O filho, João Gonçalves de Gomide, foi igualmente senhor de Vila Verde e escrivão de puridade do rei. Casou-se na boa nobreza de Portugal com D. Leonor de Albuquerque, filha de Gonçalo Vaz de Mello, senhor de Castanheira, Povos e Cheleiros, e de D. Izabel de Albuquerque. Aí aconteceu a tragédia: nalgum momento antes de 1437, João Gonçalves de Gomide assassina a mulher. É preso, condenado, e degolado em alto cadafalso em Évora. Aos órfãos de pai e mãe, determina-se que tomem o nome da mãe como apelido de família, e se lhes nomeia um tutor e curador, isso em 24 de março de 1437.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O filho primogênito, Gonçalo de Albuquerque, 3o. senhor de Vila Verde, segundo carta de 2 de abril de 1454, foi o pai, entre outros, do grande Afonso de Albuquerque, o conquistador da Índia. Um filho segundo foi João de Albuquerque, chamado o Azeite, senhor de Esgueira (carta de 18 de dezembro de 1454). Foi o pai de Lopo de Albuquerque, dito o Bode, casado com D. Joana de Bulhão, filha de Afonso Lopes de Bulhão, um burguês lisboeta. E estes, pais de Jerônimo de Albuquerque, cognominado o Torto, que veio para Pernambuco em 1535 com seu cunhado Duarte Coelho, casado com a irmã de Jerônimo, D. Brites de Albuquerque.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da descendência de Jerônimo de Albuquerque, falo em oportunidades outras; a seguir, conto aquela que passa pelos Cavalcantis. Teve filhos com índias, uma das quais os cronistas chamam Maria do Arcoverde, que seria filha de um cacique, Arcoverde, e depois, casando-se porque obedecia a ordens da rainha de Portugal, D. Catarina, fê-lo com D. Filipa de Melo e São Payo. São, estes, em boa parte, os Albuquerques Mellos; os ramos descendentes das índias são os Albuquerques Maranhões, os Fragosos de Albuquerque, entre outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Holandas: judeus ricos?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há uma lenda confusa e inverificável cercando o ancestral primeiro dos Holandas em Pernambuco, Arnal de Holanda, casado com Brites Mendes a velha. Seria Arnal de Holanda filho de um certo Hendrick van Rhijnburg (Rheinburg, na forma alemã), barão batavo, casado com Margrete Florenz, irmã do papa Adriano VI, Adriaan Florenz-Dedel. Só que, para começar, o barão não se consegue documentar de jeito nenhum, e o papa Adriano VI, que reinou um ano, de 1522 a 1523, não teve irmãs, só dois irmãos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos documentos quinhentistas em que comparece, Arnal de Holanda nada fala sobre seus pais. Sua mulher era notoriamente judaizante, Brites Mendes “a velha,” conforme testemunhos no pedido de ingresso na ordem de Cristo de José Gomes de Mello, que dela descendia. Mas havia em Portugal, na virada do século XV para o século XVI, uma família de Holandas, muito rica, de comerciantes abastados e muito viajados. Que eram judeus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vamos ver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 15 de julho de 1561, Diogo de Holanda, “o Salomão,” se apresenta à inquisição. É dado como filho de dois judaizantes, Jacob de Holanda e Leonor Mendes (citada nos nobiliários como Cosma, e apelidada a Dona Rica). Nascera Diogo de Holanda, o Salomão, em 1535.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 5 de setembro de1561, Francisco Jácome, irmão de Diogo, recebe armas (devo dizer, recebe-as surpreendentemente). Sem que se diga o motivo, nessas armas o primeiro partido reproduz o quartel principal das armas do papa Adriano VI. No texto da carta d'armas não consta sua filiação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse meio tempo entram em cena parentes afins dos Holandas portugueses, os Lins ou Linz von Dorndorf, fidalgos alemães, cristãos, banqueiros de Ulm, riquíssimos e prepostos em Portugal dos Fugger, de Augsburg. Em 1564, Maximiliano II, majestade cesárea, envia carta a D. Sebastião, pedindo-lhe que atenda aos pleitos de seu vassalo Sebald Linz. Sebald Linz é genro de Francisco Jácome, supra, e portanto sobrinho afim do judaizante Diogo de Holanda. E o filho de Sebald Linz, neto de Francisco Jácome, chamado Bartolomeu Jácome Linz, casa-se com Joana de Gois e Vasconcelos, filha de Arnal de Holanda e de Brites Mendes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dois dados são relevantes aqui, me parece. Diogo “Salomão,” tio de Jácoma Mendes, mulher de Sebald Linz, apresenta-se espontaneamente à inquisição e é dispensado. Sebald Linz é personagem com influência suficiente para obter da majestade cesárea uma carta em seu favor, em que é dado como vassalo do imperador. São com certeza comerciantes ricos e influentes, esses Holandas e Lins. Mais uma coisa: Bartolomeu Jácome Lins vive em Lisboa. Por que vai ao Brasil buscar uma mulher para se casar, se não fora devido a parentesco e às práticas endogâmicas dessa gente?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho para mim que Arnal de Holanda era também filho de Jacob de Holanda, dito “Jácome” de Holanda. Judaizante, casado com Brites Mendes, que, penso, era irmã ou sobrinha de Cosma Mendes, ou Leonor Mendes, a Dona Rica. Vieram para o Brasil para fugir à inquisição, que devia pesteá-los constantemente. Os que ficam em Portugal devem ter negociado — e pago bem — a carta de brasão de 1561, que lhes limpa o sangue e apaga o passado judeu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Descendência de Filippo Cavalcanti no Brasil. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Existiu uma linha varonil, descendente de Filippo Cavalcanti, a família Cavalcanti de Albuquerque e Lacerda, que persistiu até começos do século XX. Mas os ramos de presença notável na história do Brasil são duas linhas com várias quebras na varonia Cavalcanti (isso é gíria de genealogista; quero dizer, uma sucessão de homens e mulheres, mas todos mantendo o nome Cavalcanti).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São a linha dos Suassunas, e a linha dos Pires de Carvalho e Albuquerque, antes Pires de Carvalho Cavalcanti de Albuquerque, na Bahia. Sobre esta última já escrevi, de modo que, nesta nota, vou ficar nos Cavalcantis de Albuquerque do engenho Suassuna, em Pernambuco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Catarina de Albuquerque, filha de Filippo Cavalcanti e de sua mulher, a primeira Catarina de Albuquerque, casou-se com Cristóvão de Holanda e Vasconcelos, falecido em 1614, filho de Arnal de Holanda e de Brites Mendes — que nunca aparece nos documentos contemporâneos à sua vida, como Brites Mendes de Vasconcelos, de modo que não sei de onde lhes chega este apelido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Filho segundo do casal Catarina e Cristóvão foi Cristóvão de Holanda e Albuquerque, vereador em Olinda em 1651. Casou-se com Catarina da Costa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pais de João Cavalcanti de Albuquerque, senhor do engenho Apoá, vereador em Olinda, ouvidor-geral da capitania de Pernambuco, feito cavaleiro-fidalgo da casa real em 1713. Casou-se com D. Isabel da Silveira de Castelo Branco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi filho dos precedentes Cristóvão de Holanda Cavalcanti, casado com a parenta D. Paula Cavalcanti de Albuquerque.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tiveram a Antonio Cavalcanti de Albuquerque, casado com D. Maria Manuela de Melo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A filha do casal, D. Ana Cavalcanti, casou-se com o coronel Francisco Xavier Bernardes; seus descendentes, no entanto, todos, mantêm o sobrenome Holanda Cavalcanti de Albuquerque. Diversas linhas saem deste casamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A linha primogênita vem do capitão-mor Francisco Xavier Cavalcanti de Albuquerque, casado com D. Filipa Cavalcanti de Albuquerque, e pais do Coronel Suassuna, na verdade brigadeiro (general), José Francisco de Paula de Holanda Cavalcanti de Albuquerque.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deles falo mais adiante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas José Francisco foi avô de um grande de Espanha, Don José de Cavalcanti de Albuquerque y Padierna, Marqués de Cavalcanti, com grande descendência na nobreza espanhola. Sua irmã D. Ana Maria Francisca Cavalcanti de Albuquerque, nascida em Madrid em 1838, e falecida em Bruxelas em 1890, casou-se com Jules de Villeneuve, Conde de Villeneuve pela Santa Sé (“conde do Papa”), com descendentes na mais rebrilhante nobreza do Almanach de Gotha, os Condes Schlitz zu Görtz, altezas ilustríssimas, e os príncipes de Sayn-Wittgenstein, altezas sereníssimas.&lt;br /&gt;Ainda filha de Francisco Xavier Bernardes e de D. Ana Cavalcanti, foi D. Maria Ana Francisca Cavalcanti de Albuquerque, casada com Francisco do Rego Barros, e pais de outro Francisco do Rego Barros, Conde da Boa Vista, com cuja biografia começamos este capítulo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Os Suassunas e sua Academia. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi um fenômeno interessantíssimo: radicais republicanos no interior de Pernambuco, em fins do século XVIII e começos do XIX; radicais de origens aristocráticas. E, enfim, autoritários quando chegam ao governo e passam a exercê-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na Academia Suassuna, em Jaboatão dos Guararapes, Luiz de Paula e Francisco de Paula de Holanda Cavalcanti de Albuquerque, membros de uma célula maçônica que existia no engenho dos Suassunas desde 1790, concebem projetos políticos mirabolantes. Em 1816, por exemplo, chegam a pensar no resgate de Napoleão Bonaparte, então prisioneiro em Santa Helena, para que chefiasse um império que teria Pernambuco em seu centro. As ideologias da revolução pernambucana de 1817, e depois, a da Confederação do Equador, em 1824, surgiram no grupo dos Suassunas; eram visões políticas republicanas, mais perto das idéias norte-americanas que daquelas da revolução francesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A revolução de 1817 começou num incidente banal, de tropa, que precipitou a ação dos conjurados. Em 6 de março de 1817 os revolucionários tomam o poder e nomeiam um governo provisório, aclamando presidente a Domingos Teotônio Jorge, e tendo como seus ministros ao padre João Ribeiro, a Correia de araújo, José Luiz de Mendonça, e Domingos José Martins. O levante durou setenta e quatro dias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O governador legal da província, Caetano Pinto de Miranda Montenegro, capitulou imediatamente e sem resistência. Mas tropas mandadas da Bahia, sob o comando de Luiz do Rego Barreto, depois premiado com o título de Marquês de Ferraz do Lima, reprimiram brutalmente o levante. Luiz do Rego fez executar aos dois Domingos, a José de Barros Lima, José Luiz de Mendonça, aos padres Miguelinho e Roma. Enforcado domingos Teotônio Jorge, a pedido de D. Carlota Joaquina, decapitou o cadáver, salgou sua cabeça, e enviou-a ao Rio, para que sua majestade a visse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ressentimento enorme contra essa repressão impiedosa estourou em 1824, quando do movimento da Confederação do Equador. Tudo explodiu depois que D. Pedro I dissolveu a assembléia constituinte. O Marquês do Recife, Paes Barreto, que presidia a junta governativa, demite-se, e é substituído por Manuel de Carvalho Paes de Andrade, eleito pelo povo do Recife. O movimento foi reprimido pelo pai de Caxias, Francisco de Lima e Silva, que fez executar os chefes, incluindo-se aí o frei Caneca, antes um panfletário que um conspirador ativo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma nota final: em 1972, o governo do general Médici — sem parentesco algum à família histórica florentina, noto, nem parentesco nem similaridade de comportamento — fez repatriar os ossos de Pedro I, como parte das celebrações do século e meio da independência. Veio o caixão de Lisboa num boeing 707, cuja autonomia de vôo exigia uma parada no Recife para reabastecimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que se segue me foi contado por um historiador alagoano: resolveram aproveitar a parada para fazer um velório do imperador que havia reprimido a conjura de 1824. O governador, acho que Moura Cavalcanti, fechou o Palácio das Princesas, e disse, aqui ele não entra. Na assembléia legislativa, o mesmo. Tentaram o Instituto Histórico, pior ainda. Acabaram forçando o velório dos restos de Pedro I nalgum salão oficial. Me completou o historiador meu amigo: jogaram até bomba contra o caixão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi assim que me contaram. Sobre o que aconteceu mesmo, não adianta procurar nos jornais, já que a censura do tempo do Médici era total. Portanto, passo como me foi dito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Muito agradeço à Profssa. Cinzia Sicca, que me passou detalhes da genealogia dos Cavalcantis e de sua prosopografia. Este texto foi extraído de meu livro &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Italianos no Brasil Colonial&lt;/span&gt;, no prelo pela Editora Revan. &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5585094901893319171-8576937166623962700?l=famadoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://famadoria.blogspot.com/feeds/8576937166623962700/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5585094901893319171&amp;postID=8576937166623962700' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5585094901893319171/posts/default/8576937166623962700'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5585094901893319171/posts/default/8576937166623962700'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://famadoria.blogspot.com/2008/01/cavalcantis.html' title='Cavalcantis.'/><author><name>Francisco Antonio Doria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16243520355535324710</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5585094901893319171.post-2912846454183293213</id><published>2008-01-10T21:24:00.000-02:00</published><updated>2008-12-09T06:42:26.228-02:00</updated><title type='text'>A família da Maia</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/__h2bPbXvmCw/R4cPN-z1Z6I/AAAAAAAAAJg/QQvXBA7Yx-0/s1600-h/DC229A1.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://2.bp.blogspot.com/__h2bPbXvmCw/R4cPN-z1Z6I/AAAAAAAAAJg/QQvXBA7Yx-0/s320/DC229A1.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5154105031421945762" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;A família da Maia — os Abunazares, senhores da terra da Maia entre os séculos X e XIII — são obviamente de origem árabe, ao menos em parte. Vou mais longe: tenho desde muito afirmado que os senhores da Maia descendem de Maomé, profeta do Islã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se vocês querem saber como, vejam meu livro (inacabado), que postei em meu outro blog,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;http://famadoria.googlepages.com/franciscoantoniodoria&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O link direto está &lt;a href="http://famadoria.googlepages.com/maia100108.pdf"&gt;aqui&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na imagem a página do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Liber Testamentorum &lt;/span&gt;de Lorvão no qual se vê, como primeiro confirmante, um Yahia al-Hasani (descendente direto de Maomé), e diversos al-Umawi (omíadas). O documento tem a data segundo o calendário árabe. (Imagem com copyright dos Iantt.)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5585094901893319171-2912846454183293213?l=famadoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://famadoria.blogspot.com/feeds/2912846454183293213/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5585094901893319171&amp;postID=2912846454183293213' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5585094901893319171/posts/default/2912846454183293213'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5585094901893319171/posts/default/2912846454183293213'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://famadoria.blogspot.com/2008/01/famlia-da-maia.html' title='A família da Maia'/><author><name>Francisco Antonio Doria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16243520355535324710</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/__h2bPbXvmCw/R4cPN-z1Z6I/AAAAAAAAAJg/QQvXBA7Yx-0/s72-c/DC229A1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5585094901893319171.post-4380355672816253528</id><published>2008-01-06T11:39:00.000-02:00</published><updated>2008-01-06T11:43:30.988-02:00</updated><title type='text'>A Praia da Joaquina (II)</title><content type='html'>Tá dando polêmica. Mas como a história do nome vem de minha avó, neta da própria Joaquina, não vejo por que duvidar. Abaixo a troca de msgs recente, numa lista catarinense.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-----------------------------------------&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Norberto,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;O próprio barão foi senador por SC. Essa história, como te disse, me veio de minha avó, de solteira Herminia Gomes de Mattos Cresta (1888-1977), que a ouviu da própria Joaquina, sua avó materna. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Por enquanto é só um testemunho precário, mas já apurei que a família do barão tinha terras ao norte de Laguna. Estamos a 100 km de lá; vamos nos aproximar...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;(Sobre distâncias: a ascendência carioca de minha avó, Gomes de Mattos, possuía terras em Inhomirim na Raiz da Serra, ao pé da estrada velha de Petrópolis, mas só realizava seus casamentos etc no Rio, na Candelária e na Sé, a 60 km de distância; Valério Gomes da Silveira, pai do Dr. Filipe Gomes de Mattos, avô do genro do Laguna, vivia mais longe ainda, a 100 km, numa sesmaria aqui a 30 km de Petrópolis, na Posse, mas também aparece é na documentação do centro do Rio.)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Obrigado pelo retorno. Vou tentar esclarecer isso de vez. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;fa&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;--- Em cafe_scgen@yahoogrupos.com.br, "Ungaretti" &lt;adv.ungaretti@...&gt; escreveu&lt;/adv.ungaretti@...&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&gt;    Prezado Dória:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&gt;                   Quanto sei, nenhum descendente do Barão de Laguna morou em Santa Catarina. A hipótese de ser devida a uma sua filha a denominação da Praia da Joaquina não tem sustentação em nenhum fato nem jamais por aqui foi aventada. A  lembrança da Joaquina que deu nome à praia perdeu-se no tempo. É uma Joaquina, simplesmente, moradora do lugar, provavelmente. Nunca se saberá ao certo. Aqui já se disse uma vez que se tratava de d. Joaquina Ananias, mãe de Hercílio Luz. Tudo conjectura sem pé nem cabeça. Outro dia um descendente de Jerônimo Coelho referiu-se a informações de sua avó (neta do grande catarinense) de que Lauro Müller fôra muito ajudado por Jerônimo. Poderia até ser verdade, não fosse um detalhe: quando Lauro Müller nasceu (1864), J.Coelho já tinha morrido (1860)...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&gt;                          Abraço,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&gt;                                       Norberto Ungaretti&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&gt; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&gt; ----- Original Message ----- &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&gt;   From: Francisco Antonio Doria &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&gt;   To: cafe_scgen@yahoogrupos.com.br &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&gt;   Sent: Tuesday, January 01, 2008 9:51 AM&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&gt;   Subject: [cafe_scgen] Re: A Joaquina da praia&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&gt; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&gt; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&gt; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&gt;   Paulo,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&gt; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&gt;   Minha avó, que contou essa história, morreu em 77, eu já bode velho.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&gt;   Era neta materna da Joaquina dita da praia, com quem conviveu. Deve&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&gt;   ter ouvido a coisa da fonte. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&gt; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&gt;   Provavelmente a coisa se esclarece quando conhecermos a estrutura&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&gt;   fundiária da área, naquele tempo. No momento sei que a família do&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&gt;   Laguna tinha terras a uns 100 km de distância; muito longe, portanto. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&gt; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&gt;   Feliz 2008!