quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

Dando aula, 1974


Sou eu mesmo, yours truly, dando aula; Instituto de Física, UFRJ, 2º semestre de 1974. Devia ser um curso de mecânica clássica; um intermezzo sobre álgebra linear no espaço de Minkowski. Ou talvez um curso de eletromagnetismo clássico, onde estava começando a introduzir a notação covariante de Einstein.

Mamãe no casamento, 1944


Mamãe — Silvia Cresta Mendes de Moraes — no dia do casamento, 11 de novembro de 1944, na casa da vovó, sala de visitas ou sala do piano. O piano está bem à esquerda; ao fundo a bay window da sala (em cima da bay window era a sacada do escritório de vovô, no segundo andar). Na bay window ficavam a mesa de Boulle e várias cadeiras pastiche Luiz XV, com o estofo pintado à mão.

Três fotos



No medalhão, com menos de dois anos, mamãe, em frente da mesa de Boulle. Deve ter sido na casa da bivó Cecilia (Mendes de Moraes) à rua Aristides Lobo, no Rio Comprido.

No retrato quadrado de baixo, vovó - Herminia Cresta Mendes de Moraes - tendo ao lado Tio Luiz (Luiz Mendes de Moraes Neto), mamãe no colo (Silvia Cresta Mendes de Moraes, depois Silvia Moraes de Accioli Doria), e Tia Maria (de casada Maria Moraes Werneck de Castro). Tia Maria está aí a cara de sua filha Herminia Cecilia. Local da foto: jardim da casa do Rio Comprido, da bivó, Cecilia Rangel Mendes de Moraes. Note-se a grama, inabitual em jardins àquele tempo.

No retrato de cima, vovó e bivó Leonor, Leonor Gomes de Mattos, levando pela mão Tia Maria. Ao fundo a casa de Aristides Lobo. A data é entre 1910 e 1911, começos.

O diploma do Dr. Filipe Gomes de Mattos


E' descoberta do Rodrigo Estrella. E mostra que, pelo menos desde o século XVIII, a família tinha letrados (teve outros antes, nesse lado e nos outros).

Mas aqui fica o diploma.

Vovó e sua família


Vovó, Herminia Gomes de Mattos Cresta, nasceu no Rio em 5 de maio de 1888 e morreu na mesma cidade em 9 de julho de 1977. Casou em 28 de julho de 1908 com vovô, o Velho Justo, Justo Rangel Mendes de Moraes.

Depois falo de vovô, Vovô Dindinho, porque era meu padrinho (fui batizado no dia do aniversário dele, 14 de janeiro de 1946, ele fazendo 63 anos).

Vovó e vovô viviam na casa imensa de Copacabana — no meio de um terreno de mais de mil metros, tinha dez quartos, uns três salões: sala de visitas, ou sala do piano, onde ficavam um piano Érard de meia cauda, uma mesa de Boulle que com certeza não era do Boulle original do século XVII, mas de algum carpinteiro especializado em marchetaria do século XIX, e vários quadros, entre os quais uma Madonna que me fascina até hoje; o hall central, que virou uma espécie de sala da televisão, enorme, com vigas no teto, expostas, pintadas de marron escuro, a tv num console com toca-discos e rádio num canto junto de um dos arcos se abrindo para a varanda; e a sala de jantar, com sua mesa para vinte lugares, e, numa bay window, separada da sala por um degrau, com uma mesa na qual os netos menores almoçavam antes do almoço formal dos adultos.

Vovó era filha de um italiano, genovês, Emmanuel Cresta, e de uma carioca, D. Leonor Gomes de Mattos. Depois falo do bisavô italiano, cujo nome se pronuncia Emânuel, nome de meu tio caçula, poeta e advogado, Emanuel de Moraes. Agora vou falar da surpreendente família de vovó, toda carioca até o século XVI. Ela não sabia disso; nenhum de nós sabia dessa ascendência, levantada pelo Rodrigo Estrella neste ano de 2007.

Vou dar a linha direta, varonia, dos Gomes de Mattos:

I. José da Silveira. (Tem alguma dúvida aqui, ou alguma confusão que ainda se vai esclarecer.) Senhor de engenho em Inhomirim. Inhomirim é na Raiz da Serra, ao pé da Estrada Velha de Petrópolis (ou da Calçada de Pedra, o antigo peabiru — caminho dos índios — que adentrava o país, e que foi calçado pelos bandeirantes). Nascera em fins do século XVI, nas ilhas, e seu nome seria de Toledo da Silveira.

O engenho poderia não ser de açúcar, mas sim um engenho de moer mandioca, já que a região era produtora de mandioca.

Se a interpretação dos documentos estiver certa, teria casado com uma Inês da Costa. Pais de:

II. Antonio de Toledo. Este personagem é certo. Teria nascido em começos do século XVII, e casou-se com Maria Lopes de Figueiredo, n.c. 1619, provável filha do vereador Alexandre Lopes de Figueiredo, n. 1585, e de Ana de Góes. Pais de:

III. Alberto de Toledo. Casou com Ana Gomes, filha de Dom Fernando Ramirez e de Inês da Costa (que seria a mesma supra). Pais de:

IV. Valério Gomes da Silveira. Nasceu em 1689 ou 1690 em Inhomirim: provavelmente foi batizado em 22 de janeiro de 1690, em Inhomirim, nas terras de sua família, na igreja de N. S. da Piedade.

