domingo, 25 de fevereiro de 2007

Heracles, um ancestral do tempo da guerra de Tróia (século XIII a.C.)

Depois traço essa linha, com a ajuda do livro de Settipani, Nos Ancêtres de l'Antiquité. No atacado, digamos assim, deve estar correta — e descendemos de Heracles, o dos trabalhos, eu e todo o Ocidente.

Heracles é o primeiro ancestral da dinastia dos Filípidas da Macedônia, de onde provêm Alexandre o Grande e seu pai Filipe II. E' também o antepassado dos Heráclides, família real da Ásia Menor da qual descendia Heráclito de Éfeso. Segundo a lenda, foi o protetor de Podarces, depois Príamo, rei de Troia. Príamo é, com frequência, identificado a Piyama-Radu, um personagem cujas aventuras bélicas estão contadas na “Carta de Tawagalawas.” E Tawagalawas é, com certeza, Eteocles (Etewekelewes), irmão de Polinice, rei usurpador de Tebas, e filhos de Édipo. Kádmos, o fundador de Tebas, está atestado historicamente, segundo descoberta arqueológica recente. Todos unidos num mesmo contexto lendário, é plausível que tenha existido um personagem que vai dar substrato à figura mítica de Heracles. Assim como, decerto, Édipo, túrannos de Tebas.

Soeiro da Costa (c. 1390-1472), um dos “Doze de Inglaterra”

Soeiro da Costa era pai de Afonso da Costa, alcaide-mor de Lagos, e avô do Dr. Cristóvão da Costa. Foi um dos “Doze de Inglaterra.”

Não há prova de sua filiação; mas foi, com certeza, filho ou neto de Afonso Lopes da Costa, que é atestado em Lagos em 1401, talvez já falecido a esta data. Soeiro teve um filho Afonso, e descendia de outro Soeiro, na linha de Afonso Lopes, que provinha dos alcaides-mores de Évora.

É um herói da cavalaria tarda. Conta-se que, tendo sido doze damas inglesas da melhor nobreza ofendidas em sua honra por doze fidalgos da terra, apelaram aquelas a seu rei, para que designasse campeões que por elas se batessem; mas nenhum campeão que lutasse pelas damas foi encontrado na Inglaterra. Lembrou-se então o rei que portugueses batiam-se com bravura e destemor, e apelou a cavaleiros de Portugal, para que viessem lutar pelas damas ofendidas. Doze cavaleiros lusos enfrentaram então em justas os doze ingleses ofensores, e venceram-nos, assim lavando a honra das damas inglesas. Esses doze cavaleiros ficaram desde então conhecidos como os Doze de Inglaterra. Os nomes desses cavaleiros - na verdade treze, em número - são conhecidos, e são, todos, personagens historicamente atestados: Alvaro Vaz de Almada (depois Conde de Avranches); Alvaro Gonçalves Coutinho, dito “o grão Magriço”; João Fernandes Pacheco e Lopo Fernandes Pacheco (filhos de Diogo Lopes Pacheco, um dos assassinos de D. Inês de Castro); Alvaro Mendes Cerveira e Rui Mendes Cerveira, também irmãos; João Pereira Agostim; Soeiro da Costa; Luis Gonçalves Malafaia; Martim Lopes de Azevedo; Pedro Homem da Costa; Rui Gomes da Silva e Vasco Anes da Costa, dito “Corte Real.”

Destes nos vai interessar Soeiro da Costa. Assim, diz o cronista Gomes Eanes de Zurara (1410-1474) na sua Crônica dos feitos da Guiné, “Ca hera hi Sueiro da Costa, alcaide daquella villa de Lagos, o qual era homem nobre e fidalgo, criado de moco pequeno na camara delrrey dom Eduarte [D. Duarte] e que se acertava de seer em muy grandes fectos; ca elle fora na batalha de Monvedro, com elrrey dom Fernando dAragom contra os de Vallenca, e assy no cerco de Vallaguer, em que fezerom muy grandes cousas, e foe com elrrey Lancaraao [Ladislau], quando barrejou a cidade de Roma; e andou com elrrey Luis de Proenca [de Provença], em toda a sua guerra. E esteve na batalha da Ajancout [Azincourt], que foe hua muy grande e poderosa batalha entre elrrey de Franca e elrrey de Jngraterra. Efora ja na batalha de Vallamont, cabo de Caaes, com o conde estabre de Franca contra oduque dOssestre, e na batalha de Monseguro [Montségur], em que era o conde de Fooes [Foix] e o conde dArminhaque [d’Armagnac], e na tomada de Samsooes [Soissons] e no decerco de Ras [Rheims?] e assy no decerco de Cepta [Ceuta] Nas quaaes cousas sempre provou, coomo muy vallente homem darmas.” (Algumas datas, para se precisar a cronologia: em 1411 acontece a batalha entre Luiz de Anjou, rei de Provença e Ladislau de Durazzo, rei de Napoles; em 27.2.1412 ocorre a batalha de Murviedro; de 1.8.1413 a 31.10.1413, o cerco de Balaguer; entre 1412 e 1413, a batalha de Montségur; em 1414, o cerco de Roma; em 25.10.1415, a batalha de Azincourt; e em 1418-1419, o cerco de Ceuta.)