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&gt; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&gt;   fa&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&gt; &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5585094901893319171-4380355672816253528?l=famadoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://famadoria.blogspot.com/feeds/4380355672816253528/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5585094901893319171&amp;postID=4380355672816253528' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5585094901893319171/posts/default/4380355672816253528'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5585094901893319171/posts/default/4380355672816253528'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://famadoria.blogspot.com/2008/01/praia-da-joaquina-ii.html' title='A Praia da Joaquina (II)'/><author><name>Francisco Antonio Doria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16243520355535324710</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5585094901893319171.post-8471427286751107346</id><published>2008-01-05T10:28:00.001-02:00</published><updated>2008-12-09T06:42:26.491-02:00</updated><title type='text'>Monizes e Meneses</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/__h2bPbXvmCw/R399Zuz1Z5I/AAAAAAAAAJY/7qW_C-kVDQQ/s1600-h/meneses00.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://1.bp.blogspot.com/__h2bPbXvmCw/R399Zuz1Z5I/AAAAAAAAAJY/7qW_C-kVDQQ/s320/meneses00.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5151974379750778770" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Os Meneses do Rio dos seiscentos provêm dos Monizes da ilha da Madeira, estes que são Monizes Barretos de Meneses. E carregam e carreiam um titulo de nobreza — para as mulheres que deles descendem. Todas. Pois as senhoras dos Monizes Barretos têm o Dom das senhoras, isto é, têm direito a se chamar (e serem chamadas) Dona:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Dom Joham cetera a quamtos esta minha carta virem faço&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt; saber que Vasco Martins Moniz morador na minha ilha da Madeira me enviou&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt; dizer que por ele ser filho de Vasco Martins Moniz e neto d'Amrique Moniz,&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt; alcaide mor que foi de Silves e de Dona Ines Barreta sua mulher e bisneto de&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt; Dona Isabel Pereira tamto que ele Vasco martins supricante casara com a filha&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt; de Tristão Teixeira, capitão de Machico, a dita sua mulher se chamara ate&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt; hora de dom pedindo me por mercê que por a ordenação nova sobre tal caso&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt; feita nam decrarar senão que as mulheres podessem tomar dom de suas mães ou&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt; sogras se lhe pertencessem de direito às ditas mães e sogras e de ele ser&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt; bastardo lhe prouvesse a elle e visto por mim o seu requrimento querendo-lhe&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt; fazer mercê pelo da Excelente Senhora minha muito amada e prezada prima que&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt; me isto por ele pediu hei por bem que a mulher do dito Vasco martins se possa&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt; chamar e chame de dom como se chamava antes da dita ordenação nova e te ora&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt; se chamou sem embargo de a dita ordenação nam decrarar se pode a mulher tomar&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt; dom da avo de seu marido e sendo bastardo (carta de&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt; 16.1.1526).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;(Leitura de Miguel Corte Real, que me comunicou o texto.) Esse tratamento de Dona das senhoras desses Monizes Barretos vinha de uma antepassada Pereira, família que usava o Dom e o Dona desde meados do século XIV.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os Monizes Barretos de Meneses, no Rio, descendem de Vasco Martins Moniz, citado no texto acima, † 1510, filho de Henrique Moniz e de D. Inês Barreta. Do terceiro casamento de Vasco Martins Moniz, com D. Joana Teixeira, filha de Lançarote Teixeira e neta de Tristão Vaz, co-descobridor da Madeira, foi filho Henrique Moniz de Meneses, † 1555.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do segundo casamento deste Henrique, com D. Inês Gramacho, † 1562, nasceu e.o. Antonio Moniz Barreto (1542-1586). Este se casou com D. Maria Teixeira, † 1610.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre outros tiveram à filha D. Antonia de Meneses, n. 1576, e casada em 1591 com Fernão Lopes Lobo, filho de Francisco Fernandes e de sua mulher Maria Henriques Loba.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pais de, entre outros, Antonio Moniz Barreto e Diogo Lobo Teles. Ver em seguida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Volto ao Rio do século XVII.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há duas D. Isabel de Meneses, nas datas em que deve ter nascido a D. Isabel de Meneses  (c. 1630):&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— D. Isabel de Meneses, bat. Sé em 15.3.1627, filha de Diogo Lobo Teles e de s.m. (casados em 1624), D. Maria da Silveira — parente dos Toledos da Silveira, da outra linha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— D. Isabel de Meneses, bat. Sé em 27.6.1632, filha de Antonio Moniz Barreto, irmão de Diogo Lobo Teles, e de sua segunda mulher D. Antonia de Mariz. A primeira mulher fora D. Maria Cabral, † 1628 no Rio, filha de Aleixo Manuel o moço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me parece que D. Isabel, casada com João de Faria Evangelho, era esta segunda, devido ao contraparentesco entre os dois. Antonia de Mariz era filha de Antonio Mariz, o moço, e de Paula da Cunha, e neta do primeiro Antonio de Mariz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma observação final: uma neta de Antonio Moniz Barreto casou-se com Rodrigo de Freitas Castro, de quem veio o nome da Lagoa, no Rio, Lagoa Rodrigo de Freitas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ponho como ilustração as armas dos Meneses, conforme aparecem no &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Livro do Armeiro-Mor. &lt;/span&gt;(Os direitos da imagem pertencem ao IANTT.) Descrevendo: de ouro, tauxiado, pleno. Timbre (falta): uma donzela vestida, de sua cor e carnação, segurando nas mãos preso por um troçal um escudete das armas.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5585094901893319171-8471427286751107346?l=famadoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://famadoria.blogspot.com/feeds/8471427286751107346/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5585094901893319171&amp;postID=8471427286751107346' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5585094901893319171/posts/default/8471427286751107346'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5585094901893319171/posts/default/8471427286751107346'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://famadoria.blogspot.com/2008/01/monizes-e-meneses.html' title='Monizes e Meneses'/><author><name>Francisco Antonio Doria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16243520355535324710</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/__h2bPbXvmCw/R399Zuz1Z5I/AAAAAAAAAJY/7qW_C-kVDQQ/s72-c/meneses00.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5585094901893319171.post-6880047808687284248</id><published>2008-01-05T09:05:00.000-02:00</published><updated>2008-01-07T04:45:36.904-02:00</updated><title type='text'>Os Ribeiros de Souza</title><content type='html'>São antigos no Rio. Documentam-se desde princípios do século XVII.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;I. &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Máximo Ribeiro de Souza. &lt;/span&gt;N.c. 1620. Casou com Maria de Barros. Pais de:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2. &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Manuel Ribeiro de Souza. &lt;/span&gt;Deve ter nascido c. 1650. Casou em 9 de maio de 1678 no Rio, na Sé. Sua mulher foi D. Antonia de Meneses, bat. na Candelária em 28 de maio de 1653; o falecimento, ocorrido em 18 de abril de 1713, está registrado na Sé — D. Antonia casou-se duas vezes, tendo sido Manuel o primeiro marido. Era filha de João de Faria Evangelho e de D. Isabel de Meneses, ele sendo da família de Aleixo Manuel, e ela dos Monizes Barretos de Meneses, da ilha da Madeira, donde lhe vinha o Dona. Pais de:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3. &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Agostinho Ribeiro de Souza. &lt;/span&gt;Primeiro do nome; casou com Bernarda de Peralta, cujos pais desconhecemos. Pais de:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4. &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Agostinho Ribeiro de Souza. &lt;/span&gt;Segundo do nome, nasceu em 1724. Casou-se com Clara Maria da Motta, n. 1730, filha de Bartolomeu Gomes de Andrade, dado como sargento, bat. em 1700, e de Tomásia dos Banhos da Motta, bat. 1707, da família de Antonio de Mariz, como já mostrei. Pais de:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5. &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Clemente José Ribeiro de Souza. &lt;/span&gt;N. em 1750. Desse sabemos mais. Casou duas vezes, como consta do assento de seu segundo casamento:  era viúvo de Teresa Antonia de Jesus, nascera no Rio, Candelária, filho de Agostinho de Souza e Clara Maria “de Mattos” no assento. Casou-se no Rio (Sacramento 2º/95v) em 18 de agosto de 1805 com Laureana Florinda Nayth n. freguesia de São Mateus, ilha do Fayal, filha natural de Tomásia Francisca. Foram testemunhas do casório: Dr.Teodoro Ribeiro de Paiva e Tomaz Pedro Cotrim de Almeida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eram pobres, estes Ribeiros de Souza. Pobres mas educados. Clemente José teria sido organista da igreja de S. Francisco de Paula, no Largo de S. Francisco. Dele Rodrigo Estrella descobriu um documento em que pede uma pensão a D. João VI:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;(1817) Diz Clemente José Ribeiro que requerendo a Vossa Majestade Fidelíssima não tanto pelos serviços prestados por seu avô materno Bartolomeu Gomes de Andrade obrados em mais de 62 anos e de seu pai Agostinho de Souza em mais de 34 julgados por sentença do Conselho da Real Fazenda, como dos que também prestou o suplicante no Esquadrão de Cavalaria, no Regimento de Infantaria Miliciana, ter recolhido nos reais cofres 14:754$840 e de estar no exercício atual do Depósito Geral de Contrabandos e Descaminhos aos Reais Direitos, mas sim por graça especialíssima, e por se achar já na avançada idade de 67 anos, acabrunhado de moléstias, com obrigação de mulher e filhas, suplicou a Vossa Majestade pela sua Real Benignidade sem limite haver por bem comiserar-se das ditas suas filhas conferindo para a subsistência delas a supervivência de um ofício, ou qualquer outro benefício que a Vossa Majestade parecesse adequado. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;        Foi Vossa Majestade servido pela sua costumada clemência e por despacho de 14 de janeiro do presente ano de 1817 haver por bem fazer mercê ao suplicante de uma tença efetiva de 40$R como consta do documento junto e por que a suplica que fez a Vossa Majestade foi logo para três filhas Honoria, Bernarda e Hermenegilda torna o suplicante a pedir a Vossa Majestade por piedade e pela Feliz e Real Aclamação haja por bem de conferir a mesma graça dos serviços de seu avô e pai para as ditas suas três filhas e ainda a respeito do que o suplicante também prestou como tudo se acha legalmente especificado no requerimento, documento e sentença que ajuntou pela secretaria de estado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Foram os pais de Bernarda Florinda Nayth ou Naite (seria Knight? Night?), n. no Rio em 1805 (Sacramento) e fal. em 12 de outubro de 1844, no largo de S. Francisco de Paula. Sepultada na ordem 3a. do Carmo. Casou em 1 de setembro de 1826 com o comendador Antonio Gomes de Mattos, sr., capitão em 1826 e comendador em 1848.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse Antonio Gomes de Mattos, sr., era um homem de posses. Eis os documentos que sobre ele levantou Rodrigo Estrella:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Requerimentos de ordens honoríficas, que foram aceitos: Ordem de Cristo, 2.08.1824 e Oficial da Ordem da Rosa, 7.09.1847:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— (1830) Diz Antonio Gomes de Mattos, Capitão da 1ª Companhia do 4° Regimento de Cavalaria de 2ª Linha do Exército que a elle, como Capitão mais antigo, coube a honra de comandar em pessoa a força do dito Reg. que fez parte do festejo do dia 17 de outubro do ano próximo passado, como mostra o atestado junto, nesta Província" (Guarda de Honra da Segunda Imperatriz no dia de seu desembarque).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— (1847) No Acantonamento de Vila Nova e Acampamento Brandão onde fez serviço com a Tropa de 1ª Linha que ali se reuniu por ordem de SMI o Senhor Pedro I Augusto Pai de Vossa Majestade Imperial por ocasião de insubordinação de tropa lusitana e oposição da mesma a Independência do Império.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Noutro documento há referência a ele ser proprietário e morador do engenho de açúcar  Taquaral em Maricá; junto carta laudatória do alcaide de Maricá.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5585094901893319171-6880047808687284248?l=famadoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://famadoria.blogspot.com/feeds/6880047808687284248/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5585094901893319171&amp;postID=6880047808687284248' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5585094901893319171/posts/default/6880047808687284248'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5585094901893319171/posts/default/6880047808687284248'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://famadoria.blogspot.com/2008/01/os-ribeiros-de-souza.html' title='Os Ribeiros de Souza'/><author><name>Francisco Antonio Doria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16243520355535324710</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5585094901893319171.post-1471552937770187365</id><published>2008-01-02T22:10:00.000-02:00</published><updated>2008-01-05T11:23:00.635-02:00</updated><title type='text'>Aleixo Manuel</title><content type='html'>Aleixo Manuel é outro dos neo-antepassados. E é tão interessante quanto Antonio de Mariz. Deve ter chegado ao Rio com Estácio de Sá. Aparece como oficial da câmara do Rio entre 1584 e 1609; entre os vereadores de 1588 é eleito juiz ordinário. (Tiro tudo isso de Elysio Belchior.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aleixo Manuel e sua mulher Francisca da Costa fundam, antes de 1596 — provavelmente pouco depois de 1580 — uma ermida onde logo depois se constroi o mosteiro de S. Bento, que a incorpora. Na ermida, em troca de uma doação, os padres beneditinos permitem que lá sejam enterrados os descendentes do casal Aleixo e Francisca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aleixo Manuel tinha também casas na rua que logo recebe seu nome, e que conhecemos hoje como rua do Ouvidor: é quem a abre e funda. Os documentos acompanham-no até 1619, quando teria oitenta anos, tendo então nascido em 1539 ou 1540.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não descendo dele, mas sim de uma sua irmã, Isabel de Faria. Casa-se esta com João Gonçalves Evangelho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pais de Antonio de Faria Albernaz (o nome de Aleixo era Aleixo Manuel Albernaz). Nascido no Rio c. 1595, faleceu em 1663 em Taubaté, SP. Casou com Catarina de Cisneiros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O filho, João de Faria Evangelho, n.c. 1620, casa com D. Isabel de Meneses, cuja ascendência muito nobre descrevo logo em seguida. O Dona, tratamento a que tinha o direito, era usado por todas as senhoras que descendiam da família dos Monizes Barretos de Meneses, como era o caso de D. Isabel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pais de D. Antonia de Meneses, batizada em 1653 na Candelária e falecida na mesma freguesia em 1713. Casou-se em 1678 com Manuel Ribeiro de Souza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pais de Agostinho Ribeiro de Souza (I), casado com Bernarda de Peralta; avós de Agostinho Ribeiro de Souza (II), n. 1724, casado com Clara Maria da Motta; e bisavós de Clemente José Ribeiro de Souza, n. 1750, casado com Lauriana Florinda Naite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pais, Clemente e Lauriana, de Bernarda Florinda Naite, mulher de Antonio Gomes de Matos Sr.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5585094901893319171-1471552937770187365?l=famadoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://famadoria.blogspot.com/feeds/1471552937770187365/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5585094901893319171&amp;postID=1471552937770187365' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5585094901893319171/posts/default/1471552937770187365'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5585094901893319171/posts/default/1471552937770187365'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://famadoria.blogspot.com/2008/01/aleixo-manuel.html' title='Aleixo Manuel'/><author><name>Francisco Antonio Doria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16243520355535324710</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5585094901893319171.post-5289105856587152155</id><published>2008-01-02T17:53:00.000-02:00</published><updated>2008-12-09T06:42:26.611-02:00</updated><title type='text'>A Praia da Joaquina</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/__h2bPbXvmCw/R3vsQOz1Z4I/AAAAAAAAAJQ/EyTI_FlwSiU/s1600-h/Joaquina_centro.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://3.bp.blogspot.com/__h2bPbXvmCw/R3vsQOz1Z4I/AAAAAAAAAJQ/EyTI_FlwSiU/s320/Joaquina_centro.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5150970362425862018" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Peguei a foto na Wikipedia; &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Praia_da_Joaquina"&gt;vão lá&lt;/a&gt;. &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Praia_da_Joaquina"&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5585094901893319171-5289105856587152155?l=famadoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://famadoria.blogspot.com/feeds/5289105856587152155/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5585094901893319171&amp;postID=5289105856587152155' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5585094901893319171/posts/default/5289105856587152155'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5585094901893319171/posts/default/5289105856587152155'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://famadoria.blogspot.com/2008/01/praia-da-joaquina.html' title='A Praia da Joaquina'/><author><name>Francisco Antonio Doria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16243520355535324710</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/__h2bPbXvmCw/R3vsQOz1Z4I/AAAAAAAAAJQ/EyTI_FlwSiU/s72-c/Joaquina_centro.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5585094901893319171.post-8727023457020432407</id><published>2008-01-02T08:55:00.000-02:00</published><updated>2008-01-03T15:24:46.180-02:00</updated><title type='text'>Antonio de Mariz (II)</title><content type='html'>Elysio Belchior fala que Antonio de Mariz, ou Marins, era neto de certo Lopes de Mariz, armigerado em 1534. No &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Nobiliário &lt;/span&gt;de Gayo, título “Marizes,” encontro no § 3, 14, um certo Antonio de Mariz, filho de Afonso Lopes de Mariz, com carta d'armas passada em 14.09.1534. Dá a referência: Livro dos Privilégios de 1535, a fls 29, v.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A carta d'armas está em Sanches de Baena, e nela se diz que este Antonio era neto de um Lopo (e não Lopes) de Mariz — logo, Elysio Belchior deu uma mixagem nos canais. O Antonio supra, de 1534, seria filho de Affonso Lopes de Mariz e neto de Lopo de Mariz; todos vivendo em Vila do Conde, mas sendo originários de Barcelos. Pode ser que o Antonio de Mariz que vive no Brasil seja filho do Antonio de Mariz armigerado em 1534.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Uma nota de hoje na portugal-gen afirma que o armigerado de 1534 era o próprio Antonio de Mariz. Pode ser, pela cronologia.)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5585094901893319171-8727023457020432407?l=famadoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://famadoria.blogspot.com/feeds/8727023457020432407/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5585094901893319171&amp;postID=8727023457020432407' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5585094901893319171/posts/default/8727023457020432407'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5585094901893319171/posts/default/8727023457020432407'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://famadoria.blogspot.com/2008/01/antonio-de-mariz-ii.html' title='Antonio de Mariz (II)'/><author><name>Francisco Antonio Doria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16243520355535324710</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5585094901893319171.post-3451603563993684899</id><published>2008-01-02T07:58:00.000-02:00</published><updated>2008-12-09T06:42:26.824-02:00</updated><title type='text'>Sangue negro</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/__h2bPbXvmCw/R3thjOz1Z3I/AAAAAAAAAJI/ZVQjBungBe8/s1600-h/TioDoria1.