Casou-se em 1736 com D. Maria do Bonsucesso, ou D. Maria Antunes de Mattos, nascida em 1710 e batizada em S. Gonçalo, filha do licenciado José Antunes de Mattos e de sua mulher Maria Vieira. Esta Maria Vieira era filha de Baltazar Vieira da Veiga e de Catarina de Siqueira, filha de André de Siqueira de Lordello, n. 1612, vereador, e de Madalena de Campos, n. 1624, filha de Bento Maciel Tourinho, da família de Pero do Campo Tourinho, donatário de Porto Seguro (Bento era filho de outro Pero do Campo Tourinho, que viveu no Rio, e não deve ser confundido ao donatário). Teve sesmaria em 1749 “nas bandas de um rio que chamam Piabanha,” junto das terras de Francisco Muniz de Albuquerque.

Pais de:

V. Dr. Filipe Gomes de Mattos. Primeiro a usar o nome Gomes de Mattos. Foi batizado na igreja de N. S. da Piedade de Inhomirim em 21 de maio de 1745, e casou em 1787 com D. Maria Joaquina de S. José, ou do Bonsucesso, filha de Bartolomeu Machado Ferreira, natural da Terceira, e de sua mulher Joaquina Ignacia da Luz.

Padrinhos de batismo do Dr. Filipe Gomes de Mattos foram Francisco Moniz de Albuquerque e sua mulher D. Maria de Meneses. O Dr. Filipe graduou-se em Coimbra em cânones em 1774 (o processo de concessão de seu diploma foi descoberto pelo Rodrigo Estrella). Francisco Moniz de Albuquerque tinha uma enorme sesmaria no caminho da Posse, aqui em Petrópolis, e ao lado desta sesmaria teve terras Valério Gomes da Silveira.

Daí segue a linha Gomes de Mattos. Bivó Leonor, D. Leonor Gomes de Mattos, era filha de Antonio Gomes de Mattos Jr., dado como o Pai da Marinha Mercante Brasileira, e de D. Joaquina Rosa de Oliveira Costa, que deu o nome à “Praia da Joaquina” perto de Florianópolis, e neta de Antonio Gomes de Mattos e de D. Bernardina Florinda Naite, casados em 1826.

Antonio Gomes de Mattos, o primeiro, era filho do Dr. Filipe.

Vovó descendia também de Antonio de Marins ou Mariz (o “Dom” Antonio de Mariz de O Guarani), e da irmã de Aleixo Manuel, que em meados do século XVI abriu a Rua do Ouvidor no Rio (Pedro me acrescenta: rua de Aleixo Manuel, depois rua do Desvio da Praia, e então rua do Ouvidor). E tem uma linha nos Meneses que chega longe, pela idade média. Depois posto isso.

Também assinalo as três escravas de que descendemos, nesse lado.

Na imagem: a concessão da sesmaria junto ao Piabanha, uma légua em quadra, a Valério Gomes da Silveira. (Obrigado, Rodrigo Estrella; imagem cedida pelo IANTT.)

A Casa da Vovó


A data da minha foto é 1955, meados do ano. A foto dos carros é de 1952, quando ganhei uma câmarazinha box, e saí tirando foto de tudo que aparecia na minha frente - lembro bem, usava filme preto e branco (a cores, nem pensar, era caríssimo e a gente tinha que mandar revelar no Panamá).

Minha foto: estou de pé no caminhozinho de pedras que ia até o poço, no fundo dos jardins da casa da vovó. O jardim era um jardim coisa como japonês, todo coberto de areia que vinha da praia a uma quadra de distância, e ancinhado pelo jardineiro todo dia de manhã. O endereço da casa da vovó era: Rua Rainha Elizabeth, 53. Depois a prefeitura mudou nome e número para: Avenida Rainha Elizabeth, 129, porque a rua era larga demais para ser apenas rua (a rainha Elizabeth homenageada era a rainha Elizabeth da Bélgica, mulher do rei Alberto, que visitou o Brasil).

Não lembro quem tirou minha foto.

A foto mais antiga, dos carros na frente da garagem (o chalet dos empregados, como vovó dizia), é de 1952, talvez do dia mesmo em que papai e mamãe me deram de presente a máquina fotográfica, ou máquina de retrato, que é como se dizia. O carro de vovô era um Hudson azul escuro, comprado em 1947 ou 1948; do lado esquerdo da foto aparece a caminhonete Bedford de Tio Luiz, Luiz Mendes de Moraes Neto, que era cinzenta e na qual ele nos levava — quando o carro funcionava — para tomar água de coco e comer camarão frito em São Conrado, então um deserto.

sexta-feira, 20 de julho de 2007

Texto do Manuel

http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos.asp?cod=442FDS009