Podemos reconstituir a biografia de Soeiro da Costa, em parte sobre conjecturas, em parte sobre o testemunho de crônicas como a de Zurara, e em parte sobre documentos. Soeiro da Costa terá nascido c. 1390, muito provavelmente em Tavira ou em Lagos, se seu avô (pai?) tiver sido - como se discutiu já - Afonso Lopes da Costa, que recebeu em 1384, do Mestre de Aviz, o prazo de uma azenha em Tavira. Em seguida vemos, já com vinte anos ou quase, Soeiro da Costa batendo-se nos principais campos de batalhas de começos do século XV, como o fizeram também Alvaro Vaz de Almada e o “grão Magriço.” Nos documentos, Soeiro da Costa aparece pela primeira vez em 8.5.1433, quando D. Duarte nomeia-o para o cargo de almoxarife de Lagos no Algarve, dizendo-o “seu criado.” Em 18.5.1439 D. Afonso V chama-o alcaide em Lagos no ato em que lhe concede uma tença anual de 200 000 libras. Está como alcaide-mor e almoxarife até 1450, embora seu genro Lançarote da Ilha apareça como almoxarife em 11.4.1443. Soeiro da Costa renuncia à alcaidaria-mor de Lagos em 1452, e em 5.2.1452, a pedido do infante D. Henrique, D. Afonso V nomeia Afonso da Costa, filho de Soeiro, para o posto de alcaide-mor de Lagos (em 3.1.1486 D. João II confirma Afonso da Costa como alcaide-mor de Lagos).

Ainda outra notícia, de verbete enciclopédico: “Tantas ações de cavalaria já o faziam célebre na Europa, e estando bem firmados os créditos do infante D. Henrique pelos sucessos dos seus descobrimentos, a cidade de Lagos, contra as murmurações dos críticos, quis fazer novo armamento no ano de 1445, para destruir a ilha de Arguim, que muitos prejuízos causava, e entregou juntas 14 velas ao capitão Lançarote da Ilha (ou de Freitas), que fora criado do infante D. Henrique, no foro de seu moço da câmara, e era almoxarife de Lagos, por mercê do mesmo infante. Soeiro da Costa, apesar de já ter certa idade mas que não afrouxara como militar aguerrido, ofereceu-se generosamente, e lhe foi dada a capitania de uma delas; as quais, todas reunidas a mais 12, com que os de Lisboa e da ilha da Madeira, nesta facção mais de honra que de interesse, nada quiseram ceder aos de Lagos, saíram daquele porto a 10.8.1445. Separadas as caravelas por um forte temporal que sobreveio, cada uma com incerto rumo buscava sítio diverso ao longo da costa; mas como prudentemente, Lançarote havia determinado que, no caso de tempestade, todas demandariam a ilha das Graças para se reunirem, e ali se foram juntando umas às outras, e chegadas depois a Arguim, entraram na ilha afugentando todos os habitantes, podendo apenas lançar mão a 12 homens, que destemidos se arriscaram com as armas na mão a defender-se, combatendo com os nossos, dispostos a morrerem e não a se renderem. Nesta ação mostrou Soeiro da Costa qual seria o seu esforço em lances mais arriscados, e não contente com a vitória, com a espada tinta em sangue infiel, como quem prezava mais a religião que o valor militar, pediu que o armassem cavaleiro para de novo se alistar naquela conquista do Evangelho, e havendo recusado outras vezes esta honra na Europa e de mãos reais, agora a requeria em memoria daquele triunfo, aceitando-a da mão de Álvaro de Freitas, comendador de Aljezur, tendo a glória de o acompanhar o capitão Diniz Eanes de Gram, escudeiro do infante D. Pedro e sobrinho de Gonçalo Pacheco, que fora anteriormente criado do infante D. Henrique, e então já aposentado no oficio de tesoureiro­-mor da Casa de Ceuta, que recebeu conjuntamente a mesma dignidade de cavaleiro. Lançarote da Ilha seguiu viagem, ambicioso de maior gloria, e Soeiro da Costa retirou-se para o reino, acometendo de passagem o Cabo Branco e a ilha de Tider, recolhendo-se a Lagos vitorioso, e com muitas presas que trazia. Soeiro da Costa foi casado com Mécia Simões, filha de Gil Simões, alcaide-mor de Estoi (também no Algarve), de quem teve uma filha, que casou com o capitão Lançarote.”