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://3.bp.blogspot.com/__h2bPbXvmCw/R3thjOz1Z3I/AAAAAAAAAJI/ZVQjBungBe8/s320/TioDoria1.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5150817856727115634" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Diocleciano da Costa Doria Filho, o “Tio Doria,” meu tio-avô, nasceu em Estância, SE, em novembro de 1870, e morreu no Rio em 1896. Era engenheiro civil, formado em 1895. Morreu de tuberculose.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem apessoado, brilhante, teve sua negritude explícita herdada da bisavó, D. Jacinta Clotildes do Amor Divino, consuetidunariamente casada com o cônego Antonio Luiz de Azevedo, † 1848, srs. do engenho Palmeira em Lagarto, Sergipe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois conto a história do caso de amor entre o cônego e D. Jacinta, meus tetravós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que isso mostra: sangue d'África me chega de todos os costados. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5585094901893319171-3451603563993684899?l=famadoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://famadoria.blogspot.com/feeds/3451603563993684899/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5585094901893319171&amp;postID=3451603563993684899' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5585094901893319171/posts/default/3451603563993684899'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5585094901893319171/posts/default/3451603563993684899'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://famadoria.blogspot.com/2008/01/sangue-negro.html' title='Sangue negro'/><author><name>Francisco Antonio Doria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16243520355535324710</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/__h2bPbXvmCw/R3thjOz1Z3I/AAAAAAAAAJI/ZVQjBungBe8/s72-c/TioDoria1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5585094901893319171.post-7306567917295089941</id><published>2008-01-01T20:49:00.000-02:00</published><updated>2008-01-02T09:52:57.039-02:00</updated><title type='text'>Dom Antonio de Mariz</title><content type='html'>Destes meus neo-antepassados, Dom Antonio de Mariz, ou melhor, Antonio de Marins Coutinho, é, junto com Aleixo Manuel, dos mais interessantes. Digo neo-antepassados porque só os conheci há uns meses, graças ao Rodrigo Estrella; com Acciaiolis e Dorias e Moraes convivi a vida toda. Com estas linhas de cariocas quatrocentões, quase quinhentões, estou ainda me habituando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;José de Alencar era mau historiador. Ou pouco passava, do que soubesse de história, para os romances. Para começar, nada de “Dom” Antonio de Mariz. Só Antonio de Marins Coutinho, sem o Dom. Poucas famílias, na verdade, levavam o Dom, então, em Portugal, além da casa real e de uns poucos titulares: um ramo dos Mascarenhas, os Costas do Armeiro-Mor, os Silveiras dos Barões de Alvito, Manuéis e ramos dos Mellos, ambos descendendo de diferentes bispos da Guarda, de quem tiraram o tratamento; alguns ramos dos Sousas do Prado; os Almadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era também mau heraldista. Cita, logo no começo de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;O Guarani, &lt;/span&gt;as armas dos Marizes ou Marins: seguindo as convenções da heráldica, estas são &lt;span style="font-style: italic;"&gt;de azul com cinco vieiras de ouro, em cruz, acompanhadas de quatro rosas de prata. Timbre: um leão de ouro, nascente. &lt;/span&gt;Bom, eis como Alencar blasona, confusissimamente, o mesmo escudo d'armas: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;em campo de azul cinco vieiras de ouro riscadas em cruz entre quatro rosas de prata sobre palas e faixas. (...) E por timbre um meio leão de azul com uma vieira de ouro sobre a cabeça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;Antonio de Marins Coutinho, o personagem histórico, morre em 1584, ou pouco antes, porque naquele ano é substituído como mamposteiro-mor dos cativos. Fora provedor da fazenda real no Rio, ao menos desde 1563. Alencar coloca as terras de Dom Antonio de Mariz à sombra do Dedo de Deus — cenário romântico — onde vai ser Teresópolis no século XIX, às margens do rio Paquequer. Antonio de Marins Coutinho tem terras nas margens da baía da Guanabara, pelo centro urbano carioca, e uma sesmaria na área dos rios Inhomirim e Saracuruna, pela Raiz da Serra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A família de Dom Antonio de Mariz, em &lt;span style="font-style: italic;"&gt;O Guarani, &lt;/span&gt;era formada pela mulher Dona Lauriana, pelo filho Dom Diogo, pela filha Dona Cecilia, e por uma bastarda, Dona Isabel. Na realidade histórica, Antonio de Marins Coutinho nasce em Barcelos antes de 1540; morre, segundo Rheingantz, numa emboscada de índios antes de setembro de 1584. Casou com Isabel Velha em Portugal, em Ponte de Lima; foi feito cavaleiro fidalgo da casa real em 18 de janeiro de 1578. &lt;/span&gt;&lt;span&gt;Chegara ao Rio em 1558, ou talvez um pouco antes. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span&gt;&lt;br /&gt;Tiveram filhos: o Dr. Diogo de Marins Loureiro, 2o. provedor da fazenda real no Rio; Antonio de Mariz, o moço; Isabel de Mariz ou Marins, que não era bastarda, casada com Crispim da Cunha Tenreiro; Maria de Mariz, casada com Tomé de Alvarenga; Francisco de Mariz, casado. Todos com sucessão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há uma certa incerteza na linha que vai de Antonio de Marins Coutinho até vovó. Descendemos de um Antonio de Mariz, cuja filha vai ser Maria dos Anjos, casada com Antonio de Andrade. Este, segundo a opinião do Barata, é o Antonio, batizado em 1652, filho bastardo de João de Mariz, batizado em 1617, e da escrava Helena, escrava de Tomé Rodrigues; neto de Francisco de Mariz ou Marins Loureiro, n.c. 1582, casado com Ângela dos Banhos, filha de Vicente de Banhos e de Luiza de Castilho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antonio de Andrade e Maria dos Anjos, esta filha de um Antonio de Mariz que tentei entroncar acima, foram os pais de Bartolomeu Gomes de Andrade, batizado em 1700, casado com Tomásia dos Banhos da Motta — filha de Manuel dos Banhos da Motta e de Micaela, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;escrava preta do gentio da Guiné. &lt;/span&gt;A filha de Bartolomeu e Tomásia, Clara Maria da Motta, n. 1730, casou-se com Agostinho Ribeiro de Souza, n. 1724. Pais, enfim, de Clemente José Ribeiro de Souza, n. 1750, casado com Lauriana Florinda Naite, n. 1779,  filha bastarda de Tomásia Francisca, sem identificação do pai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bernarda Florinda Naite, filha de Clemente e Lauriana, nasce no Rio em 1805, onde falece em 1844. Casa com Antonio Gomes de Mattos, senior, em 1826. Foram os pais de Antonio Gomes de Mattos Jr., avô materno de vovó. (Vejam o nome da mulher de Clemente: Lauriana, o nome que Alencar escolhe para o da mulher de Dom Antonio de Mariz. Fascinante coincidência.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, noto: nesta linha descendemos de duas, possivelmente três escravas: Helena, com quem tem filho João de Mariz; Micaela, do gentio da Guiné, e, talvez, alguma ancestral de Tomásia Francisca, mãe de Lauriana Florinda Naite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5585094901893319171-7306567917295089941?l=famadoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://famadoria.blogspot.com/feeds/7306567917295089941/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5585094901893319171&amp;postID=7306567917295089941' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5585094901893319171/posts/default/7306567917295089941'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5585094901893319171/posts/default/7306567917295089941'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://famadoria.blogspot.com/2008/01/dom-antonio-de-mariz.html' title='Dom Antonio de Mariz'/><author><name>Francisco Antonio Doria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16243520355535324710</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5585094901893319171.post-4702044622410208575</id><published>2008-01-01T16:21:00.001-02:00</published><updated>2008-12-09T06:42:26.992-02:00</updated><title type='text'>Vovó e a Oitava Sinfonia de Mahler</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/__h2bPbXvmCw/R3qJoOz1Z2I/AAAAAAAAAJA/pi8IaS8Zcv4/s1600-h/vovoh1958a.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://2.bp.blogspot.com/__h2bPbXvmCw/R3qJoOz1Z2I/AAAAAAAAAJA/pi8IaS8Zcv4/s320/vovoh1958a.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5150580448114861922" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;O retrato de vovó, Herminia Cresta Mendes de Moraes ou, de solteira, Herminia Gomes de Mattos Cresta, data de 1958. Ela, com setenta anos, festejando as bodas de ouro com vovô, Justo Rangel Mendes de Moraes; tinham casado em 28 de julho de 1908.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1909 o bivô, Luiz Mendes de Moraes, fora brevemente ministro da guerra de Affonso Penna. Affonso Pena morre, é substituído por Nilo Peçanha. Este convoca meu bisavô e diz, General Mendes de Moraes, tenho plena confiança no sr., quero que continue no ministério. Responde meu bisavô: presidente, a confiança deve ser mútua. Me demito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O bivô liderava uma ala do exército; no ostracismo, foi procurado por representantes do governo imperial alemão, que o convidaram, e à família, para visitar centros militares na Alemanha. Aceitou, e embarcam para a Europa o bivô, a bivó, Cecilia Rangel Mendes de Moraes (antes Cecilia Ferreira Rangel), vovô, vovó e Tia Maria, recém-nascida. A visita é muito solene; meus bisavós são recebidos inclusive em audiência privada pelo Kaiser, Wilhelm II, que lhes oferece um retrato autografado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em outubro de 1910 estão em Munique. Vovó me contou que ouviu comentários na cidade  sobre a estréia mundial de uma sinfonia de um certo compositor austríaco. Vovó pergunta ao &lt;span style="font-style: italic;"&gt;concierge &lt;/span&gt;do hotel se valia a pena assistir ao espetáculo. Responde o infeliz: vai ser um espetáculo circense; não vale a pena ir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E assim vovó deixou de assistir à estréia mundial da Oitava Sinfonia de Mahler, a &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Sinfonie der Tausend, &lt;/span&gt;Sinfonia dos Mil. (Isso me contou ela no hall do andar do meio da Casa da Vovó, em frente à mesa que estava sempre coberta com revistas velhas, sentada na poltrona com uma arca junto da parede do banheiro, do outro lado das portas para seus apartamentos privados.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Li pela primeira vez sobre a Oitava Sinfonia de Mahler na &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Pequena Enciclopédia de Conhecimentos Gerais&lt;/span&gt;, traduzida e aumentada pelo Almir de Andrade: dizia, numa nota ao pé da página, que embora sinfonias de Mozart e Haydn durem quinze, vinte minutos, a Oitava Sinfonia de Mahler durava mais de uma hora. Associei na hora, na minha cabeça, aquele nome, Gustav Mahler, a uma figura rotunda e solene, e me espantei ao ver tempos depois o desenho de Orlik, o retrato de Mahler em perfil, rosto magro, nariz afilado; nada rotundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ouvi pela primeira vez a Oitava Sinfonia em 1960, num dos vesperais sinfônicos da rádio Mec (não existem mais, e nem a ópera das 5 da tarde dos domingos; lá, agora, na Rádio Mec, só dá samba). Me ficou uma idéia confusa, dissonante, da sinfonia; era a gravação de Eduard Flipse, com a Sinfônica de Rotterdam, e mais de mil executantes, sim. Comprei essa mesma gravação uns dois anos depois. Papai odiava; mamãe, sem ouvido musical, era-lhe indiferente. Em 1964 comprei &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Das Lied von der Erde, &lt;/span&gt;na gravação regida por Hans Rosbaud; é, em minha opinião, a obra-prima de Mahler, e a orquestração mais perfeita que jamais se fez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em tempo: vovó era filha de Emmanuel Cresta, genovês, e de Leonor Gomes de Mattos; neta paterna de Vittorio Cresta e de Erminia Notaroberti, ele genovês e ela napolitana; neta materna de Antonio Gomes de Mattos Jr. e de Joaquina Rosa de Oliveira Costa, a Joaquina da Praia da Joaquina.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5585094901893319171-4702044622410208575?l=famadoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://famadoria.blogspot.com/feeds/4702044622410208575/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5585094901893319171&amp;postID=4702044622410208575' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5585094901893319171/posts/default/4702044622410208575'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5585094901893319171/posts/default/4702044622410208575'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://famadoria.blogspot.com/2008/01/vov-e-oitava-sinfonia-de-mahler.html' title='Vovó e a Oitava Sinfonia de Mahler'/><author><name>Francisco Antonio Doria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16243520355535324710</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/__h2bPbXvmCw/R3qJoOz1Z2I/AAAAAAAAAJA/pi8IaS8Zcv4/s72-c/vovoh1958a.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5585094901893319171.post-208157822946573820</id><published>2007-12-31T17:38:00.000-02:00</published><updated>2008-12-09T06:42:27.113-02:00</updated><title type='text'>Margô e Manuel, 1989</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/__h2bPbXvmCw/R3lF2-z1Z1I/AAAAAAAAAI4/QN5I83xzlU4/s1600-h/margman89.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://4.bp.blogspot.com/__h2bPbXvmCw/R3lF2-z1Z1I/AAAAAAAAAI4/QN5I83xzlU4/s320/margman89.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5150224459750532946" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Tô catando uma foto com todos meus filhos juntos. Não achei ainda. Mas tem essa, de Margô e Manuel, em meados de 1989, no apartamento antigo de Nonô, minha sogra, em Miguel Lemos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5585094901893319171-208157822946573820?l=famadoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://famadoria.blogspot.com/feeds/208157822946573820/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5585094901893319171&amp;postID=208157822946573820' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5585094901893319171/posts/default/208157822946573820'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5585094901893319171/posts/default/208157822946573820'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://famadoria.blogspot.com/2007/12/marg-e-manuel-1989.html' title='Margô e Manuel, 1989'/><author><name>Francisco Antonio Doria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16243520355535324710</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/__h2bPbXvmCw/R3lF2-z1Z1I/AAAAAAAAAI4/QN5I83xzlU4/s72-c/margman89.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5585094901893319171.post-6391106497295643339</id><published>2007-12-31T10:35:00.000-02:00</published><updated>2008-12-09T06:42:27.564-02:00</updated><title type='text'>Duas fotos algo mais recentes, 1977 e 1978</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/__h2bPbXvmCw/R3jkH-z1ZzI/AAAAAAAAAIo/EwFg_oKyDX0/s1600-h/MargoPM1978julho.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://3.bp.blogspot.com/__h2bPbXvmCw/R3jkH-z1ZzI/AAAAAAAAAIo/EwFg_oKyDX0/s320/MargoPM1978julho.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5150116999668786994" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/__h2bPbXvmCw/R3jkIez1Z0I/AAAAAAAAAIw/9-XY2Hssol4/s1600-h/MargoPNatal1977.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://1.bp.blogspot.com/__h2bPbXvmCw/R3jkIez1Z0I/AAAAAAAAAIw/9-XY2Hssol4/s320/MargoPNatal1977.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5150117008258721602" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;A de baixo mostra, no Natal de 1977, em casa de Dindinha, já o apartamento de Bulhões de Carvalho, papai (de bengala) e Dindinha - Conceição, que nunca foi, como Tatá me disse aquela vez, Maria das Conchas Conceição; Tio Agostinho com Pedro no colo, Pedro ainda de cabelos louros e cacheados; Margô, grávida de Mariana; e eu, sem barba.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Tio Agostinho não era tio; era um grande amigo de papai, Agostinho Olavo Rodrigues. Conhecera a verdadeira Mme de Guermantes - Mme Greffulhe - e era amigo de Jacqueline de Ribes. E, como dizia, era pobre feito um rato de igreja. Tinha uma língua afiadíssima: na saída de meu casamento, Nise da Silveira, sua amiga e vizinha, emocionada, pegou Tio Agostinho e disse, Agostinho, eles se conheceram lá em casa! Tio Agostinho, na lata: Nise, não sabia que você agora arranjava encontros entre casais...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pano rápido, tipo fim do segundo ato de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Die Meistersinger. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tio Agostinho foi a única pessoa que conheci que dava rasteira na Nise :))&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A outra mostra Margô se equilibrando num dos braços da Ponte de Comando, a cadeira favorita de Tatá, que eu herdei e está na varanda aqui de casa, num canto como no Rosário, com Pedro - tendo Leone no colo, fazendo pfff! - e, nos braços da mãe, Mariana. Maio de 1978, um inverno que começava, pesado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5585094901893319171-6391106497295643339?l=famadoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://famadoria.blogspot.com/feeds/6391106497295643339/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5585094901893319171&amp;postID=6391106497295643339' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5585094901893319171/posts/default/6391106497295643339'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5585094901893319171/posts/default/6391106497295643339'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://famadoria.blogspot.com/2007/12/duas-fotos-algo-mais-recentes-1977-e.html' title='Duas fotos algo mais recentes, 1977 e 1978'/><author><name>Francisco Antonio Doria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16243520355535324710</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/__h2bPbXvmCw/R3jkH-z1ZzI/AAAAAAAAAIo/EwFg_oKyDX0/s72-c/MargoPM1978julho.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5585094901893319171.post-1047679217610946022</id><published>2007-12-31T09:49:00.001-02:00</published><updated>2008-12-09T06:42:27.862-02:00</updated><title type='text'>Criança abandonada</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/__h2bPbXvmCw/R3jX9uz1ZyI/AAAAAAAAAIg/ej1vwd9qRzA/s1600-h/FA1949.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://2.bp.blogspot.com/__h2bPbXvmCw/R3jX9uz1ZyI/AAAAAAAAAIg/ej1vwd9qRzA/s320/FA1949.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5150103629435594530" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Não, não era criança abandonada, longe disso, mas tô com cara de criancinha jogada fora nessa foto, que mamãe tirou no dia de ano novo de 1949. Foi na casa onde meus pais continuavam a morar, 19 de Fevereiro, 64, depois da morte de Vuvu, Raul Moitinho Doria, em 1948. O jardim onde estou era o jardinzinho estilo Binot ao lado da casa, indo da entrada até o quintal no fundo, onde ficava a grande mangueira de manga-espada.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5585094901893319171-1047679217610946022?l=famadoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://famadoria.blogspot.com/feeds/1047679217610946022/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5585094901893319171&amp;postID=1047679217610946022' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5585094901893319171/posts/default/1047679217610946022'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5585094901893319171/posts/default/1047679217610946022'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://famadoria.blogspot.com/2007/12/criana-abandonada.html' title='Criança abandonada'/><author><name>Francisco Antonio Doria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16243520355535324710</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/__h2bPbXvmCw/R3jX9uz1ZyI/AAAAAAAAAIg/ej1vwd9qRzA/s72-c/FA1949.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5585094901893319171.post-3517296032921121997</id><published>2007-12-30T23:36:00.000-02:00</published><updated>2008-12-09T06:42:29.265-02:00</updated><title type='text'>A Joaquina da Praia da Joaquina (SC) e seu marido</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/__h2bPbXvmCw/R3hItez1ZxI/AAAAAAAAAIY/8M-UhIBBKHM/s1600-h/joaquina+rosa1.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://1.bp.blogspot.com/__h2bPbXvmCw/R3hItez1ZxI/AAAAAAAAAIY/8M-UhIBBKHM/s320/joaquina+rosa1.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5149946120099948306" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/__h2bPbXvmCw/R3hIZez1ZwI/AAAAAAAAAIQ/TsHkZHvBQzM/s1600-h/antoniogomesdemattosjr1.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://1.bp.blogspot.com/__h2bPbXvmCw/R3hIZez1ZwI/AAAAAAAAAIQ/TsHkZHvBQzM/s320/antoniogomesdemattosjr1.