quarta-feira, 16 de abril de 2008

Margô: testemunho do Pedro; datas

Pedro postou no seu blog um testemunho detalhado sobre a mãe:

http://pedrodoria.com.br/2008/04/15/minha-mae/

Algumas correções: Margô não era tímida, era recatada e discreta. Detestava gente chata, a quem devesse as hipocrisias sociais correntes, a quem devesse tratar bem e aturar. Fugia então, se escondia.

Acerto também as datas.

Nos conhecemos na casa de Nise da Silveira, numa reunião do Grupo de Estudos C. G. Jung, em 16 de maio de 1973, uma quarta-feira. Foi elétrico. Saímos depois, vários amigos e Margô no meio, para jantar no Recreio, uma churrascaria ali perto, e levamos junto o marido da Nise, Mário Magalhães. Na conversa no jantar descobriu-se que Mário e Nise tinham sido muito amigos dos avós de Margô e de seu pai. (Mário foi nosso padrinho de casamento.)

Duas semanas depois saímos pela primeira vez. Margô, estudante de medicina e querendo fazer psiquiatria, me pediu que a levasse ao serviço da Nise, no hospital de Engenho de Dentro. Passamos junto boa parte do dia — voltando de Engenho de Dentro, fomos à Quinta da Boa Vista lagartixar, porque a tarde estava de veranico de maio.

Aí viajei, fui a um congresso científico na Europa, e fui conhecer alguns cantos das oropas, Roma, Florença, Londres, tipo mochileiro. Voltei em 14 de agosto. Liguei para Margô chegando; voltamos a sair. Começamos a namorar nos inícios de setembro, resolvemos casar pouco depois, e nos casamos em 21 de dezembro de 1973. Sugeri eu mesmo a data, porque era o solstício de verão. Coincidência: era o dia em que se faziam batizados e casórios na família dela, desde meados do século XIX, em homenagem a uma avoenga dela, cujo retrato devidamente entronizamos então na parede com retratos dos antepassados aqui em casa.

4 comentários:

confetti disse...

lagartixar na quinta da boa vista...:-D

Francisco Antonio Doria disse...

Nessa tarde quente ela me falou várias vezes que estava com “ataque de verão.” Não é à toa que que Pedro fala tanto em verão; é quase como se a gente vivesse, muito tempo, num verão contínuo.

Não sei o motivo pelo qual ela não gostava de Marienbad. Achava o filme angustiante, coisa assim.

Aurélio Bulhões Pedreira De disse...

Caro Francisco:
Não sei se você se recorda de mim.
Sou amigo do Manuel e já trocamos algumas idéias sobre árvores genealógicas no orkut.
Quero lhe deixar o meu abraço e os mais profundos sentimentos pela perda de sua esposa.
Manuel é um grande amigo meu e fiquei muito triste ao saber da morte de sua mãe.
Abraços,
Aurelio Bulhões Pedreira de Moraes
www.pesquisapsi.com/linhacetica

Francisco Antonio Doria disse...

Lembro sim, Aurelio. Grato pela lembrança.