Soeiro da Costa morre em 1472; já estava falecido de pouco em 14.8.1472, pois a partir de janeiro de 1471 ainda recebia, por mercê de D. Afonso V, uma tença de 5 mil reais de prata. Fora casado, como ficou dito, com Mécia Simões, ainda viva no tempo de D. João II, filha de Gil Simões que tinha a alcaidaria-mor de Estói, localidade junto a Faro.

A família mais antiga do Brasil?


A família mais antiga do Brasil ou descende de alguém que veio na frota de Cabral, ou descende de algum índio que aqui vivesse, comprovadamente, antes de 1500... Como nossos ancestrais da terra tinham apenas culturas ágrafas, a next best option está em encontrar algum antepassado na frota do “seu” Cabral.

(Tem famílias maias que podem traçar suas genealogias aos séculos XII ou XIII — ou o equivalente, nas suas culturas; tenho a reprodução de uma delas que conforme o caso posso reproduzir aqui.)

Ao que parece, o meu pessoal tem um avoengo na frota de Cabral, um tio-avoengo: Pero Vaz de Caminha. Explico o parentesco. Em 1520 o Dr. Cristóvão da Costa, lente da universidade em Lisboa e desembargador da relação na mesma capital, casa-se com a filha de um colega, Guiomar Caminha, filha do Dr. Fernão Vaz Caminha, também da relação de Lisboa e professor da universidade. Filha, e herdeira, do morgadio dos Caminhas. Penso que o Dr. Caminha — num recibo de 1501 assina, imponente, O Doutor Caminha — era filho de Rui Vaz de Caminha, meio-irmão mais velho de Pero Vaz de Caminha, nascido c. 1450 e † 1500 nas Índias, o escrivão da frota de Cabral. Rui Vaz de Caminha casou-se com Catarina Fernandes, filha legitimada de Fernão Vaz, “clérigo de missa,” e de Constança Afonso.

Ou seja, o nome “Fernão Vaz,” que ainda alcança um primo no século XX, vem desse Fernão Vaz, clérigo de missa, que esqueceu os votos e luxuriou-se com a moça Constança. Seu neto é o Dr. Fernão Vaz de Caminha, que por sua vez passa prenome e patronímico ao próprio neto, Fernão Vaz da Costa, futuro marido de Clemenza Doria.

Na imagem, cujo copyright pertence aos IANTT, o presente de 50 contos que D. Manuel, em 1.4.1520, dá ao Dr. Cristóvão da Costa, quando de seu casamento. Diz, “...Doutor Cristóvão/ da Costa, filho do alcaide-mor de Lagos...” na 5a. e 6a. linhas. E, igualmente ao pé do documento, “Cristóvão da Costa fo. do alcaide-mor de Lagos...”

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2007

Por que o ódio contra a inteligência?


Conversei isso muito, hoje, com Margô, sobre o que segue. Primeiro, lembro da frase de Steve Weinberg, Prêmio Nobel de física em 1979: se não fossem as universidades de pesquisa, os Estados Unidos seriam hoje apenas grandes exportadores de soja. Lembra que país exportador de soja? Hem? Hem?

Tanto a família dela quanto a minha — e põe aí nossos ascendentes comuns — sempre exibiram gente com instrução formal. Ou gente que patrocinava a cultura. Lembrei de um Tourinho que o Caio Tourinho desencavou em Coimbra, começos do século XVII; era dos baianos e estudava cânones por lá. No século XIX, tem gente cultivada a dar com o pé, na família de Margô: Demétrio Tourinho, que implantou a cátedra de medicina legal na Bahia; Simplicio Coelho de Resende e seu genro Antonio de Sousa Rubim, bacharéis e jornalistas. No século XX, Tio Álvaro, Álvaro Rubim de Pinho, o grande psiquiatra baiano, o Doutor Rubim, que motivou o comentário de João Ubaldo: “cuca que doutor Rubim não desentorta, ninguém desentorta.” Simplicio, pai dela. Os três irmãos Madureira de Pinho, Péricles, Demósthenes e Demades.