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5149945776502564610" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;O marido é Antonio Gomes de Mattos Jr., engenheiro naval, patrono da marinha mercante brasileira. Ela, D. Joaquina Rosa de Oliveira Costa, filha do almirante e senador Jesuíno de Lamego Costa e de sua mulher D. Leonor Auta de Oliveira, 2os. Barões da Laguna.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5585094901893319171-3517296032921121997?l=famadoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://famadoria.blogspot.com/feeds/3517296032921121997/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5585094901893319171&amp;postID=3517296032921121997' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5585094901893319171/posts/default/3517296032921121997'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5585094901893319171/posts/default/3517296032921121997'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://famadoria.blogspot.com/2007/12/joaquina-da-praia-da-joaquina-sc-e-seu.html' title='A Joaquina da Praia da Joaquina (SC) e seu marido'/><author><name>Francisco Antonio Doria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16243520355535324710</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/__h2bPbXvmCw/R3hItez1ZxI/AAAAAAAAAIY/8M-UhIBBKHM/s72-c/joaquina+rosa1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5585094901893319171.post-7277510537251797753</id><published>2007-12-30T16:48:00.000-02:00</published><updated>2008-12-09T06:42:29.409-02:00</updated><title type='text'>O Velho Justo</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/__h2bPbXvmCw/R3fpWOz1ZvI/AAAAAAAAAII/NtyL3pLQYeI/s1600-h/velhojusto1935a.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://3.bp.blogspot.com/__h2bPbXvmCw/R3fpWOz1ZvI/AAAAAAAAAII/NtyL3pLQYeI/s320/velhojusto1935a.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5149841267063351026" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Ninguém jamais chamou a vovô de Velho Justo. Durante muito tempo só o chamava de Vovô Dindinho, porque era meu padrinho de batismo - batizava os netos, apesar de ser agnóstico declarado e militante, livre-pensador, como se dizia. Para os de fora da família era o Doutor Justo, embora só fosse bacharel em direito; uma vez me contou que se recusou a apresentar tese de doutoramento depois da colação de grau na Faculdade de Direito (era comum escreverem tais teses) porque achava uma inutilidade e perda de tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chamava-se Justo, Justo Rangel Mendes de Moraes, devido ao avô materno, Justo de Azambuja Rangel, engenheiro &lt;span style="font-style: italic;"&gt;de ponts et chaussées. &lt;/span&gt;Que se chamava Justo devido ao pai, Justo José Luiz, casado com Rita Justina de Azambuja Rangel - e daí sobe o pedigree até o fundador de Porto Alegre, Jerônimo Dornelas, indefinidamente pelas famílias da ilha da Madeira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Duas vezes recusou uma cadeira no Supremo. Dizia que era mais honroso permanecer como advogado. Uma vez foi, creio, no começo do regime Vargas, logo depois de 1930; outra vez no tempo do Dutra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A foto é de cerca de 1935.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5585094901893319171-7277510537251797753?l=famadoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://famadoria.blogspot.com/feeds/7277510537251797753/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5585094901893319171&amp;postID=7277510537251797753' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5585094901893319171/posts/default/7277510537251797753'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5585094901893319171/posts/default/7277510537251797753'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://famadoria.blogspot.com/2007/12/o-velho-justo.html' title='O Velho Justo'/><author><name>Francisco Antonio Doria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16243520355535324710</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/__h2bPbXvmCw/R3fpWOz1ZvI/AAAAAAAAAII/NtyL3pLQYeI/s72-c/velhojusto1935a.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5585094901893319171.post-372989301605979708</id><published>2007-12-30T16:32:00.000-02:00</published><updated>2008-12-09T06:42:29.523-02:00</updated><title type='text'>Tia Neta</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/__h2bPbXvmCw/R3flO-z1ZuI/AAAAAAAAAIA/HFIRn_huM7U/s1600-h/pedrovovohtianeta1.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://2.bp.blogspot.com/__h2bPbXvmCw/R3flO-z1ZuI/AAAAAAAAAIA/HFIRn_huM7U/s320/pedrovovohtianeta1.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5149836744462788322" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Na imagem, de dezembro de 1974, Pedro no colo de vovó, e ao lado Tia Neta. Estão no sofá embutido da saleta da Casa da Vovó; atrás dos almofadões verticais havia um socavão onde a gente se escondia em brincadeira de pique-esconde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje Tia Neta faria 97 anos. Tia Neta, Antonieta Miró de Moraes, casada com Tio Luiz, Luiz Mendes de Moraes Neto. Tia Neta era prima-irmã de vovô, filha de um irmão caçula do bivô marechal Luiz Mendes de Moraes, o também marechal Francisco Mendes de Moraes, casado com Irmina Miró.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5585094901893319171-372989301605979708?l=famadoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://famadoria.blogspot.com/feeds/372989301605979708/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5585094901893319171&amp;postID=372989301605979708' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5585094901893319171/posts/default/372989301605979708'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5585094901893319171/posts/default/372989301605979708'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://famadoria.blogspot.com/2007/12/tia-neta.html' title='Tia Neta'/><author><name>Francisco Antonio Doria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16243520355535324710</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/__h2bPbXvmCw/R3flO-z1ZuI/AAAAAAAAAIA/HFIRn_huM7U/s72-c/pedrovovohtianeta1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5585094901893319171.post-995644523893295526</id><published>2007-12-30T13:44:00.000-02:00</published><updated>2008-12-09T06:42:29.792-02:00</updated><title type='text'>Outra foto aqui de casa</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/__h2bPbXvmCw/R3e9eez1ZtI/AAAAAAAAAH4/EUSK5rtP6l8/s1600-h/moto_0072.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://4.bp.blogspot.com/__h2bPbXvmCw/R3e9eez1ZtI/AAAAAAAAAH4/EUSK5rtP6l8/s320/moto_0072.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5149793030285649618" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Ontem de tarde, uma tarde magnífica. E' a entrada de casa; visível, quase como um torreão, a janela de nosso quarto. No meio do caminho a Helga, a labrador.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5585094901893319171-995644523893295526?l=famadoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://famadoria.blogspot.com/feeds/995644523893295526/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5585094901893319171&amp;postID=995644523893295526' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5585094901893319171/posts/default/995644523893295526'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5585094901893319171/posts/default/995644523893295526'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://famadoria.blogspot.com/2007/12/outra-foto-aqui-de-casa.html' title='Outra foto aqui de casa'/><author><name>Francisco Antonio Doria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16243520355535324710</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/__h2bPbXvmCw/R3e9eez1ZtI/AAAAAAAAAH4/EUSK5rtP6l8/s72-c/moto_0072.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5585094901893319171.post-3305521689298410722</id><published>2007-12-30T11:36:00.000-02:00</published><updated>2007-12-30T11:39:24.793-02:00</updated><title type='text'>Camillo Cresta, I e II</title><content type='html'>Camillo Cresta, o neto, genovês, primo duas vezes de vovó por sua avó Cecilia Gomes de Mattos Cresta, casada com Camillo Cresta, sr., deixou uma mensagem aqui no blog.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Encontrei uma carta de Machado de Assis ao avô, encaminhando correspondência a Guglielmo Ferrero, sócio correspondente da Academia Brasileira de Letras, em 1907:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;[&lt;span style="font-style: italic;"&gt;162] A CAMILO CRESTA [RJ, 18 mai. 1907.] &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-style: italic;"&gt;Exmo. Sr. C. Cresta. / Aproveitando a sua viagem à Itália, peço-lhe o obséquio de levar a carta junta e entregá-la ao Sr. Guglielmo Ferrero. Pelo que ela diz verá que a Academia Brasileira de que é membro correspondente aquele escritor, sabe que ele vem brevemente a Buenos Aires; nela lhe pede que se demore alguns dias no Rio de Janeiro, onde nos poderá fazer duas ou três conferências. Naturalmente esta interrupção da viagem lhe trará algum transtorno, e para compensá-lo e acudir às despesas de estadia pode oferecer-lhe a soma de dez mil liras, que lhe serão entregues pelo modo que parecer melhor. / Agradecendo-lhe desde já este obséquio, peço-lhe também q disponha de mim para o que for do seu serviço, como / Adm.º, am.º e obr.° / MACHADO DE ASSIS.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;  &lt;/p&gt;&lt;p style="font-style: italic;"&gt;[163] A GUILHERME FERRERO [RJ, 18 mai. 1907.] &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Monsieur. / Cette lettre, que j’ai l’honneur de vous écrire au non de l’Académie Brésilienne, vous sera remise par M. Camillo Cresta, notre ami. L’Académie, dont vous venez d’être élu membre correspondant, connaît votre prochain voyage à Buenos Aires. Elle recevrait un grand honneur et un bien vif plaisir, si vous vouliez passer quelques jours à Rio de Janeiro. Ici, Monsieur, où vous avez des admirateurs fervents et nombreux, vous pourriez nous donner deux ou trois conférences publiques. Le sujet en serait à votre choix; naturellement il sera italien, comme vous-même, et moderne, comme votre esprit; personne ne sait dire comme vous de ce qui est matière artistique et sociale. / Nous serons bien heureux si vous acceptez cette invitation. Monsieur Cresta nous dira par lettre ou par telegramme votre réponse, et j’en donnerai la nouvelle à mes amis et nos confrères. / Agréez, Monsieur Ferrero, mes respectuex hommages et l’assurance de notre grande admiration. / MACHADO DE ASSIS. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt; &lt;/span&gt; &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5585094901893319171-3305521689298410722?l=famadoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://famadoria.blogspot.com/feeds/3305521689298410722/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5585094901893319171&amp;postID=3305521689298410722' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5585094901893319171/posts/default/3305521689298410722'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5585094901893319171/posts/default/3305521689298410722'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://famadoria.blogspot.com/2007/12/camillo-cresta-i-e-ii.html' title='Camillo Cresta, I e II'/><author><name>Francisco Antonio Doria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16243520355535324710</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5585094901893319171.post-6691767400701151354</id><published>2007-12-30T10:19:00.000-02:00</published><updated>2008-12-09T06:42:37.956-02:00</updated><title type='text'>Greg Chaitin, agosto de 2007</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/__h2bPbXvmCw/R3eN0-z1ZsI/AAAAAAAAAHw/q9IRZhgKeJo/s1600-h/greg280807.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://2.bp.blogspot.com/__h2bPbXvmCw/R3eN0-z1ZsI/AAAAAAAAAHw/q9IRZhgKeJo/s320/greg280807.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5149740640274572994" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Greg Chaitin e o Moderno, presidente da Academia Brasileira de Filosofia. Na mesa, Oswaldo Chateaubriand, de cavanhaque, e eu. Estávamos no jantar que Maria Beltrão ofereceu ao pessoal do encontro &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Goedel e Einstein, Lógica e Tempo, &lt;/span&gt;no restaurante - fantástico - de sua filha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho imensa admiração pelo trabalho e pelas idéias de Greg. Levamos, Roberto Lins e eu, nesses dias de agosto, Greg e John Casti para almoçarem no &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Arab, &lt;/span&gt;o restaurante da Vivi, mulher do Chaim. Greg me disse que adora comida árabe, e que em Nova York não tem restaurante árabe decente. Até café da manhã tomou lá no &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Arab. &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5585094901893319171-6691767400701151354?l=famadoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://famadoria.blogspot.com/feeds/6691767400701151354/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5585094901893319171&amp;postID=6691767400701151354' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5585094901893319171/posts/default/6691767400701151354'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5585094901893319171/posts/default/6691767400701151354'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://famadoria.blogspot.com/2007/12/greg-chaitin-agosto-de-2007.html' title='Greg Chaitin, agosto de 2007'/><author><name>Francisco Antonio Doria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16243520355535324710</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/__h2bPbXvmCw/R3eN0-z1ZsI/AAAAAAAAAHw/q9IRZhgKeJo/s72-c/greg280807.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5585094901893319171.post-3385193466893102580</id><published>2007-12-28T21:06:00.000-02:00</published><updated>2007-12-30T10:17:13.741-02:00</updated><title type='text'>Histórias de Tatá e outras histórias</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: left;"&gt;Tatá foi meu tio mais velho, do lado de papai. Antonio Adolpho Accioli Doria, oficial de marinha, reformado como mar-e-guerra. Nasceu em 1901 e morreu em 1971, no domingo de Carnaval. Casou-se com Tia Minha Helena (por que o nick? Alguma vez explico), ou Helena Maria Amália Fialho de Castro Silva, nome ao qual juntou ainda assim o “Accioli Doria” de Tatá. (Tem também outra história aí.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tia Minha Helena morreu em 98. Era filha do almirante José Machado de Castro Silva, comandante de vários comandos navais e ministro do STM, e de Dona Marieta, Marietinha - Maria Amália Fialho. (Castro Silva do Ceará.) Tem muita história de Dona Marieta, também, que vou algum dia contar, depois das histórias de Tatá.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Tatá era muito alto, empertigado, falava de modo solene. Fazia cara feia em público. Se alguém aí leu o livro de Alfredo Mesquita, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Silvia Pélica&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt; na Liberdade&lt;/span&gt;, Tatá era um pouco feito seu Cézar, José Joaquim de Cerqueira Cézar, lá descrito e caricaturado pela Hilde - só que Tatá não&lt;br /&gt;tinha o cavanhaque do seu Cézar. Tatá era um gozador como o seu Cézar; foi um dos maiores gozadores que conheci. Só vi Tatá de mau-humor uma vez (e depois, depois conto disso; foi para cima de um amigo meu). De sua carreira, foi observador brasileiro na guerra do Chaco, um retiro de três meses que ele tirou de letra lendo &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Ulysses&lt;/span&gt; de Joyce, isso mesmo, e na década de vinte. Quem mandou para ele foi uma inglesa, transa do momento (foi ele que me contou). Reformado, virou diretor da antiga SNAAP - Serviço de Navegação da Amazônia e Administração do Porto do Pará, e depois de re-aposentado, fixou-se no Rio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Papai tinha adoração por Tatá, seu irmão mais velho; papai era o caçula. Fui Francisco *Antonio* como já disse devido a Tatá e a Tunico, meu tio-avô, tio direto dos irmãos e de papai, Antonio Moitinho Doria, um advogado de muito prestígio - quem tinha diploma superior, nesse meu povo (não era todo mundo), era ou advogado ou médico. Papai comentava que “tinha que ter um Antonio em cada geração”; era coisa dos Dorias baianos, e eu sou o Antonio da minha, Tatá o da anterior, Tunico antes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Fazendo as contas, Tunico era Antonio IX, Tatá Antonio X. E essa lista acaba aqui.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois também conto essa dos Antonios. Afinal, se Tatá era Antonio, vale também como história de Tatá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E vai agora a primeira história.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Margô, Manuel e eu fomos uma vez, aqui em Petrópolis, ao lançamento de um livro na Casa de Petrópolis. A Casa de Petrópolis é mais conhecida, bem, como Casa Mal-Assombrada da Rua Ypiranga. Foi construída em 1884 ou 85 por José Tavares Guerra, um capitalista muito bem sucedido; a casa é uma casa vitoriana, parecida com outras que você pode ver, memória do século XIX, nos Estados Unidos - um ícone desses, a casa de Norman Bates, em &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Psycho&lt;/span&gt;, por exemplo. Do Tavares Guerra passou a seus netos, o pessoal Rocha Miranda. Ao lado, num terreno vazio, um dos netos, o arquiteto, Dr. Alcides da Rocha Miranda, construiu para os irmãos uma casa bem moderna, funcional tipo anos cinquenta, com um jardim de Burle Marx. Na frente da Casa Mal Assombrada, um jardim de Glaziou, jardim&lt;span style="font-style: italic;"&gt; landscaped&lt;/span&gt; inglês, como os de Capability Brown, no fim do século XVII.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem administra a Casa de Petrópolis é Luiz Aquila, o pintor, filho do Dr. Alcides. Uma vez, conversando com ele, perguntei sobre a Casa Mal Assombrada - de gozação, um pouco. E ele me abre um sorriso de Drácula, todo caninos, arregala os olhos, e diz entre todos os dentes, “não é Casa Mal Assombrada, é a Casa Encantada.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O livro lançado foi o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Dicionário de Artes Decorativas&lt;/span&gt;, Nova Fronteira, de Stella Moutinho. Bom, fui lá para ver Stella, minha prima, viúva de Paulo Celso Moutinho, primo de papai. Porque tenho me lembrado, sempre, avisita de pêsames que Paulo Celso, Tasso da Costa Doria, e Jorge Moitinho Doria, foram nos fazer, a Tia Minha Helena, a papai e a mim, pela morte&lt;br /&gt;de Tatá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Jorge Moitinho Doria *não é* o ator Jorge Doria. Este se chama Jorge Pires Ferreira, e, coincidência engraçada, vem a ser primo no lado materno de minha neta. Jorge, meu primo, era médico, sanitarista, diretor da Fábrica Bangu e membro da Academia Nacional de Medicina.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegaram os três, Paulo Celso, Tasso e Jorge, com cara de velório, claro. Mas começaram logo a conversar entre si e a contar causos, histórias de Estância em Sergipe, terra de meu avô Doria, histórias de gente antiga da família, o tataravô - bisavô deles - padre que pulava a cerca e não podia ver mulher, a prima que era casada e não tinha filhos e sua irmã, solteira e cheia de filhos de vários pais, e piada e piada e piada. De repente papai, a meu lado, chorando de tanto rir, diz, “gente, vocês parem com isso, parem de contar piada, essa é uma visita de pêsames.” E Paulo Celso, direto, “você tem razão, Gustavinho, vamos chorar um pouquinho. Buáaaa. Bom, agora, vocês se lembram da história da tia...”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E foram em frente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes de passar à segunda história, conto um pouco sobre Stella Moutinho, que foi minha &lt;span style="font-style: italic;"&gt;madeleine&lt;/span&gt; para chegar a Paulo Celso Moutinho, e à visita de pêsames que nos fez devido à morte de Tatá. Stella é filha do Didi,ou Rodrigo Octavio Filho, membro da Academia Brasileira de Letras, escritor e político, tal como seu pai, Rodrigo Octavio Langaard de Menezes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E' sina: Rodrigo Octavio era neto de um padre baiano, Rodrigo Ignacio de Souza Menezes. Não sei se da família do Agrário de Menezes - Agrário de Souza Menezes; talvez. (E Stella vai casar com Paulo, bisneto do cônego Azevedo meu tetravô; parece mesmo que é sina.) O filho do padre casa-se com a filha de um médico dinamarquês, Teodoro Langaard (pronuncia-se&lt;br /&gt;Langôrd, acento no ô), radicado no Rio. O neto, Rodrigo Octavio, o pai, é escritor e político, assim como seu filho. As duas famílias sempre foram ligadas: quanto Tunico, Antonio, o nono do nome, Antonio Moitinho Doria, meu tio-avô, morre, em 1950, o Didi, Rodrigo Octavio Filho, faz-lhe um discurso à boca da sepultura. Muito tempo depois, em 74, quando visitamos, Margô e eu, Helena Moitinho Doria, última tia-avô sobrevivente, ela me dá o manuscrito do discurso do Didi. Discurso muito emocionado. Um dia publico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Tunico, segundo papai, era pouco inteligente. Inteligente era meu avô materno, o Velho Justo, Justo Rangel Mendes de Moraes, outro grande advogado. Preconceito de papai; nada de Justo; injustiça de papai contra o tio. Tunico escreveu um livro de ensaios, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Cinquenta Anos de&lt;/span&gt; &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Profissão&lt;/span&gt;, surpreendentemente claro e fluido na escrita, e com boas idéias. Texto limpo, sem lugares-comuns. Já são seis gerações de gente que escreve, desde meu trisavô Doria, José da Costa Doria, que é dado como professor num documento de 1833, em Itapicuru, até meus filhos.