O lado da parentela comum começa em Nicola Acciaioli (1310-1366), grão-senescal de Nápoles. Descendia de catadores de acerola, como se viu, mas quis dotar Florença de uma universidade, o Palazzo degli Studj, anexo à Certosa. Do ramo dos duques de Atenas foi Donato Acciaioli (1428-1478), humanista, tradutor de Plutarco, cujos filhos tiveram como tutor a Lorenzo il Magnifico.

(Mas na verdade houve um doutor em cânones, lontanissimo, entre os Acciaiolis, messer Leone degli Acciaioli, que trouxe para a Itália da Ásia Menor os despojos de S. Tomé, e que depois aparece como doutor em cânones, e membro da corporação de' giudici e notai em Florença.)

Os Dorias medievais são um bando de senhores feudais brutalizados, brutta gente, como diz Mariana, mas, surpreendentemente, há mesmo poetas entre eles, como Perzivalle Doria, poeta provençal, do dolce stil nuovo, e Isotta, Marquesa de Saluzzo, também poetisa. Começo, no entanto, a lista quase contínua dos intelectuais da família no Dr. Cristóvão da Costa, nascido em Lagos cerca de 1485, e falecido em Lisboa em meados do século XVI. Foi bacharel em cânones por Salamanca, 20.2.1512. Doutorou-se em leis por Lisboa, em fins da mesma década. Foi reitor da universidade de outubro de 1526 a novembro de 1527, depois de ter servido como vice-reitor do Dr. Jorge Cotão. Desembargador da relação de Lisboa, desde antes de 1520, chegou a seu chanceler, o cargo mais alto do judiciário português à época. Fernão Vaz da Costa, o segundo marido de Clemenza Doria, foi seu filho; deles descendo com uma quebra na varonia.

Fernão Vaz foi antes uma espécie de cavaleiro andante tardio, homem de ação. Mas, logo no século XVII temos uma cabeça brilhantíssima na família, o padre Antonio Vieira (1608-1697). De Vieira não preciso falar; descendo de sua irmã, D. Inácia de Azevedo, casada com Fernão Vaz da Costa, terceiro do nome. Vieira era próximo aos sobrinhos desse lado: apadrinhou no batismo o sobrinho-neto Manuel de Sá Doria, nascido em 1676, e teve o pai deste, Francisco de Abreu da Costa, também terceiro do nome, como seu representante e porta-voz em Lisboa.

Em começos do século XIX meu trisavô José da Costa Doria aparece como “professor,” num documento de 1833. Em 1857, em Aracaju, testemunha o ato de fundação do primeiro teatro de Sergipe. Seu filho Doloque, Diocleciano da Costa Doria (1841-1920) é doutor em medicina pela Bahia em 1869, e depois diretor de instrução e higiene públicas, em Santa Catarina. O neto Antonio Moitinho Doria, Tunico (1875-1950), funda a OAB, no Rio, é também jornalista, e deixa várias coletâneas de ensaios, num estilo maravilhosamente límpido. Não preciso citar os primos arquitetos, MMM Roberto, Marcelo, Mauricio e Milton Doria Baptista, filhos de Yayá, da primeira geração da arquitetura moderna no Brasil. De papai falo depois.

No lado Accioli, meu trisavô José de Barros Accioli Pimentel (1820-1879) forma-se em medicina pelo Rio, e é considerado o Pai da Medicina Alagoana. Seu filho o Cel. Accioli de Vasconcellos, a quem Alayr chamava Botão de Rosa, ainda que não tendo estudos superiores completos, interessa-se pela telegrafia, sobre o que escreve uma monografia, e publica o Guia do Imigrante para o Império do Brasil, quando era diretor-geral de terras e colonização no império. Ah, José Antonio do Valle, bisavô de Nhanhã, mulher do Coronel Accioli, Dona Maria do Carmo do Valle. José Antonio do Valle era um bacharel em cânones coimbrão, e teve funções como juiz. Chegou a tomar ordens menores.

Do lado Moraes, mais gente. Os bacharéis: Prudente o velho, Prudente de Moraes, Prudente José de Moraes Barros; Manuel de Moraes Barros, o Tio Manduca — tios trisavós. Meu avô, Justo de Moraes (1883-1968), pai de mamãe, também advogada. Um engenheiro, o bivô, Luiz Mendes de Moraes, general de divisão com as honras de marechal, ministro da guerra em 1909; gostava de ser chamado Doutor Moraes, e não General Mendes de Moraes. Também seu sogro, Justo de Azambuja Rangel, e o cunhado, Silvio Ferreira Rangel, Tio Silvio. Todos engenheiros, que projetam e constroem o ramal de Vassouras da estrada de ferro por lá passando.