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rodrigo Octavio, o pai, morre em 1944. Tenho dele a reedição de um livro, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Minhas Memórias&lt;/span&gt; &lt;span style="font-style: italic;"&gt;dos Outros&lt;/span&gt;, republicado pela Civilização em 1978. Faz um retrato de mais outro meu parente, o velho Prudente, Prudente de Moraes. E, en passant, conta a história da morte do filho bastardo de Prudente, José Marcelino (que chama, errado, de José Prudente). Porque, com aquela cara toda sizuda, o velho Prudente teve, aos dezoito anos, um filho bastardo. O original do testamento de Prudente estava conosco, estava com Tia Neta, que uma vez me mostrou o manuscrito. Não sei onde foi parar. Falava nesse filho, e nas filhas que o Zé Marcelino teve.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não adianta ir na &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Genealogia Paulistana&lt;/span&gt;; Silva Leme omitiu-o.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Vocês podem se perguntar como sei de tudo isso. A gente *tinha* que saber. Diziam: “hoje vamos visitar seu Fulano, ou tio Beltrano. Ele é parente assim, assado. Você *não* pode perguntar sobre a mulher dele porque ela é doente, fica internada - doença séria era tabu. O filho dele, Sicrano, também é meio esquisito, mas trata o rapaz como se você não notasse nada. A avó, Dona Filinha, é um encanto. Pergunta a ela pelo pai barão, que ela conta umas histórias engraçadas.” A gente aprendia tudo sobre todo mundo. Viver com esse povo era viver numa complicadíssima teia de relacionamentos super-emaranhados, e você tinha que aprender tudo isso, para se mexer sem problemas, ao menos sem gafes.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, a história de Tatá. E' a mais famosa de todas. Tem título: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Helena não tem umbigo&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tatá era casado com Helena, ou Tia Minha Helena. No início dos anos 50, como Tatá era diretor da SNAAP e vivia no Pará, os dois vinham esporadicamente aoRio, onde tinham um apartamento pequeno, quarto-e-sala, por aí, espécie de pied-à-terre, num edifício nos começos de Copacabana - esquina de Barata Ribeiro, ainda está lá, o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Jabre&lt;/span&gt;. O almirante Castro Silva, sogro de Tatá, tinha morrido há pouco num desastre estúpido, e tinham mandado Dona Marieta, a viúva, para o Uruguai, onde a filha mais moça, Mary Castro Silva, era cônsul-geral.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Mary, ou Maria Luisa Fialho de Castro Silva, era da mesma turma que João Cabral de Melo Neto no Itamaraty. Uma vez, eu já grandinho, Mary me pega, “vem me acompanhar no lançamento de um livro do Cabral.” Lá fui eu; foi no Marimbás. Entrei na fila da turma dos colegas dele do Rio Branco, e, quando me viu com Mary, Cabral botou na dedicatória, “para meu primo Francisco Antonio, com um abraço do João Cabral.” Bom, primos somos, com certeza, nas cucuias pernambucófilas, afinal.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Começos de março, 51 ou 52; logo depois do carnaval. Mary e Dona Marieta estavam no Rio, de férias; tinham alugado um apartamento junto do de Tatá. Tatá tinha comprado a grande novidade: uma televisão. De repente, aparece no Rio uma funcionária do consulado em Montevideu, que sem ter o que fazer, ia toda noite ver televisão em casa de Tatá e Tia Minha&lt;br /&gt;Helena. Como Tatá mesmo me disse, “seu Chico Antonio - ou seu Chicão, era assim que ele me chamava - o problema não era a mulher todo dia de televizinha; o problema é que ela era muito burra, e vivia dizendo montes de lugares-comuns. E você sabe que odeio conversa chata.” Odiava. Tatá foi uma das conversas mais inteligentes que conheci; adorava conversar com ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma noite, depois de um chorrilho de lugares comuns, depois que a infamada senhorita se manda, Tatá diz, “amanhã vou aprontar uma tal que nunca mais ela vem aqui.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dona Marieta objeta, “Mas Doria, amanhã não, por favor, porque amanhã Dona Sicrana - uma amiga de há muito de Dona Marieta - vem jantar conosco.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Vai ser amanhã, Marietinha querida. Não tem sursis. E Dona Sicrana pode ir se preparando para botar toneladas de ovos pela boca. (Isso porque Dona Sicrana, cujo nome não lembro, era muito formal e besta, e quando se incomodava, fazia aquela cara de quem estava botando um ovo pela boca, a tal da cara chupada.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Que é que você vai fazer?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Não sei. Vai ser a inspiração do momento.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dia seguinte. A moça do consulado chega, fila o jantar. Silêncio de todos, menos de Tatá, que conversava muito. De repente, a pergunta fatal, feita pela infeliz: “Comandante Doria, o senhor gosta de carnaval?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Silêncio pesado. Todo mundo ali tinha horror a carnaval. Quando Tatá abre a boca, é porque chegou a hora. Todo mundo percebe. Começa a guerra:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Adoro carnaval, minha senhora. Mas, infelizmente, não posso brincar.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;”Por que?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Questões de família.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Ora, comandante, já sou da família...”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Grunhidos de Tatá.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“...e o senhor pode contar.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Hesitação; negaças; a moça insiste, Tatá resiste, espicaçando-a.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Clímax:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Vou contar.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Silêncio. Pausa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Allegro con fuoco:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Todo ano Helena minha mulher e eu saímos num bloco de nós dois sozinhos. Saímos fantasiados de índios, eu, com um cocar de penas bem emplumadas, e Helena, minha mulher, de biquini.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Atenção: 1952. Bikini ainda era o nome do atol, mudando para o nome do maiô de duas peças mínimo.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“..com penas no soutien e penas na calcinha. Saímos sambando, e brincando de índio, uuuuuuuuú.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Tia Minha Helena tinha sumido; Marietinha estava apertada num canto, assustada, e Dona Sicrana punha dúzias de ovos pela boca.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Só que: Helena não tem umbigo.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;..... !!!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“E vinham aqueles caras de longe, viam que ela não tem umbigo, esticavam o dedo, e enfiavam na barriga de Helena.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tatá se levanta: aponta o dedo como um florete, esgrime-o no ar e ataca, enfiando num obtáculo invisível, uma Helena imaginária na sua frente; touché, quando mete o dedo no não-umbigo do fantasma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Mas como pode?” A mulherzinha se levanta fascinada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Assim.” Repete o jogo, a mise en scène. E vai levando a visita chata até a porta. Chega lá, abre, e diz, “boa noite.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi quando a mulher se tocou. Não apareceu nunca mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho o direito de ser como sou: nasci numa família ultra-surrealista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;--------------------------&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Devo ter nascido velhíssimo. Nasci num domingo, 18 de Novembro, ao meio dia, meio dia e meia, em Copacabana. Cresci em duas, três casas muito velhas. A casa dos meus avós maternos foi, digamos assim, a casa dominadora da minha infância. Era em Copacabana, no Posto 6, na Rainha Elizabeth. Primeiro, Rainha Elizabeth, 53. Depois, sei lá por que motivos, Rainha Elizabeth 129. Do outro lado da rua, exatamente em frente, moravam Tia Maria e Tio Werneck. Numa casa que era gêmea com a casa da Ligia, mãe do Luiz Antonio, um garoto que brincava conosco, chato paca. (Só duas diferenças: a casa da Ligia era amarelo-ocre e tinha árvores na frente; a de Tia Maria era branca e sem árvores, só com um canteirinho na entrada.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A casa dos meus avós maternos era a Casa da Vovó. Ponto. Até porque meus avós paternos morreram logo. Já conto. (Ué, rimou; deixa assim.) Era uma casa imensa, de três andares, normanda, no meio de um terreno de quase mil metros, com um jardim que era quase um mini-parque, cheio de árvores e de esconderijos e de lugares para a gente brincar. O jardim, cercando dois terços da casa, era coberto de areia da praia, fina; de manhã o Oswaldo, o jardineiro, ancinhava toda a areia, e o jardim ficava com cara de jardim japonês. Fomos criados lá, eu, os filhos de Tio Luiz, os filhos de Tia Maria, que morava em frente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tinha galinheiro, tanque de patos, canil. Comi muito ovo fresco dali.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Tia Maria, Maria Moraes Werneck de Castro - nasceu em 1909 e morreu em 93 - era casada com Tio Werneck, Luis Werneck de Castro. Eram militantes comunistas. Tia Maria era amicíssima do Prestes e de suas irmãs - conheci Dona Clotilde Prestes aqui em Petrópolis, passando o carnaval com Tia Maria. Tia Maria aparece em Graciliano Ramos, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Memórias do Cárcere&lt;/span&gt;, várias vezes, e no &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Olga&lt;/span&gt;, de Fernando Morais. Porque Tia Maria esteve presa com Graciliano, Nise Silveira, Olga Benário - que ela chamava Maria Prestes, toda essa gente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já Tio Luiz, o Lula, como Tia Maria chamava, era de direita. Isso mesmo. Meteu-se em tudo quanto é golpe de direita no Brasil, Aragarças, Jacareacanga. Luiz Mendes de Moraes Neto. Morreu de uma morte trágica; não vou falar disso, ao menos por enquanto. Foi horrível.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Casa da Vovó era imensa. Contei uma vez: dez quartos. Em baixo, um hall central, uma sala imensa de visitas, uma sala de jantar maior ainda, com mesa para vinte pessoas, uma escadaria, e, junto à entrada, a saleta, espécie de escritório onde Vovô, o Velho Justo, Justo Rangel Mendes de Moraes, recebia os clientes. Logo junto da entrada principal da casa, que era protegida por uma porte cochère. A saleta estava cheia de livros; gozado, romances franceses do fim do século XIX e começos do XX, guias de viagem - uns Baedekers, ainda do século XIX -, a coleção do Henri Robert,&lt;span style="font-style: italic;"&gt; Les Grands Procès de l'Histoire&lt;/span&gt;, que li sei lá quantas vezes, e retratos. Junto do telefone, pois tinha lá uma extensão do telefone, que era Ipanema-1149, virou 7-1149, e depois, toda minha adolescência, 27-1149 (a gente não esquece mesmo), junto do telefone tinha um busto em bronze de meu bisavô, que mamãe só chamava de Vovô Marechal, Luiz Mendes de Moraes, na farda francesa do exército de começos do século XX. Ficava num canto da sala. No outro canto, um retrato numa moldura especial, a foto autografada do Kaiser, Guilherme II, um garrancho, Wilhelm; o bivô viajara à Europa a convite do governo alemão em 1910, e o Kaiser recebera ao bivô e à bivó em audiência privada; foi quando lhes deu o retrato assinado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em cima da porta que ligava a saleta à sala de visitas, porta interna, o retrato do Velho Prudente. Acho que é o melhor retrato dele; foi pintado em 1899, um ano depois dele sair do governo. Mamãe só chamava ao presidente, Prudente o Velho, pois Prudente de Moraes Filho era tio direto dela, e o Neco, Prudente de Moraes, neto, o jornalista, era seu primo-irmão, e, creio, seu padrinho de batismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Testemunha no registro de mamãe, esse tio, Prudente de Moraes Filho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O bivô, Luiz Mendes de Moraes, está em Silva Leme (vol. 7, p. 77, fácil de decorar). Vovô era vaidosíssimo da sua condição de paulista velho, embora tivesse nascido no Rio Grande do Sul - meu bisavô estava servindo lá, casou com minha bisavó, Cecilia Ferreira Rangel, em 11 de Novembro de 1880 (sei a data porque, para homenageá-la, mamãe e papai se casaram no&lt;br /&gt;mesmo dia), “a maragatona da Cecilia.” Vovô vivia me dizendo, “vai à Biblioteca Nacional ver a &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Genealogia da Família Paulista&lt;/span&gt; - citava o livro de Silva Leme com o nome errado - e você vai ver minha família.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Família dele, não a minha...)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia fui, tinha uns quinze, dezesseis anos, copiei a linha dos Moraes desde Dom Mem Alão, e ele se emocionou todo. O que, com o Velho Justo, não era pouca coisa. Aliás, Tia Neta, mulher de Tio Luiz e também Moraes, pois era prima-irmã de Vovô, vivia nos ameaçando quando íamos dormir, os primos, e a gente ficava fazendo bagunça no quarto, “ou vocês ficam quietos ou a Princesa da Armênia vem puxar os pés de vocês de noite.” A Princesa da Armênia era, bem, a Princesa da Armênia do Título Moraes, de Pedro Taques e Silva Leme. Mas, para mim, era uma cigana terrível, antepassada arquetípica, apavorante, imensa de poderosa com poderes mágicos. Não era bom desafiar a Princesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Volto a Tatá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A família de papai costumava ir veranear em Friburgo, no sítio de Tatá, o Rosário, em Conselheiro Paulino. (Conhecíamos toda a história do Conselheiro Paulino, porque seu neto Fernando Paulino era, digamos assim, o cirurgião oficial da família.) Dessa vez estavam no Rosário, Tatá e Tia Minha Helena, Dindinha - Conceição, irmã de papai e de Tatá - e papai e mamãe. Eu, devia ter uns dez anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Converso com Tatá na varanda do sítio, Tatá lendo jornal. Tatá sentado na Ponte de Comando, uma poltrona preta, reclinável, muito gostosa, art-déco, que está agora comigo aqui em casa, na minha varanda. Jornal aberto na sua cara, Tatá me ouve e fala comigo de detrás do jornal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Tatá, você se chama Antonio Adolpho. Papai é Gustavo Alberto. Titio Gilberto é Luiz Gilberto. Como é o nome de Conceição?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sai direto, de trás do jornal:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Maria das Conchas Conceição.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dou uma disparada para a cozinha, onde mamãe, Dindinha e Tia Minha Helena estavam ajudando a cozinheira a preparar o almoço. “Dindinha, por que é que você nunca me disse que seu nome é Maria das Conchas Conceição?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sai de lá da cozinha, passos firmes, furiosa, Dindinha, magra, alta, empertigada e empinada, chega na varanda e despeja, mesmo assim sem levantar a voz, terrível na sobriedade do comentário, “Tatá, você não tem o que fazer, fica ensinando besteira ao menino?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aí Tatá baixa o jornal, pendura os óculos na boca, franze a cara, “Conceição, respeite seu irmão mais velho, não admito que você fale comigo assim.”  E fica de cara emburrada, feia, enquanto Dindinha vai embora, toda majestade ofendida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Seu Chico Antonio, ela não quer admitir que se chama Maria das Conchas Conceição.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Levei muito tempo acreditanto nisso. Achava que era um nome de devoção estranho, tipo alguma Nossa Senhora das Conchas, coisa assim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5585094901893319171-3385193466893102580?l=famadoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://famadoria.blogspot.com/feeds/3385193466893102580/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5585094901893319171&amp;postID=3385193466893102580' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5585094901893319171/posts/default/3385193466893102580'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5585094901893319171/posts/default/3385193466893102580'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://famadoria.blogspot.com/2007/12/histrias-de-tat-e-outras-histrias.html' title='Histórias de Tatá e outras histórias'/><author><name>Francisco Antonio Doria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16243520355535324710</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5585094901893319171.post-11508540009377923</id><published>2007-12-27T13:08:00.000-02:00</published><updated>2008-12-09T06:42:38.123-02:00</updated><title type='text'>O jequitibá da Rio-Petrópolis</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/__h2bPbXvmCw/R3PAwez1ZpI/AAAAAAAAAHU/MFe0jPjhKNE/s1600-h/jequitibaa+copy.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://4.bp.blogspot.com/__h2bPbXvmCw/R3PAwez1ZpI/AAAAAAAAAHU/MFe0jPjhKNE/s320/jequitibaa+copy.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5148670738151335570" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Tem quatro ou cinco séculos. Fica — em linha reta — a uns cinco ou seis quilômetros de onde a família de vovó tinha terras. Me pergunto se, à maneira de ver dos jequitibás, ele viu algum dos meus antepassados de Inhomirim andando pela serra, no século XVII ou no XVIII.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5585094901893319171-11508540009377923?l=famadoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://famadoria.blogspot.com/feeds/11508540009377923/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5585094901893319171&amp;postID=11508540009377923' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5585094901893319171/posts/default/11508540009377923'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5585094901893319171/posts/default/11508540009377923'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://famadoria.blogspot.com/2007/12/o-jequitib-da-rio-petrpolis.html' title='O jequitibá da Rio-Petrópolis'/><author><name>Francisco Antonio Doria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16243520355535324710</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/__h2bPbXvmCw/R3PAwez1ZpI/AAAAAAAAAHU/MFe0jPjhKNE/s72-c/jequitibaa+copy.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5585094901893319171.post-5614951895628992441</id><published>2007-12-27T12:59:00.000-02:00</published><updated>2008-12-09T06:42:38.337-02:00</updated><title type='text'>Tatá no Rosário, 1967</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/__h2bPbXvmCw/R3O_cOz1ZoI/AAAAAAAAAHM/IYS_Fwasiig/s1600-h/tata1963b.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://3.bp.blogspot.com/__h2bPbXvmCw/R3O_cOz1ZoI/AAAAAAAAAHM/IYS_Fwasiig/s320/tata1963b.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5148669290747356802" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Tatá, o Comandante, meu tio, Antonio Adolpho Accioli Doria (1901-1971), oficial de marinha, no Rosário, seu sítio em Friburgo RJ, em 1967, começos. Tatá está sentado na cadeira dele no canto da varanda, de onde ele comandava tudo à volta — era a “ponte de comando,” como a chamávamos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu nome Antonio vem dele e de seu tio, meu tio-avô, Tunico, Antonio Moitinho Doria. Na linha Doria baiana direta (na verdade Moreira da Costa Doria), Tunico foi Antonio IX, Tatá Antonio X, e eu sou Antonio XI (o primeiro Antonio foi Antonio Moreira, pai de Martim Afonso Moreira, que nasceu cerca de 1550 e chega ao Brasil em 1567, e foi o pai de Antonio Moreira de Gamboa, Antonio II, casado com D. Antonia de Meneses, filha de Cristóvão da Costa Doria e de D. Maria de Meneses).&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5585094901893319171-5614951895628992441?l=famadoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://famadoria.blogspot.com/feeds/5614951895628992441/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5585094901893319171&amp;postID=5614951895628992441' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5585094901893319171/posts/default/5614951895628992441'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5585094901893319171/posts/default/5614951895628992441'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://famadoria.blogspot.com/2007/12/tat-no-rosrio-1967.html' title='Tatá no Rosário, 1967'/><author><name>Francisco Antonio Doria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16243520355535324710</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/__h2bPbXvmCw/R3O_cOz1ZoI/AAAAAAAAAHM/IYS_Fwasiig/s72-c/tata1963b.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5585094901893319171.post-5233363965537160706</id><published>2007-12-27T11:57:00.000-02:00</published><updated>2008-12-09T06:42:38.389-02:00</updated><title type='text'>Dando aula, 1974</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/__h2bPbXvmCw/R3OwFOz1ZnI/AAAAAAAAAHE/_v2QEXww4gw/s1600-h/FADoriaemaula1974a.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://3.bp.blogspot.com/__h2bPbXvmCw/R3OwFOz1ZnI/AAAAAAAAAHE/_v2QEXww4gw/s320/FADoriaemaula1974a.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5148652402935948914" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Sou eu mesmo, yours truly, dando aula; Instituto de Física, UFRJ, 2º semestre de 1974. Devia ser um curso de mecânica clássica; um &lt;span style="font-style: italic;"&gt;intermezzo &lt;/span&gt;sobre álgebra linear no espaço de Minkowski. Ou talvez um curso de eletromagnetismo clássico, onde estava começando a introduzir a notação covariante de Einstein.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5585094901893319171-5233363965537160706?l=famadoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://famadoria.blogspot.com/feeds/5233363965537160706/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5585094901893319171&amp;postID=5233363965537160706' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5585094901893319171/posts/default/5233363965537160706'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5585094901893319171/posts/default/5233363965537160706'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://famadoria.blogspot.com/2007/12/dando-aula-1974.html' title='Dando aula, 1974'/><author><name>Francisco Antonio Doria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16243520355535324710</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/__h2bPbXvmCw/R3OwFOz1ZnI/AAAAAAAAAHE/_v2QEXww4gw/s72-c/FADoriaemaula1974a.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5585094901893319171.post-3596697525027996949</id><published>2007-12-27T11:22:00.000-02:00</published><updated>2008-12-09T06:42:38.648-02:00</updated><title type='text'>Mamãe no casamento, 1944</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/__h2bPbXvmCw/R3On2-z1ZmI/AAAAAAAAAG8/iMl0jfK6h3w/s1600-h/mamaecasamento1944a.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://2.bp.blogspot.com/__h2bPbXvmCw/R3On2-z1ZmI/AAAAAAAAAG8/iMl0jfK6h3w/s320/mamaecasamento1944a.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5148643362029790818" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Mamãe — Silvia Cresta Mendes de Moraes — no dia do casamento, 11 de novembro de 1944, na casa da vovó, sala de visitas ou &lt;span style="font-style: italic;"&gt;sala do piano. &lt;/span&gt;O piano está bem à esquerda; ao fundo a bay window da sala (em cima da bay window era a sacada do escritório de vovô, no segundo andar).  Na bay window ficavam a mesa de Boulle e várias cadeiras pastiche Luiz XV, com o estofo pintado à mão.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5585094901893319171-3596697525027996949?l=famadoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://famadoria.blogspot.com/feeds/3596697525027996949/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5585094901893319171&amp;postID=3596697525027996949' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5585094901893319171/posts/default/3596697525027996949'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5585094901893319171/posts/default/3596697525027996949'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://famadoria.blogspot.com/2007/12/mame-no-casamento-1944.html' title='Mamãe no casamento, 1944'/><author><name>Francisco Antonio Doria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16243520355535324710</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/__h2bPbXvmCw/R3On2-z1ZmI/AAAAAAAAAG8/iMl0jfK6h3w/s72-c/mamaecasamento1944a.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5585094901893319171.post-2423807774200593773</id><published>2007-12-27T10:47:00.000-02:00</published><updated>2008-12-09T06:42:38.839-02:00</updated><title type='text'>Três fotos</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/__h2bPbXvmCw/R3PwAOz1ZqI/AAAAAAAAAHc/M9Cbn8YTV-8/s1600-h/LeonorGomesdeMattos1910b.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://3.bp.blogspot.com/__h2bPbXvmCw/R3PwAOz1ZqI/AAAAAAAAAHc/M9Cbn8YTV-8/s320/LeonorGomesdeMattos1910b.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5148722685780780706" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/__h2bPbXvmCw/R3Of3ez1ZlI/AAAAAAAAAG0/svFBtys8a4s/s1600-h/vovohmamaeluizmaria1.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://4.bp.blogspot.com/__h2bPbXvmCw/R3Of3ez1ZlI/AAAAAAAAAG0/svFBtys8a4s/s320/vovohmamaeluizmaria1.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5148634574526703186" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;No medalhão, com menos de dois anos, mamãe, em frente da mesa de Boulle. Deve ter sido na casa da bivó Cecilia (Mendes de Moraes) à rua Aristides Lobo, no Rio Comprido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No retrato quadrado de baixo, vovó - Herminia Cresta Mendes de Moraes - tendo ao lado Tio Luiz (Luiz Mendes de Moraes Neto), mamãe no colo (Silvia Cresta Mendes de Moraes, depois Silvia Moraes de Accioli Doria), e Tia Maria (de casada Maria Moraes Werneck de Castro). Tia Maria está aí a cara de sua filha Herminia Cecilia. Local da foto: jardim da casa do Rio Comprido, da bivó, Cecilia Rangel Mendes de Moraes. Note-se a grama, inabitual em jardins àquele tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No retrato de cima, vovó e bivó Leonor, Leonor Gomes de Mattos, levando pela mão Tia Maria. Ao fundo a casa de Aristides Lobo. A data é entre 1910 e 1911, começos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5585094901893319171-2423807774200593773?l=famadoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://famadoria.blogspot.com/feeds/2423807774200593773/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5585094901893319171&amp;postID=2423807774200593773' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5585094901893319171/posts/default/2423807774200593773'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5585094901893319171/posts/default/2423807774200593773'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://famadoria.blogspot.com/2007/12/duas-fotos.html' title='Três fotos'/><author><name>Francisco Antonio Doria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16243520355535324710</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/__h2bPbXvmCw/R3PwAOz1ZqI/AAAAAAAAAHc/M9Cbn8YTV-8/s72-c/LeonorGomesdeMattos1910b.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5585094901893319171.post-6655861884409762311</id><published>2007-12-27T09:48:00.001-02:00</published><updated>2008-12-09T06:42:39.017-02:00</updated><title type='text'>O diploma do Dr. Filipe Gomes de Mattos</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/__h2bPbXvmCw/R3OSGOz1ZkI/AAAAAAAAAGs/v4NNiLsycLU/s1600-h/diplomaFilipe1774.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://3.bp.blogspot.com/__h2bPbXvmCw/R3OSGOz1ZkI/AAAAAAAAAGs/v4NNiLsycLU/s320/diplomaFilipe1774.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5148619434766984770" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;E' descoberta do Rodrigo Estrella. E mostra que, pelo menos desde o século XVIII, a família tinha letrados (teve outros antes, nesse lado e nos outros).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas aqui fica o diploma.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5585094901893319171-6655861884409762311?l=famadoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://famadoria.blogspot.com/feeds/6655861884409762311/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5585094901893319171&amp;postID=6655861884409762311' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5585094901893319171/posts/default/6655861884409762311'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5585094901893319171/posts/default/6655861884409762311'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://famadoria.blogspot.com/2007/12/o-diploma-do-dr-filipe-gomes-de-mattos.html' title='O diploma do Dr. Filipe Gomes de Mattos'/><author><name>Francisco Antonio Doria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16243520355535324710</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/__h2bPbXvmCw/R3OSGOz1ZkI/AAAAAAAAAGs/v4NNiLsycLU/s72-c/diplomaFilipe1774.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5585094901893319171.post-2530289830249189198</id><published>2007-12-27T08:25:00.000-02:00</published><updated>2008-12-09T06:42:39.109-02:00</updated><title type='text'>Vovó e sua família</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/__h2bPbXvmCw/R3QFBOz1ZrI/AAAAAAAAAHk/WTV1lPA6rn8/s1600-h/VGS1749a.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://4.bp.blogspot.com/__h2bPbXvmCw/R3QFBOz1ZrI/AAAAAAAAAHk/WTV1lPA6rn8/s320/VGS1749a.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5148745792704833202" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Vovó, Herminia Gomes de Mattos Cresta, nasceu no Rio em 5 de maio de 1888 e morreu na mesma cidade em 9 de julho de 1977. Casou em 28 de julho de 1908 com vovô, o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Velho Justo, &lt;/span&gt;Justo Rangel Mendes de Moraes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois falo de vovô, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Vovô Dindinho&lt;/span&gt;, porque era meu padrinho (fui batizado no dia do aniversário dele, 14 de janeiro de 1946, ele fazendo 63 anos).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vovó e vovô viviam na casa imensa de Copacabana — no meio de um terreno de mais de mil metros, tinha dez quartos, uns três salões: sala de visitas, ou &lt;span style="font-style: italic;"&gt;sala do piano, &lt;/span&gt;onde ficavam um piano Érard de meia cauda, uma mesa de Boulle que com certeza não era do Boulle original do século XVII, mas de algum carpinteiro especializado em marchetaria do século XIX, e vários quadros, entre os quais uma Madonna que me fascina até hoje; o hall central, que virou uma espécie de sala da televisão, enorme, com vigas no teto, expostas, pintadas de marron escuro, a tv num console com toca-discos e rádio num canto junto de um dos arcos se abrindo para a varanda; e a sala de jantar, com sua mesa para vinte lugares, e, numa &lt;span style="font-style: italic;"&gt;bay window, &lt;/span&gt;separada da sala por um degrau, com uma mesa na qual os netos menores almoçavam antes do almoço formal dos adultos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vovó era filha de um italiano, genovês, Emmanuel Cresta, e de uma carioca, D. Leonor Gomes de Mattos. Depois falo do bisavô italiano, cujo nome se pronuncia &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Emânuel, &lt;/span&gt;nome de meu tio caçula, poeta e advogado, Emanuel de Moraes. Agora vou falar da surpreendente família de vovó, toda carioca até o século XVI. Ela não sabia disso; nenhum de nós sabia dessa ascendência, levantada pelo Rodrigo Estrella neste ano de 2007.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vou dar a linha direta, varonia, dos Gomes de Mattos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;I. &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;José da Silveira. &lt;/span&gt;(Tem alguma dúvida aqui, ou alguma confusão que ainda se vai esclarecer.) Senhor de engenho em Inhomirim. Inhomirim é na Raiz da Serra, ao pé da Estrada Velha de Petrópolis (ou da Calçada de Pedra, o antigo peabiru — caminho dos índios — que adentrava o país, e que foi calçado pelos bandeirantes). Nascera em fins do século XVI, nas ilhas, e seu nome seria de Toledo da Silveira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O engenho poderia não ser de açúcar, mas sim um engenho de moer mandioca, já que a região era produtora de mandioca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se a interpretação dos documentos estiver certa, teria casado com uma Inês da Costa. Pais de:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;II. &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Antonio de Toledo. &lt;/span&gt;Este personagem é certo. Teria nascido em começos do século XVII, e casou-se com Maria Lopes de Figueiredo, n.c. 1619, provável filha do vereador Alexandre Lopes de Figueiredo, n. 1585, e de Ana de Góes. Pais de:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;III. &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Alberto de Toledo. &lt;/span&gt;Casou com Ana Gomes, filha de Dom Fernando Ramirez e de Inês da Costa (que seria a mesma supra). Pais de:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;IV. &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Valério Gomes da Silveira. &lt;/span&gt;Nasceu em 1689 ou 1690 em Inhomirim: provavelmente foi batizado em 22 de janeiro de 1690, em Inhomirim, nas terras de sua família, na igreja de N. S. da Piedade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Casou-se em 1736 com D. Maria do Bonsucesso, ou D. Maria Antunes de Mattos, nascida em 1710 e batizada em S. Gonçalo, filha do licenciado José Antunes de Mattos e de sua mulher Maria Vieira. Esta Maria Vieira era filha de Baltazar Vieira da Veiga e de Catarina de Siqueira, filha de André de Siqueira de Lordello, n. 1612, vereador, e de Madalena de Campos, n. 1624, filha de Bento Maciel Tourinho, da família de Pero do Campo Tourinho, donatário de Porto Seguro (Bento era filho de outro Pero do Campo Tourinho, que viveu no Rio, e não deve ser confundido ao donatário). Teve sesmaria em 1749 “nas bandas de um rio que chamam Piabanha,” junto das terras de Francisco Muniz de Albuquerque.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pais de:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;V. &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Dr. Filipe Gomes de Mattos. &lt;/span&gt;Primeiro a usar o nome &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Gomes de Mattos. &lt;/span&gt;Foi batizado na igreja de N. S. da Piedade de Inhomirim em 21 de maio de 1745, e casou em 1787 com D. Maria Joaquina de S. José, ou do Bonsucesso, filha de Bartolomeu Machado Ferreira, natural da Terceira, e de sua mulher Joaquina Ignacia da Luz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Padrinhos de batismo do Dr. Filipe Gomes de Mattos foram Francisco Moniz de Albuquerque e sua mulher D. Maria de Meneses. O Dr. Filipe graduou-se em Coimbra em cânones em 1774 (o processo de concessão de seu diploma foi descoberto pelo Rodrigo Estrella). Francisco Moniz de Albuquerque tinha uma enorme sesmaria no caminho da Posse, aqui em Petrópolis, e ao lado desta sesmaria teve terras Valério Gomes da Silveira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daí segue a linha Gomes de Mattos. Bivó Leonor, D. Leonor Gomes de Mattos, era filha de Antonio Gomes de Mattos Jr., dado como o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Pai da Marinha Mercante Brasileira, &lt;/span&gt;e de D. Joaquina Rosa de Oliveira Costa, que deu o nome à “Praia da Joaquina” perto de Florianópolis, e neta de Antonio Gomes de Mattos e de D. Bernardina Florinda Naite, casados em 1826.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antonio Gomes de Mattos, o primeiro, era filho do Dr. Filipe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vovó descendia também de Antonio de Marins ou Mariz (o “Dom” Antonio de Mariz de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;O Guarani&lt;/span&gt;), e da irmã de Aleixo Manuel, que em meados do século XVI abriu a Rua do Ouvidor no Rio (Pedro me acrescenta: rua de Aleixo Manuel, depois rua do Desvio da Praia, e então rua do Ouvidor). E tem uma linha nos Meneses que chega longe, pela idade média. Depois posto isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também assinalo as três escravas de que descendemos, nesse lado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na imagem: a concessão da sesmaria junto ao Piabanha, uma légua em quadra, a Valério Gomes da Silveira. (Obrigado, Rodrigo Estrella; imagem cedida pelo IANTT.)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5585094901893319171-2530289830249189198?l=famadoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://famadoria.blogspot.com/feeds/2530289830249189198/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5585094901893319171&amp;postID=2530289830249189198' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5585094901893319171/posts/default/2530289830249189198'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5585094901893319171/posts/default/2530289830249189198'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://famadoria.blogspot.com/2007/12/vov-e-sua-famlia.html' title='Vovó e sua família'/><author><name>Francisco Antonio Doria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16243520355535324710</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/__h2bPbXvmCw/R3QFBOz1ZrI/AAAAAAAAAHk/WTV1lPA6rn8/s72-c/VGS1749a.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5585094901893319171.post-6520549311093374422</id><published>2007-12-27T08:11:00.000-02:00</published><updated>2008-12-09T06:42:39.310-02:00</updated><title type='text'>A Casa da Vovó</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/__h2bPbXvmCw/R3N9O-z1ZjI/AAAAAAAAAGk/_zZ6o_eBJ3o/s1600-h/casavovohjulho1955a.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://2.bp.blogspot.com/__h2bPbXvmCw/R3N9O-z1ZjI/AAAAAAAAAGk/_zZ6o_eBJ3o/s320/casavovohjulho1955a.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5148596495346656818" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;A data da minha foto é 1955, meados do ano. A foto dos carros é de 1952, quando ganhei uma câmarazinha box, e saí tirando foto de tudo que aparecia na minha frente - lembro bem, usava filme preto e branco (a cores, nem pensar, era caríssimo e a gente tinha que mandar revelar no Panamá).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha foto: estou de pé no caminhozinho de pedras que ia até o poço, no fundo dos jardins da casa da vovó. O jardim era um jardim coisa como japonês, todo coberto de areia que vinha da praia a uma quadra de distância, e ancinhado pelo jardineiro todo dia de manhã. O endereço da casa da vovó era: Rua Rainha Elizabeth, 53. Depois a prefeitura mudou nome e número para: Avenida Rainha Elizabeth, 129, porque a rua era larga demais para ser apenas rua (a rainha Elizabeth homenageada era a rainha Elizabeth da Bélgica, mulher do rei Alberto, que visitou o Brasil).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não lembro quem tirou minha foto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A foto mais antiga, dos carros na frente da garagem (o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;chalet &lt;/span&gt;dos empregados, como vovó dizia), é de 1952, talvez do dia mesmo em que papai e mamãe me deram de presente a máquina fotográfica, ou &lt;span style="font-style: italic;"&gt;máquina de retrato, &lt;/span&gt;que é como se dizia. O carro de vovô era um Hudson azul escuro, comprado em 1947 ou 1948; do lado esquerdo da foto aparece a caminhonete Bedford de Tio Luiz, Luiz Mendes de Moraes Neto, que era cinzenta e na qual ele nos levava — quando o carro funcionava — para tomar água de coco e comer camarão frito em São Conrado, então um deserto.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5585094901893319171-6520549311093374422?l=famadoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://famadoria.blogspot.com/feeds/6520549311093374422/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5585094901893319171&amp;postID=6520549311093374422' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5585094901893319171/posts/default/6520549311093374422'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5585094901893319171/posts/default/6520549311093374422'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://famadoria.blogspot.com/2007/12/casa-da-vov.html' title='A Casa da Vovó'/><author><name>Francisco Antonio Doria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16243520355535324710</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/__h2bPbXvmCw/R3N9O-z1ZjI/AAAAAAAAAGk/_zZ6o_eBJ3o/s72-c/casavovohjulho1955a.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5585094901893319171.post-4786975604938836438</id><published>2007-07-20T10:26:00.000-03:00</published><updated>2007-07-20T10:27:07.993-03:00</updated><title type='text'>Texto do Manuel</title><content type='html'>http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos.asp?cod=442FDS009&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5585094901893319171-4786975604938836438?l=famadoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://famadoria.blogspot.com/feeds/4786975604938836438/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5585094901893319171&amp;postID=4786975604938836438' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5585094901893319171/posts/default/4786975604938836438'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5585094901893319171/posts/default/4786975604938836438'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://famadoria.blogspot.com/2007/07/texto-do-manuel.html' title='Texto do Manuel'/><author><name>Francisco Antonio Doria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16243520355535324710</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5585094901893319171.post-8497212836111571733</id><published>2007-05-27T09:04:00.000-03:00</published><updated>2007-05-27T09:06:22.709-03:00</updated><title type='text'>Cristóvão da Costa Doria e o inquisidor, 1592</title><content type='html'>Apenas como registro: um documento histórico inédito, que está nos ANTT. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aos ujnte e seis dias do mes de ojtubro/ de mil e qujnhentos e nouenta e dous/ annos nesta cjdade do Saluador — / Capitanja da bahia de todos os Santos/ nas casas da morada do s.or ujsita-/dor do s.to offj.o hejtor furtado de men-/doça perante elle pareçeo sendo/ chamado Cristovão da costa o qual/ reçebeo o juramento dos Santos/ euangelhos em que pos sua mão de-/rejta sob cargo do qual prometeo/ dizer uerdade e foj logo amoes-/tado com mujta carjdade pello/s.or vjsitador que declare e com-/fesse todas suas culpas per que em-/tende ser chamado a esta mesa e por-/que lhe aprouejtara mujto para/ descargo de sua concjencja e seu// bom despacho, respondeo q não sente/ em si ne sabe por que he chamado &amp;/ foi logo perguntado se despois que/ elle ujo aconteçer os casos de gaspar/ rebello disser que não era tamanho/ peccado dormir com pagãa como co˜/ cristãa, ¶ o caso de bernardo Rib.ro/ a cerqua dafee que se auja de saluar/ sobre os quais elle Reo Ja foj chamado/ e perguntado nesta mesa se tratou/ ou fallou, ou conuersou cõ os sobre dittos/ Respondeo que Sim se fallão mujtas/ Vezes e sam amigos, e o djto gaspar/ rebello he filho de hum prjmo de mar-/tim carualho cunhado delle e foj logo/ perguntado quem he ho que tratou/ cõ elle q não ujesse denunciar a/ esta mesa contra os Sobredictos casos/ Respondeo que njnguem lhe co-//meteo tal — perguntado se quando/ elle ueo a esta mesa denuncjar o q/ lhe contou NicoLao falleiro e o P.e joam/ fez. dentro nos trjnta djas da obrj-/gação d elle dejxou de denuncjar/ as djttas cousas dos sobredjttos seus/ amjgos lembrando lhe mujto bem/ se aduertio elle que em callar as dj-/tas cousas ficaua excomungado/ com forme o monjtorjo geral/ Respondeo que quando elle ueo a esta/ mesa no djto tempo, e despois delle/ o nunca lhes lembrarão as djttas cou-/sas e que por lhe não lembrarem as/ não dixe ne denuncjou porque se lhe/ Lembrarão não ouuera de deixar/ de as denuncjar por nenhures fejto/ Jnda q forão contra seu paj, e foi lhe/ declarado que esta forte presumpção// contra elle que pois elle he amjgo dos/ sobredjttos e sempre presentes na/ mesma terra e as sobredjttas cou-/sas de tanta sua tancja [?] que pareçe/ que não se auja a elle de esquecer — / respondeo que as sobredjttas cou-/sas acontecerão mujto tempo ha - / e que nunca lhe lembrarão se não/ quando elle s.or ujsitador lhe tocou/ nesta mesa na materja dellas, e foj/ logo amoestado que se as dejxou/ de denuncjar lembrando lhe , esta/ excomungado a qual excomunhão,/ não pode njmguem absoluer senão elle vjsitador, que portanto/ declare a uerdade, porque aquj/ tractasse da Saluação de sua alma/ respondeo que nunca lhe lembrarão/ como djtto ten e que tem djtto a uer-/dade e asignou cõ o s.or ujsitador/ Manoel fr.co Notr.o do s.to offj.o nesta vj-/sitação o escreuj. E foi lhe manda-/do que não se saja desta cjdade/ sem licença desta mesa o sobre-/ditto o escreueu Xpouão da Costa  Mendoça&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Aos vjnte e sete djas do mes do oi-/tubro de mjl e qujnhentos e noveta/ e dous annos nesta cjdade do sal-/vador capitanja da bahia de todos/ os sanctos nas casas da morada/ do sor. vjsitador do Sancto offj.o hejtor/ furtado de mendoça perante elle/ pareçeo Sendo chamado Cristovão/ da Costa conteudo nestes autos e/ recebeo Juramento dos Sanctos// euangelhos em que pos sua mão derejta/ sob cargo do qual prometeo dizer ver-/ dale e logo foj tornado amoestar/ pelo sor. ujsitador com mujta carj-/ dade que acabe de fazer confissao/ jntr.a e uerdadr.a e declare quem ho/ persuadio, que não denuncjasse/ as sobre djttos culpas nesta mesa/ contra os djttos gaspar rebello, e/ bernardo Ribr.o, respondeo que njn-/guem tal lhe cometeo ne˜  persuadio/ que tal dejxasse de denuncjar mas/ que ha uerdade he que lhe esque-/ceo e nunca tal lhe lembrou quãdo/ veo a esta mesa no termo do monj-/torio geral ne˜ despois se não quã-/do elle ditto sor. ujsitador manda-/do chamar a esta mesa despois de/ mujtas enterogaçõis lhe tocou na// materia das djttas culpas, porq˜ se/ dantes lhe lembraua nenhua rezão/ de cunhadio ne˜ parentesco ne˜ amj-/zade lhe ouuera de estouar que dej-/xasse de fallar a uerdade nesta mesa/ e foj perguntado de sua genelogia/ dixe que he cristão uelho filho de fer-/não vaz da costa e de sua molher cle-/mencja dorja genevesa não conhe-/ceo seus auoos mas ouujo q seu a-/voo paj de seu paj se chama cristo-/uao da costa desembargador que/ foi em Lix.a e sua avoo maj de seu paj/ se chamaua gujmar camjnha, e ouujo/ dizer que seu avoo paj de sua maj se/ chamaua andre dorja, teue tias Jr-/mãas de seu paj florença da costa/ e dona fr.ca da costa molher que foj/ de Ant.o correa moradoras em Lix.a/ não conheçeo tios da parte de sua maj/ teue hum jrmão, que matarão em/ Lix.a chamado Njcolao da Costa/ soltr.o e outros que morrerão e tem/ tres Jrmãas ujuas – S – Luisa dorja mo-/lher de Martim Carualho, e fr.ca de Saa/ molher de fr.co dabreu da costa e Anna/ dorja Jnda soltr.a e os djttos seus cu-/nhados são cristãos uelhos e djxe q˜/ Sabja a doutrjna cristãa e em/ fim pedjo despacho com breujda-/de e asinou co˜ o sor. ujsitador/ Manoel fr.co Notr.o dos +os offj.o nesta/ ujsitação o escreui. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Mendoça    Xpouão da Costa&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;O Reo Affirma q não deixou/ de denunciar nesta mesa as cousas/ de q aqui se trata, por malicia,/ senão por não lhe lembrarem: E/ não ha do contrairo proua algua/ contra Elle. Pello q Vaa/ se Em boa hora. Baja 9/ dez.ro 1592 Mendoça&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5585094901893319171-8497212836111571733?l=famadoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://famadoria.blogspot.com/feeds/8497212836111571733/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5585094901893319171&amp;postID=8497212836111571733' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5585094901893319171/posts/default/8497212836111571733'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5585094901893319171/posts/default/8497212836111571733'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://famadoria.blogspot.com/2007/05/cristvo-da-costa-doria-e-o-inquisidor.html' title='Cristóvão da Costa Doria e o inquisidor, 1592'/><author><name>Francisco Antonio Doria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16243520355535324710</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5585094901893319171.post-7662908628681151180</id><published>2007-05-24T09:10:00.000-03:00</published><updated>2008-12-09T06:42:39.603-02:00</updated><title type='text'>O gato do Zio Andrea</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/__h2bPbXvmCw/RlWD891fxlI/AAAAAAAAAGU/peX1hz2CVgo/s1600-h/andreagatto1560a.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://2.bp.blogspot.com/__h2bPbXvmCw/RlWD891fxlI/AAAAAAAAAGU/peX1hz2CVgo/s320/andreagatto1560a.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5068102039089694290" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/__h2bPbXvmCw/RlWD9d1fxmI/AAAAAAAAAGc/GEDSQrvU0fM/s1600-h/domitilla.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://4.bp.blogspot.com/__h2bPbXvmCw/RlWD9d1fxmI/AAAAAAAAAGc/GEDSQrvU0fM/s320/domitilla.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5068102047679628898" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;O quadro enche a parede lateral num dos salões do Palazzo del Principe. Não tem cores: só tons de marron, e violeta, e um vermelho-ferrugem onipresente. De largo, quase dois metros. Data, ao que parece, de 1560, ano da morte de Andrea Doria, e deve-se a um pintor veneziano anônimo, qualificado nos catálogos como “primitivo.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por que o Zio Andrea foi colocado diante do gato &lt;span style="font-style: italic;"&gt;tabby &lt;/span&gt;que o observa? Não sei. Mas esse gato é igualzinho à nossa Domitilla, aqui em casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em tempo: está aqui o parentesco a Andrea Doria — bastante próximo. Tiro isso de Battilana, Doria, tav. 23:&lt;br /&gt;&lt;p&gt;1. Niccolò Doria, filho de Babilano; atestado em 1292 e em 1310. Sr. de Oneglia. p.d. (e.o.):&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2. Cattaneo Doria, † antes de 1314, c.c. Margherita.. . P.d.(e.o.):&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3. Antonio Doria ou Aitone Doria, que morre na batalha de Crécy, onde comandava os besteiros genoveses a serviço dos franceses. P.d. (e.o.):&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ceva Doria. c.c. Maria di Gaspare Grimaldi. Pais de Francesco Doria, atestado em 1417, c.c. Caterina Grimaldi, dos senhores de Antibes, filha de Giorgio Grimaldi. Pais de, e.o., Ceva Doria, co-senhor de Oneglia, † c. 1470, c.c. Caracosa Doria, filha de Enrichetto Doria, sr. de Dolceacqua. Pais de Andrea Doria (1466-1560), príncipe de Melfi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Lodisio Doria. C.c. Alterisia... P.d. Aloisia ou Luigia, atestada em 1417, c.c. Battista di Napoleone Lomellini. Destes descendem os Lomellinis da Madeira, e do casal Lomellini-Doria era filha a mulher de Lodisio Centurione Scotto, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;nostra antenata. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5585094901893319171-7662908628681151180?l=famadoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://famadoria.blogspot.com/feeds/7662908628681151180/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5585094901893319171&amp;postID=7662908628681151180' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5585094901893319171/posts/default/7662908628681151180'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5585094901893319171/posts/default/7662908628681151180'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://famadoria.blogspot.com/2007/05/o-gato-do-zio-andrea.html' title='O gato do Zio Andrea'/><author><name>Francisco Antonio Doria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16243520355535324710</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/__h2bPbXvmCw/RlWD891fxlI/AAAAAAAAAGU/peX1hz2CVgo/s72-c/andreagatto1560a.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5585094901893319171.post-2718910013108759774</id><published>2007-05-20T21:04:00.000-03:00</published><updated>2008-12-09T06:42:39.733-02:00</updated><title type='text'>Gênova, 13 de maio de 2007</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/__h2bPbXvmCw/RlDmJN1fxkI/AAAAAAAAAGM/yi_uLRvTE2U/s1600-h/SUC30731a.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://2.bp.blogspot.com/__h2bPbXvmCw/RlDmJN1fxkI/AAAAAAAAAGM/yi_uLRvTE2U/s320/SUC30731a.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5066802626799060546" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Diante dos Dorias do século XIV, na &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Galleria degli Eroi, &lt;/span&gt;dando para os jardins do Palazzo del Principe. Mariana, sábado, me sugeriu que a gente desse um pulinho a Gênova — estávamos em Turim — e na manhã de domingo, dez horas, desembarcávamos na estação de Genova-Brignole. Fomos direto à Piazza San Matteo, ver a igrejinha (&lt;span style="font-style: italic;"&gt;l'abbazia dei d'Oria&lt;/span&gt;) e os palácios medievais de Branca, Domenicaccio, Lamba e Andrea Doria — este último, na verdade construído em meados do século XV.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois fomos ao Palazzo del Principe, a residência de Andrea Doria. Aí em cima estou debaixo de Pagano Doria (o da capa vermelha). Ao lado, de veste verde, Luciano Doria. O de barba branca como eu é Pietro Doria. Pagano Doria venceu, no Bósforo, a frota greco-veneziana-catalã, em 1352; dois anos depois incendiou Parenzo, e de sua catedral trouxe as relíquias de S. Mauro e S. Eleutério, depositadas na igreja de S. Matteo. Era filho de Gregorio di Niccolò Doria (em Battilana, tav. 44). Luciano Doria, filho de Ugolino, saqueou Rovigo, e venceu em batalha ao almirante veneziano Vettor Pisani. Tomou, de Cittanova d'Istria, relíquias de S. Massimo, também depositadas em S. Matteo em 1381. (Sua filha Andreola casou com Niccolò di Acciò Doria, de quem descendo.) Pietro Doria, enfim, co-senhor de Loano, é quem quase tomou Veneza, tendo morrido em combate naquela cidade em 1380. Era trineto do grande Oberto Doria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Melhor foi o comentário do carinha no &lt;span style="font-style: italic;"&gt;bookstore &lt;/span&gt;do Palazzo del Principe: questo Andrea Doria il vostro zio era stato un vero furbaglione. Ou seja: vigaristão...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5585094901893319171-2718910013108759774?l=famadoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://famadoria.blogspot.com/feeds/2718910013108759774/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5585094901893319171&amp;postID=2718910013108759774' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5585094901893319171/posts/default/2718910013108759774'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5585094901893319171/posts/default/2718910013108759774'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://famadoria.blogspot.com/2007/05/gnova-13-de-maio-de-2007.html' title='Gênova, 13 de maio de 2007'/><author><name>Francisco Antonio Doria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16243520355535324710</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/__h2bPbXvmCw/RlDmJN1fxkI/AAAAAAAAAGM/yi_uLRvTE2U/s72-c/SUC30731a.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5585094901893319171.post-1105238471626654463</id><published>2007-03-08T09:12:00.000-03:00</published><updated>2008-12-09T06:42:39.877-02:00</updated><title type='text'>Baudrillard em Petrópolis, 1983</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/__h2bPbXvmCw/Re__ne4TQfI/AAAAAAAAAGA/IZMAtQPfAZo/s1600-h/baudrillard83b.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://2.bp.blogspot.com/__h2bPbXvmCw/Re__ne4TQfI/AAAAAAAAAGA/IZMAtQPfAZo/s320/baudrillard83b.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5039527561820062194" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Em 1983, mal chegando eu de volta à Escola de Comunicação, Muniz Sodré me pega e diz, Baudrillard quer passear por Petrópolis. Você convida ele? Claro que sim. Vieram Muniz, Marcio, Fabio Lacombe, Alfredo de Sá Earp Hertz, Claudia, minha cunhada, também arquiteta como Alfredo. Dia bonito, fizemos um churrasco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi num sábado. Baudrillard passeou por Petrópolis, e ficou fascinado, encantado, com o contraste entre a arquitetura eclética, fim de século XIX, das partes tombadas da cidade, e o mato tropical furioso como pano de fundo. Depois veio cá pra casa, comer carne, beber cerveja e caipirinha. Botou uma sunguinha quase fio-dental, nadou, bebeu, comeu, nadou, mijou na grama e, no fim, se esticou ao sol, no gramado, e tirou uma soneca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na foto de cima: Muniz, Alfredo e Baudrillard. Na de baixo, Muniz, Alfredo, Baudrillard e Fabio.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5585094901893319171-1105238471626654463?l=famadoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://famadoria.blogspot.com/feeds/1105238471626654463/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5585094901893319171&amp;postID=1105238471626654463' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5585094901893319171/posts/default/1105238471626654463'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5585094901893319171/posts/default/1105238471626654463'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://famadoria.blogspot.com/2007/03/em-1983-mal-chegando-eu-de-volta-escola.html' title='Baudrillard em Petrópolis, 1983'/><author><name>Francisco Antonio Doria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16243520355535324710</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/__h2bPbXvmCw/Re__ne4TQfI/AAAAAAAAAGA/IZMAtQPfAZo/s72-c/baudrillard83b.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5585094901893319171.post-3487664988379665446</id><published>2007-02-25T22:16:00.000-03:00</published><updated>2007-02-27T03:20:37.401-03:00</updated><title type='text'>Heracles, um ancestral do tempo da guerra de Tróia (século XIII a.C.)</title><content type='html'>Depois traço essa linha, com a ajuda do livro de Settipani, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Nos Ancêtres de l'Antiquité. &lt;/span&gt;No atacado, digamos assim, deve estar correta — e descendemos de Heracles, o dos trabalhos, eu e todo o Ocidente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Heracles é o primeiro ancestral da dinastia dos Filípidas da Macedônia, de onde provêm Alexandre o Grande e seu pai Filipe II. E' também o antepassado dos Heráclides, família real da Ásia Menor da qual descendia Heráclito de Éfeso. Segundo a lenda, foi o protetor de Podarces, depois Príamo, rei de Troia. Príamo é, com frequência, identificado a Piyama-Radu, um personagem cujas aventuras bélicas estão contadas na “Carta de Tawagalawas.” E Tawagalawas é, com certeza, Eteocles (&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Etewekelewes&lt;/span&gt;), irmão de Polinice, rei usurpador de Tebas, e filhos de Édipo. Kádmos, o fundador de Tebas, está atestado historicamente, segundo descoberta arqueológica recente. Todos unidos num mesmo contexto lendário, é plausível que tenha existido um personagem que vai dar substrato à figura mítica de Heracles. Assim como, decerto, Édipo, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;túrannos &lt;/span&gt;de Tebas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5585094901893319171-3487664988379665446?l=famadoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://famadoria.blogspot.com/feeds/3487664988379665446/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5585094901893319171&amp;postID=3487664988379665446' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5585094901893319171/posts/default/3487664988379665446'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5585094901893319171/posts/default/3487664988379665446'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://famadoria.blogspot.com/2007/02/heracles-um-ancestral-do-tempo-da.html' title='Heracles, um ancestral do tempo da guerra de Tróia (século XIII a.C.)'/><author><name>Francisco Antonio Doria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16243520355535324710</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5585094901893319171.post-2358138041922027401</id><published>2007-02-25T21:32:00.000-03:00</published><updated>2007-02-25T21:45:26.096-03:00</updated><title type='text'>Soeiro da Costa (c. 1390-1472), um dos “Doze de Inglaterra”</title><content type='html'>Soeiro da Costa era pai de Afonso da Costa, alcaide-mor de Lagos, e avô do Dr. Cristóvão da Costa. Foi um dos “Doze de Inglaterra.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não há prova de sua filiação; mas foi, com certeza, filho ou neto de Afonso Lopes da Costa, que é atestado em Lagos em 1401, talvez já falecido a esta data. Soeiro teve um filho Afonso, e descendia de outro Soeiro, na linha de Afonso Lopes, que provinha dos alcaides-mores de Évora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É um herói da cavalaria tarda. Conta-se que, tendo sido doze damas inglesas da melhor nobreza ofendidas em sua honra por doze fidalgos da terra, apelaram aquelas a seu rei, para que designasse campeões que por elas se batessem; mas nenhum campeão que lutasse pelas damas foi encontrado na Inglaterra. Lembrou-se então o rei que portugueses batiam-se com bravura e destemor, e apelou a cavaleiros de Portugal, para que viessem lutar pelas damas ofendidas. Doze cavaleiros lusos enfrentaram então em justas os doze ingleses ofensores, e venceram-nos, assim lavando a honra das damas inglesas. Esses doze cavaleiros ficaram desde então conhecidos como os Doze de Inglaterra. Os nomes desses cavaleiros - na verdade treze, em número - são conhecidos, e são, todos, personagens historicamente atestados: Alvaro Vaz de Almada (depois Conde de Avranches); Alvaro Gonçalves Coutinho, dito “o grão Magriço”; João Fernandes Pacheco e Lopo Fernandes Pacheco (filhos de Diogo Lopes Pacheco, um dos assassinos de D. Inês de Castro);  Alvaro Mendes Cerveira e Rui Mendes Cerveira, também irmãos; João Pereira Agostim; Soeiro da Costa; Luis Gonçalves Malafaia; Martim Lopes de Azevedo;  Pedro Homem da Costa; Rui Gomes da Silva e Vasco Anes da Costa, dito “Corte Real.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Destes nos vai interessar Soeiro da Costa.  