E agora vejo que, do lado de vovó, Herminia Gomes de Mattos Cresta (1888-1977), temos também bacharéis e engenheiros. Bacharel em cânones, Filipe Gomes de Mattos, que recebe o grau em 8.7.1773, conforme me comunicou hoje o primo Estrela. Seu neto Antonio Gomes de Mattos Jr. é engenheiro naval; estuda em Portsmouth e é considerado Pai da Marinha Mercante Brasileira. Sua mulher — a Joaquina da Praia da Joaquina, D. Joaquina Rosa de Oliveira e Costa.

E não preciso falar da inteligência familiar recente: o Neco, Prudente de Moraes, neto, que morreu na presidência da ABI (1904-1977), Tio Emanuel, Emanuel de Moraes; papai; Francisquinho, Francisco Eduardo Accioli Rabello, conhecido na Faculdade Nacional de Medicina como o Rabellinho, porque seu pai, Dr. Rabello, meu tio-avô, fora também um grande médico, Eduardo Rabello Filho. Antonio Paes de Carvalho. Muita gente. Do lado de Margô, Tio Alvaro e o pai dela, Simplicio, senador amazonense pela UDN (1913-1962); os Madureiras de Pinho; Rafael Carneiro da Rocha, o homem de voz de catedral submersa, como o chamava pessoa amiga. Muita gente.

No Brasil de hoje, a inteligência é desprezada, e provavelmente odiada. Contrastes históricos: na Russia de Pedro o Grande e Catarina a Grande, ou na entourage de Cristina da Suécia, filósofos eram tratados como se da nobreza fossem. Em Portugal e na França, desde o século XVI, a condição de letrado tornava o bacharel, doutor, lente ou juiz, pessoa de status nobre — elevava-o à nobreza, noblesse de robe, como se dizia. No Brasil império, ao tempo de Pedro II, catedráticos possuíam automaticamente o “título de conselho,” isto é, eram “do Conselho de Sua Majestade o Imperador.” Ao tempo da república velha, sim, a república dos bachareis, os catedráticos eram funcionários equiparados, no nível e no status, aos ministros do supremo.

A derrocada começou no tempo dos militares, e se acentuou nos governos Collor, FHC e Lula. Hoje tem professor universitário de universidade federal ganhando dois, três salários mínimos. Por que esse ódio à inteligência?

Na imagem: em outubro de 1526, o conselho dirigente da universidade de Lisboa decide ir falar com o rei D. João III em Alcochete; acima a ata da reunião. A assinatura do Dr. Cristóvão da Costa, reitor em exercício, Cristofforus, está no alto à esquerda. (Reproduzido do Auctarium Chartularii Universitatis Portugalensis, ed. de 1973, vol. II.)

Sou de Petrópolis desde o século XVIII...


Essa é uma descoberta de Rodrigo Estrela de Carvalho, primo do lado Gomes de Mattos, de vovó, mãe de mamãe. Filipe Gomes de Mattos, meu 5o. avô desse lado, era filho de Valério Gomes da Silveira, que teve uma das sesmarias mais antigas aqui da região, requerida em 7.2.1749. Tinha terras “nas bandas do Piabanha,” pelas alturas de Secretário. Filipe Gomes de Mattos foi avô de Antonio Gomes de Mattos Jr., Pai da Marinha Mercante Brasileira, casado com D. Joaquina Rosa de Oliveira Costa, filha dos 2os. Barões da Laguna, e a Joaquina que deu nome à Praia da Joaquina, em Santa Catarina; meus trisavós desse lado.

Em homenagem, mais uma foto daqui de casa, o alpendre junto à varanda.

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2007

Clemenza Doria (IV)


Alvará de 1559, no qual Fernão Vaz da Costa, “marido de Clemencia Doria, criada da Rainha minha senhora e avó,” é nomeado contador-geral das terras do Brasil.

A imagem tem o copyright do IANTT.

Clemenza Doria (III)






Eis aqui o rol das roupas e alfaias que “Clemencia” e “Catarina da Cruz” trouxeram para o Brasil; tudo preparado em dezembro de 1554. “Clemencia” é Clemenza Doria, e “Catarina da Cruz,” Catarina de Almeida, ou Catarina Lobo de Almeida.

Na última imagem, vê-se a assinatura: Raynha. Não é necessário enfatizar a proximidade das moças à real pessoa.

O copyright das imagens pertence aos IANTT.