Assim, diz o cronista Gomes Eanes de Zurara (1410-1474) na sua &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Crônica dos feitos da Guiné&lt;/span&gt;, “Ca hera hi Sueiro da Costa, alcaide daquella villa de Lagos, o qual era homem nobre e fidalgo, criado de moco pequeno na camara delrrey dom Eduarte [D. Duarte] e que se acertava de seer em muy grandes fectos; ca elle fora na batalha de Monvedro, com elrrey dom Fernando dAragom contra os de Vallenca, e assy no cerco de Vallaguer, em que fezerom muy grandes cousas, e foe com elrrey Lancaraao [Ladislau], quando barrejou a cidade de Roma; e andou com elrrey Luis de Proenca [de Provença], em toda a sua guerra. E esteve na batalha da Ajancout [Azincourt], que foe hua muy grande e poderosa batalha entre elrrey de Franca e elrrey de Jngraterra. Efora ja na batalha de Vallamont, cabo de Caaes, com o conde estabre de Franca contra oduque dOssestre, e na batalha de  Monseguro [Montségur], em que era o conde de Fooes [Foix] e o conde dArminhaque [d’Armagnac], e na tomada de Samsooes [Soissons] e no decerco de Ras [Rheims?] e assy no decerco de Cepta [Ceuta] Nas quaaes cousas sempre provou, coomo muy vallente homem darmas.” (Algumas datas, para se precisar a cronologia: em 1411 acontece a batalha entre Luiz de Anjou, rei de Provença e Ladislau de Durazzo, rei de Napoles; em 27.2.1412 ocorre a batalha de Murviedro;  de 1.8.1413 a 31.10.1413, o cerco de Balaguer; entre 1412 e 1413, a batalha de Montségur; em 1414, o cerco de Roma; em 25.10.1415, a batalha de Azincourt; e em 1418-1419, o cerco de Ceuta.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Podemos reconstituir a biografia de Soeiro da Costa, em parte sobre conjecturas, em parte sobre o testemunho de crônicas como a de Zurara, e em parte sobre documentos. Soeiro da Costa terá nascido c. 1390, muito provavelmente em Tavira ou em Lagos, se seu avô (pai?) tiver sido - como se discutiu já - Afonso Lopes da Costa, que recebeu em 1384, do Mestre de Aviz, o prazo de uma azenha em Tavira. Em seguida vemos, já com vinte anos ou quase, Soeiro da Costa batendo-se nos principais campos de batalhas de começos do século XV, como o fizeram também Alvaro Vaz de Almada e o “grão Magriço.” Nos documentos, Soeiro da Costa aparece pela primeira vez em 8.5.1433, quando D. Duarte nomeia-o para o cargo de almoxarife de Lagos no Algarve, dizendo-o “seu criado.” Em 18.5.1439 D. Afonso V chama-o alcaide em Lagos no ato em que lhe concede uma tença anual de 200 000 libras. Está como alcaide-mor e almoxarife até 1450, embora seu genro Lançarote da Ilha apareça como almoxarife em 11.4.1443. Soeiro da Costa renuncia à alcaidaria-mor de Lagos em 1452, e em 5.2.1452, a pedido do infante D. Henrique, D. Afonso V nomeia Afonso da Costa, filho de Soeiro, para o posto de alcaide-mor de Lagos (em 3.1.1486 D. João II confirma Afonso da Costa como alcaide-mor de Lagos). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda outra notícia, de verbete enciclopédico: “Tantas ações de cavalaria já o faziam célebre na Europa, e estando bem firmados os créditos do infante D. Henrique pelos sucessos dos seus descobrimentos, a cidade de Lagos, contra as murmurações dos críticos, quis fazer novo armamento no ano de 1445, para destruir a ilha de Arguim, que muitos prejuízos causava, e entregou juntas 14 velas ao capitão Lançarote da Ilha (ou de Freitas), que fora criado do infante D. Henrique, no foro de seu moço da câmara, e era almoxarife de Lagos, por mercê do mesmo infante. Soeiro da Costa, apesar de já ter certa idade mas que não afrouxara como militar aguerrido, ofereceu-se generosamente, e lhe foi dada a capitania de uma delas; as quais, todas reunidas a mais 12, com que os de Lisboa e da ilha da Madeira, nesta facção mais de honra que de interesse, nada quiseram ceder aos de Lagos, saíram daquele porto a 10.8.1445. Separadas as caravelas por um forte temporal que sobreveio, cada uma com incerto rumo buscava sítio diverso ao longo da costa; mas como prudentemente, Lançarote havia determinado que, no caso de tempestade, todas demandariam a ilha das Graças para se reunirem, e ali se foram juntando umas às outras, e chegadas depois a Arguim, entraram na ilha afugentando todos os habitantes, podendo apenas lançar mão a 12 homens, que destemidos se arriscaram com as armas na mão a defender-se, combatendo com os nossos, dispostos a morrerem e não a se renderem. Nesta ação mostrou Soeiro da Costa qual seria o seu esforço em lances mais arriscados, e não contente com a vitória, com a espada tinta em sangue infiel, como quem prezava mais a religião que o valor militar, pediu que o armassem cavaleiro para de novo se alistar naquela conquista do Evangelho, e havendo recusado outras vezes esta honra na Europa e de mãos reais, agora a requeria em memoria daquele triunfo, aceitando-a da mão de Álvaro de Freitas, comendador de Aljezur, tendo a glória de o acompanhar o capitão Diniz Eanes de Gram, escudeiro do infante D. Pedro e sobrinho de Gonçalo Pacheco, que fora anteriormente criado do infante D. Henrique, e então já aposentado no oficio de tesoureiro­-mor da Casa de Ceuta, que recebeu conjuntamente a mesma dignidade de cavaleiro. Lançarote da Ilha seguiu viagem, ambicioso de maior gloria, e Soeiro da Costa retirou-se para o reino, acometendo de passagem o Cabo Branco e a ilha de Tider, recolhendo-se a Lagos vitorioso, e com muitas presas que trazia. Soeiro da Costa foi casado com Mécia Simões, filha de Gil Simões, alcaide-mor de Estoi (também no Algarve), de quem teve uma filha, que casou com o capitão Lançarote.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Soeiro da Costa morre em 1472; já estava falecido de pouco em 14.8.1472, pois a partir de janeiro de 1471 ainda recebia, por mercê de D. Afonso V, uma tença de 5 mil reais de prata. Fora casado, como ficou dito, com Mécia Simões, ainda viva no tempo de D. João II, filha de Gil Simões que tinha a alcaidaria-mor de Estói, localidade junto a Faro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5585094901893319171-2358138041922027401?l=famadoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://famadoria.blogspot.com/feeds/2358138041922027401/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5585094901893319171&amp;postID=2358138041922027401' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5585094901893319171/posts/default/2358138041922027401'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5585094901893319171/posts/default/2358138041922027401'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://famadoria.blogspot.com/2007/02/soeiro-da-costa-c-1390-1472-um-dos-doze.html' title='Soeiro da Costa (c. 1390-1472), um dos “Doze de Inglaterra”'/><author><name>Francisco Antonio Doria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16243520355535324710</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5585094901893319171.post-6568673758018543505</id><published>2007-02-25T20:18:00.001-03:00</published><updated>2008-12-09T06:42:40.042-02:00</updated><title type='text'>A família mais antiga do Brasil?</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/__h2bPbXvmCw/ReIhCoQAxyI/AAAAAAAAAF0/dTG7VZOeI9Q/s1600-h/1520criscosta01a.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://3.bp.blogspot.com/__h2bPbXvmCw/ReIhCoQAxyI/AAAAAAAAAF0/dTG7VZOeI9Q/s320/1520criscosta01a.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5035623662401668898" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;A família mais antiga do Brasil ou descende de alguém que veio na frota de Cabral, ou descende de algum índio que aqui vivesse, comprovadamente, antes de 1500... Como nossos ancestrais da terra tinham apenas culturas ágrafas, a &lt;span style="font-style: italic;"&gt;next best option &lt;/span&gt;está em encontrar algum antepassado na frota do “seu” Cabral.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Tem famílias maias que podem traçar suas genealogias aos séculos XII ou XIII — ou o equivalente, nas suas culturas; tenho a reprodução de uma delas que conforme o caso posso reproduzir aqui.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao que parece, o meu pessoal tem um avoengo na frota de Cabral, um tio-avoengo: Pero Vaz de Caminha. Explico o parentesco. Em 1520 o Dr. Cristóvão da Costa, lente da universidade em Lisboa e desembargador da relação na mesma capital, casa-se com a filha de um colega, Guiomar Caminha, filha do Dr. Fernão Vaz Caminha, também da relação de Lisboa e professor da universidade. Filha, e herdeira, do morgadio dos Caminhas. Penso que o Dr. Caminha — num recibo de 1501 assina, imponente, O Doutor Caminha — era filho de Rui Vaz de Caminha, meio-irmão mais velho de Pero Vaz de Caminha, nascido c. 1450 e † 1500 nas Índias, o escrivão da frota de Cabral. Rui Vaz de Caminha casou-se com Catarina Fernandes, filha legitimada de Fernão Vaz, “clérigo de missa,” e de Constança Afonso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou seja, o nome “Fernão Vaz,” que ainda alcança um primo no século XX, vem desse Fernão Vaz, clérigo de missa, que esqueceu os votos e luxuriou-se com a moça Constança. Seu neto é o Dr. Fernão Vaz de Caminha, que por sua vez passa prenome e patronímico ao próprio neto, Fernão Vaz da Costa, futuro marido de Clemenza Doria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na imagem, cujo copyright pertence aos IANTT, o presente de 50 contos que D. Manuel, em 1.4.1520, dá ao Dr. Cristóvão da Costa, quando de seu casamento. Diz, “...Doutor Cristóvão/ da Costa, filho do alcaide-mor de Lagos...” na 5a. e 6a. linhas. E, igualmente ao pé do documento, “Cristóvão da Costa fo. do alcaide-mor de Lagos...”&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5585094901893319171-6568673758018543505?l=famadoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://famadoria.blogspot.com/feeds/6568673758018543505/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5585094901893319171&amp;postID=6568673758018543505' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5585094901893319171/posts/default/6568673758018543505'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5585094901893319171/posts/default/6568673758018543505'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://famadoria.blogspot.com/2007/02/famlia-mais-antiga-do-brasil.html' title='A família mais antiga do Brasil?'/><author><name>Francisco Antonio Doria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16243520355535324710</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/__h2bPbXvmCw/ReIhCoQAxyI/AAAAAAAAAF0/dTG7VZOeI9Q/s72-c/1520criscosta01a.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5585094901893319171.post-144572518020099780</id><published>2007-02-23T15:41:00.000-02:00</published><updated>2008-12-09T06:42:40.165-02:00</updated><title type='text'>Por que o ódio contra a inteligência?</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/__h2bPbXvmCw/Rd83x4QAxwI/AAAAAAAAAFY/vRa3JsajBCg/s1600-h/cristofforus1526a.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://1.bp.blogspot.com/__h2bPbXvmCw/Rd83x4QAxwI/AAAAAAAAAFY/vRa3JsajBCg/s320/cristofforus1526a.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5034804238476166914" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Conversei isso muito, hoje, com Margô, sobre o que segue. Primeiro, lembro da frase de Steve Weinberg, Prêmio Nobel de física em 1979: se não fossem as universidades de pesquisa, os Estados Unidos seriam hoje apenas grandes exportadores de soja. Lembra que país exportador de soja? Hem? Hem?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tanto a família dela quanto a minha — e põe aí nossos ascendentes comuns — sempre exibiram gente com instrução formal. Ou gente que patrocinava a cultura. Lembrei de um Tourinho que o Caio Tourinho desencavou em Coimbra, começos do século XVII; era dos baianos e estudava cânones por lá. No século XIX, tem gente cultivada a dar com o pé, na família de Margô: Demétrio Tourinho, que implantou a cátedra de medicina legal na Bahia; Simplicio Coelho de Resende e seu genro Antonio de Sousa Rubim, bacharéis e jornalistas. No século XX, Tio Álvaro, Álvaro Rubim de Pinho, o grande psiquiatra baiano, o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Doutor Rubim, &lt;/span&gt;que motivou o comentário de João Ubaldo: “cuca que doutor Rubim não desentorta, ninguém desentorta.” Simplicio, pai dela. Os três irmãos Madureira de Pinho, Péricles, Demósthenes e Demades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O lado da parentela comum começa em Nicola Acciaioli (1310-1366), grão-senescal de Nápoles. Descendia de catadores de acerola, como se viu, mas quis dotar Florença de uma universidade, o Palazzo degli Studj, anexo à Certosa. Do ramo dos duques de Atenas foi Donato Acciaioli (1428-1478), humanista, tradutor de Plutarco, cujos filhos tiveram como tutor a Lorenzo il Magnifico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Mas na verdade houve um doutor em cânones, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;lontanissimo, &lt;/span&gt;entre os Acciaiolis, messer Leone degli Acciaioli, que trouxe para a Itália da Ásia Menor os despojos de S. Tomé, e que depois aparece como doutor em cânones, e membro da corporação &lt;span style="font-style: italic;"&gt;de' giudici e notai &lt;/span&gt;em Florença.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os Dorias medievais são um bando de senhores feudais brutalizados, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;brutta gente, &lt;/span&gt;como diz Mariana, mas, surpreendentemente, há mesmo poetas entre eles, como Perzivalle Doria, poeta provençal, do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;dolce stil nuovo, &lt;/span&gt;e Isotta, Marquesa de Saluzzo, também poetisa. Começo, no entanto, a lista quase contínua dos intelectuais da família no Dr. Cristóvão da Costa, nascido em Lagos cerca de 1485, e falecido em Lisboa em meados do século XVI. Foi bacharel em cânones por Salamanca, 20.2.1512. Doutorou-se em leis por Lisboa, em fins da mesma década. Foi reitor da universidade de outubro de 1526 a novembro de 1527, depois de ter servido como vice-reitor do Dr. Jorge Cotão. Desembargador da relação de Lisboa, desde antes de 1520, chegou a seu chanceler, o cargo mais alto do judiciário português à época. Fernão Vaz da Costa, o segundo marido de Clemenza Doria, foi seu filho; deles descendo com uma quebra na varonia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fernão Vaz foi antes uma espécie de cavaleiro andante tardio, homem de ação. Mas, logo no século XVII temos uma cabeça brilhantíssima na família, o padre Antonio Vieira (1608-1697). De Vieira não preciso falar; descendo de sua irmã, D. Inácia de Azevedo, casada com Fernão Vaz da Costa, terceiro do nome. Vieira era próximo aos sobrinhos desse lado: apadrinhou no batismo o sobrinho-neto Manuel de Sá Doria, nascido em 1676, e teve o pai deste, Francisco de Abreu da Costa, também terceiro do nome, como seu representante e porta-voz em Lisboa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em começos do século XIX meu trisavô José da Costa Doria aparece como “professor,” num documento de 1833. Em 1857, em Aracaju, testemunha o ato de fundação do primeiro teatro de Sergipe. Seu filho &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Doloque, &lt;/span&gt;Diocleciano da Costa Doria (1841-1920) é doutor em medicina pela Bahia em 1869, e depois diretor de instrução e higiene públicas, em Santa Catarina. O neto Antonio Moitinho Doria, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Tunico &lt;/span&gt;(1875-1950), funda a OAB, no Rio, é também jornalista, e deixa várias coletâneas de ensaios, num estilo maravilhosamente límpido. Não preciso citar os primos arquitetos, MMM Roberto, Marcelo, Mauricio e Milton Doria Baptista, filhos de Yayá, da primeira geração da arquitetura moderna no Brasil. De papai falo depois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No lado Accioli, meu trisavô José de Barros Accioli Pimentel (1820-1879) forma-se em medicina pelo Rio, e é considerado o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Pai da Medicina Alagoana. &lt;/span&gt;Seu filho o Cel. Accioli de Vasconcellos, a quem Alayr chamava &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Botão de Rosa&lt;/span&gt;, ainda que não tendo estudos superiores completos, interessa-se pela telegrafia, sobre o que escreve uma monografia, e publica o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Guia do Imigrante para o Império do Brasil, &lt;/span&gt;quando era diretor-geral de terras e colonização no império. Ah, José Antonio do Valle, bisavô de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Nhanhã, &lt;/span&gt;mulher do Coronel Accioli, Dona Maria do Carmo do Valle. José Antonio do Valle era um bacharel em cânones coimbrão, e teve funções como juiz. Chegou a tomar ordens menores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do lado Moraes, mais gente. Os bacharéis: Prudente &lt;span style="font-style: italic;"&gt;o velho&lt;/span&gt;, Prudente de Moraes, Prudente José de Moraes Barros; Manuel de Moraes Barros, o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Tio Manduca — &lt;/span&gt;&lt;span&gt;tios&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span&gt;trisavós&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;/span&gt;Meu avô, Justo de Moraes (1883-1968), pai de mamãe, também advogada. Um engenheiro, o bivô, Luiz Mendes de Moraes, general de divisão com as honras de marechal, ministro da guerra em 1909; gostava de ser chamado &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Doutor Moraes&lt;/span&gt;, e não &lt;span style="font-style: italic;"&gt;General Mendes de Moraes&lt;/span&gt;. Também seu sogro, Justo de Azambuja Rangel, e o cunhado, Silvio Ferreira Rangel, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Tio Silvio. &lt;/span&gt;Todos engenheiros, que projetam e constroem o ramal de Vassouras da estrada de ferro por lá passando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E agora vejo que, do lado de vovó, Herminia Gomes de Mattos Cresta (1888-1977), temos também bacharéis e engenheiros. Bacharel em cânones, Filipe Gomes de Mattos, que recebe o grau em 8.7.1773, conforme me comunicou hoje o primo Estrela. Seu neto Antonio Gomes de Mattos Jr. é engenheiro naval; estuda em Portsmouth e é considerado &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Pai da Marinha Mercante Brasileira. &lt;/span&gt;Sua mulher — a Joaquina da Praia da Joaquina, D. Joaquina Rosa de Oliveira e Costa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E não preciso falar da inteligência familiar recente: o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Neco, &lt;/span&gt;Prudente de Moraes, neto, que morreu na presidência da ABI (1904-1977), Tio Emanuel, Emanuel de Moraes; papai; Francisquinho, Francisco Eduardo Accioli Rabello, conhecido na Faculdade Nacional de Medicina como &lt;span style="font-style: italic;"&gt;o Rabellinho&lt;/span&gt;, porque seu pai, Dr. Rabello, meu tio-avô, fora também um grande médico, Eduardo Rabello Filho. Antonio Paes de Carvalho. Muita gente. Do lado de Margô, Tio Alvaro e o pai dela, Simplicio, senador amazonense pela UDN (1913-1962); os Madureiras de Pinho; Rafael Carneiro da Rocha, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;o homem de voz de catedral submersa&lt;/span&gt;, como o chamava pessoa amiga. Muita gente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No Brasil de hoje, a inteligência é desprezada, e provavelmente odiada. Contrastes históricos: na Russia de Pedro o Grande e Catarina a Grande, ou na &lt;span style="font-style: italic;"&gt;entourage &lt;/span&gt;de Cristina da Suécia, filósofos eram tratados como se da nobreza fossem. Em Portugal e na França, desde o século XVI, a condição de letrado tornava o bacharel, doutor, lente ou juiz, pessoa de status nobre — elevava-o à nobreza, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;noblesse de robe&lt;/span&gt;, como se dizia. No Brasil império, ao tempo de Pedro II, catedráticos possuíam automaticamente o “título de conselho,” isto é, eram “do Conselho de Sua Majestade o Imperador.” Ao tempo da república velha, sim, a &lt;span style="font-style: italic;"&gt;república dos bachareis&lt;/span&gt;, os catedráticos eram funcionários equiparados, no nível e no status, aos ministros do supremo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A derrocada começou no tempo dos militares, e se acentuou nos governos Collor, FHC e Lula. Hoje tem professor universitário de universidade federal ganhando dois, três salários mínimos. Por que esse ódio à inteligência?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na imagem: em outubro de 1526, o conselho dirigente da universidade de Lisboa decide ir falar com o rei D. João III em Alcochete; acima a ata da reunião. A assinatura do Dr. Cristóvão da Costa, reitor em exercício, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Cristofforus, &lt;/span&gt;está no alto à esquerda. (Reproduzido do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Auctarium Chartularii Universitatis Portugalensis, &lt;/span&gt;ed. de 1973, vol. II.)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5585094901893319171-144572518020099780?l=famadoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://famadoria.blogspot.com/feeds/144572518020099780/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5585094901893319171&amp;postID=144572518020099780' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5585094901893319171/posts/default/144572518020099780'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5585094901893319171/posts/default/144572518020099780'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://famadoria.blogspot.com/2007/02/por-que-o-dio-contra-inteligncia.html' title='Por que o ódio contra a inteligência?'/><author><name>Francisco Antonio Doria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16243520355535324710</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/__h2bPbXvmCw/Rd83x4QAxwI/AAAAAAAAAFY/vRa3JsajBCg/s72-c/cristofforus1526a.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-55850
